CALENDÁRIOS

ISLÂMICO

 

1- FUNDAMENTOS DO ISLAMISMO

Além de ser especificamente uma religião, fundada por Maomé, é também um grande projeto organizacional de toda uma sociedade, sintetizada no vocábulo Islã, ou a submissão a Alá, ou "Allah" em árabe.

Genericamente, no Ocidente, os seguidores do Islã são chamados Maometanos ou Muçulmanos, ou seja, aqueles que submetem a Deus.

O ápice dessa religião é o fundamento em um completo e absoluto monoteísmo, sendo o dogma muçulmano expressado em:

"Não há outro Deus senão Alá, e Maomé é o seu último profeta"

Os seguidores do islamismo baseiam-se em duas portentosas obras, o Alcorão e o Suna.

O Alcorão (recitação), livro sagrado, revelado pelo anjo Gabriel ao profeta Maomé, compõe-se de 6.226 versos e 114 capítulos; já o segundo a Suna, refere-se a uma coletânea de preceitos, com base nos AHADITH (ditos e feitos) do profeta Maomé.

O maometismo originou-se da revelação divina, por intermédio do arcanjo Gabriel, efetuada pormenorizadamente a Maomé, considerado o último dos profetas, sendo Adão o primeiro e, Jesus Cristo, como um dos mais perfeitos.

O ponto culminante dessa religião é a afirmação de um absoluto monoteísmo, sendo os principais deveres de todos os muçulmanos, resumidos nos seguintes:

Dar testemunho da Unidade de Deus e da mensagem profética de Maomé;
Professar regularmente as orações diárias; basicamente, três são as classes das orações:
1a.) OBRIGATÓRIA (FARD)

Compreendendo as cinco orações diárias, a comunitária do meio dia de sexta-feira e as orações fúnebres.

Excluindo-se as exceções plenamente justificáveis, todo o muçulmano, homem ou mulher, devem oferecer as orações, seguindo o cronograma a seguir:

A) A oração das primeiras horas da manhã (Salat al Fayr), podem ser efetuadas em qualquer momento após ao amanhecer e antes da saída do Sol, num período total de duas horas;
B) A oração do meio-dia (Salatu-Zuhr), podem ser efetuadas em qualquer momento depois que o Sol iniciar o seu declínio a partir do Zenite (acima das nossas cabeças) até, aproximadamente, a metade do caminho do seu ocaso.

Elucidativo os exemplos que extraimos da obra "LUCES SOBRE EL ISLÃ", editada pelo El Centro Islamico En Espanã.

"Por ejemplo, si el sol se pone a las 7 de la tarde, el tiempo de oración comienza poco después de las 12 del mediodía y continúa hasta poco después de las 3,30 de la tarde. Poco después empieza el tiempo de la siguiente oración.

No obstante, existem calendários que dicen la hora exacta de cada plegaria. Si no se dispone de ninguno se debe recurrir al mejor criterio de cada uno"

Quanto a oração do meio-dia, também da mesma obra citada, extraímos a seguinte nota:

"Los musulmanes de los husos horarios de verano parecem encontrar algunas dificultades y confusión respecto a la hora correcta de la oración comunitaria del viernes (Jum'ah). El problema puede resulverse fácilmente fijando la hora de la oración entre la 1.15 y 2.30 de la tarde a lo largo de todo el año. De este modo, no será necesario cambiar la hora de invierno a verano.

Lo recomendamos firmemente a nuestros hermanos para que puedan encajarlo en sus horarios semanales como arreglo permanente. Idéntico ajuste puede hacerce respecto a las asambleas dominicales de medio dia."

C) A oração da metade da tarde (Salatu al Assr), que começa logo depois do término do tempo da oração do meio dia, extendendo-se até ao anoitecer.

D) A oração do anoitecer (Salat al Magreb). Imediatamente após o anoitecer, extendendo-se até que, no horizonte ocidental, desapareça o resplendor vermelho (crepúsculo) e dura em média, de uma hora e vinte ou trinta minutos.

E) A oração da noite (Salat al Ychaa). Inicia-se aproximadamente após uma hora e meia após o pôr-do-sol, continuando até antes do amanhecer.

2a.) SUPLICANTES OU ROGATIVAS (WAJIB Y SUNNAH)

Constituem-se das orações que acompanham os serviços obrigatórios e as assembléias dos grandes festivais.

3a.) ORAÇÕES OPCIONAIS

Correspondem as preces espontâneas que podem ser feitas a qualquer instante do dia e da noite.

Pagar o imposto religioso (Zakat), destinado aos mais necessitados.

O conceito da palavra (Zakat) é amplo e o seu alcance é transcendental, sendo mesmo um dos sustentáculos do islamismo.

Esse imposto, obviamente distingue-se e, é excludente dos chamados tributos oficiais e, para compreendê-lo, em que pese as complexas fontes da religião e aspectos regionais, principalmente os econômicos, enumeram-se:

Todo o muçulmano, homem ou mulher, possuidor de um determinado valor (variável para cada pais), seja em dinheiro, mercadoria ou bens, no final de cada ano, no mínimo, deve contribuir com o ZAKAT, com a percentagem de 2,5 %.

Deixando-se de lado conceitos puramente econômicos, tributários ou contábeis, fixando-se nos altruísticos, perfeitamente em sintonia com o sagrado Alcorão, os procedimentos devem ser:

No fim do ano, o percentual de 2,5 % como contribuição ao Zakat, efetuar-se-á sobre o lucro líquido, após acrescer os ganhos e deduzir as despesas pessoais e familiares.

Quanto ao patrimônio imobilizado, como casas, apartamentos, sociedades etc., o percentual será calculado sobre o líquido dos eventuais ganhos e não obviamente, sobre o total dos bens; porém, em caso de ganhos desses bens, o imposto religioso será calculado também pelo líquido.

Recorrendo mais uma vez ao livro "Luzes sobre El Islan", classificam-se como justos receptores do Zakat:

El Sagrado Corán clasifica los justos receptores del Zakat del modo seguient:
1. Los musulmanes pobres, para mitigar su escases.
2. Los musulmanes necesitados, para proveerles de medios con los que poder ganar su subsistencia.
3. Los nuevos nusulmanes conversos, para permitirles estabilizarse y satisfacer sus nuevas necesidades.
4. Los musulmanes prisioneros de guerra, para liberarlos mediante el pago de rescate.
5. Los musulmanes endeudados, para descargarlos de las obligaciones contraidas por necesidades apremiantes.
6. Para pagar los salarios de los empleados musulmanes nombrados por un governador musulmán para el cobro del Zakat.
7. Los musulmanes al servicio de la causa de Dios, por medio de la investigación, estudio e propagación se dedica a cubrir sus gastos y ayudarles a continuar sus servicios.
8. Los musulmanes viajeros, que se encuentran perdidos em un tierra extraña y requierem asistencia.
Observar o jejum (Saum) durante o mês de RAMADAN.
Fazer peregrinação (Hayy) a Meca, ao menos uma vez na vida.

Os muçulmanos dividem-se em dois grandes grupos:

Os Sunitas e os Xiitas

Grosso modo, essa divisão originou-se da disputa pelo direito de sucessão a Maomé.

O fulcro divergente resume-se na essência diretiva.

Enquanto para os Sunitas, é apenas um chefe civil e político, sem autoridade espiritual, a qual pertence exclusivamente à comunidade como um todo, para os Xiitas, o líder sucessor (Imã), além de herdeiro, é o virtual alavancador da missão espiritual de Maomé.

Independentemente das divergencias políticas, entretanto, tanto Sunitas como Xiitas, com diferenças de pequena monta, guiam-se pela leis fundamentais do Islã.

Embora perfeitamente coesos, aceitando Alá como Deus único, Maomé como legítimo fundador e inspirador do islamismo, o Corão como livro sagrado, parcelas pequenas dos estimados 850 milhões de seguidores, divergem em aceitarem ou não a Suna como textos sagrados e, em maior ou menor rigidez, quanto as normas recitadas no Corão.

Desses segmentos divisionístas, destacam-se por ordem alfabética: bahais, chafeitas, drusos, hambaditas, hanafitas, ismaelitas, malequitas e zeiitas.

Concluindo, cerca de 85 % dos seguidores do islamismo são sunitas.

2- QUEM FOI MAOMÉ ?

Antes de procurar descrever quem foi Maomé e os primórdios do Islame, recorro as boas fontes históricas para divulgar um pouco da origem desse extraordinário personagem.

O nome Maomé é a corruptela hispânica do nome Muhammad; nasceu entre os anos de 569 e 571 da Era Comum, na cidade de Meca, falecendo no ano de 632.

Originava-se de uma família pobre, os Axemitas, da tribo Coraixita.

Ficou órfão demasiado cedo, com apenas seis anos de idade; sendo desde então, criado pelo avô Abd al-Motalib que, após a sua morte, foi substituído pelo tio Abu Talib na educação do menino.

Ainda sob a tutela do avô, foi viver no deserto, aprendendo a língua e os costumes dos beduínos, bem como suas necessidades, tanto materiais como espirituais.

Corbis, uma das mais famosas e importantes distribuidoras de imagens de toda a Internet.Quando tinha aproximadamente 15 anos de idade, regressou a cidade de Meca, agora sob a responsabilidade do tio, que sob sua assessoria, o introduz no comércio de caravana.

Sem maiores conhecimentos, pode-se imaginar que tal comércio exigia do praticante habilidades diversas, inclusive militares, no combate aos assaltos até certo ponto freqüentes, ocorridos contra tais expedições. Afirma-se que Maomé suplantou todos os obstáculos, tornando-se um exímio caravaneiro.

Além de grande experiência comercial obtida como guia dessas expedições, auxiliando os hábeis comerciantes, rumo ao norte e ao sul, com as duas caravanas anuais que partiam de Meca rumo a Síria, no verão, e ao Iêmen, no inverno, deu a Maomé muito prestigio pessoal, tornando-se, naturalmente, um bom partido.

Com a idade de vinte e cinco anos, desposa Cadija, já nas proximidades dos quarenta anos, uma viúva com muitas posses.

Diz os registros históricos que após o casamento, Maomé deixou as caravanas, tornando-se um vendedor de frutas, em Meca, como sócio de um ponto comercial.

Possuidor de um carisma, de uma simpatia pessoal contagiante, embora aparentemente iletrado, perspicaz, ótimo senso prático, caridoso, muito acima da média, faz de Maomé, ainda próximo dos vinte e cinco anos, um personagem de grande reputação.

Cidadãos bem mais velhos, coisa difícil por aqueles tempos, recorriam aos seus conselhos sobre questões do dia-a-dia e, não raro, sobre ajudas financeiras e até religiosas.

Avançando no tempo, no interregno da conversão de Maomé, muito se escreveu e pode-se conjeturar das formas mais variadas, sem contudo formalizar-se uma idéia mais precisa dos verdadeiros motivos que o influenciaram.

Consta que o próprio profeta, sempre foi reticente sobre os fundamentais motivos que o levaram a conversão. Antes de dar sequencia, achamos conveniente dar uma panorâmica da situação pré-islâmica, no mundo em que Maomé vivia.

A Arábia, península árida localizada no Oriente Médio, banhada no Sul pelo Oceano Índico, a Oeste pelo Mar Vermelho, a Leste pelo Golfo Pérsico.

Ao Norte, a Arábia pré-islâmica, politeísta, limitava-se com a Palestina e, sofria fortes influências de fora, principalmente do Império Bizantino, do cristianismo, bem como, da religião do Império Persa, a masdeísta, dualista por excelência, admitindo dois princípios antagônicos; o da vida e da felicidade e o do mal e do infortúnio, o primeiro personificado em Ormuzd, o segundo em Ahriman.

Outras influências religiosas eram abissínias e judaicas.

Na chamada Arábia litorânea, contrapondo-se com a Arábia do deserto, pelos aspectos circunstanciais, além de mais produtiva, principalmente em Adem, um movimentado entreposto de produtos provenientes do Oriente, ocorriam inúmeros mercadores, principalmente estrangeiros.

Esse intercâmbio com vários países, era o sustentáculo econômico das populações litorâneas, principalmente as de Yatreb (posteriormente Medina, a cidade do profeta) e Meca, fazendo com que, inclusive, houvesse grande disputa comercial entre elas, mais precisamente na atração dos beduínos, povos árabes do deserto.

Por ser um centro religioso e de peregrinação (Poço Sagrado, Vale da Mina, Monte Arafat), Meca levava considerável dianteira.

A Caaba, famoso templo instalado em Meca, local em que as tribos árabes mantinham os seus inúmeros ídolos (mais de 360), no qual, segundo a lenda foi construído por Abrão (Ibraim, em árabe). Cultivava-se no templo, particularmente, uma pedra negra (imagem ao lado), a qual, segundo a tradição, originava-se do Céu, tendo sido transferida para a Caaba, pelo arcanjo Gabriel.

Segundo a lenda, consideravam-na como sendo o centro da Terra, e a sua negritude, provocada pelos homens, em função de seus pecados.

A imagem ao lado foi obtida do site: www.islamica.hpg.com.br cujos direitos autorais lhes pertencem; recomendamos que verifiquem com muita atenção as reportagens fotográficas impressionantes que a página contem.

Você, mesmo não sendo um adepto religioso, ficará impressionado com esse verdadeiro santuário do Islã; vera com detalhes o famoso Miranetes da Mesquita da Caaba, bem como várias outras imagens,  dos fieis orando. Também no Portal, informações muito importantes referentes ao islamismo.


Em grande número, os beduínos, ao chegarem a Meca, praticavam um rituoso cerimonial:

No Vale da Mina, apedrejavam o demônio (segundo a lenda, foi nesse local que Ismael, ao ser tentado pelo demônio, expulsou-o com pedradas);
dirigiam-se ao Monte Arafat, local onde, em meditação, passavam a noite;
bebiam a água sagrada do poço;
finalmente, beijavam a Pedra Negra, dando a seguir, sete voltas ao redor da Caaba.

Após esse cerimonial, os beduínos consideravam-se purificados e prontos a comercializarem na feita, nas circunvizinhanças do templo.

Os ricos comerciantes da cidade, pertencentes à tribo dos Coraixitas, além dos guardiões do templo, detinham o monopólio da feira.

Mas voltemos a Arábia, no pré-islâmismo, tentando diagnosticar os assuntos macros que fizeram com que o Alcorão fosse revelado ao Profeta Maomé.

A Península Arábica estava dividida por dois impérios, o dos romanos e dos persas; as lutas entre os próprios árabes eram intensas, provocando danos, mágoas e desejos de vingança, praticamente irreversíveis.

O Botin (saque dos bens dos vencidos) provenientes das batalhas, o animismo, a idolatria, o politeísmo, no campo religioso, dividiam mais e mais o povo, formando grupos, cada vez mais fanáticos e ao mesmo tempo antagônicos.

O reflexo na vida social era catastrófico; a poligamia desenfreada, a poliandria, os excessos obscenos, assassínios, corrupção, roubos, toda a sorte de desvios, minavam e destruíam, cada vez mais, o que ainda restava de dignidade do povo árabe.

Foi sob esse cenário desolador que surgiu os fundamentos islâmicos.

Provavelmente, em função das suas andanças, contatos com vários povos e religiões, Maomé ficou muito impressionado com a força emanada do judaísmo e do cristianismo, principalmente quanto ao monoteísmo e as suas virtudes reais.

Começa formar naquele espírito de luz, uma idéia sobre a organização de um sistema religioso.

Maomé passou a ter procedimentos não convencionais, com ataques que o faziam contorcer-se, prostando-se no terreno; passava noites no monte Hira, perto de Meca, em total meditação.

Foi num desses retiros espirituais, já aos 40 anos de idade, no mês de Ramadán, agosto de 610 da Era Comum, que foi-lhe revelado, sob a intervenção do arcanjo Gabriel, ser ele escolhido por Deus para a nova missão.

Consta que as três primeiras suratas do Alcorão foram reveladas e registradas em pergaminho, substituídos posteriormente por revelações orais, quando Maomé entrava em transe, envolvido em cobertores que o faziam suar demasiadamente.

Essas revelações, ocorreram desde o princípio da Missão de Maomé, até o seu falecimento, extendendo-se pois, por vinte e três anos.

Por recomendações, nos três primeiros anos após as primeiras divulgações, Maomé restringiu seus ensinamentos doutrinários e revelações divinas a um pequeno grupo de iniciados, principalmente aos seus parentes, ao todo, aproximadamente oitenta pessoas.

Encorajado pessoalmente, estimulado por seguidores mais ardentes, Maomé, por volta do ano de 616, ainda com parcimônia, arrisca-se a vôos mais altos, ou seja, começa a pregação pública propriamente dita.

Os sermões proferidos por Maomé eram contundentes, criticavam objetivamente os costumes religiosos de Meca, acompanhados dos princípios religiosos já delineados, inspirados na crença de um só Deus.

Como novidade, no início da pregação, até mesmo os coraixitas ficaram muito impressionados; porém, com o passar do tempo, prevendo o que iriam perder, passaram a menosprezá-lo, uma primeira etapa, para em seguida, promoverem perseguições ao Profeta e, aos seguidores, provenientes em sua grande maioria, das camadas mais pobres da população.

Fomentando o monoteísmo como uma das premissas da nova religião, colocava-se em risco os atrativos que Meca exercia sobre os árabes, principalmente beduínos, os quais poderiam derivar-se para outras regiões, prejudicando sensivelmente os fortes interesses econômicos dos coraixitas.

Essa nova crença figurava como um grande perigo para os donos do poder, surgindo uma forte oposição ao Profeta; por paradoxal que pareça, um dos seus mais ferrenhos contendores era Abu Láhab, um dos filhos de Abdul Mutalleb, tio de Maomé, o qual foi taxativamente excomungado no livro sagrado Alcorão (Surata 111).

"SURAT ALMÁSSAD" (111 SURATA)

SURATA D'O ESPARTO

Revelada em Meca; 5 versículos

Em   nome de Deus, Clemente, Misericordioso.

1. Que pereça o poder de Abu Láhab e que ele pereça também!
2. De nada lhe valerão seus bens, nem quanto lucrou.
3. Entrará no fogo flamígero,
4. Bem como sua mulher, a portadora de lenha,
5. Que levará ao pescoço uma corda de esparto.
ALCORÃO SAGRADO
Versão portuguesa diretamente do árabe por SAMIR EL HAYEK
Apresentação de 

S.E.DR. ABDALLA ABDEL CHAKUR KAMEL

Diretor do Centro Islâmico do Brasil e Coordenador dos Assuntos Islâmicos da América Latina

TANGARÁ- EXPANSÃO EDITORIAL S/A

Com o passar do tempo, a crise aumentava e, na noite de quinta para a sexta 15/16 de julho de 622 da Era Comum, Maomé foi obrigado a fugir para Iatrib (depois Medina), onde tribos árabes viviam em conflitos entre si e também com as tribos hebraicas; na verdade, Maomé foi convidado anteriormente pelas autoridades constituídas de Iatrib, como último recurso para restabelecerem uma harmonia, para por fim a uma série de desmandos .

 Essa fuga (Hégira- Hijra em árabe) é o marco inicial (16/07/622) da era islâmica e, conseqüentemente, do calendário, sistemática e procedimentos que serão sobejamente analisados mais adiante.

Em Iatrib, no prazo de oito anos, não sem muita luta, Maomé conseguiu organizar os muçulmanos em comunidade; nesse ínterim, de 623 a 624 da Era Comum, organizou expedições (constam dos registros, um total de seis), institucionalizando, o dogma da guerra santa (Djihad), atacando as caravanas que originavam-se de Meca.

Numa natural reação, as forças constituídas e dominantes de Meca, inúmeras vezes e com derrotas, tentaram desmobilizar o Profeta, até que por fim, os coraixitas submeteram-se também ao Deus Alá.

Finalmente, Maomé, com um contingente aproximado de 10.000 adeptos, no ano de 630 da Era Comum, retorna triunfalmente a cidade que o praticamente expulsou.

Na tomada da cidade, foram destruídas todas as imagens que no local eram adoradas, respeitando-se, porém, a Caaba.

Dessa forma, nesse ano de 630, nasceu verdadeiramente o Islã.

Maomé morre dois anos após o evento da conquista de Meca, em 632, tendo a primazia de ter consolidado toda uma comunidade, religiosamente unificada e politicamente organizada, estribada nos preceitos do livro Sagrado Alcorão.

 


continua

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