ALMANAQUE PRIDIE KALENDAS APRESENTA

 


 

 

 




1 - ORIGENS

O Escambo, ou simplesmente troca, era o sistema empregado pelos nossos antepassados para efetivar as suas necessidades mais prementes. Os produtos gerados pela própria natureza, principalmente agrícola, foram as primeiras trocas dentro das tribos e das sociedades primitivas da sociedade. Como exemplo clássico, bastava ter um pequeno pomar, estender a mão, efetuar a coleta e pronto, tinham mercadorias para satisfazer as necessidades mais elementares. 

Nesta fase inicial e primária das estruturas sociais, podemos dizer que existiam os dois aspectos básicos do chamado processo econômico; o consumo e a produção.

Nos primórdios desse modelo primitivo, a produção estruturou-se nos seus dois fatores básicos, o natural, representado pela terra, e o trabalho.

Sem dúvida, esse era um modelo que satisfazia as necessidades imediatas, sem que houvesse o fator tempo, ou seja, abastecer-se para o futuro; com exceção da estocagem natural que era efetuada para suportar os rigores do inverno.

Por exemplo, alguns povos, no que diz respeito a marcação do tempo, em seus calendários primitivos, simplesmente excluíam os dias, aglutinados como meses, das suas mensurações.

É evidente que essa sistemática tinha que ser mudada e, paulatinamente, os membros das sociedades passaram a suplantar o consumo com excedentes produtivos, invertendo-os na produção de novos bens, estabelecendo ai uma cadeia produtiva, nascendo nesse momento, embora de uma maneira ainda tosca, o capitalismo; nesse exato momento se inventa o que denominamos de economia capitalista.

A partir dai, intervem no ciclo econômico um novo e proeminente fator: a poupança. Num raciocínio vulgar, deixando de lado os preciosismos dos especialistas, naquele instante, a sociedade tinha a terra, o trabalho os estoques primários, porém ainda faltava um elemento transcendental: o câmbio

Como era natural e de se esperar, determinadas comunidades, por seus recursos naturais, habilidades dos seus cidadão ou por outros motivos, provocados por instabilidades políticas e até religiosas, produziam em abundancia determinados bens, em detrimento da escassez de outros; em contrapartida, povos vizinhos ou até distantes, pelos mesmos fenômenos, tinham os mesmos ou outros produtos suplementares.

Surge assim, por necessidades coletivas e individuais, o câmbio, e como aperfeiçoamento do processo, a moeda; troca-se gado por grão, peles por sementes e tabaco por lenha. Por exemplo, um produtor que tinha vários suínos, podia sem maiores problemas trocá-lo com sacos de cereais e assim sucessivamente. Porém, como fazer se pessoas que necessitassem dos animais, não tinham grãos para efetivar a troca? Nesse ponto, surgiam fatores complicadores de suma importância: só podiam acumular bens para o futuro que não fossem perecíveis , como mensurar devidamente a correlação de troca entre os mesmos, como prever o que produzir mais para gerar mais recursos ? 

Nesse ínterim, de uma forma bem simplista, em função do espírito gregário do ser humano, pessoas aglomeravam-se em locais públicos para oferecer os seus produtos e percebiam, que para uns, alguma mercadorias, por mais paradoxal que pudesse parecer, valiam mais do que outras; outros então, pela sua raridade ou exotismo, atingiam determinada expectativas na troca, passando para mão bem mais abastadas.

Essa prática, bem mais tarde, ficou sendo conhecida como "mercado".Sem delongas especulativas, fruto da capacidade do homem em improvisar e achar soluções criativas, surge o elemento físico conhecido como moeda, isto é, um objeto que pela suas características pudesse servir de elemento intermediário e compensador na efetivação do processo de troca.    

A partir desse instante, o procedimento rudimentar e primitivo da troca que tinha como base o câmbio direto de bens, passa a ter mais um componente, agora em duas fases: 

primeiro, vende-se para obter um bem genérico e, depois, emprega-se este numa segunda transformação, para adquirir um objeto específico, destinado à satisfação das necessidades.

Segundo os anais, nos primórdios, as mercadorias que mais estavam cotadas para o câmbio foram o sal, pedaços de metal, as conchas e com bastante intensidade, o gado. Na antiga Babilônia, era usada a cevada e, ainda hoje, entre tribos de índios centroamericanos são usados os grãos de cacau, em contrapartida de primitivas tribos africanas que continuam usando as conchas.

Para exemplificar a importância do gado como moeda, a etimologia da palavra pecúnia, origina-se: Pecúnia, de pecus, pecoris, quer dizer...gado; segundo historiadores, na  época do sexto rei de Roma, Servílio Túlio, nas moedas aparece uma figura com cabeça de ovelha ou vaca.

Provavelmente, daí vem o vocábulo pecúnia aplicado à moeda.

Contribuição dos sumérios

Por volta do quinto milênio a.C., geograficamente localizados na Babilônia e na Assíria, os sumérios tiveram transcendental importância na história da moeda, quando inventaram um cálculo baseado em valores de referência constantes.

O ouro e a prata tornaram-se unidades de medida de preço; esses metais, entretanto, não circulavam, tinham a sua fixação nos templos. Em síntese, apesar do avanço, os sumérios inventaram o dinheiro, mas não a moeda circulante.

Afinal, quem inventou a moeda ?

Não se pode afirmar com certeza, sem incorrer em erros ou omissões, atribuir a uma só pessoa, ou civilização a invenção da moeda; o seu surgimento ou "descoberta" foi conseqüência de um longo processo de maturação nas chamadas transações entre as pessoas e os povos.

Há uma vertente que afirma terem sido os reis da Lídia, na Anatólia a serem os primeiros a forjá-las; eram pequenas moedas com um formato irregular, porém arredondadas, em uma liga de âmbar natural, de origem aluvional (prata e ouro).

No anverso, foi cunhada uma cabeça de leão e no reverso, uma marca de garantia do emissor.

Coube também a um rei lídio, Creso, dono de uma imensa fortuna, a primazia, em 550 a.C., criar as primeira moedas de ouro e de prata. O rei persa Dario, conquistador da Lídia, adotou o seu sistema monetário, tendo sido a primeira personalidade a ter o seu retrato cunhado em moedas, em 330 a.C.; os chamados dáricos, de ouro, quanto os siclos, de prata, traziam no anverso a imagem do rei com o arco e o cetro.

Uma outra vertente de estudiosos, afirmam que a verdadeira paternidade das moedas deve ser atribuída aos reis da Macedônia, ao rei Fidone de Argo, ou aos administradores da ilha de Egina.

Por sua vez, o povo chinês, como legítimos criadores do chamado papel-moeda, também pleiteiam terem sido os inventores das moedas.

(Conforme testemunho do veneziano Marco Pólo na corte do Kublai Khan, im sua fabulosa viagem ao Oriente)

Parece que essa é ainda considerada uma questão bastante polêmica.

Moeda-utensilio

Perfeitamente compreensível, as padronagens iniciais das moedas, lembra os utensílios e objetos que eram primordiais à sobrevivência da vida do dia-a-dia dos nossos antepassados.

Moedas com o formato de pão, facões, espetos, anéis, machados foram muito utilizadas; posteriormente, apareceram as barrinhas, as gotas e os lingotes, com uma aproximação física dos que hoje conhecemos.

A curiosa guerra entre as corujas, potros e tartaruga (No quesito moedas)

AS TRÊS MOEDAS MAIS FAMOSAS DA GRÉCIA CLÁSSICA

A tetradacma de Atenas com a coruja;

Na dracma (a dracma indicava a unidade da moeda de prata) de Atenas, até 575 a.C. aparece a figura de uma coruja, pássaro consagrado a Palas Atena.

O estáter de prata de Corinto com o Pégaso;

Os estáteres (o estáter indicava a unidade da moeda de ouro) de Corinto, traziam a impressão de Pégaso, o mítico cavalo alado, filho de Posêidon e Medusa, depois transformado em constelação por Zeus.

A Didracma de Egina com a tartaruga.

As tartarugas de Egina eram muito mais preciosas que as corujas de Atenas (valiam o dobro, 2 dracmas)

Em virtude das minas de prata de Egina, as tartarugas ditavam as leis nas trocas comerciais; dessa forma, as corujas, por dois séculos, tiveram de resignar-se em perder para as tartarugas. Além disso, as corujas valiam menos que os estáteres.

              Perto de Atenas, no monte Laurion, foram descobertas quantidades consideráveis de prata; a partir daí, desencadeia-se um enorme crescimento econômico, e a ascensão do dracma é um acontecimento irreversível. Aliado a essa grande descoberta, Sólon, legislador ateniense, por volta de 594 a.C., para minar a concorrência da moeda estrangeira, reduziu o valor das dracmas atenienses, surgindo aí, talvez a primeira desvalorização econômica da História.

Como procedimento paralelo, Solon  cuidou pela qualidade da liga dos dracmas; praticamente eram de uma pureza quase que absoluta, com pequenas quantidades de cobre, mantendo assim o valor nominal do seu valor material. Como medida punitiva e absolutamente drástica, instituiu a pena de morte coibindo eventuais ações dos falsários.

     Já por volta de 525 a.C., Atenas cunhou uma moeda no valor de 4 dracmas, a tetradracma; para dar maior importância à moeda, a coruja foi colocada no reverso; o perfil da protetora de Atenas, Palas Atena, com seu sorriso enigmático e o olho gravado frontalmente, ganhou o lugar de honra, no anverso.

 

2 - EVOLUÇÃO

Com a evolução dos conhecimentos, com o aperfeiçoamento natural no processo, os homens concluíram ser os metais, elementos mais adequados para a cunhagem da moeda; no início, o ferro e o bronze e, mais tarde, a prata e o ouro foram as matérias primas para as cunhagens das moedas.

O ouro, foi o eleito pelos moedeiros, pelas suas características naturais como: durabilidade, maleabilidade na divisão, raridade e conseqüente preciosidade.

   Nos tempos atuais, economia globalizada, Internet, a descoberta e evolução da moeda pode parecer  irrelevante, porém, representou um grande avanço na história econômica da humanidade.

Como vimos, antes da aparição da moeda, os homens procuravam mecanismos de troca que fossem eficientes na avaliação e mensuração dos bens, pois era extremamente complicado estabelecer o cambio de produtos diferentes, principalmente quando perecíveis ou indivisíveis, como os animais.

Consta, por exemplo, que na Grécia (século VIII a.C), as negociações tinham como parâmetro o boi:

Uma mulher valia de vinte a quarenta cabeças de gado;

Um homem, cem cabeças.

Em parte, passível de pesquisas mais intensivas, essa valorização do gado, incentivou os sacrifícios desses animais, transformando-se em moeda sagrada.

Uma vertente de historiadores que compactuam com tal assertiva, alegam que não é por acaso que, muitos nomes de moedas, etimologicamente, derivam de cultos considerados divinos.

Como exemplo, temos o nome de AES, para a primeira moeda romana em bronze fundido, derivando de ASSUM, assado, referenciando-se aos ditos banquetes sagrados; por sua vez, os ÓBOLOS, moedas gregas, derivam de obelos, espetos de ferro nos quais se colocavam pedaços de carne das vítimas dos sacrifícios.

Especificamente quanto ao nome moeda, origina-se dos romanos, quando edificaram a sua casa de cunhagem no templo da deusa Juno Moneta; moneta, de monere, quer dizer avisar, fazer conhecer o valor de uma coisa.

Desse termo latino moneta derivaram: moeda em português, monnaie em francês, moneta em italiano, money, em inglês, moneda em espanhol, Munze em alemão.

Desde a época primitiva vem já o costume de cunhar o dinheiro em peças, isto é, em moedas nas quais se punha o cunho, que era algo assim como uma garantia que dava a conhecer o seu valor e o nome do que a havia mandado cunhar.

O CHAMADO CURSO FORÇADO

Em primeiro lugar, o príncipe, o rei, o Estado, se reserva o direito exclusivo de emitir moeda. Um pouco de comodidade e também para facilitar a melhor forma de manipulação desses mecanismos de pagamento e câmbio, que a unidade monetária de ouro cunhado tenha  uma circulação obrigatória, constituindo uma espécie de certificado áureo.

Porém, o incrível é quando, no progresso na evolução do dinheiro, os Estados resolvem que o ouro deixe de ser moeda, obrigando o povo a receber e a dar em pagamento um pedaço de papel.

A partir daí, a moeda deixa de ser uma simples mercadoria, não é mais aceita por seu valor material, mas apenas pelo fato do governo, mediante leis, isto é, do que se denomina "curso forçado", garantir a seus possuidores a possibilidade de desfazer-se dela, por sua vez, entregando-a em troca de outros bens reais.

A peça de metal é substituída pela moeda-papel, que vem a ser como uma espécie de título representativo do ouro ou da prata, depositados nos cofres bancários.

O portador desses "bilhetes" confia na garantia metálica, dos mesmos, tratando-se, por conseguinte, de um dinheiro que funciona à base de confiança e de crédito. É o que chamam de "O Sentido Potencial da Moeda", ou o que dá na mesma: a possibilidade de obter com ela bens no mercado.

Todavia, apesar da lei, o curso forçado, por si só não bastaria; uma lei do Estado não seria suficiente para isso. O verdadeiro motivo da geral aceitação desse meio de pagamento é que o povo tem mais confiança em poder servir-se do dinheiro para comprar o que necessita. A isto se chama fidúcia, que, etimologicamente, quer dizer confiança.

Nos modernos sistemas econômicos já não representa o valor intrínseco da moeda, mas a surpreendente, paradóxica e firme convicção de que, mediante ela, é possível obter o que se deseja. Toda a base econômica, em resumo, é regida por um só principio: a crença na moeda. 

De crer, credere, vem crédito, constituindo este a última fase do processo desenvolvido pela moeda ao longo da sua evolução histórica.

     No ano de 89 d.C., o papel-moeda foi inventado pelo chinês Tsoi-Lun, que, por esse feito, acabou transformado em divindade. Difícil, porém, é saber quando é que realmente surgiu oficialmente a primeira cédula.

Conforme registro, as primeira informações documentadas e a mais antig cédula que se conhece são, respectivamente, de 152 d.C. e 998 d.C.

Os chineses, com respeito as cédula, detêm três marcos:

A maior- 1 kwan da dinastia Ming (1368-1644), que mede 23 X 23 cm;
A menor- 5 cents, emitidos pelo Checkiang Provincial Bank (1908), medindo 55 X 30,61 mm;
A mais cara- pela primeira cédula Ming colocada no mercado pagou-se, em 1900, a quantia de 3.600 dólares.

No Ocidente, o papel-moeda surgiu na Espanha, em 1483, como emissão emergencial, logo após um investida de ataque dos mouros.

          Todavia, foi na Suécia, que surgiram as primeira cédulas européias não emergenciais, emitidas pelo Banco de Estolcomo em 1661. Somente em 1724, a Itália conhece o papel-moeda, quando o papa Benedito XIII autoriza a sua emissão, para o pagamento de somas superiores a 5 escudos, de "cédulas" manuscritas pagáveis ao portador pelo Sacro Monte di Pietá de Roma, seguido pelo Banco di Santo Spirito.

3 - A MOEDA COMO PROPAGANDA DO PODER

Maquete de Roma- Fórum

Com certeza, mesmo faltando os meios modernos de comunicação,  como o jornal,  o rádio a televisão, agora a Internet, os romanos souberam como poucos, divulgar os seus inúmeros feitos; as moedas, com as suas significativas imagens e inscrições, circulando de mão em mão, de país para país, demonstravam toda a soberania da cidade eterna Roma e conseqüentes mandatários.

Quase mil anos após a fundação de Roma, historiadores famosos como Plínio e Lívio, divulgaram que foram cunhados os primeiros denários de prata em 269 ou 268 a.C. 

O denário, a verdadeira unidade do sistema monetário republicano, baseava-se na libra romana de 227,45 gramas: cada denário pesava 4,55 gramas, tinha o valor de 10 libras de bronze e, portanto, equivalia a 10 ases (o sinal de valor é um X, o 10 romano). Seus submúltiplos são o quinário e o sestércio (5 e 2 ases e meio, simbolizados por V e IIS).

Em 217, o peso do denário caiu para 3,90 gramas e o valor foi fixado em 16 ases.

Matéria prima das moedas

O metal preferido para a cunhagem das moeda era a prata (Elemento químico, metal, símbolo Ag, de peso atômico 107,88 e número atômico 47); raramente era usado o bronze, designação genérica de diferentes ligas com base de cobre, especialmente com estanho, e o zinco (o nosso latão) que deixou de ser usado em 80 a.C., para retornar somente com Cesar.

As moedas de ouro- áureos (Elemento químico, metal, símbolo Au, número atômico 79, de peso atômico 197,2), resumiram-se na prática a apenas três emissões: as feitas por Tito Quinzio Flaminino em 197 a.C., por Sila entre 83 e 80 a.C., e por Pompeu em 61 a.C.

Basicamente, foi na época de César que as emissões de moedas áureas tornaram-se freqüentes.

Em 228 a.C., aos denários juntaram-se os victoriatus no valor de 3 sestércios (3,41 gramas), assim chamados por causa da Vitória que aparece no reverso (no anverso gravou-se Júpiter). A série destinava-se ao comércio internacional.

Sempre por razões comerciais, em 312 a.C., Roma mandou cunhar em diversas cidades da Campânia, mais bem equipadas para o trabalho, moedas de ouro e de prata, além das de bronze. Na verdade, ainda que trouxessem a inscrição ROMA ou ROMANO, as peças eram bem pouco romanas; tratava-se de dracmas e didracmas, baseadas no sistema estrangeiro de peso e com figuras características da Magna Grécia. Um dos exemplares mais interessantes era uma bela didracma com a imagem loba amamentando Rômulo e Remo.

4 - O EMBUSTE, A FRAUDE OU "CERCEADAS"

Este item foi preparado para os contabilistas, especialmente aos Auditores, que como ninguém abominam esses procedimentos, digamos não convencionais e conhecem a velha máxima:

"FEITA A LEI, CRIADO O LOGRO"

 As chamadas moedas forradas (subaerati)- eram confeccionadas com uma alma de cobre sobre a qual aplicava-se uma sutil camada de prata.

Conforme relatos, esse procedimento existia até na moedagem da Grécia Antiga e, pelas características elementares, rústicas e até imperfeitas,tanto no estilo como na técnica, induzem-nos a acreditar terem sido fruto de falsários do setor privado. Porém, o mais incrível, a grande maioria delas parecem refletir, um verdadeiro requinte de cunhagem e um apuro técnico que dificilmente poderia ser atribuídos a Casas da Moeda clandestinas. Fica uma pergunta no ar:

Podem, então ser consideradas falsificações de Estado?

O grego Heródoto (485-425 a.C), considerado o PAI DA HISTÓRIA, relata-nos um clássico de uma fraude envolvendo moedas: 

Polícrates, o tirano de Samos, supostamente teria pago à frota espartana que o ameaçava, uma grande quantidade de moedas de ouro para que os deixassem em paz; já em alto-mar, os espartanos, com imensa raiva, perceberam o engodo e que tais moedas de ouro na verdade, não passavam de moedas de chumbo revestidas com finas camadas de ouro.

Afirmam outros historiadores que essa prática era muito comum durante o período considerado helenístico, com ênfase em Atenas e na Macedônia: do rei de Esparta, Pausânias (445-393 a.C.), todas as moedas que sobraram são forradas, exceto uma! Também todas as tetradracmas atenienses cunhadas por Polemon e Alcete são revestidas.

Por sua vez, é na Roma republicana que tais procedimentos se ampliam, guardando-se as devidas proporções, sob a ótica mais critica, intoleráveis. Uma grande quantidade de denários da República foram forradas; até mesmo o imperador Augusto utilizou tal ardil fraudulento no comércio com a Índia. Os últimos denários revestidos apareceram com o imperador Cômodo (177-192) e depois desapareceram.

UM ARTIFÍCIO DE PROTEÇÃO

Um meio encontrado para evitar as contrafações e geral e as moedas forradas em particular, os denários eram cunhados serrilhados ou dentados (serrati), ou seja, com as bordas cortadas pelos dentes de uma serra.

É até certo ponto comum encontrar, principalmente no sul da Itália e nos países da América Latina colonizados pelos espanhóis, moedas de ouro e de prata em péssimas condições, cortadas nas mais curiosas formas geográficas: retangulares, quadradas ou rombóides; por sua vez, as inscrições do bordo em parte ou até totalmente apagadas. 

Para evitar tais deformações forçadas, o francês Aubin Olivier, em 1550, criou a orla e a serrilha, um artifício para evitar tais abusos; essa idéia foi adotada pela primeira vez na Itália, por Cosimo II de Medici  (1590-1621), com uma inscrição gravada sobre o bordo.

Essas dilacerações criminosas efetuadas nas moedas era de difícil coibição, pois o próprio Estado exigia que os seus cidadãos aceitassem qualquer moeda como forma de pagamento, para que depois, numa tentativa inútil, proibir a sua reutilização.

Uma outra tentativa de burlar os fraudadores, em 1625, foi praticada pelo rei Felipe IV da Espanha, o qual, assessorado por Fabrizio Biblia, funcionário da Casa da Moeda de Nápoles, cunhou carlinos únicos em sua categoria, com dois círculos concêntricos, cada um deles tendo indicações em quatro pontos:

No círculo externo inscrevia-se o valor intrínseco (2 carlinos ou 10 granos e 1 carlino ou 5 granos);

No círculo interno, a indicação de metade de tal valor.

 Qual éra a lógica do processo ? Muito simples! O fraudador que porventura corta-se o círculo externo de 2 carlinos acabaria, por lógica, com apenas 1 carlino na sua mão.

O subterfúgio físico funcionou? Evidente que não; os "espertos" cerceadores, no entanto, de uma forma até primaria, desbancaram a segurança imposta por Fabrizio Biblia, cortando três partes das moedas e preservando o local da inscrição do valor maior. Qual a conseqüência dessa burla? Além da perda do precioso metal, a moeda (carlinos) passavam a ter o bizarro formato de pêra.

CURIOSIDADES SOBRE A FALSIFICAÇÃO DE MOEDAS NO BRASIL

AÇÃO PENAL

PENAL E PROCESSO PENAL. MOEDA FALSA.

 DEMONSTRADA AQUISIÇÃO E POSTERIOR INTRODUÇÃO

 EM CIRCULAÇÃO DE MOEDA CONHECIDAMENTE FALSA. 

FALSIFICAÇÃO GROSSEIRA. INOCORRÊNCIA QUANDO A MOEDA

 FALSIFICADA APRESENTA OS CARACTERES ESPECÍFICOS 

EXTERIORES DA MOEDA, TENDO ASSIM A IDONEIDADE DE

 INDUZIR A ENGANO UM NÚMERO INDETERMINADO DE 

PESSOAS. PRETENSÃO ACUSATÓRIA JULGADA PROCEDENTE.

 

Moedas falsas. Para enganar caça-níqueis

Falsos moedeiros estão transformando moedas de R$ 0,1 em R$ 0,25 e criando clones artesanais das de R$ 0,5 para enganar máquinas caça-níqueis. As técnicas que usam estão cada vez mais modernas

As técnicas para se enganar máquinas caça-níqueis estão em plena evolução. Falsos moedeiros vêm introduzindo em São Paulo um novo "simulacro" de moeda. Eles transformam, artesanalmente, a de R$ 0,1 em R$ 0,25, além de confeccionar cópias da de R$ 0,5. "Não se trata de falsificação, porque a intenção não é imitar as moedas perfeitamente, mas apenas criar um simulacro para fraudar as máquinas", explica o titular da delegacia de estelionato do Deic, Manoel Camassa, um apaixonado por moedas, autor do Catálago de Cédulas Brasileiras e barraqueiro na feirinha do Masp.

O simulacro é feito a partir de uma "capa" de liga metálica, que envolve a moeda de R$ 0,1 e a transforma num outro objeto, com diâmetro e peso iguais à de R$ 0,25 - aceita pelas máquinas. "É uma pequena obra de arte. Difícil de fazer, com acabamento manual. E tudo isso em troca de um valor tão pequeno", conta Camassa.

Já a de R$ 0,5 constitui-se num mistério. Feita a partir de uma chapinha metálica lisa, avermelhada, de mesmo diâmetro da moeda original, com borda semelhante, porém mais leve, não foi aceita pelas máquinas quando testada.

Como ela se infiltra no mercado? "Recebi a moeda de troco, junto com outras.

Só depois percebi o engodo", conta o corretor de valores Alfredo Giangrande, apresentando sua moedinha. "Acho que ela dá sorte."

O golpe vem de longe. A idéia de fraudar telefones públicos, fliperamas, máquinas de café e guloseimas atravessa décadas, desafiando a imaginação e utilizando-se, agora, até da metalurgia.

O golpe era aplicado com as fichas de telefone. Soldava-se um araminho na borda para enfiá-las nos orelhões. Falava-se quanto tempo queria e, depois, puxava-se a ficha de volta para que ela não fosse engolida. O artifício - moda nos anos 70 - era muito aplicado por brasileiros em visitas ao exterior, para poderem papear gratuitamente com seus amigos do lado de cá.

Com os fliperamas - bisavós dos videogames -, pegava-se os chumbinhos usados para o balanceamento de pneus de carros (dos outros), martelava-se bastante e recortava-se a circunferência exata das fichas. Depois, bastava enfiá-las nas máquinas e passar o dia todo jogando. Essas foram substituídas por outras mais sofisticadas, moldadas de acordo com as originais, produzidas em forminhas de gelo. Derretiam no bolso.

"O crime com moedas adulteradas configura-se como furto mediante fraude, prevendo uma pena de 1 a 4 anos de prisão", avisa o delegado Camassa. Talvez os dois ou três casos que um bingo da região da Rua Augusta flagrou - usuários de videogames tentavam colocar moedas falsas nas máquinas e foram expulsos pelos seguranças - não tivessem acontecido se os autores soubessem do risco que corriam. "Os bingos dos Jardins atendem uma camada de clientes que não cometeria um tipo de delito como esse. Além do mais, 99,9% de todas as máquinas aceitam apenas cédulas", diz o gerente.

Não é o que acontece com a Dab Coffee Machines, uma das líderes de mercado em distribuição automática de cafezinhos. "Recebemos entre 100 e 200 moedas falsas por mês", conta Carlos Porto, diretor da empresa.

Esse prejuízo não chegou a suscitar nenhuma espécie de inquérito. "Nós jogamos as moedas fora ou as guardamos de lembrança", revela.

"Simular moedas de valor tão baixo ou é farra de estudantes, ou artifício de camadas mais humildes da população, sendo um ato criminoso, mas nunca um meio de vida que proporcione alguma rentabilidade", pondera Camassa. Ele explica que carregar uma moeda dessas no bolso não configura crime, mas a tentativa de sua utilização comercial, sim. Segundo Porto, o prejuízo da fraude é dividido entre a empresa fornecedora das máquinas e o usuário.

"Como a moeda entra na máquina, também pode acabar saindo como troco", lamenta.

ARMANDO SERRA NEGRA   Fonte:- Jornal da Tarde 9/06/2002

MOEDAS FALSAS DE COBRE

Bco Central do Brasil

 

5 - A MOEDA E OS OVNI'S- OBJETOS VOADORES NÃO IDENTIFICADOS

Poucos sabem, porém na numismática são inúmeros os casos curiosos que induzem o crédulos a acreditarem em aparições de seres extraterrestres , e fazem com que os incrédulos apresentem os seus argumentos contrários.

Pelo exíguo espaço e por não ser este o espaço mais apropriado para tão fascinante tema, sem partidarismos, como ilustração,  serão apresentados alguns exemplos que podem ser considerados clássicos.

Os misteriosos vimanas

Nas crônicas especializadas, são relatados os primeiros indícios dos OVNI nas lendas do antigo Oriente, que citam carros voadores, denominados de vimanas, com uma forma ovóide ou em fuso, que atravessam os céus a velocidades espantosas.

Com espantosos relatos obtidos nas crônicas da Roma Antiga, com especial destaque do escritos do latino Plínio (23-79), o Velho, em sua antológica História do Mundo, menciona "um círculos de cor vermelha (circulus rubri colori) que supostamente apareceu na época cos cônsules L. Giulio e P. Rutílio", e ainda de "um escudo ardente (clypeus ardens) que ao cair do sol sulcou o céu de poente a levante, durante os consulados de L. Valério e G. Mário". 

Por sua vez, o romano Julius Obsequentes, no ano 216 a.C., cita "objetos redondos, em forma de navios aéreos, que sulcam o céu e descem tão baixo que possível ver em seu interior homens vestidos de branco".

Muitas moedas romanas trazem imagens de estrelas, cometas, globos e esferas celestes, com ou sem a faixa do Zodíaco, que indicam eventos sobrenaturais. Plutarco (46-125), escritor grego, como exemplo, em seu livro Vidas Paralelas, escreveu que, após o assassinato de César, "muitos homens de fogo foram visto no céu combatendo entre si" Vida de César, capítulos LXIII

6 - O ENIGMA DO SANTO SUDÁRIO

O sudário, uma das relíquias da Igreja Católica foi talvez, um dos exemplares mais estudados e discutidos por inúmeros cientistas, historiadores, religiosos, etc. Poucos sabem, porém, a numismática também foi acionada para ajudar a desvendar parte do enigma.  Sobre o olho direito da imagem existe uma sombra. Análises mostraram que essa mancha não originou-se de uma gota de sangue, como a principio se supunha, mas de uma moeda. Na realidade, esse procedimento não é tão inusitado, pois no passado era costume fechar o olho direito do morto com uma moeda.

Passado a fase de surpresa, um valioso subsidio para futuras análise surgiu; todavia o questionamento que ficou patenteado foi: de qual moeda realmente se tratava? Tornou-se pois, muito importante para os estudos realizar a identificação, pois a sua época de cunhagem, poderia revelar indícios valiosos sobre a idade do sudário.

Para uma vertente de estudiosos, a moeda é um dupondio emitido pelo imperador romano Tibério, entre 22 e 23. No anverso, a imagem do soberano; no reverso, um busto situado no centro de um anel.

Para outros, todavia, afirmam tratar-se na verdade de uma pruta judaica, cunhada entre os anos 29 e 32, quando o romano Pôncio Pilatos, governava judéia.

Ampliações fotográficas revelaram que a moeda deixou impressas no tecido as letras CAPOC e a imagem do lituus, um bastão recurvo para uso tradicional pelos sacerdotes romanos e apresenta nas moedas mandadas cunhar  Pôncio Pilatos. CAPOC é a parte final da legenda TIBEPIOY KAICAPOC, Tibério César.

  7- ALGUNS PADRÕES MONETÁRIOS CITADOS NA BÍBLIA

20 geras = 1 siclo. 60 siclos = 1 arratel, 60 arrateis = talento.

Asse, Ceitil = refere-se a uma moeda que valia a décima parte de um denário.

Ceitil (Centavo) = A moeda menor, de cobre, entre os judeus.

Não se vendem dois pardais por um asse, Mt 10.29

Não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo, Lc 12.59

Darico = Antiga moeda persa, que também teve curso entre os hebreus.
Denário = Moeda romana e a mais usada nos tempos de Novo Testamento, valia quase o mesmo da dracma, moeda grega
Um dos seus conservos que lhe devia 100 denários, Mt 18.28.

O bom samaritano tirou 2 denários, Lc 10.35.

Felipe calculou que seriam precisos 200 denários para comprar o pão necessário a 5.000 Pessoas, Jo 6.7.

Uma medida de trigo por um denário, Ap 6.6.

Dracma = Um pêso e uma unidade de valor da Pérsia. Ver Ed 8.27; Ne 7.72. Uma moeda grega, de prata, que pesava um dracma e do mesmo valor, aproximadamente, do denário, moeda romana.

A dupla dracma, a didracma, foi a mesma coisa que a metade dum siclo, dois dos quais formavam o estáter, 

Impôsto das duas dracmas, Mt 17.24.

A parábola da dracma perdida, Lc 15.8

Estáter = Uma unidade monetária, tanto de ouro como de prata, na Grécia.
Mina = Um pêso e uma unidade monetária, igual a 50 siclos. A forte pesava 727 gramas; a fraca, 364 gramas.
A parábola das 10 minas, Lc 19, 13-27.

A mina de ouro pesava, a forte 829 gramas, a fraca 410 gramas. 

Quadrante = O centavo de Lc 12.59 era a metade de um quadrante (Mc 12.42) e a moeda de menor valor em circulação.
Siclo = Um peso e uma unidade monetária dos hebreus, babilônios, fenícios, etc. O forte e comum, de prata, pesava 14,4 gramas; o fraco e padrão,  7,2 gramas.
Abimeleque deu mil siclos de prata a Abrão, Gn 20.16.

Abrão comprou o campo de Efrom por 400 siclos de prata, Gn 23.15,16.

Acã furtou 200 siclos de prata, Js 7.21.

A metade de um siclo foi a oferta ao Senhor, Ex 30.13.

O siclo foi de 20 geras, Lv 27.25.

O moço com Saul tinha um quarto de siclo de prata, 1 Sm 9.8

Talento = Um peso e uma unidade monetária, igual a 60 minas, de 60 ou 50 siclos cada. O forte talento de prata pesava 43.642 gramas; o fraco, 21.821 gramas.

O talento de ouro pesava, o forte, 39.118 gramas; o fraco 24.559 gramas.

Pagarás um talento de prata, l Rs 20.39.
Um que devia 10 mil talentos, Mt 18.24.
A parábola dos talentos, Mt 25.14
Oferta de 29 talentos de outro, Êx 38.24; de 5 mil talentos de ouro, 1 Cr 29.7.

8- MOEDAS DO BRASIL

     

Moeda de cobre de 20 réis de D. Pedro I, cunhada em 1824, pela Casa da Moeda do Rio de Janeiro.
Anverso: PETRUS.I.DEI.GRATIA.CONSTITVTIONALIS.IMPERATOR.ET.PERPTVVS.BRASILIAE.DEFENSOR.1824.R.

(Pedro I, pela Graça de Deus, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil)
Reverso: IN.HOC.SIGNO.VINCES.

(Por este sinal vencerás)

Houve tempo em que a moeda brasileira era realmente valiosa e até doce. No início da colonização, pouco se falava em dinheiro por aqui: o reduzido comércio interno era feito na base de trocas e por isso era mínima a circulação de moedas. A unidade monetária usada era o real português, mas a primeira "moeda" brasileira de fato foi o "açúcar", que em 1614 passou a valer como dinheiro, por ordem do governador Constantino Menelau. O valor da arroba (15 kg) de açúcar branco foi fixado em 1.000 réis, o do mascavo em 640 réis, e o das outras espécies em 320 réis. Só os funcionários da administração portuguesa é que recebiam salários em moeda sonante. O dinheiro vinha de Portugal, mas sua origem verdadeira era a Espanha, muito mais rica em reservas metálicas devido à maior abundância de ouro e prata em seu império colonial. Houve até uma época – durante a dominação de Portugal pela Espanha, de 1580 a 1640 – em que a moeda utilizada na Colônia brasileira era o real hispano-americano, cunhado em Potosi (Bolívia). Havia moedas de 8, 4, 2, 1 e meio reales, que correspondiam respectivamente a 160, 80, 40 e 20 réis. Em 1624, a Holanda ocupou o nordeste brasileiro; sob seu domínio foi realizada a primeira cunhagem de moedas em território nacional. Quadradas, pequenas, feitas em ouro e prata, surgiram em Pernambuco, em 1645. Serviam principalmente para pagar os soldados holandeses aqui estabelecidos. Expulsos os holandeses, em 1654, e já restaurado o reino de Portugal, voltou a valer na Colônia sua política monetária. A partir de 1669, moedas de prata portuguesas passaram a circular no Brasil, carimbadas com um sinete real, nos valores de 80, 160, 320 e 640 réis. A confusão de vários tipos de moedas, com diversas origens e valores instáveis, persistia, mas não tinha grande importância, pois no período colonial, comerciava-se pouco: o mercado interno era muito pequeno. A maioria da população era composta de escravos e colonos livres: os primeiros não podiam comprar nem vender, por sua própria condição social, enquanto que os colonos recebiam seus pagamentos em mercadorias.

CRIAÇÃO DAS CASAS DA MOEDA

Moedas propriamente brasileiras só vieram a surgir no final do século XVII. Salvador era então a principal cidade da Colônia, sua capital e o mais importante centro de negócios. Por isso foi lá que, em 1694, os portugueses instalaram a primeira Casa da Moeda do Brasil durante o reinado de D. Pedro II. As moedas eram cunhadas em ouro e prata, sendo que as de ouro valiam 1, 2, e 4 mil réis. As de prata observavam uma progressão aritmética de valores mais original: 20, 40, 80, 160, 320 e 640 réis. O povo logo lhes deu o nome de patacas, que tinha um certo sentido depreciativo, pois ninguém acreditava muito no valor das moedas cunhadas no Brasil. De 1695 a 1702, foram postas em circulação peças de cobre (10 e 20 reis), cunhadas na Casa do Porto e destinadas a Angola, mas aqui introduzidas por determinação régia. Logo deixou de ser vantagem para a Coroa manter a Casa da Moeda em Salvador. Com a descoberta de jazidas de ouro pelos bandeirantes e a intensa exploração das "Minas Gerais", a fabricação do dinheiro foi transferida para o Rio de Janeiro, em 1698, aí se cunhando ouro e prata nos valores já mencionados. Em 1700, a Casa da Moeda mudou para Pernambuco, voltando porém ao Rio de Janeiro dois anos depois. Em 1714, já no reinado de D. João V, havia duas Casa da Moeda: no Rio de Janeiro e novamente na Bahia. Em 1724 criou-se a terceira, em Vila Rica, que foi extinta dez anos mais tarde. A falta de troco era tanta que o Maranhão chegou até a ter sua própria moeda, fabricada em Portugal. Era feita em ouro e prata, nos valores usuais, e em cobre, valendo 5, 10 e 20 réis. O uso do dinheiro se restringia à faixa litorânea, onde se situavam quase todas as cidades e se realizavam as grandes transações. Nos distritos mineiros, que só produziam ouro e importavam tudo o que consumiam, o próprio ouro, cuidadosamente pesado, funcionava prevalecendo em todo o imenso interior brasileiro. Já as regiões agrícolas apresentavam um sistema econômico peculiar. As fazendas, com suas legiões de escravos, eram praticamente auto-suficientes, produzindo quase tudo que necessitavam. Nelas, o dinheiro mesmo tinha pouca importância. A riqueza era avaliada com base na propriedade imobiliária e o gado era visto como um meio de intercâmbio tão bom como qualquer outro. Até a vinda da Corte portuguesa para o Brasil, com D. João, em 1808, o valor total das moedas que aqui circulavam não ultrapassava a irrisória cifra de 10.000 contos (ou 10 milhões de réis). O sistema monetário, irracional, complicava-se cada vez mais: chegaram a circular, ao mesmo tempo, seis diferentes relações legais de moedas intercambiáveis. Além disso, ouro em barra e em pó passava livremente de mão em mão, e moedas estrangeiras, algumas falsas, eram encontradas com a maior facilidade.

DO IMPÉRIO À REPÚBLICA

Ao transferir-se para o Rio de Janeiro, a Corte acelerou consideravelmente o processo econômico. Crescendo a produção e o comércio, tornou-se imprescindível colocar mais dinheiro em circulação. Fundou-se então o Banco do Brasil, que iniciou a emissão de papel-moeda, cujo valor era garantido pelo seu lastro, ou seja, por reservas correspondentes em ouro. Entretanto, quando D. João VI retornou a Portugal, levou não só a Corte mas também o tesouro nacional. Golpe grave: as reservas bancárias da Colônia reduziram-se a 20 contos de réis. No dia 28 de julho de 1821, todos os pagamentos foram suspensos. Passou-se a emitir papel-moeda sem lastro metálico suficiente, ocasionando a progressiva desvalorização do dinheiro. Assim, quando D. Pedro I se tornou imperador do Brasil em 1822, encontrou os cofres vazios e uma enorme dívida pública. A independência brasileira começava praticamente sem fundos. Sob D. Pedro II a situação melhorou um pouco, devido ao aumento da produção industrial, ao café, e à construção de ferrovias e estradas, que permitiam um escoamento mais eficiente das riquezas. A desvalorização, porém, já era um mal crônico e as crises financeiras se sucediam. Só em 1911 – em plena República – é que o dinheiro brasileiro registrou sua primeira alta no mercado internacional. De lá para cá, muita coisa mudou na economia brasileira, inclusive a moeda, que trocou de nome: ao real sucedeu, em 1942, o cruzeiro (e as subdivisões em centavos), que em 1967 se transformou em cruzeiro novo, valendo mil vezes o antigo. Três anos depois, voltou a ser apenas cruzeiro. Em 1986 surge o cruzado, em 1989 o cruzado novo, em 1990, no plano Collor, volta o cruzeiro, em 1993 o cruzeiro real e finalmente em 1994 o real.

9- AGRADECIMENTOS

A) FONTES CONSULTADAS

Almanaque EU SEI TUDO- 1958-

A BREVE E MARAVILHOSA HISTÓRIA DO DINHEIRO

HISTÓRIA DA MOEDA- Editora GLOBO

Pequena Enciclopédia Bíblica- O.S. Boyer

Caixa Postal 62  12.400 - Pindamonhangaba - SP

HERÓDOTO- História- Estudo crítico VÍTOR DE AZEVEDO-Tecnoprint Gráfica S/A

 
B) AGRADECIMENTOS ESPECIAIS
Esta síntese, na realidade apenas uma aperitivo, não seria editada sem o apoio e o incentivo do Amigo Emerson Luiz de Faria, responsável pelo site : NOMISMATIKE que nos colocou todo acervo, inclusive imagens a nossa disposição; o item 8 Moedas do Brasil, por exemplo, é cópia fiel de um trecho de seu fabuloso trabalho.