CALENDÁRIOS

JUDAICO (Continuação)

 

1.2.3- PERÍODO PÓS- TALMÚDICO OU DE HILLEL II

O sistema de calendário que prevaleceu, por volta de 36o da Era Comum até os dias atuais, foi introduzido pelo rabino Hillel II, ou melhor, Hillel Hasheni, o último patriárca.

Evidentemente, apesar dos méritos próprios, Hillel II baseou-se nos trabalhos do não menos brilhante Rabi Samuel, um judeu de Babilônia, altamente versado em astronomia, o qual, anteriormente tinha estabelecido um calendário que, por motivos incertos, não foi publicado.

A verificação física do novilúnio foi substituída por cálculos astronômicos; nas linhas subsequentes, a parte operacional de toda a sistemática, será detalhadamente exemplificada.

2- SISTEMÁTICA OPERACIONAL DO CALENDÁRIO JUDAICO

2.1- CONCEITOS GENÉRICOS

DIA CIVIL

Desde os primórdios, o dia civil é considerado, dum pôr do Sol ao outro; na sua origem, o dia natural designado pelo vocábulo IOM, dividia-se em três partes a saber:

A manhã, o meio dia e a tarde

Considerando-se a hora sobre o aspecto bíblico, ou seja, 1 hora representa 1/12 avós do período que o Sol brilha, tinhamos:

Jo 11:9 - Não são doze as horas do dia ?

Cada período, dividido em quatro partes de três horas cada, denominados:

Primeira hora Iniciava-se no levante do Sol
Terceira hora Iniciava-se as 9 horas
Sexta hora Iniciava-se ao meio dia
Nona hora Iniciava-se as 3 da tarde

A NOITE

A noite era dividida em três vigílias; começava pelo vislumbrar de três estrelas, as quais eram seguidas até o alvorecer.

Primeira vigília Do por do Sol a meia-noite
Segunda vigília Da meia-noite ao cantar do galo
Terceira vigília Do canto do galo ao nascer do Sol

Na época do domínio romano, as vigílias passaram de três para quatro; posteriormente, até os dias atuais, adotou-se a divisão de um dia em 24 horas, com o início ao pôr-do-Sol e término no dia seguinte.

Exemplos:

0 hora de um determinado dia, quando o relógio marca 18 horas
6 horas quando marca meia-noite
12 horas quando marca 6 horas do dia seguinte
18 horas quando marca meio-dia
24 horas quando marca 18 horas

Em síntese, para os não judeus, um dia convencionado de 24 horas, engloba, digamos, a segunda metade da noite, todo o dia e, a primeira metade da noite, ou seja, a noite que é contínua, pertence na realidade a dois dias.

Para os não judeus, a passagem de ano, na hipótese de 1994 para 1995, ao declinarmos a noite, teríamos de fazê-lo da seguinte forma:

A noite de 31/12/1994 para a noite de 01/01/1995

Já entre os judeus, por exemplo, a noite de Primeiro de TISHREI, primeiro dia do ano civil, teve o seu início após o por do Sol, do dia 29 ELUL, último dia do ano civil judaico.

A HORA

As horas são divididas em:

1080 Escrópulos denominados Halakim, e cada Escrópulo em 76 instantes ou Regaím

RESUMINDO:

1 hora = 60 minutos = 1080/60= 18 ou seja,cada minuto da hora usual, corresponde a 18 helakim da judaica

CONCLUINDO:

Cada Helek, corresponde a 3 1/3 segundos.

3 1/3 X 1.080 = 3.600 segundos = 60 minutos = 1 hora

3 1/3 X 60 = 200

A SEMANA

A semana judaica, exclusivamente de carater religioso, compõe-se de 7 dias, fundamentada nas sagradas escrituras, conforme Gênesis, cujo relato diz que  o mundo foi criado por Deus em 6 dias, no sétimo descansando.

O dia de descanso é o SHABAT, correspondendo ao sábado:

Em hebraico, os dias da semana são:

YOM EHAD DIA 1
YOM XENI DIA 2
YOM XELIXI DIA 3
YOM REBIHI DIA 4
YOM HAMIXI DIA 5
YOM XIXI DIA 6

 

Para maiores subsídios, anexamos um excelente trabalho, resumidos em quatro tabelas,  cujos direitos autorais pertencem ao site: http://www.iebf.org.br

Nota: O site em epígrafe foi desativado e não há previsão de retorno

AS HORAS DO DIA E DA NOITE 

As horas do dia

Hora Ocidental

Hora Judaica

Referência Bíblica

09:00 h. (6 às 9 h.)

terceira hora

Mt.20:3

12:00 h. (9 às 12 h.)

sexta hora

Mt.20:5

15:00 h. (12 às 15 h.)

nona hora

Mt.20:5

18:00 h. (15 às 18 h.)

décima segunda hora

 

As horas da noite

 

18:00 às 21:00 h.

1ª vigília (noite)

Ex.14:24

21:00 às 24:00 h.

2ª vigília (meia noite)

Lc.12:38 (Mt.25:6)

24:00 às 03:00 h.

3ª vigília (cantar do galo)

Lc.12:38

03:00 às 06:00 h.

4ª vigília (manhã)

Mt.14:25

Na época do domínio romano, as vigílias passaram de três para quatro (Nota do Editor)

O dia civil judaico é ilustrado na tabela abaixo:

 

O Dia Judaico (24 horas)

18:00 h.

cair da tarde

Mt.20:8; Mt.14:23

18:00 h.

pôr do sol

Gn.28:11; Mc.1:32

 

A tabela abaixo ilustra outros horários mencionados na Bíblia:

Outras Horas Judaicas

17:00 h.

undécima hora

Mt.20:6

Cerca de 22:00 h.

2ª ou vigília média

Jz.7:19

06:00 às 09:00 h.

raiar do sol,

nascente do sol,

levante,

Jz.9:33;; Sl.50:1; Sl. 113:3; Is.45:6

15:00 às 18:00 h.

cair da tarde (1ª)

Mt.14:15

18:00 às 19:00 h.

cair da tarde (2ª)

Mt.14:23

15:00 às 18:00 h.

crepúsculo da tarde

Ex.12:6; Nm.9:3

 

Já no Talmud e na Halachá, Lei Judaica, encontramos muitas vezes dia e noite divididos em 24 horas; por exemplo: a) o Shemá matinal deve ser recitado até o final da terceira hora do dia; b) na véspera de Pêssach só pode-se ingerir chamêts, alimentos levedados, até o final da quarta hora do dia. Assim também no que diz respeito aos horários das orações, do Shabat e das Festas Judaicas. Estas, porém, não são horas comuns de 60 minutos; cada hora é 1/12 do tempo que compreende do nascer ao pôr-do-sol, enquanto o horário noturno é compreendido do pôr ao nascer do sol.

Nos dias de verão, cada hora tem mais de 60 minutos e no inverno menos de 60 minutos. No início da primavera e do outono, cada hora tem aproximadamente 60 minutos. Porém no total, dia e noite completam as 24 horas normais. Estas horas não são usadas apenas como uma forma simples e convencional para medir o tempo, mas misticamente cada hora traz uma nova vitalidade ao mundo.

É conhecida a história de Rabi Schneur Zalman, o primeiro Rebe de Chabad, no período em que se encontrava na prisão russa por motivo de perseguição religiosa. Para testá-lo, colocaram-no por alguns dias numa cela escura, em cujo interior não se podia distinguir entre dia ou noite. Um pouco após o meio dia, perguntaram-lhe o que fazia acordado de madrugada, e o Rebe lhes disse a hora exata da tarde. Quando perguntaram como poderia saber isto numa cela escura, o Rebe explicou que durante o dia iluminam o mundo as doze combinações das quatro letras do Tetragrama (Y-H-V-H) e à noite brilham outras doze combinações, as das letras do nome Divino (A-D-N-Y). Assim, a cada hora, o mundo recebe sua vitalidade de uma destas combinações que simbolizam transmissões de vida Divina. Quem tem sensibilidade para "sentir" estas vibrações, pode saber a hora exata sem necessitar de relógio.

Fonte:-http://www.chabad.org.br

2.2- O MÊS LUNAR

Conforme a Bíblia, em Gênesis 1:14, a Lua serve:

para sinais, para estações, para dias e anos

 Não bastasse essa revelação, a Lua manifesta-se com incrível periodicidade; dessa forma, o seu surgimento em fases regulares no céu noturno, subsidiou a construção dos primitivos calendários, perpetuando-se, inclusive, no judaico.

Como vimos em linhas anteriores, nos primórdios, os mais eruditos, ou responsáveis pelas manifestações desses fenômenos, baseavam-se nas visadas; evidentemente, essas constatações sistemáticas eram registradas e enriqueciam o acervo do que conhecido como:

COSMOLOGIA PRIMITIVA

Hiparco (Hipparchus of Rhodes), nascido por volta de 150 anos antes da Era Comum, considerado por muitos como um dos maiores astrônomos da Antiguidade, retificou o ciclo de Cálipo e, conseqüentemente, ainda mais o ciclo de Méton.

Hiparcos aferiu que em 126.007 dias e uma hora, haviam 4.267 meses sinódicos, 4.573 meses anomalíticos e 4.612 meses siderais, menos 7 graus e 30 minutos; também determinou que 5.458 meses sinódicos correspondiam a 5.923 meses draconíticos.

Em síntese, para a revolução sinódica da Lua chegou a:

29,5305851 dias médios
ou
29 dias, 12 horas, 44 minutos e 2.553 segundos

Ao eminente sábio, credita-se também a primazia de ter descoberto a Precessão dos Equinócios, um movimento por demais lento e retrógrado, fazendo deslizar os nodos da órbita terrestre ao longo da eclítica.

(Nodo:- ponto de intersecção da eclítica com a órbita de um planeta)

Infelizmente, Hiparcos não deixou escritos substanciais dos seus trabalhos.

As citações ao grande astrônomo e, divulgações de alguns feitos, são sobejamente reverenciados por Ptolomeu, na sua fabulosa obra O Almagesto; dentre essas afirmações, o de haver Hiparcos, confirmado as mensurações de Cálipo, quanto a duração do ano trópico em 365,25 dias e, de ter as quatro estações do ano, os seguintes comprimentos:

94 1/2
92 1/2
88 1/8
90 1/8
Total 365,25 dias

Divulgou também, que o brilhante grego, nascido na cidade de Nicéia, posteriormente, em aferições mais precisas da revolução trópica do Sol, chegou a cifra de:

365 dias + 1/4 - 1/300  = 365,246666666...
ou aproximadamente
365 dias, 5 horas, 55 minutos e 12 segundos

Com essas aferições de domínio científico e, evidentemente, outras paralelas, pela importância para o povo judeu em estabelecer padrões precisos ao seu calendário, natural que houvesse reformulações quanto a determinação do surgimento do crescente lunar, ou, como queiram, da foicinha delgada.

Surge então, por volta de 360-365 da Era Comum, Hillel II, considerado o último patriarca, o qual estabeleceu bases astronômicas para o cálculo do MOLÁD (nascimento da Lua).

Determinou que entre um MOLÁD e outro houvesse um intervalo de tempo de:

29,5305941358 dias médios (aproximado)
ou
29 dias, 12 horas, 44 minutos e 3 segundos e 1/3

 

Comparando com a revolução sinódica astronômica de 29,5305 888 531(US Naval Observatory ) dias médios, temos uma diferença de 0,0000052827 dias médios, ou,  comparando com a revolução sinódica astronômica de 29,5305881 dias médios, temos uma diferença de 0,4563648 segundos por lunação.    

(De uma maneira simplista, o mês sinódico é o tempo decorrido entre uma Lua nova e outra Lua nova, cumprindo assim um ciclo.O mês sinódico varia, aliás como tudo no Universo; por volta de 1900 era de: 29,5305886 e em 2100 estima-se em 29,5305891)

O plano orbital da Lua tem uma inclinação de 5°9' em relação à eclíptica. Apesar desse ângulo permanecer aproximadamente constante, o plano orbital não é fixo, movendo-se de maneira tal que seu eixo descreve um círculo completo em torno do eixo da eclíptica num período de 18,6 anos. Portanto, em relação ao equador da Terra, a órbita da Lua tem uma inclinação que varia de 18,4° (23,5° - 5,15°) a 28,7° (23,5° + 5,15°). Atualmente (ano 2002) essa inclinação é de ~22°

Em relação ao equador da Lua, o seu plano orbital tem uma inclinação de menos do que 1°

Fonte:-http://astro.if.ufrgs.br/lua/lua2.htm

2.2- PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS

O calendário judaico, além de civil, orienta-se por normas religiosas bastante rígidas.

Na verdade, pode-se dizer que o calendário judaico abrange três aspectos: o civil, o religioso e o astronômico.

O civil, quando harmoniza-se com o calendário gregoriano, o religioso quando impões normas rígidas para o começo e conseqüente término do ano e, finalmente, o cíclico para harmonizar os meses lunares com a revolução trópica do Sol.

Obviamente, deduz-se que tanto a confecção do calendário como a sua manipulação, mesmo para o povo judeu, não é tarefa das mais simples.

Felizmente, por mais paradoxal que possa parecer, conhecendo-se os pormenores e sutilezas operacionais, suas delimitações religiosas, o sistema judaico, além de sua beleza, poderemos constatar ser de uma operacionalidade relativamente acessível; senão vejamos:

2.2.1- A COMPOSIÇÃO DO ANO JUDAICO (OS SEIS PARADIGMAS)

O ano compõe-se de 12 ou 13 meses, contendo 29 ou 30 dias.

Quando o ano é comum, com 12 meses, chama-se P'SHUTÓT e, quando bissexto, com 13 meses, ou embolísmico M'UBAROT.

Grosso modo, o paradigma para todas as fórmulas de calendários judaicos, estrutura-se em 6 tipos:

3 para os chamados anos comuns, com 353, 354 e 355 dias e,
3 para os bissextos (não confundir com o gregoriano), com 383,384 e 385 dias

No quadro abaixo, poderemos ter uma visão mais abrangente:

  MESES 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13
  TOTAL

ANUAL

(DIAS)

TISHREI CHESHVAN KISLEV TEVET SHEVAT ADAR I NISSAN IYAR SIVAN TAMUZ AV ELUL ADAR II
AC 353 30 29 29 29 30 29 30 29 30 29 30 29  
AD 354 30 29 30 29 30 29 30 29 30 29 30 29  
AE 355 30 30 30 29 30 29 30 29 30 29 30 29  
BC 383 30 29 29 29 30 30 30 29 30 29 30 29 29
BD 384 30 29 30 29 30 30 30 29 30 29 30 29 29
BE 385 30 30 30 29 30 30 30 29 30 29 30 29 29
6 TIPOS DE CALENDÁRIOS
AC ANO COMUM- DEFECTIVO
AD ANO COMUM- REGULAR
AE ANO COMUM-ABUNDANTE
BC ANO EMBOLÍSMICO-DEFECTIVO
BD ANO EMBOLÍSMICO- REGULAR
BE ANO EMOBÍSMICO ABUNDANTE

Estabelecida a fórmula por critérios que veremos, ela é absolutamente invariável, isto é, todas as fórmulas paralelas são idênticas entre si.

 


continua