CALENDÁRIOS

INTRODUÇÃO      

OS COMPONENTES DOS CALENDÁRIOS

(Continuação)

Voltando ao conhecimento dos babilônios sobre os fenômenos dos eclipses, consta que sabiam, por exemplo, que os fenômenos do Sol só ocorriam nos fins de meses e, os da Lua, nos meados.

Da mesma forma, conheciam o interregno, de cinco ou seis meses, existentes entre os eclipses lunares.

Controvérsias à parte, podemos concluir, quanto aos calendários, que sem dúvida alguma, a contribuição dos babilônios foi muito importante.

A forma alternada, de meses com 29 ou 30 dias, com inserções periódicas, foi utilizada por inúmeros povos, prevalecendo até os dias atuais, em calendários de estirpe, como judaico e islâmico ou maometanos.

Os primeiros, mantendo em seus sistemas de calendários, com 19 anos de 69.396 dias, lunações médias de 29,530212766, ou, 29 dias, 12 horas, 43 minutos e 30,38 segundos e os islâmicos ou maometanos, com o ciclo de 30 anos e, lunações médias de 29,5305555556, ou, 29 dias, 12 horas e 44 minutos.

 4- ANO SOLAR(CALENDÁRIO)

Por definição, são considerados calendários solares, àqueles que procuram refletir a revolução aparente do Sol, ao redor da Terra, coincidindo com maior ou menor precisão, o ano solar com o civil.

A revolução trópica do Sol para 1995, calculada pela fórmula de Newcomb é de 365,242192957 dias médios ou,

365 dias, 5 horas, 48 minutos e 45,47 segundos

Há um contingente apreciável de estudiosos, que consideram os egípcios, como precursores do calendário solar, em que pese, terem primitivamente adotado um calendário lunar de 360 dias(12 X 30).

Como veremos com mais detalhes em outra oportunidade, por volta de 4000 a.C., os egípcios descobriram um período, denominado de Sótico, do qual, basearam-se para projetar um calendário vago de 360 dias (12 X 30), mais 5 dias epagômenos.

Sob a ótica da astronomia, são considerados vagos, os calendários solares ou mesmo lunares que, constituindo-se de 365 dias, não são ajustados com algo equivalente ao ano bissexto. Esse hiato, provoca automaticamente uma alternância das estações do ciclo solar, fazendo-as desfilar pelos vários meses do ano calendário, coincidindo novamente uma data ou marco inicial, somente após um longo período.

Com o passar dos anos, não se sabe exatamente em que época, os analistas egípcios, descobriram que, no final de cada quatro anos, a estrela Sirius surgia antes do ocaso do Sol, atrasando-se aproximadamente 1 dia.

Ou seja, o ano trópico não tinha 365 dias, mas sim 365 dias mais um quarto, ou:

533.265 dias  dividido por 1.460 (período Sótico)= 365,25

 Embora o meio cientifico culto da época admitisse essa defasagem, o calendário egípcio permaneceu sendo de 365 dias.

Arrisco afirmar que, houve uma ruptura entre os eventos tipicamente astronômicos, com seus números fracionários, do eminentemente práticos dos calendários, com seus números absolutamente inteiros.

Foi intensificado a utilização dos chamados ciclos, para as aferições dos problemas astronômicos, das dos calendários, para os aspectos civis; astrônomos da mais alta linhagem, de Ptolomeu à Copérnico, adotaram o calendário egípcio como padrão de mensuração do tempo.

Por volta de 238 a.C., Ptolomeu III, o Benfeitor  (Euergetes), que subiu ao trono no ano 246 a.C., sugeriu que o calendário fosse mudado; a proposta não foi aceita.

Todavia, já sob o domínio dos romanos, por volta de 25 a.C., os egípcios são obrigados a reformular o seu calendário, transformando-o de vago para fixo, espelhando-se no calendário juliano.

De quatro em quatro anos, teria que ser introduzido um sexto dia epagômeno; a primeira adição aconteceu em 22 a.C..

Como veremos oportunamente, o calendário juliano foi introduzido no ano de 46 a.C., em Roma, curiosamente, com assessoria sistêmica do matemático e astrônomo egípcio Sosígenes.

Historiadores mais exigentes, chegam afirmar que houve um retrocesso sistêmico, na configuração do calendário juliano; alegam que o assessor, talvez levado pela praticidade dos romanos, tenha se deixado influenciar negativamente, em detrimento da técnica.

Na minha modesta opinião, penso totalmente diferente e peço permissão aos Amigos para declinar o seguinte:

O analista egípcio, foi extremamente hábil na reformulação sistêmica do calendário romano. Tendo rompido definitivamente com o ciclo lunar, vincula ao calendário, agora tipicamente solar, um ciclo temporal que é aferido por dias inteiros, completados por um dia fracionário.

Nasceu assim, o CICLO DO CALENDÁRIO OU CICLO SOLAR DE 28 ANOS, compondo-se de:

21 anos de 365 dias = 7.665 dias

7 anos de 366 dias = 2.562 dias

Total = 10.227 dias

10.227 dias dividido por 28= 365,25 dias

  Em rigor, essa cifra aproximada para a revolução trópica do Sol, satisfazia as exigências astronômicas da época.

Com o passar do tempo e o natural desenvolvimento  científico, ficou expresso que havia uma pequena, mas progressiva defasagem; nos últimos momentos da "agonia"do sistema, mensurou-se ser de 10 dias.

Em resumo, embora reconhecendo a imprecisão do sistema juliano, houve uma demora exagerada na sua eventual correção.

Finalmente, em outubro de 1582, o calendário foi reformulado, passando do Velho Estilho como posteriormente ficou conhecido, para o Novo Estilo ou, calendário gregoriano, vigente até os dias atuais.

Grosso modo, o ciclo atual, compõe-se de 146.097 dias, ou seja, quatrocentos anos mais um dia, fazendo com que atinjamos nesse período, a cifra de 365,2425 dias médios, aproximando-se bem da atual revolução sinódica do Sol de 365,242192957.

5- OS CICLOS ASTRONÔMICOS INFLUENCIANDO OS CALENDÁRIOS

Uma das mais belas "batalhas"dos analistas sistêmicos de calendários, ou, como queiram, simplesmente calendarístas, foi sem dúvida alguma, a tentativa de refletir os fenômenos astronômicos, principalmente do Sol e da Lua, em cronogramas temporais.

Até quando supunha-se haver uma harmonia absoluta entre as revoluções siderais e a matemática, refletida em números inteiros, os analistas julgaram que era questão apenas de tempo, o total equacionamento dos ciclos e, a sua simulação operacional, traduzidas em normas, pela quais, toda a sociedade, pudesse dela se beneficiar.

Calendários lunares, solares ou luni-solares fora, através dos povos, se proliferando vertiginosamente. A troca de informações, ou pelas constantes viagens dos sábios, leituras de manuscritos ou, simplesmente pela subjugação de um povo pelo outro, em virtude de guerras e, também, por que não conjeturar, pela espionagem pura e simples, reforçava o conhecimento dos eruditos da época.

Para alguns a decepção, para outros a satisfação; não havia a correlação perfeita, absoluta, entre a matemática e os astros.

Souberam, por exemplo, que a revolução trópica do Sol, intermediava-se entre as cifras 365 e 366 e, por sua vez, a revolução sinódica da Lua, ocorria entre 29 e 30 dias.

Cada povo com sistemas e objetivos diferentes, conseqüentemente problemas diversos, mediante aferições e comparações periódicas, percebiam que defasagens constrangedoras até, existiam e, no sentido puramente prático, tornava-se qualquer ajuste, por menor que fosse, um grande problema.

Como que instintivamente, os diretamente responsáveis, passaram a separar, embora com uma inevitável associação, o que seria um acompanhamento puramente astronômico do temporal.

Numa liberdade e conjetura literária, reputo ser a partir dessa época, o momento do surgimento dos períodos ou ciclos astronômicos.

Provavelmente, o precursor tenha sido o período Sótico de 1.460 anos, num total de 533.265 dias, perfazendo uma média anual de 365,25 dias.

Como vimos no item anterior, o calendário egípcio que era de 365 dias, ainda por muito tempo permaneceu sem qualquer alteração.

Talvez em virtude dos egípcios orientarem suas verificações na direção prática, mais em função dos fenômenos do Nilo e suas manifestações sócio/econômicas, progrediram pouco no campo específico da astronomia.

Avanços propriamente ditos devemos aos gregos, os quais praticamente revolucionaram os conceitos até então vigentes.

Salvo melhor juízo, deve-se tal incremento a Sólon, que viveu por volta do ano de 594 a.C., e, introduziu o calendário lunar de 354 dias com 12 meses, com 6 meses de 29 dias ou cavos e, 6 meses de 30 dias ou plenos, perfazendo a média mensal de 29,5 dias.

(recomendo como leitura complementar Ciclos Astronômicos Antigos)

Percebeu-se claramente que, somente a criatividade e o artificialismo sistêmico, conduziria a uma melhor realidade conciliatória.

Depois de dois ciclos de menor expressão, o Dietérida, de dois anos e o Tetraetride de quatro, estabeleceram os gregos um mais importante de oito anos denominado de Octaetéride.

Mas sem sombra de dúvidas, foi o ciclo de 19 anos, introduzido por Meton, àquele mais significativo para o mundo erudito e, também foi o que ficou célebre.

Mediante a sua invenção, Meton estabeleceu o seguinte:

 

Revolução trópica do Sol= 365,263157895

ou,

365 + 1/4 + 1/76

 

Revolução sinódica da Lua= 29,5319148936

ou,

29 + 1/2 + 3/94

Posteriormente Cálipo reformula o ciclo metônico.

Finalmente, surge Hiparco, considerado por muitos, como o maior astrônomo da antiguidade, tendo talvez, como maior feito, o de ter descoberto a precessão dos equinócios, um movimento por demais lento e retrógrado, fazendo deslizar os nodos da órbita terrestre ao longo da eclíptica.

Infelizmente, Hiparco não deixou escritos substanciais dos seus trabalhos.

As citações ao grande astrônomo e, divulgações de alguns feitos, são sobejamente reverenciados por Ptolomeu, na sua fabulosa obra O Almagesto. Dentre elas, o de haver Hiparco, confirmado as mensurações de Cálipo, quanto a duração do ano trópico em 365,25 dias e, de ter as quatro estações do ano, os seguintes comprimentos:

94 1/2
92 1/2
88 1/8
90 1/8
365,25 dias

Divulgou também, que o fabuloso astrônomo, posteriormente, em aferições mais precisas da revolução trópica do Sol, chegou a cifra de:

365 dias + 1/4 - 1/300 (365,246666667)

ou aproximadamente

365 dias, 5 horas, 55 minutos e 12 segundos

Comparando-se, pela fórmula de Newcomb, com a revolução trópica do Sol, para 1995, em 365,242192957 dias, ou:

365 dias, 5 horas, 48 minutos e 45,47 segundos

podemos constatar a preciosidade dos cálculos de Hiparco.

Em que pese toda essa precisão, não podemos deixar de reafirmar o feito dos chamados "Os Gregos da América", os Maias, que tudo indica, em um ciclo de 3.172 anos, aferiram, para o ano trópico, 365,242118537 dias, ou:

365 dias, 5 horas, 48 minutos e 39,042 segundos

6- AS PRINCIPAIS ERAS

Felizmente não com muita freqüência, usam os vocábulos Era e Época, superficialmente relativos, mas na acepção da palavra, dispares entre si, para designarem a mesma coisa.

Era, é um determinado número de anos decorridos de um eventual fato marcante; época é o momento efetivo desse ocorrido.

Nos primórdios, como constata-se na Bíblia e nos relatos dos historiadores antigos, foi usual, para contagem do tempo, a denominação GERAÇÕES.

Os registros subseqüentes, todavia, parecem refletir que, somente a partir do século VIII, passaram a utilizar o vocábulo eras.

Infelizmente, a meu entender, não poderia ser ao contrário, não houve unanimidade na aferição; cada povo, baseando-se em argumentos do seu interesse, passou a contar o tempo a seu modo.

Vejamos uma classificação aceita pelos principais historiadores:

Da criação do mundo segundo o computo de Constantinopla 5508 a.C
Da criação do mundo segundo Alexandre (Era Alexandrina) 5502 a.C
Era Maçônica 4000 a.C
Da criação do mundo segundo os Israelitas 3761 a.C
Era das Olimpíadas 776 a.C
Era da fundação de Roma (segundo Varrone) 753 a.C
Era Nabonassar 747 a.C
Era de Gimmutenno 660 a.C
Era de Confúcio 551 a.C
Era Budista 543 a.C
Era "Seleucidi" ou Era Sírio-Macedônica o Grega 312 a.C
Era de Tiro 125 a.C
Era Juliana 45 a.C
Era Augusta 27 a.C
Era Etíope (*) 8 a.C
Era Cristã (conforme Dionisio) iniciada em 1 de janeiro 1 d.C
Era Hindu 78 d.C
Era de Diocleziano, O Rei Mártir (Era Copta) 284 d.C
Era da Hégira Maometana 622 d.C
Era Persa (* 1) 632 d.C
Era da Reforma Luterana 1517 d.C
Era do calendário gregoriano 1582 d.C
Era da República Francesa 1792 d.C

(*) Os etíopes discordam da data convencionada para o nascimento de Cristo. Na Etiópia, o nascimento de Jesus ocorre 8 anos antes do calendário gregoriano;

(* 1) Os persas como os muçulmanos, começaram suas contagens desde 622 d.C; todavia, enquanto o ano muçulmano tem 354 dias, o persa tem 365 dias.