CALENDÁRIOS

ROMANOS

SISTEMAS DOS CONQUISTADORES ROMANOS

1- REFORMA EFETUADA PELO IMPERADOR CONSTANTINO

1.1- FUNDAMENTOS

O calendário juliano foi um bom produto de exportação; durou mais de um milênio e meio, tendo sido adotado por uma boa parte do chamado mundo ocidental católico.

 ADOÇÃO, REFORMULAÇÃO E MANUTENÇÃO DO CALENDÁRIO PELA IGREJA CATÓLICA

Embora perseguida com feroz intensidade, a doutrina de Jesus alastrou-se rápida e sistematicamente, obtendo até no Império, um bom contingente de adeptos e, isso evidentemente não agradava aos mandantes e privilegiados.

Um dos ensinamentos básicos e clássicos de Jesus "Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus", era cumprido à risca pelos fieis; "podia-se ser cristão sem deixar de ser romano".

Eram bons e zelosos cidadão e, totalmente fieis aos soberanos, desde que não interferissem na doutrina religiosa; em síntese, sem idolatrá-los como deuses.

Por sua vez, Roma era totalmente liberal coma as religiões vindas de fora, visto manterem em seu templo (Panteão), todos os deuses.

Todavia, exigiam reciprocidade: que adorassem os seus deuses e imperadores, também divinizados; por não compactuarem com isso, os cristãos foram marginalizados e terrivelmente perseguidos, com centenas, talvez milhares de vítimas.

Apesar das atrocidades, os adeptos cresciam e, conforme as crônicas, já constituíam maioria no Império; alguma coisa teria que ser feita e, felizmente foi.

Por volta do ano 313, Constantino, através do Édito de Milão, libera a população para a prática cristã.

Édito de Milão - Fonte: Corvo Branco (Portugal-mantido texto de orígem)

Pois que eu, Constantino Augusto, e eu, Licínio Augusto, viemos sob bons auspícios a Milão e aqui tratamos de tudo o que respeitava ao interesse e ao bem público, entre as outras coisas que nos pareciam dever ser úteis a todos sob muitos aspectos, decidimos em primeiro lugar e antes de tudo, emitir regras destinadas a assegurar o respeito e a honra da divindade, isto é, decidimos conceder aos cristãos e a todos os outros a livre escolha de seguir a religião que quisessem, de tal modo que tudo o que existe de divindade e de poder celeste nos possa ser favorável, a nós e a todos os que vivem sob a nossa autoridade.

Assim pois, num salutar e rectíssimo propósito, decidimos que a nossa vontade é que não seja recusada absolutamente a ninguém a liberdade de seguir e de escolher a prática ou a religião dos cristãos, e que a cada um seja concedida a liberdade de dar a sua convicta adesão à religião que considere útil para si, de tal forma que a divindade possa conceder-nos em todas as ocasiões a sua habitual providência e a sua benevolência.

Assim, bem foi que nos aprouvesse emitir esta decisão, a fim de que, depois de completamente suprimidas as disposições anteriormente dirigidas à Tua Devoção a propósito dos cristãos, fosse abolido o que se afigurasse absolutamente injusto e incompatível com a nossa clemência, e que agora, cada um dos que, livre e claramente, tomaram a livre determinação de praticar a religião dos cristãos, a pratique sem de algum modo ser prejudicado. Eis o que nós decidimos comunicar integralmente à Tua Solicitude, a fim de que saibas que demos um poder livre e sem entraves aos referidos cristãos de praticarem a sua religião. Posto que a Tua Devoção compreende que nós lhes atribuímos esta liberdade sem qualquer restrição, ela compreende igualemente que também aos outros que o queiram é concedida a possibilidade de seguir a sua prática e a sua religião, o que evidentemente é favorável para a tranquilidade dos nossos tempos: deste modo, cada um tem a possibilidade de escolher e praticar a religião que quer. Isto foi decidido por nós de forma que não parecesse que limitávamos a alguém qualquer rito ou religião.

E além disso, eis o que nós decidimos no que respeita aos cristãos. Os seus locais, onde antes costumavam reunir-se e a respeito dos quais, numa disposição dirigida anteriormente à Tua Devoção, uma outra regra tinha sido estabelecida em momento anterior, se tiverem sido comprados, pelo nosso fisco ou por quem quer que fosse, que os devolvam aos referidos cristãos sem pagamento e sem reclamar nenhuma compensação, sem negligência nem ambiguidade. E se alguns receberam estes locais como dádiva, que eles os restituam com a maior brevidade aos referidos cristãos. Assim, se os adquirentes destes locais ou os que os receberam gratuitamente reclamarem alguma coisa à nossa benevolência, que eles se apresentem ao tribunal do magistrado local, a fim de que, pela nossa generosidade, lhes seja concedida uma compensação. Todos estes bens deverão ser devolvidos à comunidade dos cristãos pela tua diligência sem qualquer delonga e integralmente.

E como os referidos cristãos não possuíam somente os locais de reunião, mas eram tidos como proprietários também de outros locais que não lhes pertenciam a título individual, mas ao domínio da sua comunidade, isto é, à comunidade dos cristãos, tu determinarás que todos estes bens, segundo a lei que citamos atrás, sejam completamente devolvidos, sem qualquer contestação, aos referidos cristãos, isto é, à sua comunidade e assembleia. As aludidas disposições devem ser ostensivamente observadas, de tal forma que aqueles que os restituírem sem receber o preço, como atrás dissemos, possam contar com uma indemnização, em virtude da nossa generosidade. Por tudo isso, deves conceder à aludida comunidade de cristãos o zelo mais eficaz, a fim de que a nossa determinação seja cumprida o mais rapidamente possível, para que também esta matéria contribua pela nossa benevolência para a tranquilidade comum e pública.

Efectivamente, por esta disposição, conforme foi dito acima, a solicitude divina para connosco, já demonstrada em numerosas circunstâncias, permanecerá para sempre. E, a fim de que os termos da nossa presente lei e da nossa generosidade possam ser levados ao conhecimento de todos, é conveniente que o que nós escrevemos seja afixado por ordem tua, seja publicado em toda a parte e chegue ao conhecimento de todos, por forma que a leidevida à nossa generosidade não possa ser ignorada por ninguém.

Posteriormente, o Imperador Teodósio, O Grande, por volta de 381 proibe o culto aos deuses, estabelecendo o cristianismo, como religião oficial do Império.

Com o passar do tempo, embora com alguns percalços, o cristianismo evoluiu e, já na considerada Idade Média, através de reformas e conflitos com o poder temporal, a Igreja assume um papel preponderante.

Nesse ínterim, as atividades civis fluem naturalmente, sob o controle cronológico do calendário juliano, enraizando-se nos usos e costumes dos romanos e outros povos. A adoção, pela Igreja, do calendário e sua sistemática é praticamente obrigatória.

Evidentemente, sendo o controle agora exercido diretamente pelo Papa, procura "amoldar"o sistema, conciliando as necessidades civis e religiosas.

Afin de dar ao sistema, digamos uma universalidade, necessitavam alterar a forma de contagem dos dias, trocando o sistema romano pelo arábico, nosso velho conhecido.

Como sabemos, o sistema numérico romano não tinha a figura do Zero e, representavam os outros números por letras maiúscula, tais como:

I= 1 V= 5 X= 10 L= 50 C=100 D=500 M=1.000

Os primeiros 20 números romanos são:

I = = 1; II = 1+1 = 2; III = 1+1+1 = 3; IV = 5-1 = 4; V = = 5; VI = 5+1 = 6; VII = 5+(1+1) = 7; VIII = 5+(1+1+1) = 8; IX = 10-1 = 9; X = = 10; XI = 10+1 = 11; XII = 10+(1+1) = 12; XIII = 10+(1+1+1) = 13; XIV = 10+(5-1) = 14; XV = 10+5 = 15; XVI = 10+(5+(1)) = 16; XVII = 10+(5+(1+1) = 17; XVIII = 10+(5+(1+1+1)) = 18; XIX = 10+(

10-1) = 19; XX = 10+10 = 20

A operacionalidade dos números romanos são baseadas nas seguintes convenções:

1) qualquer letra colocada a direita de outra e que representa ser maior ou igual, junta-se a esta;
2) idem a esquerda de outra de valor superior, indica que a quantidade correspondente a da esquerda deve ser diminuída do número representativo da esquerda:

VII= 7 ou IIIX

IV= 4

XIII= 13

CI= 101

XXIII= 23

IX= 9

IM= 999

3) Um sinal não pode ser usado por mais de três vezes seguida; o M em virtude do sistema romano não ter símbolos para números maiores do que 1000 é uma exceção, como segue:

O M corresponde a 1000, MM a 2.000 e MMM a 3.000.

Para os números maiores que 3000, os romanos usavam:
        
        Para escrever 4.000 ou números maiores que ele, usavam um traço horizontal sobre as letras que representavam esses números.
       Um traço multiplicava o número representado abaixo dele por 1.000.
       Dois traços sobre o M davam-lhe o valor de 1 milhão.

O que expomos acima é uma explicação clássica e muito simplista para um tema deverás interessante, sob todos os aspectos; entretanto, para os apaixonados pela controvérsia, recomendo um aprofundamento no assunto, pois garanto que não será perda de tempo.

O sistema de numeração romano. 

Qual deles?

Essa é a chamada que encontraremos no trabalho muito profissional do endereço:

http://athena.mat.ufrgs.br/~portosil/histo2e.html       

A página sugere a seguinte interpretação que transcrevemos na sua íntegra; vale a pena a pesquisa. 

O assunto "sistema de numeração romano" é um dos mais populares na Escola. É, também, uma magnífica fonte de parvoíces e fantasias para quem ignorar a advertência que temos feito em nosso material histórico:

conceitos, métodos, terminologia, notação, valores e motivações de antigamente poucas vezes são iguais aos atuais

Com efeito:
o sistema de numeração usado pelos romanos era bastante diferente do que HOJE chamamos de sistema romano e que ainda é usado em relógios, capítulos de livros, datas de copyright, nomes de reis e papas e etc. O moderno sistema romano é resultado de uma longa evolução do sistema usado pelos antigos romanos, tendo tomando a forma atual a partir do Renascimento.

O sistema de numeração dos antigos romanos tinha várias diferenças com o atual sistema romano que aprendemos no ensino primário: vários algarismos eram diferentes, os romanos raramente usavam o princípio subtrativo e, acima de tudo, não tinham regras fixas para escrever os numerais.

No que segue, passaremos a provar e elaborar as afirmações acima. Para evitar confusões, usaremos a seguinte terminologia não usual:

  • sistema romano-romano: sistema de numeração usado pelos antigos romanos
  • sistema romano-medieval: o "romano" usado durante a Idade Média
  • sistema romano-moderno: o "romano" que atualmente aprendemos na escola e usamos ou encontramos em algumas situações
Em ordem a evitar um texto excessivamente longo, dividiremos nossa abordagem em duas partes:
  • uma parte inicial, o presente texto, em que nos concentraremos no sistema romano-ROMANO e no romano-MEDIEVAL
  • uma segunda parte em que trataremos da origem e evolução do sistema romano-MODERNO, desde os dois sistemas romanos anteriores até os dias atuais; essa segunda parte V. ...  

 

Seguindo a mesma linha de raciocínio, vale a pena visitar o excelente trabalho de Paul Lewis em seu endereço abaixo, e todas outras página complementares:

http://www.wilkiecollins.demon.co.uk/roman/intro.htm

 Fácil deduzir-se que os cálculos eram muito complicados, ficando praticamente restritos aos astrônomos, matemáticos, contabilistas, etc..

Admitem alguns historiadores que na considerada Antiguidade grego-romana e na Idade Média, tal dificuldade no domínio dos números, obstruiu em grande parte, o desenvolvimento das chamadas ciências exatas.

Entretanto, nos meios eruditos, sabia-se que os árabes tinham uma metodologia numérica, herdada provavelmente dos Indus, que facilitava e muito, os cálculos matemáticos; por questões políticas e mais religiosas, abominava-se qualquer tentativa de conhecê-los mais de perto.

Manipulá-los era considerado uma heresia, pois além de outras finalidades, eram utilizados para fins astrológicos e previsões do futuro.

Por íncrivel que pareça, por um desses caprichos do destino, quem introduziu os números arábicos na Europa, por volta do ano 1000, foi justamente o baluarte número um dos cristão, o Papa Silvestre II, de origem francesa.

Antes de tornar-se Papa, o seu nome era Gerbert d'Aurillac, que entre vários conhecimentos, detinha pelas ciências matemáticas uma predileção toda especial; saber ampliado por estudos efetuados na Espanha, quando fez contato  com essa metodologia, trazida do Oriente, pelos mouros, por ocasião do domínio da Península Ibérica.

biografia (sucinta):

Fonte:- http://www.paqtc.rpp.br/~cafermed/Gerbert0.html

Clérigo, professor, autor político que nasceu na França e estudou na Espanha e na Itália, cujo trabalho científico foi um dos marcos do renascimento das ciências no Ocidente. Serviu na Alemanha como tutor e mais tarde conselheiro do Imperador Otto III, destacando-se como ativo na política tanto leiga como eclesiástica. Foi arcebispo em Reims e depois em Ravenna e, finalmente, eleito papa com o nome de Silvestre II (999). Escreveu sobre aritmética e geometria, notabilizando-se por tornar conhecidos o astrolábio e os algarismos indo-arábicos, porém não há registros de onde os conheceu.

Consta dos anais que Silvestre II foi extremamente perseguido e execrado, mesmo entre os seus pares, até além de morto. Somente por volta de 1648, através de uma "macabra"conferência do seu tumulo, presenciada por várias autoridades, pode ter finalmente o nome reabilitado, pois afirmavam que ele tinha feito um pacto com o demônio. 

Os árabes divulgam ao mundo os números hindus 

Fonte: http://vitoria.upf.tche.br/~pasqualotti/hiperdoc/matematica.htm

            Simbad, o marujo, Aladim e sua lâmpada maravilhosa, Harum al-Raschid são nomes familiares para quem conhece os contos de As mil e uma noites. Mas Simbad e Aladim são apenas personagens do livro, Harum al-Raschid realmente existiu. Foi o califa de Bagdá, do ano 786 até 809.
            Durante o seu reinado os povos árabes travaram uma séria de guerras de conquista. E como prêmios de guerra, livros de diversos centros científicos foram levados para Bagdá e traduzidos para a língua árabe.
      Em 809, o califa de Bagdá passou a ser al-Mamum, filho de Harum al-Rahchid.
      Al-Mamum era muito vaidoso. Dizia com toda a convicção.
    Não há ninguém mais culto em todos os ramos do saber do que eu”.
              Como era um apaixonado da ciência, o califa procurou tornar Bagdá o maior centro científico do mundo, contratando os grandes sábios muçulmanos da época.
     

    Entre eles estava o mais brilhante matemático árabe de todos os tempos: al-Khowarizmi
            Estudando os livros de Matemática vindos da Índia e traduzidos para a língua árabe, al-Khowarizmi surpreendeu-se a princípio com aqueles estranhos símbolos que incluíam um ovo de ganso! 
            Logo, al-Khowarizmi compreendeu o tesouro que os matemáticos hindus haviam descobertos. Com aquele sistema de numeração, todos os cálculos seriam feitos de um modo mais rápido e seguro. Era impossível imaginar a enorme importância que essa descoberta teria para o desenvolvimento da Matemática.

    Al-Khowarizmi decidiu contar ao mundo as boas nova. Escreveu um livro chamado Sobre a arte hindu de calcular, explicando com detalhes como funcionavam os dez símbolos hindus.
            Com o livro de al-Khowarizmi, matemáticos do mundo todo tomaram conhecimento do sistema de numeração hindu.
            Os símbolos – 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 – ficaram conhecidos como a notação de al-Khowarizmi, de onde se originou o termo latino algorismus. Daí o nome algarismo.
            São estes números criados pelos matemáticos da Índia e divulgados para outros povos pelo árabe al-Khowarizmi que constituem o nosso sistema de numeração decimal conhecidos como algarismo indo-arábicos.

A grita generalizada, contraria a aplicação de uma notação diferente para os povos europeus, guardadas as devidas proporções, era compreensível.

Já imaginaram, professores, médicos, matemáticos, teólogos, astrônomos, editores, enfim, praticamente toda a sociedade formadora de opiniões, terem, de uma hora para outra, de descartar um conhecimento conseguido com muita disciplina e força de vontade ? 

Era o tal de COORPORATIVISMO;  os recalcitrantes, em todas as épocas e partes, sempre existiram e, infelizmente, existirão ainda por muitos e muitos anos.

Enfim, prevaleceu o bom senso e, pouco a pouco foram adaptando-se a nova sistemática; por extensão, também o calendário passou a ter contagem pelo método dos números arábicos, aliás, processo utilizado até os nossos dias.

1.2- LEDO ENGANO

Até mesmo em fontes de grande prestígio, costuma-se, quando há comentários sobre as reformas efetuadas nos calendários romanos, enfatizar-se o calendário Juliano e, subseqüentemente o Gregoriano, não raras vezes, sem qualquer comentário sobre a reforma intermediária promovida pelo Imperador Constantino.

No nosso entender, sob o ponto de vista histórico é uma lacuna, no que diz respeito aos procedimentos sistêmicos imperdoável, senão vejamos:

Como já estudado, o calendário Juliano, inclusive pela forma específica de contagem dos romanos, atendo-se aos três marcos fundamentais: calendas, nonas e idos, eram fixos, ou seja, idênticos para todos os anos, em contraste com o ciclo pompiliano, os quais eram variáveis. Sendo o bissexto apenas uma adendo, duplicando o dia, sem atrapalhar a seqüência, também não flexionava o calendário.

Em síntese, antes da reforma de Constantino, o calendário juliano obedecia a um Ciclo do Calendário de três anos totalmente iguais e um quarto, com o mês de fevereiro ligeiramente diferente, pelo acréscimo de um dia.

Partindo-se do pressuposto, nesse período de tempo, não há sentido corresponder um ano qualquer, apoiando-se nos 7 dias da semana; o que necessitamos saber então é:

Quando foi que o calendário romano passou a ser dividido em semanas?

Consta nos anais da história, que em 321 da nossa era, em um I de Januarius, o Imperador Constantino, efetuou uma reforma no calendário juliano, introduzindo a semana de 7 dias, fazendo com que o sistema tivesse 52 semanas, mais 1 ou 2 dias, caso fosse um ano bissexto.

É evidente que essa introdução modificou, em muito, a operacionalidade do calendário.

A bem da verdade, nessa fase transitória, por absoluta falta de evidencias substanciais, alguma dúvidas ainda persistem; em decorrência, consideramos subsídio importante, narrar alguns fatos históricos, fruto de pesquisas intensivas, na esperança de dar maior consistência aos comentários.

O étimo da palavra semana provêm do latim Septem Mane, que significava As sete manhãs; sua origem, porém, como acontece com os anos e meses, parece não relacionarem-se a nenhum fenômeno astronômico.

Alguns tratadistas, talvez por analogia, correlacionam a semana, com as 4 fases lunares, cuja duração média entre elas, aproxima-se de 7 dias.

Se, por exemplo, verificarmos outros sistemas de calendários, constataremos que nem sempre, períodos semelhantes a semana, fixaram-se em exatos 7 dias.

Na Roma antiga, por exemplo, existiam os nundines, períodos de 8 dias, cujo último, era dedicado ao mercado; consta que eram identificados pela seqüência das oito primeiros letras maíusculas do alfabeto:

A, B, C, D, E, F, G, H

Até o advento da Lei Hortênsia (287 a.C), a qual deu força de lei aos plebiscitos, os nundines eram considerados dias nefastos, ou seja, proibido atividades judiciárias ou políticas; paralelamente, os pontífices, responsáveis pelo calendário, evitavam que esses dias caíssem nas calendas de janeiro e, em todas as nonas.

Na passagem da semana para 7 dias, extinguindo-se os nundines, não há registros oficiais desse procedimento; curioso e digno de menção, é o fato de haver, em algumas fontes, afirmações que os nundines, ocorriam a cada nove dias, ao invés de oito.

1.3- A SEMANA ASTROLÓGICA OU PLANETÁRIA DE 7 DIAS

Foram os mesopotâmios, povos situados entre os rios Tigre e Eufrates, que inventaram a semana de 7 dias, posteriormente copiadas por várias civilizações da chamada antiguidade.

O texto bíblico do Gênesis em que o mundo foi criado em 7 dias, base do sustentáculo da semana judaica, provavelmente tenha influenciado os precursores da astrologia, os babilônios, depois os egípcios.

Segundo a concepção dos babilônios, os planetas que já conheciam, eram comparados aos deuses, acreditando que os mesmos influíssem nos destinos dos povos e, em tudo o que acontecia na Terra.

Consta que tanto os babilônios como os egípcios, conheciam os mesmos astros:

Jupiter, Lua, Marte, Mercurio, Saturno, Sol e Venus (pela órdem alfabética)

Sendo que, para os primeiros, a Lua era o astro principal e para os segundos, o Sol; embora ambas civilizações detivessem registros importantes dos fenômenos celestes, a concepção cosmológica da chamada "mecânica celeste"era demasiadamente primitiva; posteriormente também, para gregos e romanos, o Sol era prioritário.

Foram os gregos, porém, os grandes desenvolvedores dos princípios firmados pelos mesopotâmios, ampliando os conhecimentos em bases mais consistentes.

Deixando de lado assuntos teóricos, ou, puramente filosóficos, tentaremos justificar qual foi o estratagema utilizado pelos antigos, na seqüência ou hierarquia dos astros, quando fixaram os nomes dos 7 dias da semana.

Conforme Heródoto (484-420 a.C.), considerado por muitos o Pai da História, em seu segundo livro, Euterpe, LXXXII, onde faz uma longa digressão sobre a geografia e a etnografia do Egíto, comenta:

Edições de Ouro, Heródoto, página 180
Foram também os egípcios que tiveram a idéia de consagrar cada mês e cada dia do mês a um deus, assim como foram os primeiros a predizer o futuro das pessoas pela observação da data do seu nascimento. Os poetas gregos fizeram uso dessa ciência, mas os egípcios têm a primazia neste, como em muitos outros ramos do conhecimento humano

Desde Hipárco (161-126 a.C.), considerado um dos mais importantes astrônomos da antiguidade, abandonara-se definitivamente a cosmologia suposta por Platão e Aristóteles, atribuído a Anaxágoras, cuja ordem planetária, a partir da Terra seria:

Lua, Sol, Vênus, Mercúrio, Marte, Jupiter e Saturno

Defendido pelo célebre Ptolomeu, regressa-se a cosmologia admitida pela chamada escola pitagórica (Pitagoras nasceu, por volta de 513 a.C.), a partir da Terra:

Lua, Mercurio, Vênus,Sol, Marte, Jupiter e Saturno

Não sabe-se, porém, com certeza, quando os egípcios já trabalhavam com essa hipótese.

Crendo que os planetas exerciam influência sobre tudo na vida, basicamente nas 24 horas de todos os dias, estabeleceram um sistema, conhecido em astrologia como Os mestres das horas, vigênte até os dias atuais, cujos principios elementares são:

Como principio fundamental, por ordem de afastamento da Terra, elegeram Saturno, como sendo o planeta (errante) da primeira hora e, conseqüentemente, o do primeiro dia da semana;
Jupiter, por ser o penúltimo da ordem, foi designado como sendo o planeta da segunda hora;
Marte, ante-penúltimo, foi designado como sendo o planeta da terceira hora;
Sol, o planeta da quarta hora;
Vênus, o da quinta hora;
Mercurio, o da sexta hora;
Lua, por ser o astro mais próximo da Terra, o planeta da sétima hora;
Saturno, já na segunda rodada, seria agora o planeta da oitava hora.

A sistemática seqüencial, repete-se até o planeta Marte representar a 24a. e última hora do dia; quanto a 25a. hora, na realidade, a 1a. hora do dia seguinte, pela ordem, passaria a ser o planeta Sol.

Aplicando-se os mesmos critérios, teríamos para o terceiro dia da semana a Lua; para o quarto Marte; para o quinto Mercúrio; para o sexto Vênus.

Finalmente, a 25a. hora, do sexto dia, ou a 1a. hora do seguinte, seria novamente dedicada a Saturno, provocando dessa forma, uma rotatividade infinita.

Posteriormente, tanto gregos como romanos, baseando-se no sistema egípcio, montaram os seus horóscopos; a diferença foi, terem escolhido, para a primeira hora e, conseqüentemente, o primeiro dia da semana, o Sol.

Essa sutileza sistêmica poderá ser melhor entendida no quadro abaixo:

 

OS MESTRES DAS HORAS

(A) SÁBADO DOMINGO SEGUNDA FEIRA TERÇA FEIRA QUARTA FEIRA QUINTA FEIRA SEXTA FEIRA
(B) SATURNI DIES SOLIS DIES LUNAE DIES MARTIS DIES MERCURIE DIES JOVIS DIES VENERIS DIES
(C) SABBATUM DIES DOMINICA FERIA SECUNDA FERIA TERTIA FERIA QUARTA FERIA QUINTA FERIA SEXTA
1 SATURNO SOL LUA MARTE MERCÚRIO JÚPITER VÊNUS
2 JÚPITER VÊNUS SATURNO SOL LUA MARTE MERCÚRIO
3 MARTE MERCÚRIO JÚPITER VÊNUS SATURNO SOL LUA
4 SOL LUA MARTE MERCÚRIO JÚPITER VÊNUS SATURNO
5 VÊNUS SATURNO SOL LUA MARTE MERCÚRIO JÚPITER
6 MERCÚRIO JÚPITER VÊNUS SATURNO SOL LUA MARTE
7 LUA MARTE MERCÚRIO JÚPITER VÊNUS SATURNO SOL
8 SATURNO SOL LUA MARTE MERCÚRIO JÚPITER VÊNUS
9 JÚPITER VÊNUS SATURNO SOL LUA MARTE MERCÚRIO
10 MARTE MERCÚRIO JÚPITER VÊNUS SATURNO SOL LUA
11 SOL LUA MARTE MERCÚRIO JÚPITER VÊNUS SATURNO
12 VÊNUS SATURNO SOL LUA MARTE MERCÚRIO JÚPITER
13 MERCÚRIO JÚPITER VÊNUS SATURNO SOL LUA MARTE
14 LUA MARTE MERCÚRIO JÚPITER VÊNUS SATURNO SOL
15 SATURNO SOL LUA MARTE MERCÚRIO JÚPITER VÊNUS
16 JÚPITER VÊNUS SATURNO SOL LUA MARTE MERCÚRIO
17 MARTE MERCÚRIO JÚPITER VÊNUS SATURNO SOL LUA
18 SOL LUA MARTE MERCÚRIO JÚPITER VÊNUS SATURNO
19 VÊNUS SATURNO SOL LUA MARTE MERCÚRIO JÚPITER
20 MERCÚRIO JÚPITER VÊNUS SATURNO SOL LUA MARTE
21 LUA MARTE MERCÚRIO JÚPITER VÊNUS SATURNO SOL
22 SATURNO SOL LUA MARTE MERCÚRIO JUPITER VENUS
23 JUPITER VENUS SATURNO SOL LUA MARTE MERCÚRIO
24 MARTE MERCÚRIO JUPITER VENUS SATURNO SOL LUA
25 SOL LUA MARTE MERCÚRIO JÚPITER VÊNUS SATURNO

(A) PORTUGUÊS; (B) LATIM; (C) LATIM LITÚRGICO

Resumindo, priorizando-se o Sol, elegendo-se as primeiras horas diurnas, os dias da semana ficaram sendo: 

 

Sol Primeiro dia da semana
Lua segundo dia da semana
Marte terceiro dia da semana
Mercúrio quarto dia da semana
Júpiter quinto dia da semana
Vênus sexto dia da semana
Saturno sétimo dia da semana

Nota:- Para os romanos, o Sol era considerado Deus (imposto pelo Imperador Aureliano que reinou de 270 a 276.

No império romano, apregoa-se que a semana de 7 dias caiu no gosto popular e, sistematicamente, foi sendo aplicada, tendo como terminologia:

Solis dies
Lunae dies
Martis dies
Mercurii dies
Jovis dies
Veneris dies
Saturni dies

 

1.4- A CRONOLOGIA CRISTÃ

Consta que a primeira personalidade de prestígio, no mundo cristão, a designar para o primeiro dia da semana "Dies Dominica", ou Dia do Senhor, foi Justino (São), o Mártir, filósofo, autor das duas apologias da religião Cristã e, fundador da primeira escola cristã em Roma; aproximadamente em 165, foi martirizado.

Em 321, da nossa era, Constantino agregou ao calendário Juliano, oficialmente, a semana de 7 dias.

Em 323, após sucessivas batalhas, Constantino fica com o poder absoluto, imperador tanto do Ocidente como Oriente (antes participando de uma tetrarquia)

Com o crescimento do cristianismo, no império romano, e, com a conversão de Constantino (oficialmente em 337, já no leito de morte), o sistema originalmente implantado por Júlio César, parece rumo a consolidação.

O primeiro dia da semana, Solis dies, foi trocado por Dies Dominica, em homenagem aos cristão, pela correlação existente do dia em que Jesus ressuscitou; Saturni dies foi substituido por Sabbathum (descanso).

El culto del solenoide Invictus El Sun

Na antiga cronologia romana, contava-se o ano a partir da data da fundação de Roma. Aproximadamente, a data de nascimento de Jesus foi divulgada no ano de 1278 da fundação de Roma (525 da nossa era, que ainda não existia), quando o monge Dionisio publicou uma Taboa Pascal, onde pela primeira vez, citou o 25 de dezembro de 753 da fundação de Roma como:

 

ANNI DOMINI NOSTRI JESUS CHRISTI

Sem dúvida, esse fato expões um dos casos mais clássicos da história mundial, em que uma era ou um sistema cronológico, de um período desconhecido, é determinado posteriormente; tecnicamente diz-se:

UM FATO PROLÉPTICO

Os cristãos, porém, com a religião praticamente consolidada, não tinham referências cronológicas próprias, baseando-se, ora pela data de fundação de Roma, estabelecida por Varrão, ora pela era de Diocleciano ou dos Mártires.

 

   fonte: http://www.vatican.va/jubilee_2000/magazine/documents/ju_mag_01031997_p-68_it.html

IL CULTO DEI MARTIRI NELLA LITURGIA ROMANA

Mario Lessi-Ariosto

Prime testimonianze

Quando la Liturgia romana comincia a caratterizzarsi e assume alcune sue proprie linee di diversificazione dalle altre Liturgie l'era dei martiri non era compiuta. I cristiani seppellivano con il dovuto onore non solo i propri defunti, ma soprattutto coloro che avevano testimoniato, fino a subire la morte, la propria fede. Di un vero culto dei martiri non si trovano che scarse testimonianze fino al terzo secolo. Questo culto si sviluppa a partire dalle normali usanze funerarie locali, purificate alla luce della fede cristiana, e matura alla luce della riflessione relativa al ruolo ecclesiale del martirio e dei martiri.

Due sono i principali filoni di ricerca, che si illuminano vicendevolmente e ci permettono di ottenere delle notizie circa le prime forme del culto dei martiri: quelle che, in senso molto ampio possono essere incluse nella determinazione di "archeologiche" e quelle più propriamente "letterarie". Qui ci si riferirà soprattutto a queste ultime, pur riconoscendo che i due filoni hanno bisogno l'uno dell'altro per avere accesso ad una maggiore conoscenza.

Le prime attestazioni a Roma, le troviamo nella Depositio Martyrum del 354, e in essa si risale, prescindendo dagli Apostoli, al tempo di Papa Callisto e al gruppo dei sette diaconi martiri con Papa Sisto II, durante la persecuzione del 258.Nel Calendario Filocaliano non si trova menzione dei martiri del secondo secolo e si riscontrano non poche lacune che hanno dato adito a più di una congettura, ma sostanzialmente riflette il culto dei martiri a Roma. Contemporaneamente a Cartagine, nell'area africana della Liturgia romana, il vescovo Cipriano entra a far parte della lista dei martiri della propria Chiesa, che conosce e di cui scrive.

Le fonti letterarie ci testimoniano tuttavia di una riflessione intorno al martirio e ai martiri attraverso espressioni come quelle di Tertulliano: «Christus in martyre est» (De Pudicitia, 22) o l'altra di san Cipriano: «Evangelium Christi unde martyres fiume» (Epist. 38), che ci affermano essere, alla base della stima del martirio, la constatazione di una attuazione piena del Vangelo è quasi una nuova "ripresentazione" della beata Passione e Morte redentrice di Cristo. Per questo ogni Chiesa che, per divina degnazione, si sente illustrata, resa illustre e insieme illuminata, nel proprio cammino verso Cristo dal glorioso sangue dei martiri, che vengono designati come "incolae Christi", "beati", "beatissimi", "benedicti", può anch'essa gloriarsi del titolo di beata (Cf Cyprianus, Epist.10).

Ogni Chiesa notava nei suoi fasti la data del martirio dei propri figli (Cf Cyprianus, Epist.12,2), il ricordo delle gesta, l'ubicazione della tomba. E nella tradizione romana arriverà un momento in cui si arrivano a considerare come cittadini del luogo del martirio anche coloro che fossero originari di un'altra Chiesa (Cf Damasus, Epigram. n.46, per San Saturnino: "Sanguine mutavit patriam"). Ogni anno nel "dies natalis", che per i cristiani e il giorno della morte, la comunità cristiana si riunisce presso la tomba del martire, o in un locale più ampio accanto a questa, per celebrare nella gioia il "refrigerium" o pasto funebre al quale vengono unite delle letture, la preghiera, L'Eucaristia con le forme della spontaneità caratteristiche dei primi tempi anche della Liturgia romana. In queste assemblee si forma quello spirito che successivamente Sant'Agostino indicherà con il dire: «Ideo quippe ad ipsam mensam (...) eos commemoramus (...) ut eorum vestigiis adhaereamus» (In Ioan. tract.84,1).

La "rievocazione" delle gesta dei martiri era fatta, molto probabilmente con la lettura del racconto del martirio nel corso della celebrazione liturgica e il celebrare la "memoria" di un martire congloba allo stesso tempo un luogo e un anniversario.

L'espandersi del culto dei martiri e le forme della sua conservazione

Già per alcune affermazioni precedenti si è superato il periodo anteriore alla pace costantiniana. Non meraviglierà che dopo questa le tombe dei martiri vengano ornate con decorazioni che le distinguono da quelle di altri defunti, che il normale uso delle luci presso le tombe venga nel giorno anniversario ampliato e sulle tombe vengano sostituite le primitive iscrizioni con altre più elogiative. Tra le iscrizioni di questo genere sono celebri quelle di papa Damaso per il loro valore artistico e per la testimonianza della viva memoria storica che tramandano e orientano. Su alcune delle tombe vengono costruite delle basiliche, come luoghi di preghiera e di memoria, che permettono alle celebrazioni anniversarie di assumere caratteri di solennità. Le tombe dei martiri divengono meta di pellegrinaggio (Cf Paolinus Nolanus, Carmen 26, v.387-388; Prudentius, Peristephan. Hymn.XI, v.195-210).

Uno sviluppo ulteriore del culto dei martiri nella Liturgia romana avverrà al momento in cui esso verrà esteso ai "cenotafi" o tombe votive senza il corpo del martire e alle "reliquie", sia che indichino oggetti tenuti a contatto con i corpi o le tombe dei martiri, sia vere e proprie parti dei resti mortali. La mentalità proveniente dal diritto romano ha costituito infatti una iniziale notevole resistenza allo smembramento e anche alla semplice traslazione delle spoglie dei martiri. Se scoperte e traslazioni delle reliquie dei santi si evidenziano alla fine del IV secolo a Roma, però, il fenomeno è più tardivo (Cf San Gregorio Magno nella risposta negativa data all'imperatrice Costantina). Ma presto a Roma, come altrove, dato che molti sepolcri dei martiri stavano fuori della città, per toglierli all'incuria del possibile saccheggio, nel VII secolo iniziarono le traslazioni dei corpi dei martiri in città. Ciò si accentuò con le prime invasioni dei Longobardi e dei Saraceni.

Anche se fin dal IV secolo, non tutto nel diffondersi delle reliquie, nella costruzione delle "Memoriae", nel modo di celebrare gli anniversari è stato immune da falsificazioni e abusi che i vescovi rimproverano e correggono (Cf per le reliquie ed egualmente per la lotta alle agapi fraterne le opere di Sant'Agostino) il fervore di iniziative testimonia con certezza di un gran desiderio da parte dei cristiani di rendere culto ai martiri. Al tempo di Sant'Agostino accanto ai "Martyria" o "Memoryae" dei martiri locali dell'Africa cristiana si erigono dei "Martyria" per delle "reliquiae" provenienti da altre Chiese. Anche questi "martyria" divengono luoghi di venerazione riccamente adornati e grandemente frequentati. Ciò che si conosce per l'Africa dagli scritti di Agostino si è tuttavia verificato, anche se in forme diverse, per quasi tutte le Chiese dell'Italia, della Spagna, della Gallia.

Alla fine del IV secolo, il calendario romano era già abbastanza completo. Più tardi, le diverse Chiese locali porteranno a conoscenza l'una dell'altra i propri calendari, e ciò porterà ad un loro mutuo ampiamento.Poco dopo questi vari calendari furono riuniti per costituire i "martirologi", liste di nomi e brevi notizie di un certo numero di martiri, appartenenti a diverse Chiese locali, il cui anniversario cade nello stesso giorno. Tra questi è di rilievo quello di San Girolamo, che è alla base di tutti quelli che lo hanno seguito e ampliato nell'ambito della Liturgia romana, e che sono stati usati nell'Ufficio divino, oltre che nella lettura privata.

Paragonando il Calendario Filocaliano, il Martirologio Geronimiano e i calendari della Chiesa di Roma del secolo XI si nota che il primo recensisce solo martiri di Roma e indica il luogo dove si celebrava l'anniversario, ciò che il più delle volte continua a fare anche il Geronimiano. La documentazione circa il culto dei martiri a Roma, come appare dai calendari romani e da antichi Capitulari, dall'alto medioevo fino al secolo XIII, continua a testimoniare che a Roma non si ammisero che feste autenticamente romane, e che normalmente ogni chiesa celebrava le feste dei suoi martiri. Con papa Adriano I si cominciò a tralasciare di indicare i luoghi, anche perché la maggior parte delle celebrazioni si facevano nella basilica Vaticana. Ma dall'Ordo Romanus di Benedetto Canonico del secolo XII siamo informati che il Papa frequentava ancora regolarmente le "stationes" nei relativi "martyria", ed è per questo che il loro ricordo è pervenuto fino a noi.

Nel quarto e ancora quinto-sesto secolo nelle celebrazioni anniversarie sulla tomba dei martiri si diffondono e si organizzano delle "vigiliae" dette anche "pannuchis" in quanto dedicavano la notte alla preghiera, si diffonde e in certi casi autorizza (cf Conc. Hippon. 393, c.5; Conc. Carth. 397,c.36 b) l'uso della lettura agiografica relativa al martire e al suo martirio. Da queste letture prenderà poi in seguito l'avvio una letteratura agiografica, quella delle "Passiones", che avrebbe dovuto servire a sfondo di celebrazione liturgica, ma entrando nel campo dell'immaginario, del leggendario ne hanno talvolta deviato il senso rivolgendo l'attenzione verso il meraviglioso e l'incredibile contro la verità storica.

In queste celebrazioni, e fuori di esse, l'invocazione dei martiri si diffonde nelle Chiese. Sant'Ambrogio esorta i fedeli ad indirizzare le loro preghiere ai martiri, perché intercedano alfine di farci ottenere il perdono dei peccati. Sant'Agostino ci testimonia che se da una parte l'invocazione dei martiri era un fatto consolidato nelle comunità cristiane del IV secolo, l'espressione liturgica del loro culto, restava molto discreta.

Nella Liturgia romana il ricordo e la preghiera dei martiri entra presto a far parte della grande Preghiera Eucaristica, e il Canone Romano è testimone di questa tradizione. Il legame del sangue dei martiri con l'Eucaristia è testimoniato ancora dalla tradizione relativa all'altare nel quale fin dall'antichità devono trovarsi incluse reliquie di martiri che vengono portate solennemente in processione al momento della consacrazione-dedicazione di una nuova chiesa. Anche se questa usanza si è poi nascosta in forme quasi sclerotizzate attraverso l'uso degli altari portatili e delle pietre sacre da includere negli altari, estesa anche alle reliquie di altri santi, paragonati ai martiri perché tali in spirito, anche se era loro mancata, come viene detto di San Martino, l'occasione del martirio.

I primi testi eucologici usati nelle memorie dei martiri che ci sono pervenuti risalgono al Sacramentario veronese, che contiene i primi formulari di messa per la celebrazione del "dies natalis" di vari martiri. Nei primi Sacramentari ogni martire è festeggiato con un formulario proprio. Con i Sacramentari detti Gelasiani del secolo VIII si cominciano ad avere dei Comuni per i martiri, insieme ad altri Comuni per le altre categorie di santi. Questi comuni dei martiri si svilupparono ulteriormente fino alla fissazione che si riscontra nella riforma di san Pio V, e nella loro revisione posteriore.

Il culto dei martiri nella riforma dei libri liturgici della Liturgia romana

Quando venne presentato il nuovo Calendario Romano generale più di una voce si levò per dire che esso denotava un allontanamento dal culto dei santi e dei martiri solo per il fatto che era diminuito il loro numero e perché vari di essi erano stati lasciati alla possibile celebrazione nelle varie Chiese. Ma non si fece attenzione al fatto che, diminuendo il numero dei santi e dei martiri antichi, era stata aperta la porta alla celebrazione di martiri significativi dei vari continenti dove la Chiesa è stata presente dopo il periodo medievale e dopo la riforma tridentina.

Le celebrazioni dei martiri anche oggi continuano ad essere una corona di gemme accanto al Proprio del tempo, che tende a mostrare, per mezzo di «alcuni esempi ben scelti in mezzo all'immenso campo dell'agiografia, in qual modo la vita ed il mistero di Cristo possa essere rivissuto e realizzato dai credenti» (B. Ildefonso Schuster, Liber Sacramentorum, VI, c. II). I martiri fanno infatti sempre riferimento al Cristo,"Rex et caput martyrum" di cui imitano la passione, lottando, resi forti dall'Eucaristia, animati dallo Spirito Santo, per amore di Cristo e degli uomini, per testimoniare la fedeltà alla parola rivelata, per la verità e la giustizia, per la legge di Dio , e non potrebbero essere limitati ai soli antichi, o a quelli da tempo rinomati.

La Liturgia romana ha voluto aprirsi nella riforma liturgica ad altri martiri e ad altre forme di martirio, e il nuovo Calendario lo mostra con le figure dei Martiri Canadesi, dei Martiri del Vietnam, con San Massimiliano Kolbe unite a quelle dei tempi antichi. Un equilibrio è stato cercato perché ogni tempo della Chiesa, sposa di uno sposo crocifisso, è nel suo spirito sempre una Chiesa che tende a produrre martiri.

Nella attuale Liturgia delle Ore la riforma ha posto principi per una scelta delle letture agiografiche per i martiri che rappresenta la sintesi dei migliori elementi di una lunga tradizione su basi storicamente attendibili, in modo che il culto dei martiri sia liberato da quanto poteva avere assunto di leggendario, soprattutto al momento della diffusione di Passioni costruite con intenti di pietà e devozione, ma senza dati storicamente validi.

Così anche la eucologia per i martiri nel Messale e nella Liturgia delle Ore, armonicamente proveniente e connessa con quella della tradizione, testimonia dell'arricchimento della sensibilità teologica dell'attuale momento ecclesiale e della coscienza della necessità per la vita della Chiesa della memoria dei propri martiri.

Oltre ai testi propri di alcuni martiri già esistenti nella ricchezza eucologica contenuta negli antichi Sacramentari, il Comune dei martiri possiede ancora una grande varietà di testi: per un solo martire, per più martiri e, unico caso tra i Comuni dei santi, un Comune per più martiri nel tempo pasquale. Tutto ciò dimostra quanto ancora la Liturgia romana tiene al concetto e al culto dei martiri per i quali il Comune non vuole significare un livellamento, ma una necessità di tenere alto il loro concetto nel cuore della Chiesa tutta, delle singole Chiese e soprattutto di quanti sono chiamati dal Battesimo a divenire loro imitatori nella vita quotidiana.

Entrementes, o monge grego Dionisio, o Exíguo ou, o Pequeno, escritor eclesiástico, que traduziu do grego para o latim, as Decretais dos concílios, resolve estabelecer, especificamente para os cristãos, uma era que tivesse como ponto de partida, a data de nascimento de Jesus.

Os fatos refletem que as dificuldades encontradas pelo monge foram muitas, pois os registros praticamente inexistiam.

Depois de incessante pesquisa, determinou que a data de nascimento de Jesus retroagia para o ano de 753 da data de fundação de Roma, tendo como dia e mês, o 25 de dezembro.

O primeiro ano da era cristã seria a partir de 1 de janeiro do ano 754 da fundação de Rom.

Talvez por tradicionalismo, dificuldades operacionais civis, universalismo (católica) da religião cristã, essa sistemática não foi imediatamente aceita.

Praticamente dois séculos após, o monge e historiador anglo-saxão Beda (São) O Venerável, estimulou os adeptos de Cristo a usarem tal método.

Em síntese, a era cristã demorou muito tempo a ser usada; empregada pela primeira vez na Inglaterra em 705, em 742 na França, e 876 na Alemanha.

Em Portugal, por exemplo, somente em 1422, no reinado de D.João I e, os papas, só adotaram a partir de 1431.

Quais foram os parâmetros sustentadores do método do monge Dionísio, visto existirem erros de inter-relações, como veremos, para a determinação do ano da era Cristã, não sabe-se ao certo; quanto ao dia e o mês, pode-se especular da seguinte maneira:

Conforme alguns historiadores, a celebração do Natal foi introduzida por Telésforo (São), em 138, tendo sido posteriormente eleito papa de 142 a 154; também admite-se que instituiu a denominada "missa-do-galo", ou, missa da meia-noite.

Quanto ao dia e mês, todavia, as datas natalinas eram imprecisas, variando de lugar para lugar; de uma forma mais contundente, a data de 25 de dezembro, celebrando o Natal, consta ter sido fixada em 336, mediante citação no calendário Filocaliano de Roma (ano 354), preparado por Philocalus.

 

Fonte para pesquisas:

http://www.churchforum.org.mx/info/Navidad/xmas/navorig.htm
http://www.kencollins.com/Holy-02t.htm
http://144000.net/birth.htm
http://www.ebenezer-es.org/estudios/navidad.htm
http://apologetica.org/histradnav.htm
http://www.editoraconcordia.com.br/ml/2001/ml_dezembro01/ml_tema.htm
http://www.aciprensa.com/navidad/origen.htm

Quanto ao início da era de Cristo, os fatos parecem refletir que Dionísio cometeu um equívoco, fazendo com que os cronologistas retroajam 4 anos no marco inicial estabelecido pelo monge; sem polemizar, cito o fator que é considerado clássico na sustentação dessa distorção, tal como:

Jesus nasceu sob o reinado de Herodes; sabe-se que este último morreu, quando Jesus nasceu, em 750 da fundação de Roma, sendo pois inconsistente a data de 753, preconizada por Dionísio, para o nascimento do Cristo.

Conciliando, teríamos:

 

ANO DA FUNDAÇÃO DE ROMA (A.U.C) MÉTODO DE DIONISIO MÉTODO QUE SE DIZ CORRETO
750 -IV I
751 -III II
752 -II III
753 -I IV
754 I V

 

Para o analista exigente, e o leitor arguto, dois pontos ineficientes destacam-se no sistema introduzido pelo monge:

Primeiro ponto:
Contemporizando-se e, aceitando a data de nascimento de Jesus Cristo como sendo de 25 de dezembro de 753 da fundação de Roma, ao passar o início do período para 1 de janeiro de 754, não deveria chamar-se era cristã, mas sim era da circuncisão (estilo)

Divulga-se que a circuncisão (excisão do prepúcio do pênis do homem) teve um fim religioso e também higiênico.

Os antigos egípcios, seguidos provavelmente pelos sírios e fênicios, já o utilizavam.

O ato da circuncisão, encontra-se nas famosas leis mosaicas e no Alcorão, livro sagrado dos Muçulmanos.

Entre os judeus, nos filhos homens, no oitavo dia do nascimento, cumpre-se tal prática; já os muçulmanos a praticam do oitavo até o décimo terceiro ano do nascimento do filho homem.

Entre os cristãos, antigamente, os chamados judaizantes, impunham aos gentios convertidos, o ato da circuncisão; os apóstolos opuseram-se a essa prática, sendo pois abolida pela Igreja Cristã,

Jesus Cristo foi circuncidado; ato esse que era comemorado pela Igreja em Primeiro de Janeiro.

 

Segundo ponto:
Considerando-se, na época, a utilização dos números romanos, sem o zero, criou-se, adiante, um impasse com os matemáticos e astrônomos; pela aplicação dos números relativos, a passagem do número 1 positivo para o 1 negativo, deveria passar obrigatoriamente pelo zero.

 

Exemplo:

ANO DA FUNDAÇÃO DE ROMA CRONOLOGIA CORRETA (a.C.) CRONOLOGIA DOS HISTORIADORES (a.C.)
750 -3 -4
751 -2 -3
752 -1 -2
753 0 -1
754 1 1
755 2 2
756 3 3

Em síntese, o ano -1 a.C. dos historiadores corresponde ao ano zero dos astrônomos e matemáticos.

1.5- CONCLUSÃO

Com a introdução dos dias semanais, introduzidos no calendário Juliano por Constantino, uma mudança sistêmica de transcendental importância foi efetuada; a nível de nosso conhecimento, não há comentários contundentes a respeito dessa fundamental alteração que antecedeu a reforma gregoriana.

Num calendário com 365 dias, com semanas de 7, temos 52 semanas mais um dia; ou seja, prevalecendo a lógica, o calendário romano tinha que ser  rotativo, cada ano tendo o seu início com o dia da semana subseqüente; com a introdução de um dia a mais a cada 4 anos, a rotatividade ou como queiram, o ciclo do calendário passou a ser de 28 anos.

O acréscimo do dia no ano bissexto que antes da introdução dos dias semanais era apenas um adendo sem desestruturar o calendário romano, tinha que por lógica receber um dia subseqüente da semana.

Exemplo:

24 de fevereiro de 328 (sábado)
Dies Saturni AD VI kal Martius

 

25 de fevereiro de 328 (domingo)
Dies Solis Bis VI  kal Martius

Finalizando, preparamos um quadro detalhado, abrangendo o ciclo completo de 28 anos, do calendário reformulado por Constantino, prevalecendo o paradigma do calendário com inicio do primeiro de janeiro, em uma quinta feira, de um ano considerado bissexto:

ANO JULIANO AUC 1/ JANEIRO
28 781 QUINTA(BISSEXTO)
29 782 SÁBADO
30 783 DOMINGO
31 784 SEGUNDA
32 785 TERÇA(BISSEXTO)
33 786 QUINTA
34 787 SEXTA
35 788 SÁBADO
36 789 DOMINGO(BISSEXTO)
37 790 TERÇA
38 791 QUARTA
39 792 QUINTA
40 793 SEXTA(BISSEXTO)
41 794 DOMINGO
42 795 SEGUNDA
43 796 TERÇA
44 797 QUARTA(BISSEXTO)
45 798 SEXTA
46 799 SÁBADO
47 800 DOMINGO
48 801 SEGUNDA(BISSEXTO)
49 802 QUARTA
50 803 QUINTA
51 804 SEXTA
52 805 SÁBADO(BISSEXTO)
53 806 SEGUNDA
54 807 TERÇA
55 808 QUARTA
     
56 809 QUINTA(BISSEXTO)
57 810 SÁBADO
58 811 DOMINGO
59 812 SEGUNDA
  e assim em diante  

Legenda: Anos bissextos (em um ciclo de 28 anos temos 7 anos bissextos)

Caso queira um conversor de datas prático, clique na seta Conversor de datas do calendário juliano e gregoriano

Lembre-se:- Ao pesquisar datas do calendário juliano, nos anos bissextos, o dia 25 de fevereiro e não o 29 é o BIS VI KAL MARTIUS.

 


continua