Muitos não sabem, mas o calendário que utilizamos no dia-a-dia possui uma média de 500 anos de existência, por alguns motivos que iremos descrever no artigo, este se tornou muito popular no mundo e atualmente é o mais utilizado, sim, estamos falando do calendário Gregoriano.

Calendário Gregoriano

Tudo começou no ano de 1582, quando o papa Gregório VIII determinou que todos os povos que possuíam influência direta da Igreja Católica devessem adotar o Calendário Gregoriano como o seu calendário oficial. Antes da promulgação do papa, o calendário em vigor da época era o Calendário Juliano, este que fora decretado por Júlio César no ano de 46 a.C, na época do Império Romano.

É importante destacar que o Calendário Gregoriano surgiu a partir do Calendário Juliano, contando com algumas modificações do calendário antigo, que teve sua origem na Grécia. O Calendário Juliano possuía um descompasso de dez dias, essa diferença fora acumulada no intervalo de data em que se utilizará o Calendário Juliano e o ciclo solar, um exemplo dessa diferença podia ser notada ao analisar o equinócio da primavera, onde o mesmo, estava ocorrendo dez dias antes do previsto ao invés de ocorrer no dia 21 de março.

Origem do Calendário Gregoriano

Sabendo desta defasagem, o papa Gregório VIII ordenou que fosse reunido um grupo e criado um estudo para solucionar tal problema, é sabido de dois grandes nomes que fizeram parte deste estudo, o jesuíta alemão, Christopher Clavius (sábio e matemático) e o médico, filósofo e astrônomo italiano, Luigi Giglio. Após 5 anos de estudos e análises, o papa enfim promulgou o novo calendário, o qual após receber as modificações fora nomeado de Calendário Gregoriano.

Além das alterações no antigo calendário Juliano, também foram impostas algumas regras por parte do papa em relação à impressão dos novos calendários, chamados agora de Gregorianos. A autorização por parte da Igreja Católica era imprescindível para que pudesse ocorrer a impressão dos calendários gregorianos, quem descumprisse destas regras, poderiam ser excomungados.

Alterações do calendário Juliano

Afim de solucionar as diferenças de dias do calendário, fora adicionado 10 dias na contagem do tempo, sendo assim, a Igreja Católica ordenou que o dia seguinte de 04 de outubro de 1582 (quinta-feira) seria o dia 15 de outubro de 1582 (sexta-feira). Este foi um marco na história que ficou conhecido como a mudança do Calendário Juliano para o atual, Calendário Gregoriano, vale lembrar que determinados povos localizados na Europa Oriental e também na Ásia Menor, seguiram fazendo uso do Calendário Juliano.

Após estudos foi identificado que o motivo do erro do Calendário Juliano que originara os 10 dias de diferença, se dava por conta do ano bissexto, sendo assim no Calendário Gregoriano foi definido que os anos bissextos deveriam acontecer a cada 04 anos, com exceção de intervalos de cem anos que não sejam múltiplos de quatrocentos, abaixo será dado exemplos de anos bissextos e anos que não seriam mais considerados bissextos.

Anos bissextos:

1600, 2000, 2400.

Anos que não são bissextos:

1700, 1800, 1900, 2100, 2200 e 2300.

Vale lembrar que a nomenclatura "bissexto" se popularizou por conta dos dois 6's contidos na quantidade de dias do ano (366), entretanto a origem real do termo "bissexto" ocorreu na época da Roma Antiga, onde os Romanos tinham o costume de realizar a contagem regressiva para toda virada de mês, já nos anos que continham 366 dias (bissextos), os romanos contavam duas vezes o sexto dia da contagem regressiva.

Polêmicas do Calendário Gregoriano

Ainda que a utilização do Calendário Gregoriano possua uma grande popularidade, existem uma série de críticas ao calendário, como por exemplo, o fato do calendário não seguir uma regra para que ocorra a diferença na quantidade de dias de cada mês, a qual varia entre 28 e 31 dias. Outro ponto de grandes polémicas do Calendário Gregoriano é a falta de sincronismo entre meses e semanas, vale evidenciar que é por meio destas unidades de tempo que é feito a regularização da jornada de trabalho.

O dia de Páscoa, dia de quarta-feira de cinzas e o dia de Corpus Christi são datas que possuem uma determinação contraditória no Calendário Gregoriano, isso porque estas 3 datas se baseiam no calendário lunar para serem definidas, fugindo da lógica da utilização dos calendários solares que já são vigentes há mais de 2 mil anos, onde o Calendário Juliano representa 1600 anos e o Calendário Gregoriano, mais de 400 anos.

Aceitação dos Países

Conforme dito anteriormente, o Calendário Gregoriano foi adotado inicialmente pelas nações que viviam uma grande influência por parte da Igreja Católica, abaixo é possível entender como foi a aceitações dos países:

Espanha, Portugal, Itália e França adotaram o uso do calendário logo após o papa promulgar, em contrapartida, Países que haviam se filiado à Reforma Protestante, adotaram o Calendário Gregoriano somente no inicio do século XVIII, na época o astrônomo chamado Johannes Kepler, afirmara que aqueles países preferiam se manter desconformidade com o Sol a concordar com o papa.

Baviera e Prússia, adotaram o uso do calendário em 1700.

Grã-Bretanha aderiu em 1752.

China, Bulgária, Rússia, Romênia, Grécia e Turquia aderiram entre 1910 e 1920.

Vale destacar que algumas nações por questões de tradição, ainda fazem uso de calendários diferentes, algo comum entre estes países é a adoção do calendário tradicional em questão e do Calendário Gregoriano.

Estrutura do calendário gregoriano

Como todos sabem, o Calendário Gregoriano possui 12 meses, os quais possuem entre 28 e 31 dias cada. Como explicado anteriormente, o Calendário Gregoriano, surgiu a partir do Calendário Juliano, este que implementado pelos Romanos, isso fica evidente quando analisarmos a nomenclatura que as unidades de tempo levam.

Meses do ano

Confira o nome dado para cada mês e a origem da nomenclatura:

  • Janeiro (homenagem ao deus romano chamado Jano, o qual era representação da passagem entre o passado e o futuro).
  • Fevereiro (homenagem ao deus Februus, para o povo etrusco era considerado o deus da morte. Este mês representa a purificação).
  • Março (homenagem ao deus Marte, considerado na mitologia romana o deus da guerra).
  • Abril (homenagem a deusa Vênus, no idioma etrusco era chamada de Aprus, Vênus era uma deusa do amor da beleza para os romanos. Também há outras hipóteses sobre o nome deste mês).
  • Maio (homenagem a deusa Maia Maiestas, outra deusa para os romanos).
  • Junho (homenagem a deusa Juno, cujo marido é Júpiter).
  • Julho (homenagem ao imperador Julio César, após o mesmo determinar o uso do Calendário Juliano em Roma, antes disso o nome do mês era quintilis).
  • Agosto (homenagem ao imperador Augusto, inicialmente, o mês se chamava sextilis, o qual era o 6º mês no antigo calendário de Roma).
  • Setembro (7º mês no antigo calendário de Roma).
  • Outubro (8º mês no antigo calendário de Roma).
  • Novembro (9º mês no antigo calendário de Roma).
  • Dezembro (10º mês no antigo calendário de Roma).

Dias da semana

Confira o nome dado para cada dia da semana e a origem da nomenclatura:

  • Domingo (homenagem ao deus Sol).
  • Segunda-feira (homenagem à Lua).
  • Terça-feira (homenagem à Marte).
  • Quarta-feira (homenagem à Mercúrio).
  • Quinta-feira (homenagem à Júpiter).
  • Sexta-feira (homenagem à Vênus).
  • Sábado (homenagem à Saturno).

É possível notar que os nomes dos dias da semana possuem uma referência ao nome original e foram preservados em diversos idiomas falados na Europa, até mesmo outros idiomas que não possuem origem latina, conforme é mostrado abaixo:

  • Domingo - em inglês é Sunday, em alemão é Sontag (os romanos chamavam de "dies solis", após a influência do cristianismo, começou a ser chamado de "dies dominicu", o que significa dia do Senhor).
  • Segunda - em italiano é lunedi, em espanhol é lunes, em francês é lundi, em inglês é monday, em alemão é montag (considerado o dia da lua).
  • Sábado - em inglês é saturday, em holandês é zaterdag (na Roma antiga sábado se chamava "dies saturni". Por conta da influência dos cristãos, começou a ser chamado de "sabatum", este que era um termo derivado do hebreu "shabbat").
  • Nos demais dias da semana, é possível notar uma referência à Marte, Mercúrio, Júpiter e Vênus nos nomes dos dias, isso ocorre na maior parte dos idiomas da Europa.

Curiosidades dos nomes da semana

Por incrível que pareça o idioma português foi um dos poucos a remover as referências nos nomes dos dias da semana, mantendo a referência somente no sábado e domingo. Outra curiosidade interessante é o fato de algumas culturas terem adotado o domingo como sendo o 1º dia da semana enquanto que outras escolheram a segunda-feira, no caso da primeira opção geralmente é por questões bíblicas, onde sabemos que de acordo com a bíblia sábado é considerado o 7º dia. No caso de culturas que escolheram a segunda-feira é devido ao fato da semana civil.

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