ALMANAQUE PRIDIE KALENDAS APRESENTA

 


 

 

 


MISTÉRIOS POLICIAIS

EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS

Hoje dia 27 de maio de 2003, o público brasileiro será apresentado à trama de 'O jogo', novo reality-show da Rede Globo. Os 12 investigadores terão que apontar o assassino de Wagner Klein, que era diretor da Escola Paes Brasil e candidato a prefeito da fictícia Vila de Santo Antônio. Acreditamos que essa nova fórmula, com criatividade e inteligência, terá tudo para ser um grande sucesso. Nesse ínterim, nós do "Almanaque Pridie Kalendas", antecipando o fato, prestamos uma homenagem justa e sincera, aos editores dos saudosos almanaques , nesta oportunidade representado pelo "Ciência Popular", de 1956, reeditando a seção: Mistérios Policiais (10 mistérios), um por mês; neste mês de maio lançando o primeiro deles.

Tenham um bom entretenimento!

 

MAIO/2003

MISTÉRIO NÚMERO 1

Quando o detetive Clarel chegou ao comissariado de polícia da pequena, mas rica, estação balneária em que estava passando alguns dias de férias, a sua irritação, em virtude do urgente chamado, já diminuíra bastante. Mas é que a sua colaboração se tornara indispensável.

Durante a noite, um ladrão entrara na residência de veraneio do Ministro X. O vigia, embora atraído por vários ruídos, não pudera distinguir na escuridão um sujeito que correra ao longo do muro de demarcação da propriedade, um muro de 1,55 m de altura, até alcançar o portão., cuja fechadura fora serrada. A polícia conseguira prender dois suspeitos, residentes na vizinhança, e encontrara todo o roubo escondido numa moita situada bem no meio do caminho que ligava os domicílios desses dois indivíduos. Um deles, João Rezende, era um jovem de 1.80 m, de ótimo estado físico; o outro, Miguel Normando, de 1,50 m, claudicava ligeiramente de uma das pernas, e contrastava bastante com o primeiro.

Trazidos à presença de Clarel, tanto João como Miguel negaram com todas as energias qualquer participação no roubo. Mas o detetive Clarel não insistiu, e virando-se para o comissário foi logo dizendo:

- Em vosso lugar, manteria preso Miguel Normando. Ele não tardará muito a confessar...

COMO CLAREL ADQUIRIU TAMANHA CONVICÇÃO ?

Se João Rezende tivesse sido o ladrão, certamente que não se arriscaria a correr ao longo do muro até alcançar o portão, cuja fechadura fora forçada. Para se livrar de um possível tiro do vigia, logo pularia o muro, tão baixo, de 1,55 m de altura. Já Miguel não podia fazer o mesmo, em virtude de seu talhe e de seu defeito físico.

JUNHO/2003

MISTÉRIO NÚMERO 2

Mergulhado numa poltrona, em face do detetive Clarel, o jovem de 24 anos começou a falar:

- Tudo se passou tão rapidamente...Joana havia entrado, dentro d'água, e eu me despia...Súbito, ouvi um grito...Corri, mas já era tarde...Ela desaparecera. Só três horas mais tarde é que a encontrei, a alguns quilômetros. Estou desesperado...Joana era tão linda, e eu a amava tanto!

Que a vitima era assaz bonita, o detetive sabia-o muito bem. Porque examinara o cadáver no necrotério. Ainda lá estava com o seu "maillot" justo. Apenas haviam-lhe tirado umas sandálias, cujas correias deixaram marcas nas pernas. Sua cabeleira loura apresentava todos os sinais de um permanente recente.

Sobre a mesa do detetive estavam espalhados os vários objetos que antes se achavam na grande bolsa de Joana: um "baton", o pó de arroz, um gorro de banhista, um lenço, uma calcinha, e duas cartas.

Voltou a indagar o detetive:

- Ela sabia nadar?

- Não, eu ia ensinar-lhe.

- O Sr. deveria casar-se brevemente com ela, pois não?

- Conversamos seriamente sobre tal assunto. Principalmente, depois que Joana verificou que estava grávida...

Com um olhar frio sobre o seu interlocutor, o detetive Clarel declarou firmemente:

- Então, é duas vezes assassino! Matou a sua amante e o seu filho!

COMO O DETETIVE PERCEBEU QUE SE TRATAVA DE UM CRIME, E NÃO DE UM ACIDENTE?

A moça não iria nadar de sandálias, um calçado cujas correias se prendem às pernas. Ela foi atirada dentro da água, e com precipitação do assassino, que nem notou que ela ainda não retirara da bolsa o gorro de proteção dos cabelos, e de uns cabelos que haviam sido ondulados recentemente.

JULHO/2003

MISTÉRIO NÚMERO 3

O detetive Clarel apanhou sobre os joelhos do cadáver da bela jovem um frasquinho verde, quadrado, e examinou-o. Em seguida, foi colocá-lo sobre um móvel, não muito distante daí, exatamente no lugar donde havia sido retirado, e que era denunciado por um contorno quadrado numa leve camada de pó.

 Não demorou muito a indagar:

- Por que este frasco é o único, entre tantos outros, a não ter rótulo? Estão claramente rotulados todos os vidros de sua coleção de venenos, Dr. Ricardo Longuet, salvo o que serviu para a morte de Estela Ruiz.

A resposta do toxicólogo veio imediatamente:

- É uma nova droga, me caro Inspetor. Sem sabor, nem cheiro, venho experimentando-a neste últimos tempos, e achei melhor conservá-la num frasco verde, quadrado, sem rótulo, para a distinguir com facilidade entre os outros venenos.

Insistiu Clarel:

- Ora, muito bem, como se passaram os fatos, exatamente?

O Dr. Ricardo, dando mostras do maior apreço:

- Estela apareceu às 5 horas da tarde. O que muito me espantou, porque jamais havia vindo ao meu laboratório. Expliquei-lhe que precisava sair rapidamente, para um encontro ligeiro com o gerente de meus negócios, o Dr. Benjamin de Azevedo; que ela me esperasse aqui mesmo, um quarto de hora no máximo. Saí, e voltei dentro do prazo marcado, mas em companhia do Sr. Benjamin, a quem precisava entregar um documento que me esquecera de levar. Mal entramos, demos com a triste cena: Estela caída na poltrona, com o frasco do terrível veneno sobre os joelhos, e parte do líquido pelo vestido e pelo chão...

- É na verdade, Sr, Inspetor - confirmou o Sr. Benjamin.

Mais uma vez o detetive Clarel:

- A moça tinha alguma razão para se suicidar?

O toxicólogo informando:

- Suponho que o homem a quem ela amava lhe comunicara que não se casaria de forma alguma...

Levantou-se o detetive, e, segurando o Dr. Ricardo Longuet, disse-lhe com toda severidade:

- Não perca tempo com fantasias. O melhor é confessar, sem demora, que a envenenou!

POR QUE O DETETIVE DESCONFIOU DO TOXICÓLOGO?

Ricardo afirmou que Estela viera ao laboratório pela primeira vez. Ora, nada mais inverossímil do que escolher, para se suicidar, um frasco sem rótulo, cujo conteúdo ela ignorava, no meio de muitos com indicações precisas nas respectivas etiquetas, e que lhe permitiam portanto realizar com segurança qualquer fúnebre intento.

AGOSTO/2003

MISTÉRIO NÚMERO 4

Quando Clarel chegou à delegacia, Luciano Vieira estava exausto. Pudera, desde as duas horas da madrugada que os investigadores o vinham submetendo a terrível interrogatório, acusando-o de haver assassinado, com um atropelamento propositado, seu colega de trabalho, Carlos Montefiori, com quem questionara fortemente na véspera. Luciano dirigia um velho automóvel, e Carlos pilotava uma boa motocicleta. Para que chegassem em casa, ambos tinham de percorrer a mesma estrada até certo ponto, onde tomariam outros caminhos, em ângulo reto sobre a estrada principal; o desastre dera-se a 40 metros desse local. Carlos fora atirado longe, e tivera o crânio esmigalhado contra um meio fio de pedra; o velocímetro de sua moto parara em 70 Km/hora. O automóvel de Luciano apresentava todos os indícios do choque: farol esquerdo quebrado, pára-choque fora do lugar, pára-lama todo amassado, etc. Ocorrera o acidente num trecho bastante escuro, e evidentemente a máquina de Carlos fora colhida por trás.

O detetive Clarel ainda ouviu parte do interrogatório dos investigadores e a negativa obstinada do indiciado. Até que não mais se conteve, e disse:

- Este homem está inocente, e após tantas emoções bem que precisa de repouso. Foi outro automóvel, e não o dele, o que causou o acidente; será fácil descobri-lo numa garage ou numa oficina. Quando o carro do Sr. Luciano pegou a moto, já acontecera o desastre fatal...

COMO O DETETIVE CLAREL, EM TÃO POUCOS MINUTOS, PODE INOCENTAR UM HOMEM SOBRE O QUAL PESAVAM AS MAIS GRAVES SUSPEITAS?

O acidente ocorreu a cerca de 40 metros do ponto em que Luciano e Carlos deviam separar-se, tomando estradas em ângulo reto com a principal. A moto seguia na frente com a velocidade de 70 Cm/hora, já que todos aceitavam como tendo sido ela alcançada por trás. Ora, um velho automóvel não poderia acelerar a ponto de correr com uma velocidade maior que essa, e ainda por cima fazer uma curva poucos metros adiante sem capotar. Evidentemente que o desastre fora causado por outro motorista, que fugira. Luciano, devido à escuridão, não vira a moto caída no solo, e pegou-a mas sem conseqüências maiores..

SETEMBRO/2003

MISTÉRIO NÚMERO 5

O detetive Clarel ergueu-se, após haver examinado o corpo de Laurentino de Alencar, estendido perto da parede. E dirigindo-se para Marcelo Murre indagou:

- Então, como foi?

- Vou contar-lhe como tudo se passou. Laurentino telefonou-me, pedindo que viesse vê-lo sem a menor demora. Ele era meu sócio na venda de automóveis. Mal cheguei, Laurentino propôs que bebêssemos um cálice de conhaque. Como as empregadas não estavam, ele mesmo foi à copa, e de lá trouxe os cálices cheios. “Marcelo”, disse-me, “vou partir para uma longa viagem, porque gastei todo o dinheiro de nossa sociedade, e você com certeza vai mandar prender-me!”. Depois, virando-se para o retrato do pai, na parede, exclamou: “Até breve!”, bebeu o conteúdo de seu cálice, e caiu a fio comprido. O seu pai também morreu, por suicídio; um mal de família, portanto.

Clarel subiu ao andar superior, para telefonar da biblioteca. Aí, notou na máquina portátil de escrever uma folha de papel, na qual fora iniciada uma confissão da escroqueria que havia cometido Laurentino de Alencar. Ela não estava terminada, nem assinada.

Não demorou muito Clarel a voltar à sala em que se achava o cadáver. Observou o retrato do pai de Laurentino, e depois, apontando um cálice colocado sobre um consolo apoiado na parede oposta, perguntou a Marcelo:

-É o seu cálice?

- Não. É o de Laurentino. Não quis tocá-lo...

Clarel cheirou o cálice que contivera o veneno, e dirigiu-se mais uma vez a Marcelo:

- Por que o Sr. Está tão perturbado? É porque envenenou Laurentino de Alencar, ou porque cometeu um erro?

EM QUE SE BASEOU EM QUE SE BASEOU CLAREL PARA TAL ACUSAÇÃO?

Marcelo afirmara que Laurentino bebera diante do retrato, e caíra ao solo. Como, portanto, o cálice com o veneno fora parar no consolo, a quatro metros do cadáver? Tratava-se evidentemente de um jogo de cena, preparado por Marcelo Murret.

OUTUBRO/2003

MISTÉRIO NÚMERO 6

 “Os jornais na caixa das cartas, eis o que muito me intriga”, explicou Júlio, o jardineiro, ao detetive Clarel, que parecia muito interessado nas diversas chaves que o serralheiro experimentava sucessivamente na porta de entrada da rica residência da Sra. Carpeaux, que vivia sozinha, desde a morte do marido.

O portão do jardim não oferecera qualquer problema. Pois Júlio possuía uma chave, da qual se servia duas vezes por semana quando vinha fazer o seu trabalho normal.

Afinal, a fechadura cedeu. Clarel entrou no apartamento térreo, “ o único aliás que a proprietária ocupava”, segundo informação de Júlio.

Os três homens encontraram-se destarte num longo vestíbulo, sobre o qual davam várias peças.

Completo silêncio. A primeira porta à esquerda era a do banheiro; tudo aí estava em ordem. À direita, outra porta; era a do quarto. Estava fechada a chave pelo exterior. Também a ordem mais absoluta aí reinava. O mesmo aconteceu com a sala de jantar à direita do vestíbulo, e com outro quarto à esquerda, abrindo-se na base de uma escada para o pavimento superior.

- Mas onde é a cozinha? , indagou Clarel.

- Por aqui, respondeu Júlio, encaminhando-se para a porta do fundo, que abriu, após girar a chave na fechadura.

Lá estava a Sra. Carpeaux, caída ao solo, com a cabeça voltada para a porta. Pouco sangue. A bala atravessara-lhe a cabeça de lado a lado da direita para a esquerda. O revólver ficara sob o seu corpo. Sobre o fogão a gás, apagado, uma chaleira com um pouco d’água, e o cabo virado para a pia, à esquerda do fogão.

Aparentemente, a morte ocorrera a menos de 48 horas.

Com a palavra Clarel: - Chegamos tarde. Nada mais podemos fazer por ela.

- Uma senhora tão viva, tão alegre, tão feliz. Quem poderia supor que se suicidaria! , murmurou o serralheiro.

- Está aí uma coisa em que não acredito!. Disse Júlio, tristemente.

- Também eu não acredito em suicídio, falou Clarel, após acender um cigarro. E com um olhar duro para o jardineiro: - Você cometeu três erros, ...e lhe custarão bem caro!

 

EM QUE SE BASEOU COMO O DETETIVE CLAREL PERCEBEU TÃO RAPIDAMENTE QUE NÃO SE TRATAVA DE SUICÍDIO, E SIM: CRIME, E QUE JÚLIO ERA O ASSASSINO?

Primeiro:- A porta da cozinha estava fechada pelo lado de fora, e isso a vitima não podia ter feito. Segundo:- A posição da chaleira indicava que a Sra. Carpeaux se servia de preferência da mão esquerda. Ora, a bala atravessara-lhe a cabeça da direita para a esquerda. Terceiro:- As portas do quarto e da cozinha estavam fechadas a chave. E Júlio não hesitara diante desta: torcera logo a chave, em vez de experimentar a maçaneta. Fechara a porta da cozinha, como o fizera com a do quarto, após roubar as economias da vítima.

NOVEMBRO/2003

MISTÉRIO NÚMERO 7

Naquela manhã, enquanto se encaminhava para o famoso Hotel Palace, Clarel parecia um tanto nervoso, a ponto de falar consigo mesmo:

- "Desta feita, será um caso bastante difícil, talvez até impossível de desvendar. Numa praia mediterrânea, em plena estação de veraneio, são sem conta os amigos do alheio. Ainda que o meu homem tenha sido bastante gentil para me deixar as suas impressões digitais, o mais provável é que, praticado o roubo, haja voado daqui..."

Enfim, Clarel chegou ao Palace, onde o chefe da recepção, lhe disse que Linette Christian, a jovem estrela, vitima do roubo, já o esperava, e que, portanto, podia subir. No corredor, sobre o qual dava o apartamento 304, o detetive viu saindo daí um respeitável senhor, com volumosa pasta de couro preto. "É sem dúvida o representante da companhia de seguros que veio saber exatamente o que foi roubado, a fim de providenciar a indenização a que tem direito a linda artista..."

A jovem e fascinante mulher tivera tempo de se recuperar da forte emoção que experimentara na véspera, quando lhe roubaram dois maravilhosos anéis, cada qual com um solitário puríssimo, e um grande colar das mais finas pérolas. De modo que recebeu Clarel, em seu magnífico quarto, sem o menor sinal de perturbação. Era uma ampla peça, com uma janela para o mar, e do outro lado, em face desse vão, a porta para o banheiro.

Linette começou a explicar:

- Foi precisamente quando tomava a minha ducha. Ia terminar, quando escutei um ruído anormal. Maquinalmente, olhei para o espelho que se encontrava em minha frente, e que, como o Senhor poderá observar, permite se veja parte do quarto, e com especialidade a penteadeira sobre a qual havia deixado as jóias antes de me preparar para o espetáculo de gala da noite de ontem, e, Santo Deus!,  percebi uma sombra. Tudo durou o tempo de um relâmpago. Entrei a gritar, cobri-me, e corri para a penteadeira. Mas era tarde, as jóias e o ladrão haviam desaparecido!"

- Queria pedir-lhe um favor - falou Clarel, suavemente. Precisava que reconstituísse a cena, isto é: que retomasse a mesma posição de ontem, no momento em que suas jóias foram roubadas...

- Ora, nada mais simples. E quero fazer isso com todas as minúcias, salvo uma: A de não ficar nua, e sim: metida neste "peignoir"...

- Mas claro que sim!...

Linette dirigiu-se para o banheiro, colocou-se sob a ducha, e fez correr a cortina, que não fechava completamente, permitindo a abertura deixada ver em diagonal, através de um espelho situado a metro e meio, o que se passava no quarto.

Com a palavra Clarel:

- Sem dúvida, um ladrão muito hábil. Teve dois minutos para se decidir, e executar o golpe...

Linette cortou-lhe o raciocínio:

- Dois minutos, não. Um pouco mais. Nunca permaneço menos de cinco minutos sob uma ducha muito quente... O Senhor compreende: nós, as artistas, temos que pagar esse tributo à elegância...

Clarel nem esperou que a linda estrela saísse do banheiro. Foi logo dizendo-lhe, sem a menor cerimônia:

- Nesse caso, o melhor é esquecer toda a história do roubo, porque a polícia não gosta de quem se mete a enganá-la, e poderia até iniciar um processo pelo fato da a Senhora querer arranjar dinheiro fraudulentamente, que a isso equivale o exigir que uma companhia de seguros indenize o que de fato não foi roubado.

EM QUE SE BASEOU COMO CLAREL PODE EM ALGUNS SEGUNDOS MODIFICAR SEU JUÍZO, E AFIRMAR COM TANTA SEGURANÇA QUE SE TRATAVA DE UM ROUBO SIMULADO?

Apenas três palavras traíram Linette: "cinco minutos" e "quente". De fato, estando o espelho situado a 1,50 metros da ducha, tomada quente e durante cinco minutos, sem a menor dúvida ficaria todo coberto de uma névoa, que tornaria impossível observar qualquer coisa que se passasse no quarto.

DEZEMBRO/2003

MISTÉRIO NÚMERO 8

O detetive Clarel sorri para a sua encantadora secretária Violeta, e começa a ditar-lhe este relatório.

- O caso Delaborde é bastante curioso. Anita Delaborde, uma velha solteirona, surda, doente, muito rica, só recebia pessoas íntimas, e vivia praticamente em seu quarto há anos. Tinha um amigo, Pick-up, um magnífico papagaio que não a deixava. Seu pessoal compunha-se de uma enfermeira (Catarina Maio), um jardineiro (José Breuille) e uma cozinheira (Margarida Sully). O interrogatório, realizou-se no quarto do primeiro andar. Em seu poleiro, Pick-up interrompia-nos às vezes com onomatopéias, ou agitando a pata esquerda, de maneira ameaçadora. Eliminei rapidamente Margarida Sully, em virtude de um álibi irrefutável. A enfermeira, de seu turno, declarou-me que entre as 16 e 16,30 h, quando ocorreu o crime, havia ido comprar ovos numa fazenda, longe alguns quilômetros. Fiz então entrar José Breuile. O papagaio mal o viu, pôs-se a gritar: "Não me mates, José!", "Não me mates, José!". Olhei o homem interrogativamente. E ele emocionadíssimo falou: "É mentira! Não matei a patroa! Nem sequer entrei nesta casa durante o dia! "Imediatamente efetuei a prisão de quem cometeu o crime...

EM QUE SE BASEOU QUEM ASSASSINOU A VELHA RICAÇA?

Foi a enfermeira, Catarina Maio, quem assassinou a velha ricaça. Após afastar a cozinheira, o detetive ficou em presença de José e Catarina. Ora, o papagaio gritou: "José, não me mates!", parecendo repetir as últimas palavras da vitima. Mas os papagaios não emitem as frases que escutam uma, duas ou três vezes. E decerto José é que não iria ensinar a Pick-up coisa tão comprometedora. Portanto, só a enfermeira poderia levar semanas, antes do assassínio, a treinar o pássaro, e isso com o intuito evidente de jogar sobre o jardineiro a culpa do crime que muito bem premeditara.

Fim da série! Espero que tenham gostado.

Crédito da imagem: "Mistérios de Watson", ilustração, por Frank Wiles; informação obtida do excelente Sherlock Brasil.


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