CALENDÁRIOS

INTRODUÇÃO      

OS COMPONENTES DOS CALENDÁRIOS

(Continuação)

2- A SEMANA

Para os antigos habitantes da Terra, a semana não existia.

No Antigo Testamento, como já citamos, em Gênesis, previa-se a figura das "ESTAÇÕES" como marcos periódicos.

Vejamos, por exemplo, o povo hebreu.

Embora tivessem um calendário baseado em meses lunares, como agricultores, tinham também um calendário agrícola, com base nas estações. Na palestina, o ano era dividido em estação seca e chuvosa; e, estes, subdividiam-se em "Sementeira" e "Ceifa".

Gênesis 8:22

" ENQUANTO DURAR A TERRA NÃO DEIXARÁ DE HAVER SEMENTEIRA E CEIFA, FRIO E CALOR, VERÃO E INVERNO, DIA E NOITE."

As semanas, com o nome dos seus dias, provavelmente foram introduzidas durante o Império Romano.

Por essa ocasião, a SEPTIMANA ou as sete manhãs, advindas da astrologia, de origem

babilônica, tomou um grande impulso, tornando-se inclusive bem popular.

A astrologia baseava-se na seguinte classificação:

Shamash Titão ( O Sol)
Sin Diana (A Lua)
Nabu Mercúrio (mensageiro dos deuses (*)
Istar Vênus (deusa da beleza)(*)
Nergal Marte (Deus da guerra)(*)
Bal ou Marduk Júpiter (Deus dos deuses)(*)
Ea Saturno (Deus do tempo)(*)

(*) Planetas conhecidos, por serem visíveis a olho nu; não conheciam Urano, Netuno e Plutão.

Os nomes Titão e Diana, foram substituídos pelos respectivos nomes latinos Solis e Lunae, permanecendo, os nomes dos deuses orientais, com seus equivalentes em latim. Outros povos, foram adaptando aos seus dias da semana, nomes que correspondiam aos seus deuses.

Um outro motivo que fez com que os antigos consideram-se a semana de sete dias, foi o ciclo lunar, como sabemos entre o quarto crescente e a lua cheia passam-se sete dias.

Falar da importância do Sol para os povos primitivos é até prolixidade, pois qualquer ser humano, com um mínimo de conhecimento, sabe que sem ele, mesmo atualmente, com toda a nossa decantada tecnologia, não haveria a menor possibilidade de mantermo-nos vivos.

Para àqueles povos antigos, todavia, faltava ainda todo um caminho a percorrer, até obterem os conhecimentos atuais; do desconhecido, da admiração ao endeusamento, é um espaço muito curto. Tanto é assim que o Senado Romano, através de lei, declarou o Sol como Deus.

Nada mais natural então, dedicar-se o primeiro dia da semana ao Deus Sol (Solis).

São Justino, o Mártir, filósofo e apologista cristão, posteriormente, perseguido e sacrificado por volta do ano de 165 a.C, começa a chamar o primeiro dia da semana de Dominica, ou seja, O Dia do Senhor, sugerindo que nesse dia, não fosse praticado nenhuma espécie de trabalho, dedicando-se exclusivamente às preces ao Senhor, um verdadeiro descanso dominical.

Dessa forma, para os considerados verdadeiros cristãos, a prática do descanso dominical e a ida às missas, era transcendental; tanto é verdade que por volta do ano de 300 a.C, a Igreja proibiu os fiéis de todo trabalho considerado servil e, estabeleceu a obrigatoriedade de irem as missas nos primeiros dias da semana, punindo com a temida excomunhão, quem porventura faltasse as mesmas, por três vezes consecutivas.

Mas não pensem os senhores, que essa prática de descansar um dia da semana, não foi duramente criticada e combatida, por parte das autoridades constituídas e, dos chamados formadores de opiniões. Entretanto, como diz o ditado "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura", que com o passar do tempo e, a consolidação do cristianismo, institucionalizou-se tal prática.

Com a vitória do cristianismo, os dias da semana, foram substituídos como segue:

ROMANO CRISTÃO
Solis Dies (Dia do Sol) Dominica (Dia do Senhor)
Saturni Dies (Dia de Saturno) Sabbatum (Dia do Descanso, do Hebraico Shabbath)

As línguas de origem latina, com exceção da língua portuguesa, mantiveram os nomes dos dias da semana do original, com a alteração acima.

Em Portugal e, conseqüentemente o Brasil, países de língua portuguesa, foi seguida à risca a liturgia oficializada pela Igreja, eliminando-se dos nomes dos dias da semana, àqueles considerados pagãos.

Nos primórdios do cristianismo, a Páscoa era comemorada durante os sete dias da semana. 

Constantino I , O Grande, sinônimo de protetor da religião cristã, através da vitória que conseguiu, próximo aos muros de Roma, contra Maxêncio, estabeleceu definitivamente o cristianismo como religião oficial do Império Romano. Em 313, através do Édito de Milão, entre outras determinações, transformou os sete dias da comemoração da Páscoa como feriados "Feriae".

ÉDITO DE MILÃO Fonte:- Extraido na íntegra do site português Corvo Branco    http://planeta.clix.pt


Pois que eu, Constantino Augusto, e eu, Licínio Augusto, viemos sob bons auspícios a Milão e aqui tratamos de tudo o que respeitava ao interesse e ao bem público, entre as outras coisas que nos pareciam dever ser úteis a todos sob muitos aspectos, decidimos em primeiro lugar e antes de tudo, emitir regras destinadas a assegurar o respeito e a honra da divindade, isto é, decidimos conceder aos cristãos e a todos os outros a livre escolha de seguir a religião que quisessem, de tal modo que tudo o que existe de divindade e de poder celeste nos possa ser favorável, a nós e a todos os que vivem sob a nossa autoridade.

Assim pois, num salutar e rectíssimo propósito, decidimos que a nossa vontade é que não seja recusada absolutamente a ninguém a liberdade de seguir e de escolher a prática ou a religião dos cristãos, e que a cada um seja concedida a liberdade de dar a sua convicta adesão à religião que considere útil para si, de tal forma que a divindade possa conceder-nos em todas as ocasiões a sua habitual providência e a sua benevolência.

Assim, bem foi que nos aprouvesse emitir esta decisão, a fim de que, depois de completamente suprimidas as disposições anteriormente dirigidas à Tua Devoção a propósito dos cristãos, fosse abolido o que se afigurasse absolutamente injusto e incompatível com a nossa clemência, e que agora, cada um dos que, livre e claramente, tomaram a livre determinação de praticar a religião dos cristãos, a pratique sem de algum modo ser prejudicado. Eis o que nós decidimos comunicar integralmente à Tua Solicitude, a fim de que saibas que demos um poder livre e sem entraves aos referidos cristãos de praticarem a sua religião. Posto que a Tua Devoção compreende que nós lhes atribuímos esta liberdade sem qualquer restrição, ela compreende igualemente que também aos outros que o queiram é concedida a possibilidade de seguir a sua prática e a sua religião, o que evidentemente é favorável para a tranquilidade dos nossos tempos: deste modo, cada um tem a possibilidade de escolher e praticar a religião que quer. Isto foi decidido por nós de forma que não parecesse que limitávamos a alguém qualquer rito ou religião.

E além disso, eis o que nós decidimos no que respeita aos cristãos. Os seus locais, onde antes costumavam reunir-se e a respeito dos quais, numa disposição dirigida anteriormente à Tua Devoção, uma outra regra tinha sido estabelecida em momento anterior, se tiverem sido comprados, pelo nosso fisco ou por quem quer que fosse, que os devolvam aos referidos cristãos sem pagamento e sem reclamar nenhuma compensação, sem negligência nem ambiguidade. E se alguns receberam estes locais como dádiva, que eles os restituam com a maior brevidade aos referidos cristãos. Assim, se os adquirentes destes locais ou os que os receberam gratuitamente reclamarem alguma coisa à nossa benevolência, que eles se apresentem ao tribunal do magistrado local, a fim de que, pela nossa generosidade, lhes seja concedida uma compensação. Todos estes bens deverão ser devolvidos à comunidade dos cristãos pela tua diligência sem qualquer delonga e integralmente.

E como os referidos cristãos não possuíam somente os locais de reunião, mas eram tidos como proprietários também de outros locais que não lhes pertenciam a título individual, mas ao domínio da sua comunidade, isto é, à comunidade dos cristãos, tu determinarás que todos estes bens, segundo a lei que citamos atrás, sejam completamente devolvidos, sem qualquer contestação, aos referidos cristãos, isto é, à sua comunidade e assembleia. As aludidas disposições devem ser ostensivamente observadas, de tal forma que aqueles que os restituírem sem receber o preço, como atrás dissemos, possam contar com uma indemnização, em virtude da nossa generosidade. Por tudo isso, deves conceder à aludida comunidade de cristãos o zelo mais eficaz, a fim de que a nossa determinação seja cumprida o mais rapidamente possível, para que também esta matéria contribua pela nossa benevolência para a tranquilidade comum e pública.

Efectivamente, por esta disposição, conforme foi dito acima, a solicitude divina para connosco, já demonstrada em numerosas circunstâncias, permanecerá para sempre. E, a fim de que os termos da nossa presente lei e da nossa generosidade possam ser levados ao conhecimento de todos, é conveniente que o que nós escrevemos seja afixado por ordem tua, seja publicado em toda a parte e chegue ao conhecimento de todos, por forma que a leidevida à nossa generosidade não possa ser ignorada por ninguém.

Informações sobre Milão
SECOM

 Um complemento histórico para fortalecer o nosso assunto em epígrafe

http://www.consbrasmilao.it/Portoghese/Seco0102.htm

Assim sendo, todos os sete dias "Feriae", ou feriados, seguindo a antiga tradição cristã de numerar os dias a partir do sábado (sabbati), a semana transformou-se em:

Prima Sabbati (Primeiro dia após o sábado)
Secunda Sabbati (Segundo dia após o sábado)
Tertia Sabbati (Terceiro dia após o sábado)
Quarta Sabbati (Quarto dia após o sábado)
Quinta Sabbati (Quinto dia após o sábado)
Sexta Sabbati (Sexto dia após o sábado)

Imagem obtida do excelente trabalho desenvolvido em:

http://sites.uol.com.br/agnus.dei.2002

Posteriormente, o Papa Silvestre I, em 325, através do Concílio de Nicéia, legalizou a semana com sete dias, mantendo o Dominus ou Dominica (Domingo), Dia do Senhor e o Sabbatum (Sábado), conservando em respeito ao Antigo Testamento, o termo hebraico "Shabbath", sem numerálos, ficando os 7 dias da semana, como segue:

Dominica

Secunda- Feriae

Tertia- Feriae

Quarta- Feriae

Quinta- Feriae

Sexta- Feriae

Sabbatum

 NOSSA RECOMENDAÇÃO: Para àqueles interessados no aprofundamento do tema, recomendo uma visita à página: http://sites.uol.com.br/agnus.dei.2002/1niceia0.htm, com atenção especial em: 4. Carta de Constantino sobre a Celebração da Páscoa e 11 Digressões sobre a questão da Celebração da Páscoa.

 INTRODUÇÃO

  1. O que foi o Primeiro Concílio Ecumênico de Nicéia?

 DOCUMENTOS OFICIAIS

  1. O Credo de Nicéia

  2. Os Cânones dos 318 Bispos reunidos em Nicéia da Bítinia

  3. Outros Cânones de Nicéia segundo a versão Árabe

  4. Carta de Constantino sobre a Celebração da Páscoa

  5. Carta Sinodal à Igreja de Alexandria

 ESTUDOS DIVERSOS

  1. O Credo de Eusébio

  2. Digressões sobre a palavra "Consubstancial"

  3. Digressões sobre a palavra "Gerado"

  4. Digressões sobre a palavra "Cânon"

  5. Digressões sobre a Disciplina Pública ou Exomologesis da Igreja Primitiva

  6. Digressões sobre a Comunhão dos Enfermos

  7. Digressões sobre a Transferência de Bispos

  8. Digressões sobre a Usura

  9. Digressões sobre as Diaconisas na Igreja Primitiva

  10. Digressões sobre o Número de Cânones do Concílio de Nicéia I

  11. Digressões sobre a questão da Celebração da Páscoa

  12. Ação proposta sobre o Celibato do Clero

Continuando...

Provavelmente, em vista dos mercados e feiras livres que, tradicionalmente se ampliavam nesses festejos, adotou-se popularmente a alteração prosódia de "Feriae" para Feira, prevalecendo esta última, em adição aos adjetivos ordinais, para os dias da semana.

Nota:- Dos povos considerados cristãos, como os espanhóis, italianos, franceses, etc. somente Portugal, suas colônias e Brasil, mantiveram essa tradição, com os seus dias das semanas, voltando todos os outros, aos nomes mitológicos ou astrológicos.

Como curiosidade, montei os quadros seguintes, os quais procuram demonstrar as derivações etimológicas dos dias semanais, bem como científicas, usadas em calculadoras e microcomputadores (programas).

 

LINGUAS

 

ROMANICAS

 
     

LA

TIM

     

BRASIL/

PORTUGAL/

E OUTROS

CÔMPUTOS

ECLESIÁSTICOS

CALCULA-

DORAS

E

COMPUTA-

DORES

NORMAL

LITÚRGICO

ITALIANO

FRANCÊS

CASTELHANO

SEGUNDA

FEIRA

G 1 LUNAE DIES SEGUNDA FERIA LUNEDI LUNDI LUNES
TERÇA

FEIRA

F 2 MARTIS DIES TERTIA FERIA MARTEDI MARDI MARTES
QUARTA

FEIRA

E 3 MERCURIS DIES QUARTA FERIA MERCOLEDI MERCREDI MIERCOLES
QUINTA

FEIRA

D 4 JUNIS DIES QUINTA FERIA GIOVEDI JEUDI JUEVES
SEXTA

FEIRA

C 5 VENERIS DIES SEXTA FERIA VENERDI VENDREDI VIERNES
SÁBADO B 6 SATURNI DIES SABBATUM SABATO SAMEDI SÁBADO
DOMINGO A 7 SOLIS DIES DOMINICA DOMENICA DIMANCHE DOMINGO

Continua...

 

LINGUAS

ANGLO-

GERMANICAS

             

BRASIL/

PORTUGAL/

E OUTROS

CÔMPUTOS

ECLESIÁSTICOS

CALCULA-

DORAS

E

COMPUTA-

DORES

ALEMÃO

ESCANDINAVO

SAXÃO

INGLÊS

SEGUNDA

FEIRA

G 1 MONTAG MANADAGR MOON'S DAY MONDAY
TERÇA

FEIRA

F 2 DIENSTAG TYRSDAGR TIW'S DAY TUESDAY
QUARTA

FEIRA

E 3 MITTWOCH ODIN SDAGR WODEN'S DAY WEDNESDAY
QUINTA

FEIRA

D 4 DONNRSTAG THORSDAGR THOR'S DAY THURSDAY
SEXTA

FEIRA

C 5 FREITAG FRIADAGR FRIGA'S DAY FRIDAY
SÁBADO B 6 SONNABEND LANGARDAGR SATERNE'S DAY SATURDAY
DOMINGO A 7 SONNTAG SUNNUDAGR SUN'S DAY SUNDAY

denominação dos dias da semana dados pelos antigos...

segunda- feira Dia da Lua
terça-feira Dia de Marte
quarta-feira Dia de Mercúrio
quinta-feira Dia de Júpiter
sexta- feira Dia de Vênus
sábado Dia de Saturno
domingo Dia do Sol


 

A correspondência da segunda-feira ao número 1, terça ao 2... e, domingo ao 7, deve-se a Resolução 2.015, da Organização Internacional de Padronização, sugerindo que a segunda-feira, seja o primeiro dia da semana e domingo o último, bem como, será a primeira semana do ano àquela cuja quinta-feira, seja a sua primeira.

3- O MÊS


 
 

Astrônomos do passado efetuando as suas mensurações. 

Por incrível que pareça ao leitor, digamos, mais afoito, o calendário não começou pelo ciclo conhecido como ano, mas sim pelo mês.

Tal constatação, atendo-se a detalhes, como veremos no decorrer das nossas páginas, é até fácil de compreender. Foi, para o homem de antanho, acostumado a olhar para cima e vislumbrar um céu não poluído, infinitamente mais fácil de perceber que a Lua, em ciclos relativamente periódicos, apresentava-se com aspectos (fases) deslumbrantes.

De uma luz total (plenilúnio ou lua cheia) até a outra luz total, ou melhor de uma luz nova (lua nova) até a outra luz nova, decorriam de 29 a 30 dias, perfazendo uma média de 29,5 dias.

Depois da astrologia que lhe serviu de berço, é bem provável que a astronomia seja a ciência mais antiga do homem; os babilônios dominavam ambas, com maestria, embora com os parcos recursos da época.

A divisão do ano lunar em meses lunares e estes em quatro semanas foi creditado a esses geniais babilônios; além das fases naturais, também sabiam que a Lua nascia e se punha um pouco mais tarde, entre duas luas cheias, cada noite.

Outrossim, podemos supor que o desfilar cíclico da Lua, coma as chamadas lunações, foram fundamentais aos antigos, na arte de confeccionar calendários.

Provavelmente, assirios, babilônios e mais alguns povos da antiga mesopotâmia, aderiram a um calendário lunar e, desprezando frações, não evidentemente com as apuradas atualmente, determinaram que o mês tivesse o espaço de 30 dias.

 


(Continua)