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CALENDÁRIOS ROMANOS (continuação) |
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SISTEMAS DOS CONQUISTADORES ROMANOS |
2- CALENDÁRIO DE NUMA POMPÍLIO
2.1- FUNDAMENTOS
Numa Pompílio(segundo rei lendário de Roma- 715 a.C-672 a.C), discípulo de Pitágoras, sábio, homem de muita paz e religioso, deu especial atenção à agricultura e religião, instituindo o Colégio dos Pontífices.
Reformulou o sistema de Rômulo; as diretrizes básicas foram:
Providencial apreciarmos um ensaio biográfico de Numa Pompiliu, incluindo informações importantes a respeito do calendário romano.
Source:
Plutarch, "Nuna Pompilius," C.E. 75
Sanctum Library: 8th-7th Century B.C.E.
Translated by John Dryden.
This excerpt of Plutarch's biographical essay about Numa Pompilius includes information about the Roman calendar.
"During the reign of Romulus, they had let their months run on without any certain or equal term; some of them contained twenty days, others thirty-five, others more; they had no sort of knowledge of the inequality in the motions of the sun and moon; they only kept to the one rule that the whole course of the year contained three hundred and sixty days.
"Numa, calculating the difference between the lunar and solar years at eleven days, for that the moon completed her anniversary course in three hundred and fifty-four days, and the sun in three hundred and sixty-five, to remedy this incongruity doubled the eleven days, and every other year added an intercalary month, to follow February, consisting of twenty-two days, and called by the Romans the month Mercedinus...
"Many will have it, that it was Numa, also, who added the two months of Januarius and Februarius; for in the beginning they had a year of ten months...
"That the Romans, at first, comprehended the whole year within ten, and not twelve months, plainly appears by the name of the last, December, meaning the tenth month; and that Martius was the first is likewise evident, for the fifth month after it was called Quintilis, and the sixth Sextilis, and so the rest; whereas, if Januarius and Februarius had, in this account, preceded Martius, Quintilis would have been fifth in name and seventh in reckoning.
"It was also natural that Martius, dedicated to Mars, should be Romulus's first and Aprilis, named from Venus, or Aphrodite, his second month; in it they sacrifice to Venus, and the women bathe on the calends, or first day of it, with myrtle garlands on their heads.
"But others, because of its being p and not ph, will not allow of the derivation of this word from Aphrodite, but say it is called Aprilis from aperio, Latin for to open, because that this month is high spring, and opens and discloses the buds and flowers.
"The next is called Maius, from Maia, the mother of Mercury, to whom it is sacred; then Junius follows, so called from Juno; some, however, derive them from the two ages, old and young, majores being their name for older, and juniores for younger men.
"To the other months they gave denominations according to their order; so the fifth was called Quintilis, Sextilis the sixth, and the rest, Septembris, Octobris, Novembris and Decembris. Afterwards, Quintilis received the name of Julius (July), from Caesar, who defeated Pompey; as also Sextilis that of Augustus, (August) from the second Caesar, who had that title...
"Of the months which were added or transposed in their order by Numa, Februarius comes from februa; and is as such a Purification month; in it they make offerings to the dead, and celebrate the Lupercalia, which, in most points, resembles a purification. Januarius was also called from Janus, and precedence given to it by Numa before Martius, which was dedicated to the god Mars; because, as I conceive, he wished to take every opportunity of intimating that the arts and studies of peace are to be preferred before those of war."
2.2- SISTEMA OPERACIONAL
| 2.2.1-
O ANO COM 355 DIAS
OBS: Macróbio afirmou que o ano de Numa teria primeiro 354, e depois 355 días. Conf.i.19; Ovid. Fasti, i.43, iii.151; Aurel. Vict. c3; Florus, i.2; Solinus, c1 Numa, discípulo de Pitágoras, sabia que o ano lunar tinha 354 dias e o ciclo solar anual, 365 e 1/4 de dias; todavia, supersticioso, chefe religioso do seu povo, sabendo que os romanos consideravam os números pares fatídicos, procurou conciliar essas características antagônicas, reformulando o calendário de Rômulo de forma política. Dos 6 meses de 30 dias, retirou 1 dia cada, transformando-os em 29 dias; com esses 6 dias e mais 51, formou dois novos meses; com essa reformulação, o sistema passou a ter 355 dias ao ano, como podemos verificar: 7 X 29 = 203 1 X 28= 28 4 X 31 = 124 TOTAL 355 DIAS (O texto a seguir foi extraído do excelente trabalho do Almanaque de 1956 (Ciência Popular) da série As Maravilhas e os Progressos da Ciência "O primeiro ano acrescido,com 29 dias, colocado sob a proteção de Jano, o deus das duas caras, deu o nome de Januarius, o segundo, com 28 dias que, sendo número par e como tal, considerado aziago, consagrou-o aos deuses infernais, sob o nome de Februarius, deduzido de Februus, como era conhecido o deus da purificações e dos sacrifícios chamado fébrua, o que os romanos faziam nos 12 primeiros dias deste mês, em memória e para descanso dos seus parentes falecidos, praticando certas cerimônias e acendendo círios e fogos em volta das sepulturas. A isto chamavam februare (purificar). Deixando Martius no primitivo lugar com o equinócio da Primavera, antepôs-lhe o de Januarius, colocando este no primeiro posto do ano, que começava e do solstício do Inverno, e querendo assim fazer ver, como o deus Jano, dada a sua maravilhosa sabedoria, vigiava com uma das caras os onze meses do ano a que presidia, refletindo na outra os acontecimentos do ano precedente. O fatídico Februarius, com os seus 28 dias, colocou-o no fim do ano depois de December, para que nesse mês dos deuses infernais se fizessem as purificações e sacrifícios. Ficou assim o ano com 355 dias em vez de 354 do ano lunar, para evitar o perigo do número par. Com estas modificações, o ano de Numa ultrapassava em 17 horas, 11 minutos e pouco mais de 25 segundos, o ano lunar de 12 lunações médias; e, apesar de se haver aumentado 51 dias do ano de Rômulo, ainda o ano civil ficava inferior em mais de 10 dias ao ano solar médio, sendo necessário, para conservar as estações no meses correspondentes e que não retirasse do mês de Martius o equinócio da Primavera, fazer uma nova correção, a qual consistiu em agregar, nalguns anos, um mês suplementar denominado Mensis Intercalaris, Mercedonius ou Mercedinus. A palavra mercedonius deriva de Mercedona, deusa que presidia aos pagamentos, porque neste mês, que vinha no fim do ano, se pagavam as rendas. O vocábulo Mercedona tem por sua radical mercês (renda). Para se estabelecer um ciclo chamado pompiliano, composto de 24 anos, os que ocupavam lugar impar e o que fazia o número 24, tinham só 12 meses com 355 dias, e nos restantes intercalava-se o novo mês Mercedonius, de 22 ou 23 dias, entre 23 de Februarius (septimo calendas Martii), dia da festa chamada Terminalia, e 24 (sexto calendas Martii), dia da festa Regifugium, instituída em memória da expulsão de Tarquínio. O mês Mercedonius era de 22 dias quando se intercalava nos anos 2,6,10,14,18,20 e 22 do ciclo pompiliano, e de 23 dias, quando a intercalação tinha lugar nos anos 4,8,12 e 16 do mesmo ciclo,contando, portanto Februarius 28 dias nos anos ordinários e 50 ou 51 nos anos de intercalação. Para a contagem dos dias de Februarius nos anos das intercalações, depois de 23, contava-se 1,2,3...22 ou 23 de Mercedoníus e depois 24 e os restantes dias dos 28 de Februarius. Os 12 meses perfaziam 355 dias, mas, pela intercalação que se fazia de 2 em 2 anos, tinham alternadamente 377 e 378 dias. Desta maneira, havia períodos de 4 anos assim constituídos: 355, 377, 355 e 378. A soma destas quatro parcelas é igual a 1.465 dias, que supõem 366 1/4 dias em cada ano solar. Como, porém, Numa Pompilio pretendia que o ano tivesse 365 1/4 dias, legislou que os dois últimos períodos de 4 anos do ciclo tivessem respectivamente 371 e 372 dias, em vez de 377 e 378, alteração esta que suprimia 12 dias em 24 anos, ficando assim o ano civil pouco superior a 365 dias. Com tais disposições conseguiu-se fazer coincidir aproximadamente as diversas épocas do ano solar com as do ano civil, mas a intercalação de meses de variável número de dias complicava extraordinariamente o calendário. Por isso, Numa Pompílio, em desespero de causa, decidiu confiar ao Colégio dos Sacerdotes(Collegium Ponfificum) o encargo de dar ao mês intercalar o número de dias que as circunstâncias tornassem necessário, e efetuar, nos anos seguintes, as alterações que tinha ordenado. Este privilégio dos Pontífices era um dos mais altos e importantes na antiga Roma. Estava nas mãos deles a duração das magistraturas, o ser-se ou não mandado à guerra, a execução doas atos públicos, etc.. " |
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(O texto a seguir foi extraído do excelente trabalho do Almanaque de 1956 (Ciência Popular) da série As Maravilhas e os Progressos da Ciência-Continuação ) |
| "No ano 304 da fundação de
Roma ou 450 antes da nossa era, nomeado o tribunal dos Decênviros, os
seus magistrados, ao ditar as leis, cuidaram também do calendário e
adotaram a octaetride de Cleostrato de Tenedos, segundo a qual, em vez
cada terceiro período de 8 anos, em vez de 4 mêses, se devia
intercalar só 3 de 22 dias, e colocaram o mês de Februarius, com o
respectivo Mercedonius, entre os de Januarius e Martius, com o fim de
prorrogarem a sua magistratura.
Decênviro: Cada um dos dez magistrados que, na república romana, foram encarregados da codificações das leis. Nota: O primeiro efeito das Doze Tábuas foi o de separar o direito civil do direito divino, isto é, desembaraçar as relações entre cidadãos da volúvel vontade dos deuses ou, melhor, daqueles que se diziam seus representantes. A partir desse momento, Roma deixou de ser uma teocracia. Insensivelmente, o monopólio eclesiástico da lei começou começou a fazer-se em pedaços. Ápio Cláudio, o Cego, publicou um calendário de dies fasti (dias de registro), que indicava os dias em que se podiam disputar as causas e a forma pela qual poderiam ser disputadas- assunto que, até êsse momento, os sacerdotes declaravam serem os únicos a saber. Fonte: História de Roma- Indro Montanelli- página 82 Com efeito, eles tinham começado a exercer o seu cargo nos idus de Maius de 304 e deviam exercê-lo por espaço dum ano. Deixando correr o mês de Februarius este ano no seu respectivo lugar e colocando-o, no ano seguinte, depois de Januarius, aumentavam de um mês o tempo de sua administração. Desde esta época ficaram os diversos meses do ano ocupando dentro dele, os lugares que atualmente ocupam os seus similares. Os pontífices romanos, escolhidos nas famílias patrícias mais elevadas em dignidade e consideração com as atribuições de darem ao mês Mercedonius o número de dias necessários para assegurar a concordância do ano civil com o solar, puseram pouco zelo no desempenho de tais funções e abusaram muitas vezes por negligência, por superstição ou por uso arbritário das atribuições que lhes haviam sido conferidas, e o calendário começou a ser um objeto político; atendendo às suas conveniências e às dos seus amigos, ajuntavam ou tiravam dias aos anos, quase sempre sem conhecimento prévio dos cidadãos, para que os plebeus, ignorantes dos dias em que a religião permitia advogar as suas causas, tivessem de recorrer a eles, pontífices; quais os dias das assembléias populares; quando se celebravam determinadas festas; etc.. Concorria também para esta confusão a obrigação conferida aos pontífices de disporem o calendário de maneira que os dias chamados, em Roma, nundinais , não pudessem nunca coincidir com os que se chamavam nonas, assim designados, como veremos, os dias 5 dos mêses de 29 dias e os dias 7 dos mêses de 31. Para se compreender esta proibição, é necessário saber que o calendário estava dividido, por uns pequenos períodos de 8 dias semelhantes às nossas atuais semanas; é que em todos os oitavos dias dêstes períodos eram dias de mercado, e é daqui que lhes veio o nome de períodos nundinais , da palavra nundinas que significa mercado. Nêstes dias, os negócios chamavam à cidade uma grande multidão de pessoas que, muitas vezes, causavam tumultos. O dia das nonas era consagrado à memória do rei Sérvio Túlio, que havia nascido num dia de nonas, e como se ignorava o mês em que havia nascido, quando, depois de sua morte, se quis celebrar o dia do seu nascimento, decidiu-se solenizar as nonas de todos os mêses. O que é certo é que, pelos fins da República, o caos no calendário era completo, as festas não eram celebradas nas estações para que tinham sido instituídas, chegando as de Ceres, deusa das searas, a realizar-se no inverno e as de Baco, deus do vinho, na Primavera." Providencial também, incluir um trecho do Capítulo 10- Os Deuses, do livro História de Roma(original italiano: Storia di Roma) de Indro Montanelli, tradução de Luiz de Moura Barbosa, da IBRASA- Instituição Brasileira de Difusão Cultural S.A- Publicado em Novemro de 1961. "Era a religião que dava aos romanos, que desconheciam o domingo ou os "week-ends", os dias de festa e de repouso. Havia uma centena de tais dias por ano: mais ou menos tantos quanto hoje. Era, no entanto, celebrados mais sèriamente. Alguns dêsses "dias feriados"eram austeros e comemorativos: tais eram os lêmures (nosso dia dos mortos), no mês de maio, que cada pai de família celebrava em seu lar ao encher a bôca com feijões brancos, que depois expelia à sua volta, ao mesmo tempo que exclamava: "Por êstes feijões, resgato a mim mesmo e a todos os meus! Ide, almas de nossos antepassados!" Em fevereiro, havia as "parentales"ou as "ferales"e as "lupercales", no decurso das quais jogavam ao Tibre pequenas bonecas de madeira, a fim de enganar o deus que reclamava vidas humanas. Depois, havia as "floralies", as "liberales", as "ambarvales", as "saturnales". Mesmo nesse domínio reinava tal anarquia que a necessidade de organizar uma lista dessas festas foi a primeira razão que impulsionou os romanos a compor um calendário. Bem nos primeiros tempos, eram os sacerdotes que disso se encarregavam, indicando, a cada mês, quando e como celebrar tal ou qual festa. A tradição atribui a Numa Pompílio o mérito de ter pôsto ordem nessa matéria, pelo estabelecimento de um calendário fixo, que permaneceu em vigor até César. Dividia o ano em doze meses lunares, mas deixava aos sacerdotes o direito de alongar ou encurtar o mês a seu talante, desque que, no final, se alcançasse o total de trezentos e sessenta e seis dias. De tal forma abusaram os sacerdotes dessa liberdade, para favorecer ou, pelo contrário, para incomodar um ou outro magistrado, que o calendário de Numa Pompílio se tornara completamente fantasista e não tinha outra utilidade senão a de provocar controvérsias. No curso do dia, contavam-se as horas pelo julgamento da posição do sol no céu. O primeiro quadrante solar foi de fabricação grega. Foi importado de Catânia, e - 263, para ser colocado no Foro. Ma, como Catânia se encontra quatro graus mais ao sul do que Roma, a hora não era exata e os romanos se encolerizavam; durante um século, reinou a desordem, porque ninguém podia evitar esse erro diabólico. Os dias do mês eram divididos segundo as calendas (o primeiro dia), as nonas (o quinto ou o sétimo) e os idos (o décimo terceiro ou o décimo quinto). O ano, que se chamava annus, palavra que igualmente significava anel, começava em março. A seguir, vinham abril, maio, junho, quintílio, sextílio, setembro, outubro, novembro, dezembro, janeiro e fevereiro. Existia uma maneira de prefigurar o domingo: a nundina, que acontecia de nove em nove dias; era como o dia do mercado nas cidade italianas. Os campônios deixavam os campos para vir à cidade vender ovos e frutas; mas não se tratava pròpriamente de uma festa. Se quisessem divertir-se à larga, os romanos deviam esperar as "liberales"e as "saturnales". Era o momento em que, como o diz um personagem de Plauto, "cada um pode comer o que quiser, ir aonde desejar, e fazer o amor com quem escolher, desde que deixe tranqüilas as esposas, as viúvas, as jovens e os rapazes". " Da mesma forma, para enriquecer o nosso trabalho, incluimos um fragmento textual do livro de Fustel de Coulanges, A Cidade Antiga (Estudos sobre o culto, o direito, as instituições da Grécia e de Roma, tradução de Jonas Camargo Leite e Eduardo Fonseca, da Editora Hemus, 1975, página 127: AS FESTAS E O CALENDÁRIO "Em todos os tempos e em todas as sociedades, quis o homem honrar seus deuses com festas; estabeleceu, assim, dias durante os quais apenas o sentimento religioso reinará em sua alma, sem distraí-la com pensamentos ou ocupações terrenas. Do número de dias que o homem tem para viver, deu um quinhão aos deuses. Todas as cidades haviam sido fundadas segundo aqueles ritos que, no pensar dos antigos, tinham como efeito fixar, dentro de seus limites, os deuses nacionais. Era preciso renovar anualmente, por nova cerimônia religiosa, as virtudes desses ritos; chamava-se a esta festa o dia natalício, devendo todos os cidadãos comemorá-la. Tudo quanto era sagrado dava lugar a uma festa. Havia a festa dos muros da cidade, amburbalia, a dos limites de território, ambarvalia. Nesses dias os cidadãos formavam uma grande procissão, vestidos de branco e coroados de folhas; davam a volta na cidade, ou no território, recitando orações; à frente caminhavam os sacerdotes, conduzindo as vitimas que eram imoladas no fim da cerimônia. Vinha, a seguir, a festa do fundador. Depois, cada um dos heróis da cidade, cada uma das almas invocadas pelos homens como protetoras exigia o seu culto; Rômulo tinha culto, como Sérvio Túlio e tantos mais, e até mesmo a ama de Rômulo e a mãe de Evandro o tiveram. Atenas tinha, por sua vez, a festa de Cécrope, e a de Erecteu e a de Teseu; e celebrava cada um dos heróis do país, como o tutor de Teseu, Euristeu, Androgeu e uma multidão de outros mais. Havia ainda as festas dos campos, do trabalho, das sementeiras, da floração e a das vindimas. Na Grécia, como na Itália, cada ato da vida do agricultor estava preso a sacrifícios, e executavam-se os trabalhos agrícolas recitando hinos sagrados. Em Roma os sacerdotes fixavam, todo ano, o dia em que devia começar a vindima e o dia em que deviam beber vinho novo. Tudo era regulado pela religião. Era a religião que aconselhava a poda da vinha, porque cometerá impiedade quem oferecer aos deuses a libação com o vinho de parreira não podada. Toda cidade tinha sua festa para cada divindade adotada como protetora, pelo que, cada cidade, contava freqüentemente com muitas festividades. À medida que o culto da nova divindade se introduz na cidade, torna-se mister encontrar, no ano, um dia próprio para consagrar-lhe. O que caracterizava essas festas religiosas era a proibição do trabalho, a obrigação de se estar alegre nos cantos e nos jogos públicos. A religião acrescentava: guardai-vos, nestes dias, de praticar o mal uns para com os outros. O calendário não era outra coisa senão essa sucessão de festas religiosas. Por isso era organizado pelos sacerdotes. Em Roma, por muito tempo, não houve calendário escrito: no primeiro dia de cada mês, o pontífice, depois de haver oferecido o sacrifício, convocava o povo para lhe dizer quais as festas que tinham lugar no decorrer do mês. A essa convocação chamava-se calatio, de onde deriva o nome calendas, que se dava a esse dia. O calendário não era regulado nem pelas fases da Lua, nem pelo curso aparente do Sol, mas tão-somente pelas leis da religião, leis misteriosas e só conhecidas dos sacerdotes. Algumas vezes a religião prescrevia encurtamento do ano, e outras alongava-o. Podemos fazer idéia dos calendários primitivos, se observarmos que o mês de maio tinha entre os albanos vinte e dois dias e o de março trinta e seis. Compreende-se a razão por que o calendário de uma cidade não devia assemelhar-se em nada ao de outra: as duas cidades não tinham a mesma religião, e as festas, como os deuses, eram-lhes opostas. O ano tinha duração diversa conforme se tratava dessa ou daquela cidade. Os meses não eram conhecidos em toda a parte pelos mesmos nomes; Atenas não os conhecia pelos nomes usados em Tebas, nem em Roma apareciam com os mesmos de Lavínio. Isso porque o nome da cada mês era tirado ordinariamente da festa principal nele realizada; as festas, como sabemos, não eram as mesmas em todos os lugares. As cidades nunca chegaram a um acordo quanto a iniciarem o ano na mesma época, nem quanto a contarem a sucessão dos anos a partir da mesma data. Na Grécia, a festa da Olimpíada tornou-se, com o tempo, uma data comum, mas isso não impediu que cada cidade tivesse o seu ano particular. Na Itália, cada cidade contava os anos a partir do dia da sua respectiva fundação"
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| Retornando ao Ciclo Pompiliano,
percebe-se claramente que o sistema era aparentemente muito complexo, principalmente
para o cidadão romano comum; para nós, simples interpretadores do
procedimentos sistêmicos daquela época histórica, a leitura pura e
simples dos textos explicativos, forçando-nos a mentalizar os inúmeros
parâmetros, provoca a falsa idéia de que tudo está perfeito, deixando
as verificações mais analíticas aos calendarístas, astrônomos,
historiadores, etc..
Estruturado no famoso principio de que "crer é bom, saber é melhor", preparamos um planilhamento do ciclo pompiliano de 24 anos, acompanhando detalhadamente os procedimentos operacionais pesquisados em inúmeras fontes, principalmente na Internet. A resultante segue logo abaixo: |
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CICLO POMPILIANO DE 24 ANOS-8.766 DIAS |
| A | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 1 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 2 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 | 3 |
| B | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 | 24 |
| 1 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 |
| 2 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 |
| 3 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 |
| 4 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 |
| 5 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 |
| 6 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 |
| 7 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 |
| 8 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 | 31 |
| 9 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 |
| 10 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 |
| 11 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 | 29 |
| 12 | 28 | 23 | 28 | 24 | 28 | 23 | 28 | 24 | 28 | 23 | 28 | 24 | 28 | 23 | 28 | 24 | 28 |
22 |
28 | 23 | 28 | 22 | 28 | 2
28 8 |
| 13 | 22 | 23 | 22 | 23 | 22 | 23 | 22 | 23 | 22 | 22 | 22 | |||||||||||||
| 14 | ||||||||||||||||||||||||
| 15 | 5 | 4 | 5 | 4 | 5 | 4 | 5 | 4 | 6 | 5 | 6 | |||||||||||||
| 16 | 355 | 377 | 355 | 378 | 355 | 377 | 355 | 378 | 355 | 377 | 355 | 378 | 355 | 377 | 355 | 378 | 355 | 377 | 355 | 377 | 355 | 377 | 355 | 355 |
| 17 | 355 | 732 | 1087 | 1465 | 1820 | 2197 | 2552 | 2930 | 3285 | 3662 | 4017 | 4395 | 4750 | 5127 | 5482 | 5860 | 6215 | 6592 | 6947 | 7324 | 7679 | 8056 | 8411 | 8766 |
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EXPLICAÇÕES ADICIONAIS SOBRE O CALENDÁRIO DE NUMA POMPILIO |
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Constatamos que as inúmeras explicações, em livros e praticamente mais de 100 sites, não são objetivas; por exemplo, enfatiza-se muito a complexidade do calendário básico de Numa com o complemento da reforma efetuada pelos Decênviros. A bem da verdade, o sistema não é um primor de facilidades, porém, um pouco mais de esmero nas explicações poderiam torná-lo muito mais acessível, senão vejamos: Uma das citações até certo ponto repetitivas que encontramos foi: "Februarius com seus 28 dias nos anos ordinários e 50 e 51 nos anos de intercalação" .No nosso entendimento, o mais correto seria afirmar que o mês de fevereiro, em todo o ciclo de 24 anos permanecia sempre com os seus 28 dias; porém, nos anos seqüenciais, 2,4,6,8,10,12,14,16,18,20 e 22, intercalava-se o 13 mês chamado Mercedonius, com 22 e 23 dias respectivamente, sendo que nas seqüências 18, 20 e 22 o acréscimo era de 22 dias, perfazendo um total nas intercalações, de 246 dias. Ora, 24 anos de 255 dias básicos, perfaziam a somatória de 8.520 dias; mais os 246 dias dos 13 meses, Mercedonius, um total no ciclo de 24 anos de 8.766 dias. A sutileza das intercalações, se é que podemos chamar assim, é que o Mercedonius ficava no intervalo dos dias de Februarius, sem perder a característica de dias intercalares, ou seja, entre 23 de Februarius (septimo calendas Martii), dia da festa chamada Terminália, e 24 (sexto calendas Martii), dia da festa Regifugium, instituída em memória da expulsão de Tarquínio. Em uma demonstração estilizada, vejamos com podemos dissecar a primeira inserção do décimo terceiro mês Mercedonius, no segundo ano do ciclo pompiliano:
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LEGENDA |
| A | SÉRIE DE 3 CICLOS DE 8 ANOS CADA |
| B | SEQÜÊNCIA DOS 24 ANOS NO CICLO |
| 1 | MARTIUS |
| 2 | APRILIS |
| 3 | MAIUS |
| 4 | JUNIUS |
| 5 | QUINTILIS |
| 6 | SEXTILIS |
| 7 | SEPTEMBER |
| 8 | OCTOBER |
| 9 | NOVEMBER |
| 10 | DECEMBER |
| 11 | JANUARIUS |
| 12 | FEBRUARIUS |
| 13 | MERCECONIUS |
| 14 | |
| 15 | RESTOS DE FEBRUARIUS |
| 16 | TOTAL DE DIAS NO ANO |
| 17 | TOTAIS ACUMULADOS ANO A ANO |
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CONCILIAÇÃO ASTRONÔMICA DO CICLO POMPILIANO |
| REVOLUÇÃO TRÓPICA DO SOL:
8.766 DIAS /24 ANOS = 365,25 DIAS
REVOLUÇÃO SINÓDICA DA LUA: 8766 DIAS/297 LUNAÇÕES = 29,5151 DIAS MÉDIOS |
| 2.2.2-
A DIVISÃO DOS MESES
O mês foi dividido em três períodos:
Os períodos eram estipulados pela revolução lunar ou lunações; a idéia básica era: As Calendas (início do mês), deveriam coincidir com os novilunios ou Luas Novas; As Nonas com o Quarto Crescente; os Idos com o plenilúnio ou Lua Cheia. Dessa maneira, eram datas móveis e no dia das Calendas, os pontífices anunciavam as sequencias das Nonas e Idos de cada mês. As Calendas sempre no primeiro dia do mês. As Nonas e Idos, nos meses de março, maio, julho e outubro, nos dias 7 e 15 respectivamente e, nos meses de janeiro, fevereiro, abril, junho, agosto, setembro, novembro e dezembro, 5 e 13. Os latinos não contavam os dias dos meses numa série contínua, desde o primeiro dia até o fim. Tinham três datas fixas nos meses, das quais se serviam como pontos de referências, para a contagem dos demais dias: Calendas, Nonas e Idos. Calendas: primeiro dia do mês "Kalendis Martius" (Primeiro de março) Partindo dessas datas fixas, os latinos contavam os dias regressivamente, ou seja: O último dias de fevereiro, o dia que antecede as Calendas de março (segundo dia a contar das Calendas); O penúltimo dia de fevereiro (terceiro a contar das Calendas de março). E assim por diante, sempre regressivamente, até chegar aos Idos, outra data fixa do mês. Concluindo, naquela época os romanos em vez de dizerem, por exemplo 27 de novembro, diziam 4 antes das calendas de dezembro; em vez de 28, diziam 3 antes das calendas de dezembro; em vez de 29 diziam 2 antes das calendas de dezembro, etc. 2.3- AS SEMANAS Ao lado das Calendas, Nonas e Idos, adotavam uma semana de oito dias úteis, aos quais seguia-se um nono dia como feriado, as Nundines. Esses dias assemelhavam-se aos domingos, nele funcionando os chamados Mercados. Para o intervalo de 3 Nundines, tinham o Trinundinum, ou seja, 24 dias; período muito importante na vida dos romanos. As Nundines, até o advento da Lei Hortensia, eram considerados dias nefastos, sendo proibido qualquer atividade judiciária ou política. Também as Nundines, não podiam coincidir com as Calendas de Janeiro e todas as Nonas. E por isto, tendo César (veremos com mais detalhes em calendário Juliano) mandado colocar o dia complementar entre 23 e 24 de fevereiro, ou, como diziam os romanos, entre o sétimo e o sexto dia para as calendas de março, e não querendo alterar a ordem dos outros dias, fez com que fosse contado duas vezes o dia sexto, e dai a palavra bissexto data a este dia e depois a todos os anos que contêm 366 dias. O sexto fia para as calendas de março já era celebre em Roma: era o dia da Regifuga, festa instituída em memória da expulsão de Tarquinio Soberbo, sétimo e ultimo rei de Roma. 2.4- CRONOGRAMA DE COMPROMISSOS Primeiramente, as Calendas, consagradas aos Deus Juno, posteriormente fixadas para o pagamento dos compromissos; provavelmente, o mais antigo cronograma de desencaixes que se têm conhecimento. Os dias anteriores as Calendas, Nonas e Idos, recebiam o nome de Vésperas. |
| 2.5-
MUDANÇA DO CALENDÁRIO LUNAR PARA SOLAR
"Não é sabido quando esse calendário passou a ser solar, contudo em 400 a.C. já o era" Fonte: Enciclopédia Barsa (Elaborada Sob a Supervisão dos Editores da Encyclopédia Britannica- William Bento, Editor. 2.6- A EMANCIPAÇÃO DO CALENDÁRIO Pisando em terreno não muito seguro, aliás, fugindo dos nossos procedimentos normais, coletamos algumas informações que, verossímeis ou não, convém pelo menos deixar registrado; provavelmente, após pesquisas mais abrangentes, possamos ratificar ou mesmo ampliar os conceitos agora emitidos. Por volta de 304 a.C., uma compilação de um calendário de ações legais, preparadas po Appius Claudius Caecus, foi roubada por Cneius Flavius e disponibilizada ao povo, no Forum; tal proeza, rendeu muito dinheiro, inclusive com altos cargos, como tribuno dos plebeus, edil e também como senador; conforme regístro de Pomponius (Dig. I. 2.2.7) " Dig.1.2.2.7 Pomponius l.S. enchir. Postea cum appius claudius proposuisset et ad formam redegisset has actiones, gnaeus flavius scriba eius libertini filius subreptum librum populo tradidit, et adeo gratum fuit id munus populo, ut tribunus plebis fieret et senator et aedilis curulis. hic liber, qui actiones continet, appellatur ius civile flavianum, sicut ille ius civile papirianum: nam nec gnaeus flavius de suo quicquam adiecit libro. augescente civitate quia deerant quaedam genera agendi, non post multum temporis spatium sextus aelius alias actiones composuit et librum populo dedit, qui appellatur ius aelianum." Escritores atuais, em obras muito divulgadas, citam a façanha de Flavius, tais como: THE CALENDAR FOR EVERYBODY- ELISABETH ACHELIS-G.P.PUTNAM'S SONS-NY Republicado em 1990- Página 26 CALENDAR- DAVID EWING DUNCAN-AN AVON BOOK-1998- Página 32 Em alguma fontes encontramos citações de uma reforma do calendário efetuada por volta de 300 a.C; pouco ou nada de concreto se comenta sobre os procedimentos dessa reforma, a não ser que o sistema de Numa Pompílio foi mantido praticamente intacto. Seria a introdução dos dies nefasti (aedilis curulis) introduzido por Cn Flavius ? 2.7- INÍCIO DO ANO Até 153 a.C, o início do ano foi a 15 de março, devendo corresponder ao da primavera,passando depois para primeiro.
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