CALENDÁRIOS

JUDAICO

 

1- CRONOLOGIA HEBRAICA/JUDAICA/ISRAELITA

1.1- FUNDAMENTOS

Em princípio, vejamos as diferenças básicas dos termos: hebreus, israelitas e judeus.

Hebreus é a designação primitiva dos descendentes de Abrão, os quais por sua vez, provinham do patriarca Heber.

CIVILIZAÇÃO DOS HEBREUS – 3000 a.C. a 2000 a.C.

A civilização hebraica desenvolveu-se na antiga Palestina, correspondendo a uma região cercada pela
Síria, pela Fenícia e pelos desertos da Arábia. Seu território era cortado pelo rio Jordão, cujo vale constituía a
área mais fértil e favorável à prática agrícola e à sedentarização de sua população. O restante da Palestina, ao
contrário, era formado por colinas e montanhas, de solo pobre e seco, e ocupado por grupos nômades
dedicados ao pastoreio.
As tribos hebraicas chegaram à Palestina antes de 2000 a.C., conhecida há muito tempo como terra
de Canaã devido aos seus primeiros habitantes, os cananeus. Tanto estes como os hebreus eram de origem
semita, denominação moderna dos descendentes de Sem, mencionado no Antigo Testamento como o filho
primogênito de Noé, e tido como o remoto antepassado dos hebreus (hebreu também significa "povo do
outro lado").
A principal fonte da história hebraica é a Bíblia, pois em sua primeira parte, o Antigo Testamento,
são apresentados não apenas elementos morais e jurídicos dos hebreus, como também seus valores religiosos
e narrativas históricas, muitas delas confirmadas pelas pesquisas arqueológicas. Essa simbiose entre seu
desenvolvimento histórico e religioso explica por que seus principais personagens e feitos estão sempre
envoltos pelo sagrado e sobrenatural.
As tribos semitas, no início da história hebraica, distribuíam-se entre a Síria oriental e a
Mesopotâmia, empreendendo inúmeras guerras pela conquista territorial e para obtenção de escravos e
mulheres. Quando um desses grupos semitas, os hebreus, chegou à Palestina, teve início a disputa pelo
domínio da região, originando prolongados conflitos contra os cananeus e os filisteus, dos quais os hebreus
saíram vitoriosos.
Os hebreus, estabelecidos na Palestina, organizaram-se em grupos familiares patriarcais,
seminômades, iniciando o desenvolvimento das atividades agrícolas e pastoris. O primeiro grande líder
hebreu, segundo o Antigo Testamento, foi Abraão (2166 a.C.), mesopotâmico originário da cidade de Ur, na
Caldéia, considerado o primeiro patriarca hebreu. Dirigindo-se à Palestina, Abraão anunciava uma nova
cultura religiosa, monoteísta, que mais tarde cimentaria a unidade dos hebreus; estes acreditavam que Abraão
recebera de Jeová ( lavé, deus dos hebreus), a promessa de uma terra para eles e seus descendentes, onde
haveria de correr "leite e mel".

Na narração bíblica, depois de Abraão, as tribos hebraicas foram lideradas pelos patriarcas Isaac e
Jacó (ou Israel), sendo que este último deixou doze descendentes que deram origem às doze tribos de Israel.
A seguir, devido aos diversos conflitos contra vizinhos e às dificuldades econômicas, muitos hebreus
acabaram abandonando a Palestina, dirigindo-se para o Egito, onde permaneceram por mais de quatrocentos
anos. Ao que parece, o faraó franqueava às tribos hebraicas as regiões próximas ao delta do Nilo, ricas para
as pastagens, buscando obter produção agrícola e criar uma barreira defensiva contra as tribos beduínas
próximas.
FONTE: http://sites.uol.com.br/faustomoraesjr/aconteceu/1_Hebreusx.htm

Posteriormente, o nome Hebreu foi substituído elo de israelita, da palavra Israel, sobrenome ganho por Jacob, em sua vitória contra um anjo.

Quanto a denominação de Judeus, deriva do período do cativeiro na babilônia, por serem habitantes de Judá.

Os Hebreus, povo de raça semita, distinguiram-se entre outras coisas, pela peculariedade religiosa, contrastando com outros povos da antiguidade, pois eram monoteístas, isto é, acreditavam em um só Deus: Jeová.

Num período, onde a maioria acreditava em vários deuses, ser monoteísta, transformava aquela gente em cidadãos particularíssimos.

Em resumo, mantinham relações pessoais com o seu Deus, contrastando com as demais religiões da Antiguidade, que abrangiam o povo como um todo.

Outras distinções haviam, destacando-se:

Não se limitavam às orações ou cerimônias públicas
Evidenciavam a importância da Moral, estimulando a prática do Bem e da Justiça, bem como o respeito às leis locais

Essa fé inquebrantável, que deu origem ao cristianismo e ao islamismo, em que pese as agruras sofridas, continua viva e atuante até os nossos dias.

1.2- SÍNTESE HISTÓRICA

O povo judeu conta os anos a partir da data da criação do mundo, segundo um dos livros sagrados, o Gênesis, em 3761 antes da era vulgar.

Convenhamos, é muita história a considerar

Quanto ao calendário, porém, dispensando uma rigidez cientifica, poder-se-ia classificá-lo em três grandes períodos:

Período Bíblico ou Mosáico
Período Talmúdico
Período Pós-Talmúdico ou de Hillel II

Embora que o ideal, para este trabalho, fosse comentar procedimentos especificamente operacionais sobre o calendário, expurgar temas históricos, poderia prejudicar o conteúdo programático do mesmo.

Para que tal fato não ocorra, haverá, tanto quanto possível, uma divisão dos eventos históricos, dos procedimentos classificados como operacionais.

1.2.1- PERÍODO BÍBLICO OU MOSÁICO

Sob o comando do patriarca Abrão, os hebreus partiram de Ur na Caldéia, localizada na Caldéia.

Pastores e agricultores errantes, extremamente hábeis nas artes e também nos conhecimentos científicos da época, principalmente nas matemáticas e na astrologia, inventaram um calendário agrícola, o qual, por circunstâncias diversas, pulverizou-se com o passar dos anos; o perfil sistêmico do calendário agrícola, parece ter sido:

Estação seca (abril-setembro)

Estação chuvosa (outubro- março)

Por sua vez, as estações subdividiam-se em:

Sementeiras (novembro-dezembro)

Colheiras (abril-junho)

 

Provérbio judeu " Quem é grande em Torah, também o é na ciência laica "

Período bíblico 
          A Bíblia hebraica -- que, à exceção de alguns livros, coincide essencialmente com o Antigo Testamento cristão -- narra os fatos fundamentais da história do povo judeu, a partir do momento transcendental de sua eleição e da aliança com Deus. Os judeus dividem sua Bíblia em três partes: a Lei (Torá), os Profetas (Neviim) e os Hagiógrafos (Ketuvim). 
          Aliança e eleição. O patriarca dos hebreus, Abraão, morava na cidade de Ur, na Caldéia, junto à foz do Eufrates, no século XX antes da era cristã. De lá, partiu para o norte, com seu pai, e recebeu a ordem de Deus: "Deixa teu país, tua parentela e a casa de teu pai, para o país que te mostrarei. Eu farei de ti um grande povo, eu te abençoarei, engrandecerei teu nome; sê tu uma bênção!" (Gn 12:1-2). 
          Após a chegada de Abraão à terra de Canaã (mais recentemente conhecida como Palestina, para os judeus Terra de Israel, e onde hoje se localizam o Estado de Israel e a Jordânia), Iavé estabeleceu com ele uma aliança: "À tua posteridade darei esta terra, do rio do Egito até o grande rio, o rio Eufrates" (Gn 15:18). E acrescentou: "Eu multiplicarei grandemente a tua descendência, de tal modo que não se poderá contá-la" (Gn 16:10). Como sinal dessa aliança lhe ordenou: "Que todos os vossos machos sejam circuncidados" (Gn 17:10). 
          Abraão, seu filho Isaac e seu neto Jacó constituem a linha patriarcal de referência do povo judeu, fiel à aliança divina. Jacó recebeu do Senhor um novo nome, Israel, e de seus 12 filhos originaram-se as 12 tribos do povo judeu, os descendentes de Israel, ou, como se chamavam, os "filhos de Israel" (Bene Israel). 
          Êxodo e estabelecimento em Canaã. A segunda etapa decisiva da história do povo judeu começou com sua libertação da escravidão no Egito (século XIII a.C.), onde se haviam estabelecido na época da grande seca. Moisés foi o líder que, por ordem de Iavé, conduziu a marcha de quarenta anos através do deserto para voltar a conquistar a terra de Canaã. 
          Durante a travessia do deserto, Moisés fixou a lei judaica, cujo núcleo foram os Dez Mandamentos, gravados nas tábuas recebidas de Deus no monte Sinai, que abarcavam as crenças, a moral, os rituais e a organização civil do povo. Essa lei, a Torá -- também chamada lei de Moisés, ou lei mosaica --, está contida no Pentateuco (Chumash), os cinco livros que constituem a primeira parte da Bíblia, e viria a ser a fonte de coerência e unidade do povo judeu e, todos os tempos e lugares. Segundo a tradição, ainda nos tempos de Moisés surgiu a lei oral, que se transmitiu dessa forma ao longo de gerações e só foi registrada por escrito muitos séculos depois. 
          Uma vez estabelecidos em Canaã, a Terra Prometida, cada tribo em seu próprio território, os hebreus sofreram a influência do paganismo e os ataques de filisteus e moabitas. Surgiram então os juízes, como Débora e Sansão, que lideraram o povo em épocas de crise, na luta contra os inimigos e na condução de um modo de vida adequado às leis da aliança. Entretanto, fez-se necessária a reunificação das 12 tribos, e Saul foi ungido rei no século XI a.C. Davi, seu sucessor, conquistou Jerusalém, transformou-a em capital do reino e para lá levou a Arca Sagrada, símbolo da aliança com Deus. Salomão, filho de Davi, construiu o primeiro templo, em Jerusalém. Com sua morte, o reino foi novamente dividido: Israel, no norte, formado por dez tribos, assimilou elementos heréticos no culto e logo sucumbiu, invadido pelos assírios. Sua população foi deportada, e as dez tribos desapareceram desde então da história judaica (várias hipóteses, fantasiosas ou não, têm associado etnias contemporâneas à descendência dessas tribos). O reino de Judá, no sul, centrou-se em Jerusalém e manteve-se fiel às tradições. Os judeus de hoje descendem principalmente dos habitantes de Judá. 
          Nessa época de decadência religiosa, política e econômica surgiram os grandes profetas de Israel -- Elias, Amós, Isaías -- que exortaram o povo a retornar à fé tradicional. A visão da história como instrumento de Deus, que faz cair a desgraça sobre o povo judeu como castigo pelo descumprimento da aliança, foi em parte obra dos profetas. 
          Exílio e restauração. No início do século VI a.C., o rei babilônio Nabucodonosor destruiu o templo, saqueou Jerusalém e deportou sua população para a Babilônia. Este novo exílio espiritual uniu o "restante de Israel" sob a prédica do profeta Ezequiel, dando início a uma restauração religiosa que preparou uma outra, de caráter político. 
          A conquista da Babilônia por Ciro, rei dos medos e dos persas, permitiu aos hebreus retornar à Terra Prometida, no ano 538 a.C., e reconstruir o templo de Jerusalém, em 515 a.C. Grande parte do povo, no entanto, continuou espalhado do Egito à Índia, como numa prefiguração da posterior diáspora (dispersão). 
          Essa restauração religiosa e política é considerada por alguns autores como a verdadeira origem da unidade espiritual do povo judeu. Seu grande artífice foi Esdras, sacerdote dos judeus da Babilônia, que foi enviado pelo rei persa Artaxerxes II a Jerusalém para controlar a observância da lei mosaica, reconhecida, em seu caráter civil, para os judeus. Esdras fez renovar a aliança com Iavé mediante a leitura da lei para o povo durante sete dias (e, de maneira constante, duas vezes por semana). Também renovou o culto no novo templo, embora continuasse o ensino nas sinagogas locais, e alentou a esperança, pregada pelos profetas, na vinda de um messias que instauraria o reino de Deus.

 FONTE:-http://orbita.starmedia.com/~hyeros/periodbiblico024.html

Uma relíquia, O Calendário de Gezer , descoberto entre 5669/5670 (1908/1909), com estimativa de ter sido confeccionado por volta do ano de 1000 a.C., apresenta um relato versificado, em uma escrita rústica, semelhante a da Pedra Moabita.

A tradução, no seu conteúdo global, é incerta; destaca-se, todavia, pela descrição de eventos agrícolas, durante as meses, com provável início pelo outono, como segue:

2 dos meses reservados ao armazenamento
2 dos meses reservados a semeadura
2 dos meses reservados ao crescimento na primavera
1 mês de tirar o linho
1 mês da colheita da cevada
1 mês quando tudo estiver colhido
2 meses de podar
1 mês de frutas de verão

(Obs.:- Gézer era cidade de relativa importância dos cananeus, na estrada entre Jope e Jerusalém)

Posteriormente, cativos no Egito, o povo judeu, por circunstâncias óbvias, teve que assumir o calendário solar dos seus algozes.

Registros atestam que antes da fuga do Egito, Moisés reformulou o calendário, tornando-o lunar; os meses, em número de 12, não tinham nomes, sendo classificados numa seqüência ordinal: primeiro, segundo, terceiro...

1 Reis 4:7

"Tinha Salomão doze intendentes sobre todo o Israel, que forneciam antimento ao rei e à sua casa; cada um tinha de fornecer durante um mês do ano. "

Depois, durante os 70 anos de cativeiro na Babilônia (606-536 a.C), foi incorporado ao calendário nomes regionais, os quais, com algumas exceções, permanecem até os nossos dias; na parte operacional, um quadro expositivo dos meses, será demonstrado. O calendário babilônico, além de um dos mais antigos do Oriente, também foi pioneiro na Antiguidade, a utilizar um sistema lunar, com 12 meses, cujo início se dava com o aparecimento da primeira Lua Quarto Crescente, no céu noturno.

Resumindo, o ano era composto de 12 lunações, periodicamente regulado com o ciclo solar de 360 dias, pois havia necessidade de se ajustar as estações climáticas; para isso, adicionava-se um décimo terceiro mês (13) conciliador.

Tentando demonstrar de que forma os babilônios conciliavam essas defasagens, várias hipóteses são divulgadas, porém sem nenhuma consistência; consenso há, porém, na afirmação de que as constatações, a olho nu, em que se estruturavam tais intercalações, deixavam a desejar pela sua imperfeição, com cometimentos de vários erros.

Posteriormente, em 747 antes da era vulgar, quando o rei Nabonassar subiu ao trono da Babilônia, houve um avanço científico e as observações dos astros passaram a ser mais sistêmicas e, por si só, mais distantes da astrologia.

Desde o começo do século V a.C., entre outros feitos, por toda comunidade científica da Mesopotâmia, sabia-se que em um período de 19 anos, manifestavam-se 235 lunações (revoluções sinódicas), no qual, para efeito do calendário, deveriam inserir 7 meses complementares, ajustando melhor, as defasagens existentes entre os ciclos, solar e lunar.

Sistematicamente, porém, esse ciclo de 19 anos, somente foi utilizado a partir de 367 a.C..

Entretanto, anteriormente, por volta de 430, o grego Méton, descobriu um ciclo lunar de 19 anos, com 235 lunações, totalizando 6.940 dias, o qual ficou conhecido como ciclo metônico; nesse espaço de tempo, os 3,6,9,11,14,17 e 19 anos, constavam de 13 lunações, e os demais, de 12.

Dentro de cada ciclo, estabeleceu-se a seqüência numérica de 1 a 19, sendo também denominado de Número Áureo.

Essa proximidade de datas e semelhanças sistêmicas, faz com que, de acordo com pontos de vistas, credita-se a um ou outro, respectivamente, invenção ou influência do ciclo de 19 anos.

Nesse interregno, por volta de 300 a.C., os judeus passaram a adotar também, um ciclo de 19 anos, com semelhanças nas intercalações dos meses suplementares, tais como:

Nos 3, 6,8,11,1,17 e 19 anos

Curioso, quanto a utilização de dias intercalares, salvo melhor juízo, é que não há nenhuma citação bíblica sobre tais procedimentos.

1.2.2- A INFLUÊNCIA DA LUA PARA O JUDAISMO (A PÁSCOA)

Eruditos sustentam a tese de que a legalidade e procedimentos exigidos para a celebração da Páscoa (PESSACH) solidificam-se em escritos ou documentos de séculos posteriores a Moisés, ou seja, após o denominado Período Bíblico ou simplesmente Mosaico.

As Leis orais do judaísmo, existentes pelos fins do século II e que serviram de base para o Talmude, parecem materializar esses procedimentos.

Dentre as várias divisões das leis orais do MISHNAH, encontram-se as referentes aos festejos.

Nesse segmento, estabelecia-se as várias festividades do calendário religioso, onde, o fator preponderante era, sem dúvida alguma, o perfeito estabelecimento da manifestação do fenômeno da Lua Nova.

Convém esclarecermos, em adendo, que a Lua Nova, era festivamente comemorada, em tempos remotos, não só na Judéia, mas também na Babilônia.

Para os judeus, particularmente, a determinação da Lua Nova, tinha e têm, um significado todo especial:

A comemoração da Páscoa

A Páscoa, era a festa anual, celebrada no 14 dia da primeira lua do seu ano religioso, em comemoração da saída deles do Egito.

Esse dia especial, foi estabelecido em memória da passagem do anjo exterminador, que, na noite em que os judeus partiram do Egito, matou todos os primogênitos dos egípcios, sem tocar nas casas dos israelitas, marcadas com sangue de cordeiro.

Estruturavam-se ainda mais, os preceitos tradicionais dos judeus e, o primeiro surgimento do crescente lunar, ou, da focinha delgada da Lua, testemunhadas pelo sumo Sacerdote e outros, era cerimoniosamente anunciada pelo som de trombetas.

Visualmente, mediante tochas acesas, ou mesmo fogueiras, as tribos vizinhas iam sendo alertadas, tarefa não tão difícil, em virtude da topografia montanhosa da região da Palestina.

As comunicações auditivas e visuais, eram relativamente eficientes, a ponto de toda a comunidade poder comemorar as festas, no mesmo dia.

Consolidava-se assim no que dizia respeito à astronomia/calendário, o procedimento empírico, baseado nas verificações puramente observacionais, dos fenômenos da Lua e do Sol.

Com o passar do tempo, porém, principalmente nas localidades mais distantes, fatores diversos contribuíam para que essas interpretações fossem ligeiramente defasadas.

1.2.2- PERÍODO TALMÚDICO

Talmude, palavra hebraica que significa ensino, de lamad, aprender. Nome por que os Judeus designam a vasta compilação das doutrinas e dos preceitos ensinados pelos seus mestres mais autorizados. Distinguem-se no Talmude duas partes: a Mishná, redigida por Judah Ha'Nasi,  e a Gemara. As escolas da Palestina e da Caldeia tiveram cada uma a sua Guemara distinta. Conforme a Mixna (sensivelmente a mesma nas duas coletâneas) é seguida de uma ou outra da duas Guemaras, assim se têm o Talmude de Jerusalém ou o Talmude de Babilônia.  Para dar maior consistência a essa definição sucinta, agregamos um comentário de uma das maiores autoridades no assunto; Rabino Henry I. Sobel, em sua obra OS "PORQUES"DO JUDAÍSMO - 333 PERGUNTAS E RESPOSTAS- Editado PELA CONGREGAÇÃO ISRAELITA PAULISTA -SP-BRASIL- 1983.

O que é o Talmud, e qual a diferença em relação à Biblia ?
A Biblia judaica compõe-se de textos que foram reunidos pelos antigos hebreus e preservados através dos séculos como o Livro sagrado do povo judeu. Consiste de três divisões: a Torá (os cinco livros de Moisés, também denominados Pentateuco), os Profetas e os Escritos (salmos, provérbios, etc.).

A Torá é um relato dos acontecimentos desde o princípio do mundo até a morte de Moisés, entremeado de leis e mandamentos decretados por Deus. A autoria destes livros é tradicionalmente atribuída ao próprio Moisés, porém a análise literária dos textos revela marcantes diferenças de estilo e vocabulário, indicando, segundo alguns estudiosos não-ortodoxos, que houve provavelmente mais de um autor.

Seja como for, a Bíblia é muito mais do que uma narrativa histórica. É um livro de inspiração divina, profundamente religioso, e ao mesmo tempo humano. Um documento essencialmente espiritual, que constitui nosso guia básico para o Judaísmo- na teoria e na prática.

Com o passar do tempo, o povo judeu foi desenvolvendo uma série de leis suplementares, que eram transmitidas oralmente de geração em geração, até que foram codificadas e compiladas, por volta do ano 200 da Era Comum, pelo rabino Judah Ha'Nasi. A este código deu-se o nome de Mishná.

A Mishná, juntamente com a Gemara (comentários e interpretações rabínicas da leis da Mishná), compõem o Talmud.

Existem duas versões do Talmud, o de Jerusalém e o Babilônico, que diferem em certos aspectos. O mais completo é o Babilônico, elaborado entre os séculos III e V da Era Comum, e editado por Rav Ashi e Ravina. Sendo um registro de discussões faladas, o Talmud não é nada sistemático ou conciso. É, entretanto, um tesouro de leis, tradições e costumes, que tem influenciado profundamente o pensamento e a prática judaica, e constitui uma valiosa fonte de consulta para o estudo e as decisões legais.

A Page from the Babylonian Talmud

Neste nosso modesto trabalho, apenas para uma exposição mais orietada ao nosso tema, classificamos o Talmude em:

QUANTO A FORMA

Compõe-se da lei oral Mishná, reunida pelo rabino Judah Ha'Nasi, cognominado O Príncipe, e da Gemara, contendo os pareceres dos rabinos a respeito do Mishná e, que viveram no período de 200 a 500 da Era Comum.

QUANTO AO CONTEÚDO

Compõe-se do  Halakhah (Halachá) e Haggadah (Hagadá); o primeiro contendo toda a jurisprudência, pareceres e decisões dos juizes e o segundo, das interpretações consideradas não oficiais.

Com essa vasta compilação das doutrinas e dos preceitos ensinados pelos mestres mais brilhantes e autorizados, projetou-se um horizonte profícuo, principalmente para ir amadurecendo e consolidando o sistema operacional do calendário judaico.

Os resultados não tardaram a surgir.

Sob o patriarcado do Rabi Judá I, para dirimir os eventuais enganos, dos procedimentos exigidos a partir da primeira aparição do crescente lunar, introduziu-se a figura do Mensageiro da Lua Nova, substituindo os ineficientes métodos visuais e auditivos.

Pelas longas distâncias ou mesmo, por acidentes fortuitos, nem todos os  fiéis, recebiam as visitas dos mensageiros.

Em virtude de tais contratempos, instituiu-se a norma natural de, celebrar-se as festas em dois dias, exceto o "Dia da Expiação", o Yom-Kippur, 24 horas de um rigoroso jejum, o qual começava ao pôr do Sol do dia anterior ao 10 de Tishrei e terminava no dia seguinte, quando surgiam as primeira estrelas no firmamento.

Consta que até em Jerusalém, quando faltavam os testemunhos visuais da Lua Nova, a festa reservada ao ano novo era duplicada.

Evidenciava-se assim cada vez mais, aos responsáveis calendarístas, que essa prática visual, carecia de algum outro suporte mais preciso.

Aliás, as dificuldades eram bem maiores, em virtude das celebrações das festas regularem com as estações do ano, como poderemos apreciar:

A Páscoa deveria, impreterivelmente, cair o mais próximo possível do Equinócio da Primavera, sem contudo, nunca ultrapassá-lo.

No qüinquagésimo dia, após a Páscoa, era a festa de Pentecostes, ou "festa das semanas" (Êxodo 34:22), visto que o escoamento do tempo era de sete semanas.

Essa festa indicava o término da colheita da cevada, a qual tinha o seu início quando a foice era lançada pela primeira vez na plantação. 

Deuteronômio 16:9

"Sete semanas contarás; quando a foice começar na seara, entrarás a contar as sete semanas"

A festa de Tabernáculos, uma das três principais festividades no ano, era observada por sete dias, indo do décimo quinto até o vigésimo segundo dia do sétimo mês.

Como veremos oportunamente, havia uma conciliação entre as revoluções solares e lunares, culminando com inserções equacionadoras, devidamente comunicadas pelo Patriarca.

Uma dessas comunicações expedidas aos exilados, creditada ao Patriarca Rabi Simon Ben Gamaliel, pela importância histórica, visto perpetuar no Talmude, as inserções conciliadoras, passamos a reproduzi-la: (citação no almanaque- Ciência Popular-1956)

Aos nossos irmãos exilados em Babilônia, na Média e a todos os exilados de Israel, salve!

Nós vos fazemos saber que os pombos são ainda demasiadamente novos e as ovelhas demasiado jovens; a germinação do trigo ainda pouco adiantada; também nos apraz e aos nossos colegas, aumentar de 30 dias o ano corrente

 


continua