Apontamento de do ano de 1900:
“Guimarães
é cidade do Minho, e cabeça de concelho. Fica entre os
rios Ave e Vizela, com 9.100 habitantes e é servida pelos
caminhos de ferro de Guimarães.
Tem notáveis edifícios e indústria de cutelaria e
de tecidos de linho. Ali nasceu o primeiro rei de Portugal,
D. Afonso Henriques e
também Santo Damaso. O concelho tem 79 freguesias e 54.750
habitantes”.
Guimarães
é cidade e sede de concelho do Distrito de Braga e da Província
do Minho. São variadíssimas as fontes etimológicas que
diversos autores atribuem ao nome da cidade. Entretanto, a
mais natural e é a que o supõe a corrupção do termo
Vimaranes, nome da antiquíssima povoação, existente num
lugar próximo, ou no mesmo lugar onde hoje assenta a
importante cidade do Minho, émula a muitos respeitos da sua
vizinha Braga. Este mesmo nome de Vimmaranes tem duvidosa
origem, portanto uns supõem dado por Vimarano, chefe celta
ou galo-celta. Outros por um conde também assim chamado,
que no tempo dos godos governava a região de Entre Douro e
Minho; e outros ainda por Vimarano, irmão do rei godo D.
Fruela, que imperou no século Vll da era cristã.
O
seu altaneiro castelo o que se atribui o nascimento da Fundação
de Portugal, cuja construção se deve a várias épocas,
provavelmente desde o tempo do Conde D. Henrique até ao de
D. João l “ o Boa Memória” substitui uma outra
fortificação anterior, provavelmente feita de madeira,
mandado edificar pela condessa Mumadona no século X e que
fora destruída por normandos ou mouros.
Actualmente
ainda se pode ver no castelo a sua torre de menagem de 27
metros de altura no centro,
rodeada por muralhas em que se abrem três torres
defensivas, bem como as ruínas da alcáçova, do século
XlV.
Mais
abaixo, fica a Igreja de São Miguel do Castelo, estilo românico.
De pequenas dimensão, construída por uma só nave e
cabeceira rectangular, a sua construção é atribuída ao século
Xll.
No
seu interior existe uma pia baptismal que a tradição
celebrou como aquela em que D. Afonso Henriques foi
baptizado.
Não
há dúvida é que Guimarães é de fundação anterior à
Monarquia e é
considerada berço da Nacionalidae Portuguesa, por aqui ter
nascido D. Afonso Henriques.
Segundo
alguns autores, recebeu o primeiro foral em 1111, concedido
pelo Conde D. Henrique, pai de D. Afonso Henriques,
confirmado em 1128 por sua mulher, D. Teresa. Em 1254, D.
Afonso lll outorgou-lhe novo foral e aumentou-lhe os privilégios,
o qual foi confirmado e renovado em 1517 por D. Manuel l.
Em 1853, em pleno reinado de D. Maria ll, foi elevada
à categoria de cidade.
Guimarães
foi cenário de várias Cortes, e é da tradição que as
primeiras aqui realizadas, em 1093, onde foi decidido
entregar o Governo do Condado Portucalense ao Conde D.
Henrique.
Muitas
vezes apontada pela designação de “berço da
nacinalidade portuguesa”, como honorífica autonomásia de
terra materna do primeiro rei português, Guimarães prende
a atenção do turista pela singularidade da sua fisionomia
de cidade antiga, coroada pelo venerando roqueiro afonsino
(dos mais perfeitos que a Península Ibérica possui) e de
cidade actual, com enorme fulcro industrial e comercial.
Em
épocas muito anteriores à vinda dos Romanos, a região era
já bastante povoada, tal como o comprovam os vestígios da
vida originária existentes nos montes da Penha, Polvoeira,
Briteiros, Sabroso, etc.
Foi
no século X e em consequência das sucessivas razias
mouriscas e de bandos Normandos que se teria determinado a
construção do castelo de Vimaranes, obra promovida pela
condessa Mumadona, viúva do Conde Hermenegildo Mendes.
Foi
em Guimarães, na alcáçova do castelo ou no paço, vizinho
do castelo, que nasceu D. Afonso Henriques. Estava na
primeira meninice quando seu oai morreu em Astorga. De modo
que os negócios do Condado passaram a ser geridos pela
condessa D. Teresa, tendo o infante sido coniado ao poderoso
cavaleiro Egas Moniz que o educou e preparou para a lides da
guerra nas suas terras de Riba Douro, em Paços de Sousa, Cárquere,
Resende e Tarouca.
Aos
14 anos, o Infante (mais tarde o primeiro rei), arma-se
cavaleiro pelas suas próprias mãos, na catedral de Zamora
( Galiza – Espanha). Até que depois de vários
acontecimentos bélicos, se dá o combate de São Mamede em
que D. Afonso Henriques derrota os partidários de D.
Teresa, sua mãe.
Foi
após a Batalha de Ourique que D. Afonso Henriques instituiu
a chamada “Colegiada da Igreja de Santa Maria de
Oliveira”, qual faria parte uma das maiores figuras do
pensamento escolástico europeu do século Xlll, Pedro Julião
(ou Pedro Hispânico), mais tarde Papa João xxi, o único
pontífice português que a História da Igreja católica
apostólica romana regista.
A
história de Guimarães é a própria história de Portugal
durante os primeiros reinados.
Mais
tarde e após a vitória da Batalha de Aljubarrota (14 de
Agosto de 1385), D. João l cumpriu a sua promessa, entrando
na antiga vila descalço e entregando na “colegiada”
parte de sua armadura de combate, o altar de prata ganho na
batalha, e dando começo às grandes obras de ampliação do
templo.
Guimarães
foi elevada à categoria de cidade em 21 de Junho de 1853, e
nela ainda poderá encontrar:
MURALHAS
MEDIEVAIS:
Guimarães foi cingida por uma cerca amuralhada mandada
construir por D. Dinis. O penoso e custoso cerco que D. João
l fez à então vila, logo após as Cortes de Coimbra (Curia),
para tentar submeter o alcaide partidário do rei
castelhano, pôs bem à prova o seu poder defensivo.
O
GÓTICO E
O BARROCO:
no centro e a caminho da Igreja de S. Francisco,
depara-se-nos anorte uma fachada corrida de casas do século
XlX que até ao
Toural se desenvolve numa sequência cheia de ritmo e
harmonia, com suas cantarias, azulejos e algumas estatuetas
de cerâmica. Na Igreja de São Francisco somos postos
perante a presença fortíssima de duas épocas: a gótica e
a barroca. De facto, embora noutras ocasiões se tenham
feito obras no convento -
nomeadamente nos séculos XVl e seguinte
- na igreja são
estas as que mais avultam, a primeira na estrutura da
capela-mor, a segunda nos azulejos e talhas. A sacristia e o
claustro, com as salas do capítulo, merecem uma visita, bem
como a Capela da Ordem de São Francisco. As traseiras da
Ordem de São Francisco dão já para a zona da cidade que
até muitos vimaranenses desconhecem
- a zona dos
curtumes, junto ao rio dos Couros, até há poucos anos
centro de intenso labor da curtimenta das peles, cujo cheiro
pouco agradável afastava as pessoas.
Com
os antigos edifícios fabris abandonados e eu ruínas ou
reutilizados para novas indústrias, os pelames
transformados em lixeiras e o saneamento por fazer, tem sido
difícil sobrepor a estes aspectos o valor histórico e estético
que este conjunto de facto tem.
Ao
longo da Rua de Camões, vamos encontrando algumas das mais
bonitas varandas de torneados, especialmente um grupo ao
fundo e à esquerda, quase em frente da Igreja das
Dominicanas, esta bastante desfigurada com o “descasque”
de que foi vítima durante as últimas obras. Ao cimo da Rua
de D. João l, com uma série de interessantes casas de várias
épocas, muito estragadas quer pelo tempo, quer pelos
restauros, surgem a Igreja de São Domingos, gótica, e o
edifício barroco da Ordem Terceira, da mesma invocação.
No
Toural entramos na zona de grande movimento comercial, com
as fachadas dos séculos XVlll e seguinte. Pela Porta da
Vila passa-se à Rua da Rainha, que faz a ligação com o
Largo da Oliveira e continua a ser também uma artéria de
comércio, aliás desde há longos anos, como o indica o seu
anterior topónimo -
Rua Nova dos Mercadores. A ela vão dar algumas
travessas muito características. A caminho da Oliveira
passa-se pelo Largo da Misericórdia, com a sua igreja, e vê
em seguida a Casa (barroca) dos Lobos Machados.
Também
do Toural parte outra rua comercial e quase toda do século
XlX a Rua de Santo António, que, como a Rua Paio Galvão,
liga o centro às Estradas de Braga e Famalicão e à zona
do Estádio Municipal, junto do qual se realiza a feira
todas as sextas feiras. Se do Toural descermos a Rua D. João
l, encontramos no fundo desta o Cruzeiro dos Pombais, ou de
D. João l, que a tradição indica como local de início da
peregrinação de agradecimento feita por aquele rei depois
da Batalha de Aljubarrota até ao outro cruzeiro existente
junto à Igreja da Oliveira.
Não
podemos deixar ainda de referir um outro ponto de grande
interesse para quem visite esta cidade. À esquerda deste
cruzeiro e ao cimo da Rua das Lameiras, antes da mata do
Costeado, existe ainda a última oficina de oleiro desta
zona, tradicionalmente ocupada pelos fabricantes quer de louça
comum, quer das célebres cantarinhas de prendas.
Actualmente, já ninguém trabalha neste ofício, mas o
conjunto formado pela casa onde está instalada a oficina e
os seus fornos e um grupo de habitações e antigas oficinas
mais acima é não só um testemunho de um tipo de vida que
aqui se desenvolveu, como mais um dos monumentos a
acrescentar ao grupo dos três da “colina sagrada”.
Guimarães
e Famalicão são dois dos concelhos mais industrializados
de Portugal. Ligados por uma estrada coalhada de importantes
fábricas têxteis, têm outras de grande importância no
domínio das cutelarias, couros, etc. Concretamente, parece
ter existido em Vizela a primeira fábrica de papel da
Europa. Rio de Couros, ainda dentro de Guimarães, foi
importantíssimo centro de tratamento de peles, hoje em ruínas,
mas, felizmente, classificado já como imóvel de interesse
público, tornando-se assim o primeiro complexo industrial
de Portugal merecedor de tal distinção. Em Santiago da
Cruz (Famalicão) existe a maior fábrica têxtil de
Portugal. Esta predominância tão forte do sector terciário
não invalida um concreto tratamento agrícola dos campos(
milho, vinho, batata e feijão), um cuidado muito especial
na doçaria e uma forte alegria de vida, traduzível em múltiplas
festas e romarias de intenso colorido e vibração.
A
Província do Minho, onde Guimarães está inserida, é
considerada o “Jardim de Portugal” tal as suas belezas
naturais.
Tem
lindas quintas típicas quintas que são construídas sobre
uma base, a toda a largura do edifício, destinada às
adegas, onde a uva era, e em muitos casos ainda é pisada e
o vinho amadurecido em grandes pipas. Esta é também a
configuração da Quinta da Casa de Sezim, que fica situada
a poucos quilómetros da bela e laboriosa cidade histórica
de Guimarães. Na parte frontal do jardim, onde é visível
por o terreno por o terreno ficar mais baixo. A todo o
comprimento da casa existe uma varanda larga e comprida, com
elegantes colunas e balaustradas em ferro, conferindo-lhe um
aspecto colonial distinto. A varanda dá para um jardim
formal, de canteiros de buxo, enquanto nos terraços
inferiores existem caminhos abrigados da luz do sol através
de pérgolas em arco, rodeadas de pereiras.
Uma
visita a Guimarães ficaria incompleta sem uma visita a esta
preciosidade, que, à medida que nos aproximamos a casa
vai-se tornando visível a meio caminho da encosta de um
monte. As suas linhas alongadas e os telhados baixos
conferem-lhe uma escala simples. Os muros baixos que cercam
a propriedade estão cobertos por cascatas de mimosas que
nesta região nasce por toda a parte. Conforme vamos subindo
por um caminho sinuoso, ao qual largas bermas dão aparência
de ampla avenida, desvela-se pouco a pouco, a fisionomia da
casa.
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Fonte:-TERRAS
E GENTES DE PORTUGAL
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