CONHECIMENTOS GERAIS SOBRE OS CALENDÁRIOS COM ÊNFASE NO GREGORIANO

 

1- UMA BREVE INTRODUÇÃO

 

Com certeza, depois de você ler esta página, com subsídios das demais disponibilizadas neste site, o seu conceito sobre calendário será bem diferente; se porventura já tinha posições semelhantes ou aproximadas, ótimo, contamos com a sua adesão e eventuais colaborações.

 

O Calendário na Península Ibérica

 
Na Península Ibérica vigorou desde o século V, a chamada ERA de Espanha ou Hispânica, Gótica, de Augusto ou de César, usada nos mais antigos documentos dos arquivos portugueses, sob as formas sub era ou in era
 
Começava no dia 1 de Janeiro do ano 38 A.C., ano 716 da fundação de Roma. É a chamada era de Espanha comemorando a conquista definitiva da península pelos romanos e a introdução nela do calendário Juliano.
 
Procede 38 anos ao ano de nascimento de Cristo . O primeiro da era cristã coincide com o ano 39 da era de Espanha. Para converter, pois, a era de Espanha ou de César, à do Nascimento é preciso tirar daquela 38 anos.
 

 

Decreto Régio de D.João I

 

Em Portugal, o decreto Régio de D. João I, em 22 de Agosto do ano da Era Juliana de 1460, ordenou que daí em diante se passasse a usar o ano do nascimento de Cristo como ano do começo ou referência, substituindo assim a era de César. Assim, o dia a seguir ao decreto régio, deixaria de ser o:
 

16 de Agosto de 1460 Era Juliana para ser o

16 de Agosto de 1422 Era de Cristo

Ano do Nascimento ou "ANNO DOMINI". Esta mudança já tinha sido efectuada em Aragão em 1350, Leão e Castela em 1383.
 
Esta Era Cristã usada pela maioria dos povos ( Europeus ), fixada em 25 de Dezembro do ano do Nascimento de Cristo, ou seja o ano 753 da fundação de Roma. Em alguns documentos portugueses encontra-se também a era - anno a Passione - cujo ponto de partida é posterior 33 anos à era cristã
 
Até ao século XIV o ano novo começava em 25 de Março ( Anun-ciação ). Era ou estilo da Incarnação ou Anunciação. Foi também adoptada na Idade Média, algumas vezes, a era ou estilo da Páscoa, variável pela mobilidade desta festa.  A Era ou estilo da circuncisão começava no dia 1 de Janeiro.
No entanto nos séculos XIV, XV e XVI usaram-se indiferentemente as datas de 25 de Dezembro ou de 1 de Janeiro para começo do ano , embora esta última tivesse predominado.
 
Contudo o hábito de utilizar a era Juliana ou Hispânica persistiu durante décadas e ainda Zurara a menciona na CRÓNICA DA TOMADA DE CEUTA dando-lhe a data de 1453 ( 1415 DC ).
 
Deve-se portanto ter,. cuidado na atribuição do ano aos documentos ou datas gravadas dos séculos XV e XVI, datados entre 25 e 31 de Janeiro, que o indicam muitas vezes acrescido de uma unidade em relação ao estilo actual .
 
Só com a Reforma Gregoriana ( 15 de Outubro de 1582 ) se estabeleceu o 1 de Janeiro para começo do ano.
 
Em alguns documentos dos arquivos portugueses foi também usada a Hégira ou ano arábico, que começa em 622 do ano de Cristo, data da fugida de Mahomed de Meca para Medina.

Uma mudança ou como queiram uma reforma de calendário é um evento transcendental, em qualquer cultura. Como vimos, a aceitação do calendário Gregoriano como um sistema padronizado, mesmo no considerado  mundo cristão, demorou vários séculos. E hoje ele está sendo usado mais por um comodismo econômico do que social.

Em 1582 verificava-se já um erro acumulado de 10 dias entre o ano juliano e o ano trópico:  Gregório XIII, pela bula Inter Gravissimas, desta data, aprova a desejada reforma do calendário, segundo os cálculos do astrônomo italiano Luís Giglio, e ordena que:

     
    • São bissextos os anos múltiplos de 4.
    • Os anos de final de século, - centesimais -, são bissextos se divisíveis por 400.
      [ 365+365+365+366 dias produzem um erro de pouco mais de três dias cada 400 anos.
      Por isso foi determinado que, dos anos de final de século, só o quarto seria bissexto:
      Fo
      ram bissextos 1600. 2000, 2400 voltará a sê-lo. 1700, 1800 e 1900 não foram.]
    • O dia 5 de Outubro de 1582 é designado como 15 de Outubro [Ao dia 4 de Outubro de 1582, quinta-feira, seguiu-se o dia 15 de Outubro, sexta-feira]
    • Conserva-se a continuidade da semana
Lei de
Filipe II
que introduz o


Calendário Gregoriano em Portugal
Transcrição parcial
Dom Filipe por graça de Deus Rei de Portugal [...] faço saber aos que esta minha Lei virem que o nosso mui Santo Padre Gregório décimo tércio, ora presidente na universal Igreja de Deus, ordenou um Calendário perpétuo para que nela se celebrasse o dia de Páscoa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo no próprio tempo em que os Sumos Pontífices antigos e o santo Concílio Niceno o determinaram [...] 
  E porquanto para este efeito era necessário diminuirem-se dez dias do ano que corria, declarou Sua Santidade que fossem do mês de Outubro que ora virá deste ano presente de mil quinhentos oitenta e dois para que passados os primeiros quatro dias do dito mês se começassem logo a contar dos quinze dias, e daí por diante até aos trinta e um, e os mais meses corressem pela conta antiga que até agora tiveram. [...] [...] de maneira que tanto que passar o quarto dia do dito mês de Outubro próximo vindouro, que será uma quinta feira do bem-aventurado São Francisco, logo o seguinte dia, sexta feira, em que haviam de contar os cinco dias do mês se diga aos quinze [...] 
  Dada na cidade de Lisboa, a vinte de Setembro, ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil quinhentos e oitenta e dois.

Inter Gravissimas (Latim)

 
Kalendarii nuper restituti, pro festivitatibus S. R. E., suo tempore celebrandis divinisque ibidem officiis recitandis approbatio, et veteris kalendarii abolitio.

Gregorius episcopus servus servorum Dei, ad perpetuam rei memoriam.


Inter gravissimas pastoralis officii nostri curas, ea postrema non est, ut quae a sacro Tridentino concilio Sedi Apostolicae reservata sunt, illa ad finem optatum, Deo adjutore, perducantur.

1. Sane eiusdem concilii patres, cum ad reliquas cogitationes breviarii quoque curam adiungerent, tempore tamen exclusi, rem totam ex ipsius concilii decreto ad auctoritatem et iudicium Romani Pontificis retulerunt.

2. Duo autem breviario praecipue continentur, quorum unum preces laudesque divinas festis profestisque diebus persolvendas complectitur, alterum pertinet ad annuos Paschae festorumque ex eo pendentium recursus, solis et lunae motu metiendos.

3. Atque illud quidem felicis recordationis Pius V, praedecessor noster, absolvendum curavit atque edidit.

4. Hoc vero, quod nimirum exigit legitimam kalendarii restitutionem, iamdiu a Romanis Pontificibus praedecessoribus nostris et saepius tentatum est; verum absolvi et ad exitum perduci ad hoc usque tempus non potuit, quod rationes emendandi kalendarii, quae a coelestium motuum peritis proponebantur, propter magnas et fere inextricabiles difficultates, quas huiusmodi emendatio semper habuit, neque perennes erant, neque antiquos ecclesiasticos ritus incolumes (quod in primis hac in re curandum erat) servabant.

5. Dum itaque nos quoque, credita nobis licet indignis, a Deo dispensatione freti, in hac cogitatione curaque versaremur, allatus est nobis liber a dilecto filio Antonio Lilio, artium et medicinae doctore, quem quondam Aloysius eius germanus frater conscripserat, in quo per novum quemdam epactarum cyclum ab eo excogitatum, et ad certam ipsius aurei numeri normam directum, atque ad quamcumque anni solaris magnitudinem accommodatum, omnia quae in kalendario collapsa sunt, constanti ratione et saeculis omnibus duratura, sic restitui posse ostendit ut kalendarium ipsum nulli umquam mutationi in posterum expositum esse videatur. Novam hanc restituendi kalendarii rationem, exiguo volumine comprehensam, ad christianos principes celebrioresque universitates paucos ante annos misimus, ut res quae omnium communis est, communi etiam omnium consilio perficeretur; illi cum, quod maxime optabamus, concordes respondissent, eorum nos omnium consensione adducti, viros ad kalendarii emendationem adhibuimus in alma Urbe harum rerum peritissimos, quos longe ante ex primariis christiani orbis nationibus delegeramus. Ii cum multum temporis et diligentiae ad eam lucubrationem adhibuissent, et cyclos tam veterum quam recentiorum undique conquisitos ac diligentissime perpensos inter se contulissent, suo et doctorum hominum, qui de ea re scripserunt, iudicio, hunc, prae ceteris, elegerunt epactarum cyclum, cui nonnulla etiam adiecerunt, quae ex accurata circumspectione visa sunt ad kalendarii perfectionem maxime pertinere.

6. Considerantes igitur nos, ad rectam paschalis festi celebrationem iuxta sanctorum Patrum ac veterum Romanorum Pontificum, praesertim Pii et Victoris primorum, necnon magni illius oecumenici concilii Nicaeni et aliorum sanctiones, tria necessaria coniungenda et statuenda esse; primum, certam verni aequinoctii sedem; deinde rectam positionem XIV lunae primi mensis, quae vel in ipsum aequinoctii diem incidit, vel ei proxime succedit; postremo primum quemque diem dominicum, qui eamdem XIV lunam sequitur; curavimus non solum aequinoctium vernum in pristinam sedem, a qua iam a concilio Nicaeno decem circiter diebus recessit, restituendum, et XIV paschalem suo in loco, a quo quatuor et eo amplius dies hoc tempore distat, reponendam, sed viam quoque tradendam et rationem, qua cavetur, ut in posterum aequinoctium et XIV luna a propriis sedibus nunquam dimoveantur.

7. Quo igitur vernum aequinoctium, quod a patribus concilii Nicaeni ad XII kalendas aprilis fuit constitutum, ad eamdem sedem restituatur, praecipimus et mandamus ut de mense octobris anni MDLXXXII decem dies inclusive a tertia nonarum usque ad pridie idus eximantur, et dies, qui festum S. Francisci IV nonas celebrari solitum sequitur, dicatur idus octobris, atque in eo celebretur festum Ss. Dionysii, Rustici et Eleutherii martyrum, cum commemoratione S. Marci Papae et confessoris, et Ss. Sergii, Bacchi, Marcelli et Apulei martyrum; septimodecimo vero kalendas novembris, qui dies proxime sequitur, celebretur festum S. Callisti Papae et martyris; deinde XVI kalendas novembris fiat officium et missa de dominica XVIII post Pentecostem, mutata littera dominicali G in C; quintodecimo denique kalendas novembris dies festus agatur S. Lucae evangelistae, a quo reliqui deinceps agantur festi dies, prout sunt in kalendario descripti.

8. Ne vero ex hac nostra decem dierum subtractione, alicui, quod ad annuas vel menstruas praestationes pertinet, praeiudicium fiat, partes iudicum erunt in controversis, quae super hoc exortae fuerint, dictae subtractionis rationem habere, addendo alios X dies in fine cuiuslibet praestationis.

9. Deinde, ne in posterum a XII kalendas aprilis aequinoctium recedat, statuimus bissextum quarto quoque anno (uti mos est) continuari debere, praeterquam in centesimis annis; qui, quamvis bissextiles antea semper fuerint, qualem etiam esse volumus annum MDC, post eum tamen qui deinceps consequentur centesimi non omnes bissextiles sint, sed in quadringentis quibusque annis primi quique tres centesimi sine bissexto transigantur, quartus vero quisque centesimus bissextilis sit, ita ut annus MDCC, MDCCC, MDCCCC bissextiles non sint. Anno vero MM, more consueto dies bissextus intercaletur, februario dies XXIX continente, idemque ordo intermittendi intercalandique bissextum diem in quadringentis quibusque annis perpetuo conservetur.

10. Quo item XIV paschalis recte inveniatur, itemque dies lunae, iuxta antiquum Ecclesiae morem ex Martyrologio singulis diebus ediscendi, fideli populo vere proponantur, statuimus ut, amoto aureo numero de kalendario, in eius locum substituatur cyclus epactarum; qui ad certam (uti diximus) aurei numeri normam directus, efficit ut novilunium et XIV paschalis vera loca semper retineant. Idque manifeste apparet ex nostri explicatione kalendarii, in quo descriptae sunt etiam tabulae paschales secundum priscum Ecclesiae ritum, quo certius et facilius sacrosanctum Pascha inveniri possit.

11. Postremo, quoniam partim ob decem dies de mense octobris anni MDLXXXII (qui correctionis annus recte dici debet) exemptos, partim ob ternos etiam dies quolibet quadringentorum annorum spatio minime intercalandos, interrumpatur necesse est cyclus litterarum dominicalium XXVIII annorum ad hanc usque diem usitatus in Ecclesia Romana, volumus in eius locum substitui eumdem cyclum XXVIII annorum, ab eodem Lilio, tum ad dictam intercalandi bissexti in centesimis annis rationem, tum ad quamcumque anni solaris magnitudinem, accommodatum; ex quo littera dominicalis beneficio cycli solaris, aeque facile ac prius, ut in proprio canone explicatur, reperiri possit in perpetuum.

12. Nos igitur, ut quod proprium Pontificis Maximi esse solet exequamur, kalendarium immensa Dei erga Ecclesiam suam benignitate iam correctum atque absolutum hoc nostro decreto probamus, et Romae una cum martyrologio imprimi, impressumque divulgari iussimus.

13. Ut vero utrumque ubique terrarum incorruptum ac mendis et erroribus purgatum servetur, omnibus in nostro et S. R. E. dominio mediate vel immediate subiecto commorantibus impressoribus, sub amissionis librorum ac centum ducatorum auri Camerae Apostolicae ipso facto applicandorum; aliis vero, in quacumque orbis parte consistentibus, sub excommunicationis latae sententiae ac aliis arbitrii nostri poenis, ne sine nostra licentia kalendarium aut martyrologium, simul vel separatim, imprimere vel proponere, aut recipere ullo modo audeant vel praesumant, prohibemus.

(Haec prohibitio fuit postea revocata.)

14. Tollimus autem et abolemus omnino vetus kalendarium, volumusque ut omnes patriarchae, primates, archiepiscopi, episcopi, abbates et ceteri ecclesiarum praesides novum kalendarium (ad quod etiam accomodata est ratio martyrologii), pro divinis officiis recitandis et festis celebrandis, in suas quisque ecclesias, monasteria, conventus, ordines, militias et dioeceses introducant, et eo solo utantur, tam ipsi quam ceteri omnes presbyteri et clerici saeculares et regulares utriusque sexus, necnon milites et omnes christifideles, cuius usus incipiet post decem illos dies ex mense octobri anni MDLXXXII exemptos. Iis vero, qui adeo longinquas incolunt regiones, ut ante praescriptum a nobis tempus harum litterarum notitiam habere non possint, liceat, eodem tamen octobri mense insequentis anni MDLXXXIII vel alterius, cum primum scilicet ad eos hae nostrae litterae pervenerint, modo a nobis paulo ante tradito, eiusmodi mutationem facere, ut copiosius in nostro kalendario anni correctionis explicabitur.

15. Pro data autem nobis a Domino auctoritate hortamur et rogamus carissimum in Christo filium nostrum Rodulphum Romanorum regem illustrem, in imperatorem electum, ceterosque reges, principes ac respublicas, iisdemque mandamus ut quo studio illi a nobis contenderunt, ut hoc tam praeclarum opus perficeremus, eodem, immo etiam maiore, ad conservandam in celebrandis festivitatibus inter christianas nationes concordiam, nostrum hoc kalendarium et ipsi suscipiant, et a cunctis sibi subiectis populis religiose suscipiendum inviolateque observandum curent.

16. Verum, quia difficile foret praesentes litteras ad universa christiani orbis loca deferri, illas ad basilicae Principis Apostolorum et Cancellariae Apostolicae valvas, et in acie Campi Florae publicari et affigi; et earumdem litterarum exemplis, etiam impressis, et voluminibus kalendarii et martyrologii insertis et praepositis, sive manu tabellionis publici subscriptis, necnon sigillo personae in dignitate ecclesiastica constitutae obsignatis, eamdem prorsus indubitatam fidem ubique gentium et locorum haberi praecipimus, quae originalibus litteris exhibitis omnino haberetur.

17. Nulli ergo omnino hominum liceat hanc paginam nostrorum praeceptorum, mandatorum, statutorum, voluntatis, probationis, prohibitionis, sublationis, abolitionis, hortationis et rogationis infringere, vel ei auso temerario contraire. Si quis autem hoc attentare praesumpserit, indignationem omnipotentis Dei ac beatorum Petri et Pauli apostolorum eius se noverit incursurum.

Datum Tusculi, anno Incarnationis dominicae millesimo quingentesimo octuagesimo secundo, sexto kalendas martii, pontificatus nostri anno X.


Sequitur declaratio super observatione kalendarii nuper editi, pro illis, qui de mense octobris MDLXXXII illud servare non coeperunt.

Gregorius Papa XIII, ad perpetuam rei memoriam.


Cupientes, pro pastoralis officii nobis divinitus iniuncti sollicitudine, kalendarium, nuper cura et iussu nostro correctum atque editum, ubique locorum ab omnibus qui illud, propter diversa impedimenta, statuto die mensis octobris proxime praeteriti observare non coeperunt, quamprimum in usum recipi, et, prout maxime expediens est, diligenter et exacte servari. Idcirco, ne subsequens mensis octobris, quod quidem nimis longum esset, expectetur, volentes, vigilantiae nostrae providentia, opportuna remedia hisce difficultatibus celeriter adhibere.

1. Motu proprio et ex certa scientia maturaque deliberatione nostra ac de apostolicae potestatis plenitudine, hac nostra perpetuo valitura sanctione statuimus, praecipimus et mandamus ut quicumque, in quibusvis regnis, provinciis, civitatibus et locis constituti, kalendarium emendatum praedictum hactenus nondum observare coeperunt; illud modo et formula infrascripta, semotis cunctis excusationibus et impedimentis, omnino servent, videlicet: cum perventum fuerit ad diem decimam februarii anni millesimi quingentesimi octuagesimi tertii, in quam cadit dominica quinquagesimae secundum antiquum kalendarium, transitus statim fiat ad diem XXI eiusdem mensis februarii, omissis decem diebus inter diem decimam et diem XXI februarii huiusmodi interpositis, quae erit feria secunda post dominicam quinquagesimae (mutata littera dominicali F in B), in qua dicatur officium et missa de S. Valentino presbytero et martyre, cum commemoratione Ss. Faustini et Iovitae martyrum et Sancti Simeonis episcopi et martyris; et feria tertia, de Cathedra; proxima autem feria quarta erit dies Cinerum; atque hoc pacto nulla amplius erit discrepantia in festorum tam mobilium quam fixorum celebratione.

2. Verum, quia difficile foret praesentes litteras ad universa christiani orbis loca deferri, volumus quod illarum transumptis, etiam impressis, manu notarii publici subscriptis, et sigillo personae in dignitate ecclesiastica constitutae obsignatis, eadem prorsus indubitata fides ubivis gentium et locorum habeatur, quae originalibus litteris adhiberetur, si forent exhibitae vel ostensae.

Datum Romae apud Sanctum Petrum, sub annulo Piscatoris, die septima novembris MDLXXXII, pontificatus nostri anno XI.


 

Quando falamos de reforma no calendário gregoriano, necessariamente lembramos dos calendários revolucionários russo e francês que sob o ponto de vista sistêmico será esmiuçado em CALENDÁRIOS;

 

2- NÃO CONFUNDIR CALENDÁRIO JULIANO COM PERÍODO JULIANO
 

O Período Juliano, nada tem de similaridade com o calendário Juliano introduzido em Roma por Julio César.

O período Juliano, abrangendo 7.980 anos, foi concebido por Joseph Justus Scaliger, um dos maiores filólogos do seu tempo.

Através do famoso tratado de cronologia DE EMENDATIONE TEMPORUM, Scaliger evidenciou ao mundo cientifico do seu tempo, o que posteriormente ficou denominado de Período Juliano, em homenagem ao seu pai, Julio César Escaligero, também brilhante filólogo e médico italiano.

Recorrer a períodos passados, comparando-os com outras datas, estipular as "eras"dos feitos épicos, científicos, bélicos e religiosos, foi e continuará sendo necessário aos homens.

Antes do método de Scaliger, dificuldades existiam nesse sentido, exigindo que os pesquisadores, fizessem verdadeiros malabarismos numéricos, para mensurarem a decorrência do tempo.

O Período Juliano propiciou bons resultados.

Na sua essência, esse método é bem simples, diríamos engenhoso e, estruturou-se em três ciclos:

O ciclo Solar (28 anos)
O ciclo Lunar (19 anos)
A indicção Romana (15 anos)

 Sendo primos entre si, os números 28, 19 e 15 foram multiplicados, achando-se o mútiplo comum de 7.980 anos.

O Ciclo Solar de 28 anos e, o Ciclo Lunar de 19 anos, podem ser considerados astronômicos, sendo respectivamente calculados, para o primeiro, início no ano de 9 a.C. e, para o segundo, início do ano de 1 a.C..

Por sua vez, a Indicção Romana, sem qualquer conotação astronômica, com um período de 15 anos, foi decretada em 1 de janeiro de 313 da nova era, Usando-se um subterfúgio, recuou-se 21 ciclos (21 X 15 = 315 anos), calculando o seu início em 3 a.C.

Com a conciliação dos três ciclos:

Ciclo Solar (28 anos) Início em 9 a.C.
Ciclo Lunar (19 anos) Início em 1 a.C
Indicção Romana (15 anos) Início em 3 a.C

Scaliger calculou qual seria o ano da nossa era que coincidiria os três períodos; o ano achado foi o 3.267, ou seja, o ano 3268 daria início novamente aos três ciclos:

Ciclo Solar 3.267 + 9/28 = 117 ciclos
Ciclo Lunar 3.267 + 1/19 = 172 ciclos
Indicção Romana 3.267 + 3/15 = 218 ciclos

Conhecendo-se um dos limites, ou, o ano 3.267, Scaliger, retroagindo 7.980 anos (28 X 15 X 19 ) chegou facilmente ao ano 4.713 a.C. (3.267- 7.980);

Resumindo, o ano 1 do período juliano é o 4.713 a.C, coincidindo com os ciclos solar, lunar e indicção, os quais também, são iguais a 1 (um).

Sob o ponto de vista astronômico, todavia, o ano Zero é 4.713 e isso é fácil de explicar: para os historiadores, não houve zero ano de Cristo.

Já para os matemáticos, a utilização dos números relativos é fundamental:

(.. .-3, - 2, - 1,  0 , + 1, +2 , +3...)

 Os 7.980 anos do período juliano foi iniciado às 12 horas de um Primeiro de janeiro (fictício) de 4.713 (-4.712 astronômicos) antes de Cristo; esse período é numerado seqüencialmente até 31/12/3.267, um sábado.

Para esse período de 7.980 anos, temos 2.914.695 dias médios (7980 X 365,25);

Quando comparamos o período juliano com o ano gregoriano, teremos que levar em conta a supressão de 10 dias do mês de outubro de 1582 e a discrepância de 1 dia a cada século, gerando a escala supressiva a seguir:

Do ano gregoriano de: 1583 - 1700 suprimem-se 10 dias
Do ano gregoriano de: 1701 - 1800 suprimem-se 11 dias
Do ano gregoriano de: 1801 - 1900 suprimem-se 12 dias
Do ano gregoriano de: 1901 - 2100 suprimem-se 13 dias
Do ano gregoriano de: 2101 - 2200 suprimem-se 14 dias

Com esses parâmetros estipulados, vejamos na prática, como funciona o sistema:

Para sabermos qual o período juliano que corresponde um determinado ano gregoriano, adiciona-se a cifra de 4.713 ao mesmo:

exemplos:

Para 1992 temos 6.705 ( 1992 + 4.713)
Para 1993 temos 6.706
Para 1995 temos 6.708
e assim por diante...

Para o dia juliano, por exemplo, de 31 de dezembro de 1992, dia que se inicia ao meio-dia, temos a seqüência de 2.449.001 (6.705 X 365,25).

Para equacioná-lo ao calendário gregoriano, todavia, temos que subtrair 13 dias (tabela de supressão de dias) e que esse resultado, 2.448.988, corresponderia ao dia primeiro de janeiro de 1993, ao meio-dia.

2.1- O PERÍODO JULIANO MODIFICADO (MJD-MODIFIED JULIAN DATE)

A União Astronômica Internacional (UAI), em 1973, reconheceu o método em epígrafe, cujas modificações ao sistema original foram:

Conta-se o MJD a partir de 0 horas de 17 de novembro de 1858

 

Subtrae-se do período juliano original, a cifra de 2.400.000,5; decompondo-se analiticamente a cifra acima, temos:

ano anterior a instituição do MJD 1857
mais 4713
total 6570
6.570 vezes (dias médios) 365,25
sub total 2.399.692,50
mais dias decorridos de 01/01/1858 a 17/11/1858 320
menos tabelinha de dias supressivos (1801-1900) - 12
total 2.400.000,50

Vejamos agora como é que o MJD funciona:

Supondo-se que desejássemos saber qual o MJD do dia 13 de outubro de 1990:

Periodo juliano 2.448.177,5
(-) 2.400.000,50
Resultado: 48.177

ou, o MJD para o dia 13/10/1990 é o 48.177 às 12 horas do Tempo Universal (TU) ou o MJD de 48.176,5 do dia 13/10/1990, a 0 hora.

Apelando-se para o sentido prático, os "experts" usam para todas as efemérides que forneçam o período juliano às 12 horas do Tempo Universal, subtrair a cifra inteira de 2.400.001, obtendo-se dessa forma o MJD para a 0 hora do procurado; no exemplo acima, teríamos diretamente:

Periodo juliano 2.448.177,5
(-) 2.400.001
Resultado: 48.176,5

continua