CALENDÁRIOS

ISLÂMICO

 

3) A VERTIGINOSA EXPANSÃO DO ISLAMISMO (APÓS MAOMÉ)

Consta dos anais que as revelações dadas a Maomé não foram, evidentemente, de uma só vez; elas eram divulgadas pouco a pouco e era costume, que ao divulgá-las aos seus amigos mais chegados, exigia que as decorassem e, com o auxílio de amanuenses (escreventes) as registrassem.

É de conhecimento oficial que a primeira revelação deu-se, no mês de Ramadán do ano Primeiro da Missão, em agosto de 610 da nossa era, por meio do arcanjo Gabriel.

As revelações efetuaram-se tanto em Meca, antes da fuga, como em Medina em número de cento e quatorze suratas, e o ordenamento delas não foi, necessariamente, efetuado pelo Profeta.

Maomé, possuidor de uma memória privilegiada, recitava, principalmente no mês inteiro de Ramadã, todas as suratas até aquele momento reveladas e, conforme as necessidades, ordenava-as adequadamente, afim de receber as novas revelações.

No último ano da sua vida, o Profeta, através da solicitação divina, recitou todas as suratas duas vezes.

Muitos dos seguidores de Maomé, sabiam também e recitavam os versos apenas recorrendo à memória.

Divulgam os doutos no assunto que, não há uma data precisa de quando deu-se o início dos registros e de que, muito provavelmente, e até por lógica, pois ainda não havia seguidores, as primeiras revelações foram armazenadas tempos depois.

Consta, porém, que nos últimos dezoito anos da existência terrena do Profeta, além do crescimento dos seguidores, multiplicavam-se as cópias dos textos sagrados.

Logo após a morte de Maomé, em que pese o fortalecimento do Islã, somente a Arábia estava convertida, algumas tribos árabes estavam revoltas e, muitos dos seguidores do Profeta, principalmente os que sabiam o Alcorão de cor (Hafizes), foram eliminados.

Abu Bakr, o primeiro califa (632-634), fiel amigo de Maomé, os quais fugiram juntos para Medina, com receio que a morte do Hafizes, pudesse confundir os divinos preceitos do Alcorão, resolve fomentar, incentivar e assessorar os registros ainda recentes das revelações.

Para isso, após consultar as principais autoridades, confiou a Zayd Ibn Thabit, primeiro escriba das revelações ditadas pelo próprio Maomé, compilar uma cópia oficial de todo o texto.

No campo expansionista, o califa Abu Bakr, após dominar os revoltosos, completa a conquista da Arábia e penetra no sul da Palestina, avançando em direção à Síria e à Pérsia.

Omar I (Abu Hafsah Ibn el Khattab), sucessor de Abu Bakr, segundo califa, de 634 a 644, conquistou a Síria, a Pérsia e o Egito, instituindo a era da Hégira (16/07/622).

Como outras eras, a Hégira é proléptica, ou seja, foi instituída depois que se deu o fato homenageado.

Omar foi substituído por Otomão (Othman), terceiro califa, de 644 a 656, ligado aos coraixitas, tendo perseguido os parentes de Maomé.

Consta ter sido o primeiro califa que enviou expedições as ilhas do Mediterrâneo; foi assassinado por Moamed, filho de Abu Bakr.

Por ocasião do terceiro califado, foram distribuídas, sem muito critério, cópias de exemplares do Alcorão, aos novos territórios em contato com os preceitos do Islã, cuja grande maioria, alega-se, não haviam nem visto e muito menos ouvido Maomé.

Por diversos fatores, com predominância da língua, distância geográfica etc, surgiram formas, tanto na recitação como na entonação, muito prejudiciais aos conceitos originais.

Otomão interveio e prontamente solucionou o impasse; além de consultar autoridades no assunto, formou um comitê de quatro eruditos, instruídos diretamente pelos originais escribas das Revelações.

Todos os originais conhecidos foram recolhidos e substituídos por exemplares que preservavam o mesmo dialeto usado pelo Profeta.

Desde àquela época, prevalece até os dias atuais, a mesma estrutura normatizada, sem mudanças de palavras, pontuação, sinais e ordenação.

Posteriormente, Ali, marido de Fátima, primo e genro de Maomé (parece ter sido o discípulo preferido), tornou-se de 656 a 661, o quarto califa.

A guerra entre axemitas e coraixitas deu continuidade; Ali foi assassinado em Cufa, numa mesquita, tendo Moaviyya Omíada, antigo secretário de Maomé, governador da Síria, tomado o poder, declarando-o hereditário, tornando-se assim, o primeiro califa Omíada.

A capital foi transferida para Damasco; nasce a dinastia Omíada (660-750), período que, o mundo árabe expandiu-se de forma fantástica.

Sinteticamente, as conquistas foram: 

O Turquestão, a região do Iran, aproximando-se da Índia.
No reinado de Abdul Malik (685-705), em 697, Cartago foi destruída.
O sexto califa, Al-Walid (705-715), terminou de conquistar a Síria e, consolidou a junção da Palestina e da Pérsia.
Magreb (Norte da África) foi conquistada e, na miscigenação das raças, invasores e locais, convertidos ao islamismo, destacaram-se os Mouros.
A expansão na África foi fator fundamental, uma verdadeira base para avanço, agora ruma à Europa.

O primeiro pais europeu conquistado foi a Espanha (Hispânia), cognominada Al-Andalus.

Na ocasião, dominava a Espanha, posteriormente a queda do Império Romano, Rodrigo ou Roderico, rei dos Visígodos germânicos.

Numa sangrenta batalha (711), do Criso ou de Guadalete, Tarik-Ibn-Ziyad, um norte-africano, convertido ao islamismo, pisa pela primeira vez o solo do continente europeu; a batalha foi ganha pelos invasores, com exceção da região montanhosa das Astúrias, onde refugiaram-se os Visígodos.

Com a resistência havida nas montanhas, os muçulmanos tentam avançar rumo à Gália, tendo sido derrotados, em Poitiers, no ano de 732, pelo príncipe franco Carlos Martel.

Saiba mais:

A Expansão Árabe
Veja o processo de expansão do Islamismo durante a Idade Média.

  

A dinastia Omíada, em virtude de desavenças internas, em 750 termina; surge em seu lugar, a dinastia Abássida (750-1258).

A capital é transferida novamente, agora para Bagdá, provocando praticamente a primeira divisão do Islã.

Abd-al-Raaman I, da dinastia Omíada, refugia-se na Espanha, fundando o Emirado de Córdova (756); nascia assim o primeiro Estado independente no vasto Império Muçulmano.

Durante o seu emirado (756-788), concedeu aos cristãos, mediante o pagamento de uma taxa específica, a tão sonhada liberdade de culto. Na época, na localidade, conforme registros, conviviam em harmonia absoluta, cristãos, judeus e, logicamente, muçulmanos.

A dinastia Abassidas, constituída de 37 califas árabes, fundada por Abulabas, reinou de 751 a 754 e, pelas suas crueldades, recebeu o cognome de O Sanguinário.

Seu irmão e sucessor foi Almançor (754-775); fundou Bagdá, em 772, tornando-se esta cidade, como vimos, a capital do califado.

Consta ter introduzido, na corte, o ritual persa e, no campo político, a administração típica bizantina e persa, cujo chefe ou ministro era denominado Vizir.

O Império Muçulmano atingiu o seu ápice no califado de Hárune-Al Ráxede (786-809), temido pelos seus inimigos (bizantinos, persas, barmecidas, etc.) e querido pelos seus súditos.

Hárune foi amigo pessoal de Carlos Magno, benevolente, sapiente e também dono de uma notável eloqüência; no seu convívio diário, proliferavam sábios, literatos e grandes poetas. Foi personificado como herói em muitos contos das Mil e Uma Noites.

Mas apesar disso o enfraquecimento do Império, pelas divisões, continuava; em 788, Marrocos rompe com o Islã, surgindo os Tatimitas, dinastia muçulmana, descendente de Fátima, filha de Maomé, cujos partícipes, reinaram na África do Norte de 909 a 1171.

O primeiro fatimita foi Obeid-Alá, conquistador do Magrebe e da Sicília; o último foi Added-ibn-Yussuf.

No seu maior apogeu, no século X, esse Império abrangia: África do Norte, Egito, Malta, Sardenha, Sicília, Síria e algumas ilhas do Mediterrâneo.

O califado de Bagdá, partindo do ano de 1055, foi subjugado pelos seljúcidas, descendentes do chefe turco Seljuque.

Por fim, os mongóis, em 1258, praticamente destruíram a cidade de Bagdá.

Muito embora, com teocracia, o Império Islâmico teve o seu declínio, como força religiosa continuou a crescer.

 


continua

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