I) HONRANDO A SUA PALAVRA (EGAS MONIZ)   

(Clique na Hino de Portugal. na bandeira para conhecer o hino de Portugal)

HONRA AO MÉRITO

Infelizmente, procedimentos como o Almanaque "Pridie Kalendas" irá divulgar, hoje em dia,  são bem raros; que sirva de lição para todos nós.

Há muitos anos, para sermos mais precisos, no século XII, estando o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques (pai da pátria portuguesa- 1109-1185), totalmente cercado em Guimarães e, pelas circunstancias totalmente adversas, sentindo-se perdido, prometeu subserviência (vassalagem) ao rei de Leão caso este abandonasse o cerco.

GUIMARÃES


Apontamento de do ano de 1900:

“Guimarães é cidade do Minho, e cabeça de concelho. Fica entre os rios Ave e Vizela, com 9.100 habitantes e é servida pelos caminhos de ferro de Guimarães. Tem notáveis edifícios e indústria de cutelaria e de tecidos de linho. Ali nasceu o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques e também Santo Damaso. O concelho tem 79 freguesias e 54.750 habitantes”.

Possível origem do nome:

Guimarães é cidade e sede de concelho do Distrito de Braga e da Província do Minho. São variadíssimas as fontes etimológicas que diversos autores atribuem ao nome da cidade. Entretanto, a mais natural e é a que o supõe a corrupção do termo Vimaranes, nome da antiquíssima povoação, existente num lugar próximo, ou no mesmo lugar onde hoje assenta a importante cidade do Minho, émula a muitos respeitos da sua vizinha Braga. Este mesmo nome de Vimmaranes tem duvidosa origem, portanto uns supõem dado por Vimarano, chefe celta ou galo-celta. Outros por um conde também assim chamado, que no tempo dos godos governava a região de Entre Douro e Minho; e outros ainda por Vimarano, irmão do rei godo D. Fruela, que imperou no século Vll da era cristã.

O seu altaneiro castelo o que se atribui o nascimento da Fundação de Portugal, cuja construção se deve a várias épocas, provavelmente desde o tempo do Conde D. Henrique até ao de D. João l “ o Boa Memória” substitui uma outra fortificação anterior, provavelmente feita de madeira, mandado edificar pela condessa Mumadona no século X e que fora destruída por normandos ou mouros.

Actualmente ainda se pode ver no castelo a sua torre de menagem de 27 metros de altura no centro, rodeada por muralhas em que se abrem três torres defensivas, bem como as ruínas da alcáçova, do século XlV.

Mais abaixo, fica a Igreja de São Miguel do Castelo, estilo românico. De pequenas dimensão, construída por uma só nave e cabeceira rectangular, a sua construção é atribuída ao século Xll.

No seu interior existe uma pia baptismal que a tradição celebrou como aquela em que D. Afonso Henriques foi baptizado.

Não há dúvida é que Guimarães é de fundação anterior à Monarquia e é considerada berço da Nacionalidae Portuguesa, por aqui ter nascido D. Afonso Henriques.

Segundo alguns autores, recebeu o primeiro foral em 1111, concedido pelo Conde D. Henrique, pai de D. Afonso Henriques, confirmado em 1128 por sua mulher, D. Teresa. Em 1254, D. Afonso lll outorgou-lhe novo foral e aumentou-lhe os privilégios, o qual foi confirmado e renovado em 1517 por D. Manuel l. Em 1853, em pleno reinado de D. Maria ll, foi elevada à categoria de cidade.

Guimarães foi cenário de várias Cortes, e é da tradição que as primeiras aqui realizadas, em 1093, onde foi decidido entregar o Governo do Condado Portucalense ao Conde D. Henrique.

Muitas vezes apontada pela designação de “berço da nacinalidade portuguesa”, como honorífica autonomásia de terra materna do primeiro rei português, Guimarães prende a atenção do turista pela singularidade da sua fisionomia de cidade antiga, coroada pelo venerando roqueiro afonsino (dos mais perfeitos que a Península Ibérica possui) e de cidade actual, com enorme fulcro industrial e comercial.

Em épocas muito anteriores à vinda dos Romanos, a região era já bastante povoada, tal como o comprovam os vestígios da vida originária existentes nos montes da Penha, Polvoeira, Briteiros, Sabroso, etc.

Foi no século X e em consequência das sucessivas razias mouriscas e de bandos Normandos que se teria determinado a construção do castelo de Vimaranes, obra promovida pela condessa Mumadona, viúva do Conde Hermenegildo Mendes.

Foi em Guimarães, na alcáçova do castelo ou no paço, vizinho do castelo, que nasceu D. Afonso Henriques. Estava na primeira meninice quando seu oai morreu em Astorga. De modo que os negócios do Condado passaram a ser geridos pela condessa D. Teresa, tendo o infante sido coniado ao poderoso cavaleiro Egas Moniz que o educou e preparou para a lides da guerra nas suas terras de Riba Douro, em Paços de Sousa, Cárquere, Resende e Tarouca.

Aos 14 anos, o Infante (mais tarde o primeiro rei), arma-se cavaleiro pelas suas próprias mãos, na catedral de Zamora ( Galiza – Espanha). Até que depois de vários acontecimentos bélicos, se dá o combate de São Mamede em que D. Afonso Henriques derrota os partidários de D. Teresa, sua mãe.

Foi após a Batalha de Ourique que D. Afonso Henriques instituiu a chamada “Colegiada da Igreja de Santa Maria de Oliveira”, qual faria parte uma das maiores figuras do pensamento escolástico europeu do século Xlll, Pedro Julião (ou Pedro Hispânico), mais tarde Papa João xxi, o único pontífice português que a História da Igreja católica apostólica romana regista.

A história de Guimarães é a própria história de Portugal durante os primeiros reinados.

Mais tarde e após a vitória da Batalha de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385), D. João l cumpriu a sua promessa, entrando na antiga vila descalço e entregando na “colegiada” parte de sua armadura de combate, o altar de prata ganho na batalha, e dando começo às grandes obras de ampliação do templo.

Guimarães foi elevada à categoria de cidade em 21 de Junho de 1853, e nela ainda poderá encontrar:

MURALHAS MEDIEVAIS: Guimarães foi cingida por uma cerca amuralhada mandada construir por D. Dinis. O penoso e custoso cerco que D. João l fez à então vila, logo após as Cortes de Coimbra (Curia), para tentar submeter o alcaide partidário do rei castelhano, pôs bem à prova o seu poder defensivo.

O GÓTICO E
O BARROCO
: no centro e a caminho da Igreja de S. Francisco, depara-se-nos anorte uma fachada corrida de casas do século XlX que até ao Toural se desenvolve numa sequência cheia de ritmo e harmonia, com suas cantarias, azulejos e algumas estatuetas de cerâmica. Na Igreja de São Francisco somos postos perante a presença fortíssima de duas épocas: a gótica e a barroca. De facto, embora noutras ocasiões se tenham feito obras no convento -
nomeadamente nos séculos XVl e seguinte - na igreja são estas as que mais avultam, a primeira na estrutura da capela-mor, a segunda nos azulejos e talhas. A sacristia e o claustro, com as salas do capítulo, merecem uma visita, bem como a Capela da Ordem de São Francisco. As traseiras da Ordem de São Francisco dão já para a zona da cidade que até muitos vimaranenses desconhecem - a zona dos curtumes, junto ao rio dos Couros, até há poucos anos centro de intenso labor da curtimenta das peles, cujo cheiro pouco agradável afastava as pessoas.

Com os antigos edifícios fabris abandonados e eu ruínas ou reutilizados para novas indústrias, os pelames transformados em lixeiras e o saneamento por fazer, tem sido difícil sobrepor a estes aspectos o valor histórico e estético que este conjunto de facto tem.

Ao longo da Rua de Camões, vamos encontrando algumas das mais bonitas varandas de torneados, especialmente um grupo ao fundo e à esquerda, quase em frente da Igreja das Dominicanas, esta bastante desfigurada com o “descasque” de que foi vítima durante as últimas obras. Ao cimo da Rua de D. João l, com uma série de interessantes casas de várias épocas, muito estragadas quer pelo tempo, quer pelos restauros, surgem a Igreja de São Domingos, gótica, e o edifício barroco da Ordem Terceira, da mesma invocação.

No Toural entramos na zona de grande movimento comercial, com as fachadas dos séculos XVlll e seguinte. Pela Porta da Vila passa-se à Rua da Rainha, que faz a ligação com o Largo da Oliveira e continua a ser também uma artéria de comércio, aliás desde há longos anos, como o indica o seu anterior topónimo - Rua Nova dos Mercadores. A ela vão dar algumas travessas muito características. A caminho da Oliveira passa-se pelo Largo da Misericórdia, com a sua igreja, e vê em seguida a Casa (barroca) dos Lobos Machados.

Também do Toural parte outra rua comercial e quase toda do século XlX a Rua de Santo António, que, como a Rua Paio Galvão, liga o centro às Estradas de Braga e Famalicão e à zona do Estádio Municipal, junto do qual se realiza a feira todas as sextas feiras. Se do Toural descermos a Rua D. João l, encontramos no fundo desta o Cruzeiro dos Pombais, ou de D. João l, que a tradição indica como local de início da peregrinação de agradecimento feita por aquele rei depois da Batalha de Aljubarrota até ao outro cruzeiro existente junto à Igreja da Oliveira.

Não podemos deixar ainda de referir um outro ponto de grande interesse para quem visite esta cidade. À esquerda deste cruzeiro e ao cimo da Rua das Lameiras, antes da mata do Costeado, existe ainda a última oficina de oleiro desta zona, tradicionalmente ocupada pelos fabricantes quer de louça comum, quer das célebres cantarinhas de prendas. Actualmente, já ninguém trabalha neste ofício, mas o conjunto formado pela casa onde está instalada a oficina e os seus fornos e um grupo de habitações e antigas oficinas mais acima é não só um testemunho de um tipo de vida que aqui se desenvolveu, como mais um dos monumentos a acrescentar ao grupo dos três da “colina sagrada”.

Guimarães e Famalicão são dois dos concelhos mais industrializados de Portugal. Ligados por uma estrada coalhada de importantes fábricas têxteis, têm outras de grande importância no domínio das cutelarias, couros, etc. Concretamente, parece ter existido em Vizela a primeira fábrica de papel da Europa. Rio de Couros, ainda dentro de Guimarães, foi importantíssimo centro de tratamento de peles, hoje em ruínas, mas, felizmente, classificado já como imóvel de interesse público, tornando-se assim o primeiro complexo industrial de Portugal merecedor de tal distinção. Em Santiago da Cruz (Famalicão) existe a maior fábrica têxtil de Portugal. Esta predominância tão forte do sector terciário não invalida um concreto tratamento agrícola dos campos( milho, vinho, batata e feijão), um cuidado muito especial na doçaria e uma forte alegria de vida, traduzível em múltiplas festas e romarias de intenso colorido e vibração.

A Província do Minho, onde Guimarães está inserida, é considerada o “Jardim de Portugal” tal as suas belezas naturais.

Tem lindas quintas típicas quintas que são construídas sobre uma base, a toda a largura do edifício, destinada às adegas, onde a uva era, e em muitos casos ainda é pisada e o vinho amadurecido em grandes pipas. Esta é também a configuração da Quinta da Casa de Sezim, que fica situada a poucos quilómetros da bela e laboriosa cidade histórica de Guimarães. Na parte frontal do jardim, onde é visível por o terreno por o terreno ficar mais baixo. A todo o comprimento da casa existe uma varanda larga e comprida, com elegantes colunas e balaustradas em ferro, conferindo-lhe um aspecto colonial distinto. A varanda dá para um jardim formal, de canteiros de buxo, enquanto nos terraços inferiores existem caminhos abrigados da luz do sol através de pérgolas em arco, rodeadas de pereiras.

Uma visita a Guimarães ficaria incompleta sem uma visita a esta preciosidade, que, à medida que nos aproximamos a casa vai-se tornando visível a meio caminho da encosta de um monte. As suas linhas alongadas e os telhados baixos conferem-lhe uma escala simples. Os muros baixos que cercam a propriedade estão cobertos por cascatas de mimosas que nesta região nasce por toda a parte. Conforme vamos subindo por um caminho sinuoso, ao qual largas bermas dão aparência de ampla avenida, desvela-se pouco a pouco, a fisionomia da casa.

Fonte:-TERRAS E GENTES DE PORTUGAL

 

Egas Moniz, fidalgo português, aio de Afonso Henriques, por este incumbido de ser seu porta voz, ao levar uma proposta de trégua ao rei de Leão, na verdade, comprometeu-se como fiador desse acordo.

Nosso homenageado já era bem conhecido pela sua inteireza de caráter, e também pela sua coragem, enfim, um verdadeiro Fidalgo; naquele tempo isso valia demais, e não exigindo nenhuma espécie de documento, para o rei de Leão bastou o empenho da palavra.

Afonso Henriques, porém, ao ver a cidade de Guimarães em plena liberdade, livre do assédio, negou-se a cumprir o acordo feito; com procedimento idêntico, por reconhecerem em Afonso Henriques o seu verdadeiro líder, os barões portugueses também esqueceram da promessa.

Estarrecido com tal procedimento, ferido em seus brios, tendo a consciência plena do compromisso assumido, partiu para  Toledo e entregou-se ao rei de Leão, que se encontrava na cidade; no cortejo, acompanhavam-no mulher e os filhos, todos descalços e, num ato de uma demonstração exemplar, digna dos mais insignes elogios, com cordas em seus pescoços, aliás, como era próprio aos condenados.

"O senhor meu amo não cumpre a promessa da qual me fiz fiador. Aqui estou, pois, com os meus, para remir com a morte a minha palavra de cavaleiro." 

Sem dúvida alguma, perfeitamente justificável, o rei de Leão mostrava-se decepcionado e colérico com seus adversários que o tinham enganado de uma maneira tão elementar; porém, vivamente impressionado com a altivez e honra do nobre português, de forma imperiosa, não aceitou tal sacrifício, deixando-os partir totalmente em liberdade, e o mais importante, sem a mancha da deslealdade.

Louve-se também, o gesto magnânimo do rei de Leão, reconhecendo categoricamente o valor daquele homem, realmente um digno Fidalgo de Portugal.

Na região do Souza, afluente do Douro, perto da cidade do Porto, no sítio Paço de Sousa, situa-se um antigo mosteiro, que pertenceu aos monges beneditinos, e no qual encontra-se o túmulo de Egas Moniz.

 

II) UM HOMÔNIMO DE VALOR (PRÊMIO NOBEL DE MEDICINA EM 1949)

ABREU FREIRE EGAS MONIZ

Para que não haja dúvidas, por extensão, prestamos uma homenagem ao ilustre  Abreu Freire Egas Moniz (1874-1955), neurologista português, nascido em Avanca e diplomado pela Universidade de Coimbra em 1899. Em 1911, foi nomeado professor de Neurologia da Universidade de Lisboa. Introduziu e desenvolveu a angiografia cerebral, valioso método de diagnóstico de doenças intracranianas. Pioneiro do tratamento de enfermidades mentais pela operação denominada leucotomia pré-frontal. Recebeu o Prêmio Nobel de Medicina em 1949. Participou intensamente da vida política do seu país.