ALMANAQUE PRIDIE KALENDAS

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CAFÉ UM ESBOÇO HISTÓRICO

JÁ FOI CONHECIDO COMO "O VINHO DO ISLÃ"

 

Sinceramente, nós do Almanaque Pridie Kalendas  não acreditamos,  que haja uma fonte exata da origem dessa maravilhosa semente; alguns historiadores utilizando-se da figura poética, exclamam!

 "Perde-se na noite dos tempos a noticia exata do primeiro uso do café pelos homens"

Não sem antes uma pesquisa mais ampla e precisa, cremos na vertente de que tenha sido na Etiópia (575-850 AD) os primeiros processamentos do cahué (palavra de origem árabe); posteriormente lá pela metade do século XIV ele começou a ser conhecido na Europa e, ainda assim, por noticias de viajantes que regressavam do Oriente.

O mais curioso, está no fato das crônicas sobre o café não se concentrarem especificamente no seu uso como bebida, más apresentado como uma deliciosa lenda que no ano de 875 já era popular na Pérsia. Várias foram as versões que a fantasia lendária criou em torno da origem do uso do café.

 Entre elas, escolhemos a mais conhecida delas todas:

 

"Um pastor vigiava o seu rebanho, quando notou que este em certas ocasiões se mostrava mais alegre, saltando com grande vivacidade. A repetição do fato aguçou-lhe a observação e o pastor notou que a vivacidade de suas ovelhas assim se manifestava quando elas pastavam essas terras onde abundava uma determinada planta cujo fruto comiam. Instintivamente compreendeu que aquilo era efeito da ingestão de tal planta. Curioso, fez uma experiência em si próprio, bebendo uma infusão que fez com os frutos da planta referida. Logo depois, sentiu um reforço de energias, bom humor, alegria, melhor disposição para o trabalho, desaparecendo, ao mesmo tempo, o sono de que era atacado quando em serviço."

 Essa bebida era o café e assim começou, segunda a lenda, a ser usado.

Fonte da imagem e de uma versão da historia em Inglês.

National Coffee Association of U.S.A., Inc.

http://www.ncausa.org/i4a/pages/index.cfm?pageid=68

 

 

Acreditou-se, a principio, que o cafeeiro fosse originário da Arábia; e a classificação arábica, que lhe foi dada por Lineu, mostra que ele também estava nesta convicção.

Taxonomia de Lineu

http://pt.wikipedia.org/wiki/Taxonomia_de_Lineu

Estudos posteriores fixaram, porém, definitivamente a pátria do café na Abissínia, em Kaffa. Dali é que ele foi levado para a Arábia, no século XV, onde se usou em uma infusão denominada kahwah ou cahué.

O café teve inimigos incoercíveis mesmo entre os árabes, pretendendo alguns que era uma bebida contraria ás leis do Profeta.

O café, porém, venceu essa resistência; e já um escritor árabe dizia dele que as suas propriedades eram consideradas pelos doutores do Alcorão como

 "maravilhosas para favorecer a digestão, alegrar o espírito, afastar o sono."

"Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso"

Da Arábia, foi o café instalar-se no Cairo, onde ainda sofreu grandes vicissitudes. Um sacerdote maometano, em 1534, levantou ali tão terrível campanha de prédicas contra o café que, á saída de um de seus inflamados sermões, o povo destruiu todas as casas onde se tomava aquela bebida. Finalmente a paz! Uma consulta em regra, feita a um tribunal de doutores teólogos decidiu finalmente o caso, tranqüilizando a consciência dos bebedores de café.

Em 1554, ele foi introduzido em Constantinopla e também ai teve de lutar contra a oposição dos sacerdotes muçulmanos, que conseguiram a proibição do seu uso.

Como tudo que é proibido dessa maneira, parece que fez com que a bebida torna-se mais atraente, porque os próprios guardas encarregados da manutenção da lei eram os primeiros a transgredi-la.

Disso soube tirar proveito o Sultão que, em vista da consagração do café como bebida preferida, decretou impostos altíssimos sobre as casas de café, o que não diminuiu absolutamente o seu consumo, que foi ampliado largamente, depois da revogação da lei proibitivas.

Depois da guerra entre os turcos e venezianos, a irritação do povo contra os soldados do Sultão derrotados deu lugar a conflitos que determinaram o fechamento dos cafés, como medida de ordem publica.

 

 

Pela Itália, entrou finalmente o café na Europa católica. A sua introdução na Inglaterra foi feita pelo negociante inglez Daniel Edwards, que fazia servir a saborosa bebida ás suas visitas, preparada por um criado grego que com ele viera de Smyrna e que se chamava Pasqua.

Tantas visitas atraiu o café á casa de Edwards que ele se viu forçado a abrir um estabelecimento, para a venda da gostosa infusão, confiando a sua direção a Pasqua e Ritt, cocheiro de seu genro. Esse estabelecimento foi instalado na avenida Newman´s Court, Cornhill, onde mais tare se estabeleceu a Virginia Coffee-house.

Os lucros foram tão animadores que os dois sócios se separaram para fundar cada um o seu estabelecimento.

 

The first recorded coffeehouse in England opened in Oxford in 1650, although the drink had long been discovered and written about by travelers to Turkey, Greece and other exotic locales. The first coffee house in London was opened in 1652 by Pasqua Rosse at St Michael’s Alley, Cornhill. Similar houses quickly sprang up across town.

These coffeehouses were rather like a club house and they soon became a social hub for sharing news and ideas. For just a penny, customers could visit to read the newspapers, socialize, debate and smoke tobacco as they sipped their dish of coffee. In fact, they became so popular a place for men to congregate and debate that Charles II declared them “seminaries of sedition” and shut all three thousand down. And turned right around and reopened them within days due to the public outcry.

So great a Universitie I think there ne’er was any In which you may a scholar be For spending of a Penny.

From News from the Coffee House, a broadside of 1677.

Coffeehouses began to develop a clientele based upon the patron’s who frequented them. Those by St Paul’s Cathedral were favored by the clergy. Will’s Coffee-house and Button’s Coffee-house, each located in Russell Street, Covent Garden, became the favored of literati who were passionate about literature.

Some of the political coffeehouses located near Westminster, like the St James (patronized by Whigs) and the Cocoa-Tree (patronized by Tories) eventually became private clubs, but when they started in the early 17th century they were open to anyone who paid their penny at the bar.

Some coffeehouses, like Lloyd’s and Garraway’s located by the Royal Exchange, became favored places for businessmen. Auctions for ships and cargoes at Lloyds in the 1700’s led to underwriting for ships and cargoes, and in 1771 patron’s of Lloyd’s formed a society of underwriter’s which became known as Lloyd’s of London.

Not all coffeehouses were focused on politics, trade or intellectual pursuits. Some became the leisure haven of gentlemen looking for the diversion of cards and gaming tables. The famous White’s started out as just such a coffeehouse, called White’s Chocolate House at the time. The transformation occurred when a fire destroyed the building in 1773 and the coffeehouse rebuilt and reopened as White’s Club.

Other coffeehouses followed suit by closing their doors to all but select clientele and the traditional coffeehouse began a decline with only about 1,400 left by the turn of the 19th century.

Fonte: http://sistergoldenblog.com/2008/03/27/england-and-the-influence-of-the-coffeehouse-1650-1780/

 

Propagando-se por si mesmo, o café desenvolveu-se na Inglaterra, ao ponto de inspirar ao Parlamento a criação de uma nova fonte de renda para o Estado, com a criação de um imposto especial. Ainda na Inglaterra o café sofreu guerra movida pelos cervejeiros e vendedores de outras bebidas alcoólicas receosos da concorrência, e pelos moralistas extremados que viam no café um pretexto para ausências do lar e conseqüente dissolução dos costumes.

A campanha foi a tal intensidade e teve tantos efeitos, que, em 1674, as senhoras inglesas dirigiram ao governo uma petição contra o café, acusando-o de desregrar os chefes de família, e gastar a força vital dos  homens, tornando-os impotentes.

Não pouparam o café os panfletos e as sátiras, muitos dos quais espirituosos, mas ele se impôs, mal grado mesmo os ataques de Carlos II. Na Inglaterra, porém, tem o café um competidor sério no chá.

England's Charles II issues a proclamation December 23 "for the suppression of Coffee Houses"; Charles's intent is to suppress talk that might lead to the kind of rebellion that caused his father's execution in January 1649, but his proclamation prompts an outcry among merchants and other patrons of the coffeehouses (see 1676).

Fonte: http://www.answers.com/topic/1675

BICYCLE COFFEE-MILL (English cartoon, 1869)

O CAFÉ CHEGA NA FRANÇA

Consta ter sido por Marselha o ingresso do café na França, local em que se abriu o primeiro estabelecimento em 1671; logo depois, outros se abriram em Lion e Paris.

 

Um dos maiores propagadores do café em Paris foi o embaixador de Maomé IV junto á corte de Luiz XIV, Solimão Agá Mustafá, que o fazia servir, na embaixada, por escravos ricamente trajados e em chávenas de finíssima porcelana, tornando-se o café elegante e especialidade da moda, o que lhe foi bastante para conquistar Paris.

Grandes expedições trouxeram cargas de rubiáceas de Moka (atual Lémene), no inicio vendida por alto preço; depois, pela concorrência natural, baixou o seu preço de venda ao consumidor.

Consta que em 1672, o crescimento das chamadas Casas de Café foi extraordinário e para praticamente todas as classes sociais, com louvor os cafés literários, centros de homens de letras, artistas, etc..

Ficaram celebres o Café Procópio (Procopio di Coltello) , freqüentado por Fontenelle, J.J. Rousseau, Diderot e outros e o Café de la Régence, freqüentado por Voltaire, Richelieu e outros notáveis.

Cafeteira, espiriteira e um abafador (Luis XIV)

Moinhos de café, pote, tigelas , açúcar, etc.,(Luis XIV)

Café em Paris no tempo do Império (1805) Casa de Café de 1848

O CAFÉ EM PAÍSES GERMÂNICOS

A introdução do café nos paises germânicos data de 1663, estabelecendo-se em Viena com esse ramos de negocio um soldado de nome Kotchinsky que, como premio da sua bravura na batalha contra os Turcos, recebeu uma grande quantidade da rubiácea. Em seguida, Leipzig adotou a rubiácea. Na Alemanha, porém o café sofreu a guerra de Hoffmann, que lhe atribuía a febre militar, e de Hahnemann, o fundador da homeopatia.

Frau Kaffeeschwester and Herr Bierwanst (Aproximadamente 1790)

Da Alemanha passou á Suíça, á Dinamarca, á Escandinávia, á Rússia, a Portugal e a Espanha, de onde, através das possessões ibéricas na América, se introduziu nos Estados Unidos. Finalmente, penetrou no Brasil.

O CAFÉ NO BRASIL

Segundo as fontes tradicionais, as primeiras sementes de café introduzidas no Brasil foram trazidas da Guiana Francesa, em 1723 (ou 1727), pelo sargento-mor Francisco de Mello Palheta. Palheta, incumbido de solucionar uma questão de fronteiras junto ao governo da Guiana Francesa conseguiu, graças à sua habilidade diplomática, algumas mudas e sementes de café presenteadas por Mme. d’Orvilliers, esposa do governador da Guiana, escondida do marido.. Posteriormente, plantadas na cidade de Belém, no Pará, delas se originaram as primeiras plantas, de que saíram outras cultivadas no Pará, Amazonas e Maranhão.

No Maranhão as mudas se aclimatam esplendidamente, permitindo a exportação para Portugal onde é protegido por decreto de João V que determina que no reino, só entra café do Maranhão.

Do Maranhão foi o cafeeiro trazido para o Rio de Janeiro no ano de 1770, pelo desembargador João Alberto de Castelo Branco que ofereceu algumas mudas da rubiácea ao Governador Geral, Gomes Ribeiro de Andrade, Conde de Bobadella. Dessas poucas mudas, consta que apenas quatro progrediram: uma na residência de J.A.Castelo Branco, outra no Convento de Santa Teresa, a penúltima na chácara dos missionários italianos Barbadinhos, a última, na quinta do holandês João Hoppmann, na cidade do Rio de Janeiro..

Anos depois, com as mudas saídas da chácara dos Barbadinhos, o bispo do Rio de Janeiro D. Joaquim Justiniano e vários padres, destacando-se o padre Antonio Lopes da Fonseca, fizeram culturas em suas fazendas situadas nos arredores de Inhaúma, Campo Grande e Resende, de onde as plantas se propagaram pelos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Curiosamente, nos fins do século 18,em São Paulo, ainda era o café considerado um medicamento; vendia-se nas farmácias em pequenas quantidades.

Nessa época, entretanto, o sargento-mór Santos Prado iniciava uma pequena plantação na sua chácara de Jundiaí, mesmo no começo da região em que o cafeeiro se ia tornar um poderoso elemento de riqueza. Dessas plantas se derivaram as sementes da primeira cultura regular, feita em Campinas pelo tenente Antonio Francisco de Andrade, que abandonou a sua propriedade, pouco depois, para tomar parte nas guerras contra os Espanhóis do Rio da Prata.

Em 1817, formou-se uma segunda plantação no município de Campinas, por iniciativa do capitão Francisco de Paula Camargo, que do Rio de Janeiro trouxe algumas sementes. Verificada a facilidade com que o cafeeiro se reproduzia em Campinas, vários fazendeiros fizeram maiores culturas nesse município.

De 1834 em diante, começou a produção a aumentar e as plantações de cana de açúcar foram cedendo lugar a outras do famoso arbusto, que proporcionavam maiores lucros. Assim, em pouco tempo, Campinas se tornava o principal centro produtor. Dali, as plantações se propagaram rapidamente pelo interior, formando verdadeiro:

"Oceanos de café"

Já então o cafeeiro era bastante cultivado nos municípios da região chamada do "Norte de São Paulo". Areias, Pindamonhangaba, Taubaté, Guaratinguetá, Jacareí, etc., produziam milhares de sacas e enviavam o produto para os portos do Rio de Janeiro e de Ubatuba.

Como curiosidade, incluímos do nosso acervo (PK) um fac-símile do ALMANAK Administrativo, Mercantil, e Industrial da PROVINCIA DE S. PAULO - 1858

  QUADRO da importação e exportação da provincia de S. Paulo por valores officiaes, em o anno financeiro de 1856-1857

Café, 2,198:764 arrobas       8.592:522$074

Em 1870, avançando as estradas de ferro na direção de Ribeirão Preto, estabeleceram-se grandes fazendas nesse município. Não tardou este em se tornar o maior centro produtor, não só do Brasil, como de todo o mundo, exportando anualmente cerca de 600 mil sacas.

O ano de 1885 fica marcado como a origem de uma grande febre na plantação do café. Durante os quinze anos que se seguiram, houve um ativo movimento de especulação sobre terras, atraindo a imigração de colonos europeus, principalmente italianos. Derrubaram-se largas extensões de florestas virgens, para se plantarem cafeeiros, formaram-se extensas fazendas e a região denominada "Oeste de são Paulo" tornou-se um novo Eldorado, onde se fizeram grandes fortunas. Quase na mesma ocasião a cultura tomava incremento no Estado de Minas Gerais.

Fonte: http://www.abic.com.br/

Fonte: http://lusitanocoelhomg2004.blogspot.com/2008_11_01_archive.html

MINEIRANÇAS

 

O Café

O café não era cultivado na capitania de Minas até o terceiro quartel do século XVIII. Em 1780 já aparece menção da sua existência em Mariana. Em 1808, o produto já figura na pauta de exportação da capitania de Minas para o Rio de Janeiro. Em 1829/1830, o algodão, que ocupava o primeiro lugar em nossa exportação, cede lugar para o café.

O vale do Rio Paraíba oferece as condições ideais para a primeira grande lavoura cafeeira do Brasil. A exploração descuidada e extensiva levará a rápido esgotamento das reservas naturais. Devastaram-se freneticamente todas as matas que cobriam o solo mineiro, à medida que o café ia-se estabelecendo.

Como quer que seja, o cultivo do café constituiu a resposta da economia mineira, quando a atividade mineradora já dera mostras patentes de esgotamento. Assim, o período 1820-1835 será assinalado por grande prosperidade na área do novo produto.

A economia fluminense, durante largo período, deteve a primazia na exportação de café. Não obstante, o Rio de Janeiro, que vinha contribuindo com mais de 70 por cento da exportação nacional, passou para 51,8% no período 1877/83, ficando São Paulo na casa dos 12%; enquanto isso, Minas Gerais, que exportava a parcela de 25,5% da produção nacional em 1877, aproximou-se de 31% no ano de 1883.

Observe-se que a cafeicultura mineira empregava, basicamente, mão-de-obra escrava, o que tornava o investimento do agricultor mais oneroso. Pelo censo de 1872, nota-se que o maior contingente de escravos estava em Minas. Numa população de um milhão e meio de escravos para todo o país, 370.000, em números redondos, encontrava-se em Minas. Diferentemente, São Paulo recebia colonos europeus, cujos salários em moeda configuram um mercado consumidor nos moldes capitalistas.

Além disso, a distância do litoral e a precariedade do sistema de transportes (convém lembrar que a metrópole, procurando evitar os descaminhos do ouro, deixou a rede viária mineira restrita ao Caminho dos Bandeirantes e ao Caminho Novo de Garcia Paes) pesavam nos custos da produção mineira. Inicialmente, todo o café aqui produzido era levado para os portos de mar em tropas de muares. As importações de bestas de cargas foram vultosas, atingindo 150.000 animais no decênio 1852/1862.

Expandindo-se o sistema rodoviário e o ferroviário, a cafeicultura mineira sofreu ponderáveis estímulos, permanecendo, ainda, o obstáculo da insuficiência da oferta de mão-de-obra.

Como quer que seja, a posição avantajada de Minas na produção do café deu-lhe condições de projetar poderosa aristocracia política no cenário republicano brasileiro, além de propiciar excedentes econômicos que se destinaram à faixa industrial da capacidade produtora do estado. Cumpre ressaltar, entretanto, que alguns resíduos culturais da usura e da parcimônia fizeram do empresário mineiro um tipo pouco audacioso, afeito à rotina e aos ganhos certos, sem o espírito criador dos empresários dinâmicos, aqueles que fecundam as regiões pioneiras do desenvolvimento econômico.

A situação econômica de Minas se mantém no século XX graças aos efeitos da política de valorização do café, expressa, por exemplo, no Acordo de Taubaté, firmado em fevereiro de 1906. A partir de 1920, o problema de superprodução se coloca para o país e, depois de 1930, o setor se apresenta em crise.


Fábio Lucas
Mineiranças
Oficina de Livros. Belo Horizonte.
1991.
 

Com raras exceções, em nenhum pais o cafeeiro encontrou condições tão propicias como no Brasil. Por isso, desde 1822, um ramo da planta figura como símbolo nacional no escudo de armas da nação brasileira.

Do Rio de Janeiro foi o cafeeiro levado para a Bahia pelos missionários italianos Barbadinhos, em 1788; e da Bahia passou para Pernambuco. De Pernambuco foi a rubiácea levada para a Paraíba do Norte. No Ceará esta cultura parece ter começado em 1822, de sementes levadas de Pernambuco para Cariri e dali para Baturité. Desenvolveu-se, a principio, nas serras de Baturité, Maraguape e Arantanha, apropriadas ao seu cultivo, pois eram de elevação mediana, clima benigno e solo fértil.

A crise do café e a valorização

O rápido crescimento da produção de café no Estado de S. Paulo, originou uma crise no comercio desse produto, afetando aos plantadores. Inundados os mercados com o produto paulista, os estoques cresceram e os preços baixaram, causando grandes prejuizos. De 1886 a 1896, os preços do café haviam atingido de 70 a 132 francos por 50 quilos, no Havre (Ainda hoje, Le Havre é o maior porto importador de café do mundo )

( http://maps.google.com.br/maps?hl=pt-BR&q=havre&ie=UTF8&split=0&ll=49.496675,0.10643&spn=0.102127,0.219727&z=12&iwloc=addr )

Mas a colheita de 1897-98, mais abundante, elevou subitamente o estoque mundial a cinco e meio ou seis milhões de sacas. Em conseqüência, veio uma forte baixa nos preços, baixa que se tornou mais sensível depois da colheita de 1901-2, quando o estoque mundial subiu a 11.305.000 sacas. Em 1908, já os preços tinham baixado9 a 30 francos por 50 quilos.

Então a situação dos agricultores paulistas chegou a ser extremamente difícil: o seu trabalho não era suficientemente remunerado e estavam na iminência de abandonar parte das plantações. Nessas condições foi que, em setembro de 1905, uma floração extraordinária dos cafeeiros, favorecida por excepcionais circunstancias climáticas, anunciou uma colheita enorme.

Uma produção formidável, calculada em 17 milhões de sacas, ia afluir para Santos. O pânico dominou então os plantadores, que se viram ameaçados pela ruína completa, estando impossibilitados de resistir á nova baixa, por falta de capital.

Diante desse perigo que afetava inclusive as receitas publicas, foi o governo do Estado obrigado a intervir, em socorro dos agricultores. Ele negociou com os Estados de Minas Gerais e do Rio de Janeiro um acordo destinado a combater a crise do café.

Esse acordo, firmado em 26 de fevereiro de 1906, uma segunda feira, ( http://www.calendario.cnt.br/Calendar19.htm ) na cidade de Taubaté, ficou popularmente conhecido pela expressão Convenio de Taubaté.

O Convênio de Taubaté

Em Fevereiro de 1906, reuniram-se em Taubaté, os governadores dos Estados de São Paulo (Jorge Tibiriçá), Minas Gerais (Francisco Sales) e Rio de Janeiro (Nilo Peçanha).

Como resultado, assinaram, a 26 desse mês, um convênio que estabelecia as bases de uma política conjunta de valorização do café, condicionado à aprovação pelo presidente da República. (O presidente iria se recusar a assinar o acordo, que foi ratificado, então, pelo seu vice Afonso Pena)

Celso Furtado, em sua obra Formação Econômica do Brasil, assim resumiu essas medidas:

  • Visando estabelecer um equilíbrio entre a oferta e a procura, o governo interviria no mercado, adquirindo os excedentes dos cafeicultores;
  • O financiamento das aquisições se efetuaria mediante o recurso a capitais obtidos por empréstimos no estrangeiro;
  • A amortização e os juros desses empréstimos seria efetuada mediante um novo imposto cobrado em ouro sobre cada saca de café exportado;
  • Visando solucionar a médio e longo prazo o problema do excesso de produção, os governadores dos estados produtores adotariam medidas visando desencorajar a expansão das lavouras pelos cafeicultores.

Com isso, os preços do produto eram mantidos artificialmente altos, garantindo-se os lucros dos cafeicultores. Estes, ao invés de diminuirem a produção de café, continuaram produzindo-o em larga escala, obrigando o governo a contrair mais empréstimos para continuar adquirindo esses excedentes. O Estado adquiriu o produto para revenda em momentos mais favoráveis até 1924, ano em que foi criado o Instituto do Café de São Paulo, a partir de quando essa intervenção passou a se dar de forma indireta.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Conv%C3%AAnio_de_Taubat%C3%A9

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Tendo, porém, surgido dificuldades para uma seção conjunta dos três Estados principais produtores, o governo do Estado de São Paulo resolveu operar por sua própria conta, comprando e armazenando uma parte da colheita de 1906/1907. Para esse fim, o governo de S. Paulo, que já havia impedido novas plantações de café por meio de um imposto proibitivo, contraiu seguidamente dois empréstimos externos, um de 1.000:000 e outro de 8.000:000 de libras esterlinas.

E não sendo isto suficiente, conseguiu da União um novo empréstimo de 3.000:000 de libras esterlinas. Com estes recursos e mais o produto dos saques sobre banqueiros europeus, na proporção de 80%, mais ou menos, sobre o valor dos cafés embarcados, comprou o governo de S. Paulo, por intermédio de casas comerciais, todo o café disponível em Santos, Rio de Janeiro e S. Paulo.

Em principio de 1908, possuía e retinha 8.474:623 sacas, armazenadas no Havre, Hamburgo, Nova York, Antuérpia, Londres, Rotterdam, Triestre e outras praças.

Estando conseguido o principal objetivo da campanha da defesa do café, isto é, afastada dos mercados uma parte da imensa produção de 1906/1907, o governo adotou uma série de medidas para consolidar a situação, que num momento chegou a ser bem difícil.

Tais medidas, autorizadas pela lei número 1.127 de 25 de agosto de 1908 (Ano bissexto), uma terça feira, ( http://www.calendario.cnt.br/Calendar28.htm  ), consistiram no seguinte:

1) Limitação da exportação de café de S. Paulo a nove milhões de sacas em 1908/1909, a nove milhões e meio em 1909/1910 e dez milhões em 1911 em diante, por meio de um forte imposto adicional cobrado sobre o café que excedesse dessas quantidades;
2) Elevação da sobretaxa de três a cinco francos cobrada sobre cada saca de café exportada, afim de, com sua renda, garantir o serviço de um empréstimo externo de 15.000:000 Libras destinado a consolidar todos os encargos oriundos da defesa do café.
   

Realizado o empréstimo de 15.000:000 de Libras, organizou-se na Europa um Comitê encarregado da liquidação dos cafés pertencentes ao Estado, conforme contrato especial lavrado em Londres, a 11 de dezembro de 1908 (ano bissexto), uma sexta-feira. A esse Comite, composto de sete membros, um dos quais representava o governo de S. Paulo, competia:

a) Pagar e liquidar, por intermédio dos banqueiros, todos os fundos ou qualquer parte dos fundos devidos por adiantamentos feitos sob garantia de café pertencente ao governo, desonerando esse café do ônus que sobre ele pesava;
b) Pagar, por intermédio dos banqueiros, todos os seguros, despesas de armazenagem e outras relativas ao dito café;
c) Fazer a liquidação dos estoques de café, em nome e por conta do governo de S. Paulo, por meio de leilões públicos, ou ofertas em cartas lacradas, sendo vendida 500:000 sacas em 1909/1910; 600:000 em 1910/1911; 700:000 em 1912/1913; e dai por diante 700:000 em cada ano, até liquidar-se o estoque
   

Fora destas quantidades mínimas, e em qualquer tempo, antes do começo das vendas obrigatórias, o Comitê poderia fornecer ao comercio as quantidades de que precisasse, tomando por base o preço de 47 francos por 50 quilos good average e 50 francos para o tipo superior do Havre.

O referido Comitê recebeu 6.843:152 sacas de café e vendeu 532:829 no ano de 1910. Em 1911 foram ainda vendidas 1.200:000 sacas, em razão da forte procura nos mercados ficando o estoque reduzido a 5.105:133 sacas. Com a retirada dessa grande quantidade de sacas de café dos mercados mundiais, coincidiu a pequena colheita de 1910-1911 no Brasil. Consequentemente, em 1911 o preço do café no Havre chegava a 74 francos e em outubro de 1911 atingia mesmo a 90 francos. Vencida a crise do café pela ação do Governo de S. Paulo, com as as operações denominadas da Valorização, a situação da lavoura do café tornou-se prospera e sólida.

Historia do Brasil de Pedro Calmon

 

Consultando a obra em epigrafe, da Livraria José Olympio Editora (Hoje pertence ao Grupo Editorial Record , http://www.record.com.br  no Volume VII (Último- publicado em 1959), O CAFÉ (Página 2298), constatamos ser o artigo de uma importância muito grande para o nosso post; Calmon, relata de maneira sucinta, porém objetiva, a histórica do café que abrange o Convênio de Taubaté (1956), até aproximadamente o ano de 1958.

 
O convênio de Taubaté (1906) valorizou sem limitar. Este, o erro da política de retenção dos stocks e preço alto, boa parte o pais produtor, enquanto "controlasse" o mercado, absurda quando (estimulada pelas cotações crescentes) se apresentasse a concorrência, derrubando no excesso da oferta todos os cálculos. Assim aconteceu em 1929. Guardar para as safras magras, segundo o critério bíblico, era simples. Outros fatores, porém, incidem nas lavouras tropicais; o farto se seguiria um de escassez. Se invariável o ritmo, o sistema de Taubaté não sofreria objeções. Na hipótese da superprodução, com o "enjôo" das praças compradoras, cairia por terra, com os seus complementos de financiamento e crédito. No principio, tudo correu às maravilhas. 1890 foi o boom paulista. A saca de de café valia 100 mil-réis! Seguira-se a depressão... Exportávamos 10 milhões de sacas em 1899 (quase o dobro de 89), 11 em 1905, em 1920 14, em 1928 um pouco menos, o que vale dizer que as remessas mantiveram uniformidade, sem embargo do aumento do consumo. Em quatro anos foi resgatado o empréstimo de 15 milhões esterlinos garantidos pela União (base do convênio) e podia São Paulo levantar mais 7 e meio milhões (liquidáveis até 1923) para continuar a manobra.

Em 1917 o governo federal entrou, com lucro, no mercado, para armazenar 3 milhões de sacas; e em 1920 (tomando 25 mil contos no país e 4 milhões de libras em Londres) repetia a intervenção defensiva, confiada, em 1922, a um instituto permanente. Reverteu dois anos depois à administração paulista.

Proteger o café era socorrer a nação, a quem dava dois terços do ouro de sua balança comercial. Estremecera, a nação e o seu principal negócio, com o crack da bolsa de New York. Acumularam-se duas grandes colheitas. Isto (23.324.000 sacas!) quando havia stocks sem colocação e se propunha, para remediar a pletora, a eliminação dos saldos... Desandou o preço; e o governo....

Triunfante a revolução em que a crise tivera a sua parte (o "general café" ...), o Ministro José Maria Whitaker, representando o pensamento conservador de São Paulo, empreendeu a defesa pelo equilíbrio estatístico. Adquiriu a União 17.500.000 sacas. A taxa de 10, depois de 15 shillings, financio a redução e - em monstruosas fogueiras - a queima do excedente. Só não era selvagem, essa operação simplista, porque era universal, num estranho tempo em que se destruíam, com o mesmo propósito de equilíbrio, videiras na França, rebanhos na Austrália, máquinas na Inglaterra ... Proibiu-se o plantio.

Para ilustração, incluímos (não está no livro de Calmon) algumas figuras que por si só atestam as consequencias desastrosas da crise.

 

 

Queima de café no Estado de São Paulo (I) Queima de café no Estado de São Paulo (II)

Café sendo embarcado para ser jogado no mar Café sendo jogado no mar.

Blocos de café, para serem utilizados como combustível. Estoques de café supérfluos para outros fins.

O que tinha de artificial a política limitativa estourou, em forma de corrida às terras roxas, mal o restabelecimento econômico dos Estados Unidos - a que se seguiu a alta, peculiar à expectativa de guerra - repercutiu no mercado brasileiro. Seria utópico impedir a multiplicação das fazendas ao espraiar a "onda verde" pelos solos propícios, como, em 1870, à roda de Ribeirão Preto. Nem se restringiu ao Norte do Paraná. Atirou-se a Goiás e Mato Grosso. Com o séqüito de civilização itinerante, o fenômeno de cidades improvisadas, em que correm as avenidas pelos roçados da véspera, numa rápida montagem de instalações precárias, a lembrar a Califórnia dos " pioneers" - com o trabalho barato dos trabalhadores deslocados das zonas pobres do Nordeste pelas modernas rodovias... Pelo roteiro do café - como no século passado - continuaram a brotar núcleos prósperos, que amiúdam as malhas da rede de circulação, para lá dos caminhos tradicionais do Sul e do Oeste: numa conquista metódica de vales e planaltos, em direção à despovoada e imensa fronteira. Permanecia com a qualidade original, de bandeirante. Nova crise feriu o café em 1957 e comprometeu-lhe a posição mundial em 1958. Até então, tivera o Brasil a liderança da exportação (em 1957, 42 % da importação norte-americana e 32% da européia). Dela tirou (naquele ano) 61% do volume global de divisas provenientes das vendas externas.

É como se disséssemos (confirmando) que sobre essa coluna repousa o suprimento nacional de moeda estrangeira, ou seja, o câmbio. Enquanto os máximos produtores fossem os paises latino-americanos (a Colômbia, já com 20% da importação norte-americana), não se modificariam os dados do problema. A partir porém de 1950, os territórios africanos começaram a produzir café em ampla escala. Em 1946 os Estados Unidos lá adquiriam 420 mil sacas; em 1957, 3.200.000, ou seja, de 2% a 15% do seu consumo.

Por sua vez o Mercado Comum Europeu comprou na África 34% da sua importação (em 1957). Esses 9 milhões e 100 mil sacas derramadas nas linhas de distribuição contribuíram - como um fator explosivo - para o caráter depressivo da economia  cafeeira na América Latina. Não constituem, porém, a razão fundamental da angústia que a assoberbou. Origina-se da complexidade das relações internacionais nesta época de choque das mentalidades agrária e industrial, do nacionalismo econômico, baseado na auto-suficiência, da interrupção dos processos clássicos de intercambio no dirigismo, na valorização, na planificação daquela economia perturbada.


CONCLUINDO

Fonte:http://www.embrapa.br/


O café é importante para o Brasil desde a época do império. O produto se adaptou tão bem aos solos e climas brasileiros que quatro anos após o estabelecimento da cultura no país, em 1727, já ocorriam as primeiras exportações. No ano de 1849, a produção brasileira de café já atingia 40% da produção mundial e chegou a contribuir isoladamente com 70% do valor de nossas exportações no período de 1925/1929.
Nos anos de 1987 até 2000, cerca de 25% da produção mundial de cerca de 100 milhões de sacas de café ao ano, eram provenientes do Brasil. Em 1997, esse produto gerou mais de três bilhões de dólares em receitas cambiais para o país. Embora o café tenha, ao longo do tempo, diminuído sua participação nas exportações brasileiras - devido a diversificação de produtos exportados - constitui-se, ainda hoje, um expressivo gerador de divisas.

Hoje, o café é o segundo maior gerador de riquezas do planeta, perdendo apenas para o petróleo. Um mercado gigantesco, que movimenta, anualmente, 91 bilhões de dólares. A cadeia emprega direta ou indiretamente meio bilhão de pessoas em todo o mundo, ou 8% da população mundial.

O Brasil possui uma área plantada de 2,7 milhões de hectares, com aproximadamente seis bilhões de pés - pouco mais da metade só no Estado de Minas Gerais. Com uma exportação média de 28 milhões de sacas, é o principal exportador e responde por mais de um terço de toda a produção mundial - três vezes mais do que a Colômbia, o segundo maior exportador. O setor é responsável pela geração de sete milhões de empregos diretos e indiretos no país e por uma riqueza anual de 10 bilhões de reais (cerca de 3 bilhões de dólares).

Marcos institucionais

Devido à importância do café nas exportações brasileiras, foi criado, em 1931, o Conselho Nacional do Café (CNC), que, em 1933, foi substituído pelo Departamento Nacional de Café (DNC), autarquia federal subordinada ao Ministério da Fazenda, que controlou o setor até 1946. Em 1952, foi criado o Instituto Brasileiro do Café (IBC), formado principalmente por cafeicultores, que definiu as diretrizes da política cafeeira até 1989.

Após a extinção do IBC, foi criado, em 1996, pelo Governo Federal, o Conselho Deliberativo de Política do Café (CDPC), vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e que tem a finalidade de formular as políticas públicas concernentes à produção, comercialização, exportação e marketing, bem como de estabelecer um programa de pesquisa agronômica e mercadológica para dar suporte técnico e comercial ao desenvolvimento da cadeia agroindustrial do café.

O CDPC foi criado a partir do Decreto nº 2.047, de 29 de outubro de 1996, e é presidido pelo Ministro de Estado do Desenvolvimento, da Indústria e Comércio, tendo ainda como representantes do MDIC, o Secretário de Produtos de Base e o Diretor do Departamento Nacional do Café. Compõem ainda o referido Conselho, representantes dos Ministérios da Fazenda, das Relações Exteriores, da Agricultura e do Abastecimento, do Planejamento e Orçamento e das seguintes entidades: Conselho Nacional do Café, Confederação Nacional da Agricultura, Associação Brasileira da Industria do Café, Associação Brasileira da Industria do Café Solúvel e da Federação Brasileira dos Exportadores de Café.

Em 14/08/1996 foi firmado um protocolo de intenções entre o Ministério da Agricultura e do Abastecimento e o Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo com o objetivo de estabelecer o Programa Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (PNP&D/Café), sob coordenação da Embrapa, em parceria com as instituições componentes do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA), institutos e universidades brasileiras e a iniciativa privada do agronegócio café.

Ficou estabelecido que o PNP&D/Café deve contemplar, em toda a cadeia produtiva do café, o desenvolvimento da pesquisa científico-tecnológica e estudos sócio - econômicos, a difusão de tecnologia e de informações e o acompanhamento da economia cafeeira brasileira e mundial, atribuindo à Embrapa em sua área de competência, a responsabilidade pela implementação e execução do Programa.

O PNP&D/Café tem por objetivo o desenvolvimento dos trabalhos de pesquisa agropecuária, em consonância com as seguintes atividades:
• A pesquisa científica, tecnológica e os estudos socioeconômicos e mercadológicos;
• A documentação cafeeira;
• A difusão de tecnologia e de informações cafeeiras;
• O fornecimento de produtos e serviços tecnológicos;
• O treinamento e a capacitação de recursos humanos, dos usuários e clientes;
• A promoção de intercâmbio técnico e científico entre as instituições consorciadas, clientes, usuários, estados brasileiros, países produtores de café e entidades afins, estrangeiras e internacionais;
• O acompanhamento e a análise da lavoura cafeeira e do negócio café;
• O fornecimento de subsídios à política cafeeira brasileira.

A criação do Consórcio deu-se em 1997 por iniciativa de dez tradicionais instituições de pesquisa cafeeira: Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio), Secretaria de Apoio Rural e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA/SARC), Universidade Federal de Lavras (UFLA) e Universidade Federal de Viçosa (UFV).

O Consórcio é considerado o braço científico e tecnológico do CDPC, com o qual discute e orienta a realização do PNP&D/Café.

Em prosseguimento às atividades de coordenação técnica e administrativa que vinha exercendo desde a criação do Consórcio, a Embrapa criou, em 30 de agosto de 1999, o Serviço de Apoio ao Programa Café (SAPC), também denominado Embrapa Café. Nessa nova unidade se situam as atividades de coordenação do Programa Café e do Consórcio. O resultado de todo esse esforço é o grande avanço científico e tecnológico que vem sendo gerado com reflexos que já se fazem sentir na produção e na produtividade das lavouras, no uso racional de fatores de produção e na diminuição dos custos, no incremento da qualidade e sustentabilidade econômica, social, política, tecnológica e ambiental do agronegócio café do Brasil.


Brasil: Café – produção, área colhida e rendimento médio – 1990 a 20051

Mil toneladas e mil hectares

Fonte: http://www.agricultura.gov.br/

Ano Brasil Maiores Estados Produtores
                   
                         
Produção Área colhida Rendimento médio (kg/ha) Minas Gerais Espírito Santo São Paulo Bahia Paraná
                   
                   
Produção Área colhida Produção Área colhida Produção Área colhida Produção Área colhida Produção Área colhida
                           
                           
1990            2.930            2.909            1.007            1.041               963               436               508               650               567               113               136               313               426
1991            3.041            2.763            1.100            1.179               950               551               519               475               497               120               141               404               383
1992            2.589            2.500            1.035            1.106               950               513               465               373               425               121               149               207               279
1993            2.558            2.259            1.132            1.155               891               459               460               432               368                 65               102               193               220
1994            2.615            2.098            1.246            1.237               891               432               450               409               273               134                 95               164               184
1995            1.860            1.870               995               932               833               370               453               205               241                 91               101                 20                 37
1996            2.738            1.920            1.426            1.333               830               627               455               383               236                 69                 97               154               135
1997            2.457            1.988            1.236            1.133               867               512               481               342               242                 77               100               219               128
1998            3.379            2.070            1.632            1.713               921               656               490               493               249                 62               107               271               128
1999            3.264            2.223            1.468            1.528               947               631               508               425               265               118               111               287               139
2000            3.807            2.268            1.679            1.651               993            1.027               523               436               212               130               116               265               142
2001            3.639            2.336            1.558            1.703            1.059               971               540               356               213               172               143                 57                 66
2002            2.611            2.371            1.101            1.301            1.087               560               553               280               225               169               148               139               129
2003            1.987            2.396               830               887            1.062               476               557               170               227               125               142               117               126
2004            2.466            2.368            1.041            1.228            1.079               514               537               258               220               130               148               148               117
20052            2.536            2.342            1.083            1.274            1.076               554               536               260               220               161               157               129               101
                           

Nota: 1 de 1990 a 2001 - café em côco; de 2002 a 2005 - café em grão; 2 Estimativa.

ALMANAQUE

 

Fonte: http://www.novomilenio.inf.br/santos/lendasnm.htm

Há quase um século

Theodor Wille embarcava diretamente para a Europa a primeira saca de café paulista!

Em janeiro de 1892, faleceu em 1892 em Hamburgo (Alemanha) o adiantado comerciante Theodor Wille, chefe da importante firma Wille, Schmillinski e Cia., da praça do Rio de Janeiro, e da Theodor Wille e Cia., de Santos e da Capital, sendo que a mesma firma era estabelecida com loja de fazendas e armarinhos por atacado, no prédio situado no largo do Ouvidor, esquina da Rua José Bonifácio nº 2.

O mesmo comerciante Theodor Wille residiu no Brasil por muitos anos, sempre cercado da estima e da consideração gerais, graças às suas belas qualidades de espírito e de coração. Amigo que era, e dos mais sinceros, do Brasil e dos brasileiros, Theodor Wille jamais deixou de socorrer os deserdados e desprotegidos, sendo essa sua norma de ação, reveladora de um coração nobilíssimo, seguida pelos seus sucessores, constituindo uma das mais belas e gloriosas tradições dos chefes da firma Theodor Wille nos dias atuais.

Em 1844, Theodor Wille fundou em Santos a sua importante e acreditada casa comercial, que leva a glória imorredoura de exportar para a Europa a primeira saca de café da então Província de São Paulo, que veio hoje a ser o empório desta cultura.

Por carta patente do Governo Imperial de 5 de dezembro de 1844, foi Theodor Wille confirmado no cargo de vice-cônsul da Prússia no porto de Santos, havendo o marechal Manoel da Fonseca Lima e Silva, então presidente da Província, cumprido a referida carta-patente, expedindo, em data de 12 de junho de 1845, as competentes participações às respectivas autoridades para que o reconhecessem como tal e o deixassem servir no mesmo cargo na forma ordenada pelo referido Governo Imperial.

Montoro decreta fim da Bolsa de Café de Santos

Exatamente no momento em que a praça santista de café pretendia reativar a Bolsa Oficial de Café e Mercadorias de Santos, o governador Montoro, pelo decreto nº 24.961, do último dia 10, determina a extinção da instituição, criada em 1914 e de grande tradição nesse setor. A medida apanhou de surpresa os profissionais que atuam nesse setor da Cidade e gerou descontentamento até pela forma como a decisão foi adotada, sem que se ouvissem corretores e exportadores de café, os mais interessados na questão.

O presidente da Bolsa de Café de Santos, José Carlos Júnior, assim como o vice-presidente, Jaime Fernandes de Araújo, ainda afetados pela decisão de Montoro, não haviam sido informados sobre a razão da extinção da entidade, ao mesmo tempo em que afirmavam ter recebido ordens para continuar a fornecer as cotações diárias do café, "que são solicitadas diariamente até por organizações estrangeiras". Para José Carlos Júnior, a bolsa tem tudo para ser reativada: "Hoje, conta com apenas quatro funcionários. Mesmo assim, fornece certificados oficiais de classificação de café, com reconhecimento jurídico, ao preço de Cz$ 0,30 cada um; e, no caso de uma efetiva reativação, a curto prazo seria possível instalar telefones, vídeos e sistemas de informática, para dar todo o assessoramento que o exportador e o corretor necessitam para realizar negócios".

"Não é necessária" - Segundo os considerandos do decreto de Franco Montoro, a Bolsa Oficial de Café e Mercadorias de Santos "não é mais necessária para os objetivos que orientaram sua criação". Mas, não é desse modo que pensa o presidente da Associação Comercial de Santos, Antônio Manoel de Carvalho. Para ele, o decreto do governador foi elaborado "na calada da noite". Mostrando-se bastante revoltado com a decisão, Carvalho disse que sua revolta era também de cidadão santista, considerando a decisão "mais um atestado do desprezo que o governador devota à Cidade. O decreto, lavrado na calada da noite, desagrada, e antes de mais nada atinge uma instituição tradicional e a praça de Santos, quando o esforço era para reativar".

O presidente da ACS ressaltou também que o Governo do Estado demonstra "profunda falta de sensibilidade, quando extingue essa instituição. Só nos cabe formular o mais veemente protesto, aguardando que o prefeito Osvaldo Justo, que é do PMDB, partido de Montoro, e os políticos da Cidade, tomem uma posição".

Carvalho acha que "o povo não se esquecerá de mais esse ato contra a Cidade". Afirmou ter "a certeza de que o povo responderá daqui a mais alguns meses, quando elegermos o novo governador de São Paulo. Iremos às praças públicas para falar sobre isso. Por enquanto, o meu voto de pesar".

Para a Fazenda - Os funcionários (também os inativos) são transferidos, segundo o decreto do governador, para os quadros da Secretaria da Fazenda, assim como os bens móveis, valores e demais materiais de consumo.

Visitas diárias - Localizado na Rua 15 de Novembro nº 95, esquina com a Rua Frei Gaspar, o prédio da Bolsa Oficial de Café e Mercadorias de Santos recebe em média 150 visitas por dia, segundo informou seu presidente, José Carlos Júnior. No saguão, onde até 1957 funcionou um ativo pregão, existem expostas obras de Benedito Calixto, "que estavam praticamente perdidas por falta de cuidados, antes de assumirmos a direção da instituição". O prédio, pelo seu valor histórico, foi tombado em 1981, e a preocupação da praça cafeeira agora diz respeito ao que acontecerá com esse acervo, uma vez efetivada a extinção da bolsa.

O decreto 24961, que acaba com a Bolsa de Café, é este:

DECRETO Nº 24.961
DE 10 DE ABRIL DE 1986

Adota providências
objetivando a extinção
da Bolsa Oficial de Café
e Mercadorias de Santos

FRANCO MONTORO, Governador do Estado de São Paulo, no uso de suas atribuições legais e com fundamento no artigo 89, da Lei nº 9.717, de 30 de janeiro de 1967.

Considerando a conveniência de racionalizar os instrumentos de ação da Administração Pública,

Considerando que a Bolsa Oficial de Café e Mercadorias de Santos não é mais necessária para os objetivos que orientaram sua criação,

Decreta:

Artigo 1º - Ficam transferidos para a Secretaria da Fazenda:

I - os funcionários, titulares efetivos de cargos da Bolsa Oficial de Café e Mercadorias de Santos, mantido o mesmo regime jurídico e integrados no Quadro Especial da Secretaria;

II - os encargos referentes aos pagamentos dos proventos dos inativos, de responsabilidade da Bolsa Oficial de Café e Mercadorias de Santos;

III - os bens móveis, valores e demais materiais de consumo da Bolsa Oficial de Café e Mercadorias de Santos; e

IV - o saldo financeiro existente na Bolsa Oficial de Café e Mercadorias de Santos.

Artigo 2º - A Procuradoria do Patrimônio Imobiliário, da Procuradoria Geral do Estado, adotará as providências necessárias à formalização, por meio de medidas legislativas, da transferência, para a Fazenda do Estado, do imóvel situado à Rua XV de Novembro, 95, em Santos, nesse estado, de propriedade da Bolsa Oficial de Café e Mercadorias de Santos, que, provisoriamente fica sob a administração da Secretaria da Fazenda.

Artigo 3º - Os direitos e obrigações da Bolsa Oficial de Café e Mercadorias de Santos ficam subrogados à Fazenda do Estado, por meio da Secretaria da Fazenda.

Artigo 4º - A Secretaria da Fazenda, dentro de 30 (trinta) dias a contar da data da publicação deste decreto, adotará as providências cabíveis para o cumprimento do disposto nos artigos 1º, 2º e 3º. fazendo publicar a relação dos funcionários e inativos abrangidos e dos bens móveis, valores e materiais de consumo transferidos, incumbindo-me, ainda, a adoção de medidas para o encerramento das atividades da Bolsa Oficial de Café e Mercadorias de Santos.

Artigo 5º - As Secretarias de Economia e Planejamento e da Fazenda adotarão as providências necessárias, quanto aos aspectos orçamentários para atender o disposto neste decreto.

Artigo 6º - Concluídas as providências previstas nos artigos 1º a 5º, será extinta a Bolsa Oficial de Café e Mercadorias de Santos.

Artigo 7º - Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação.

Palácio dos Bandeirantes, 10 de abril de 1986.

FRANCO MONTORO

Renan Severo Teixeira da Cunha
respondendo pelo expediente da Secretaria da Justiça

Romeu Ricupero
Secretário Adjunto, respondendo pelo expediente da Secretaria da Fazenda

Clóvis de Barros Carvalho
Secretário de Economia e Planejamento

Luiz Carlos Bresser Pereira
Secretário do Governo

Publicado na Secretaria de Estado do Governo, aos 10 de abril de 1986.

MUSEU DO CAFÉ - SANTOS

http://www.museudocafe.com.br/palacio/palacio.asp

MUSEU DE CAFÉ - SÃO PAULO

http://www.museudocafe.com.br/palacio/palacio.asp

MUSEU DO CAFÉ - FAZENDA LAGEADO, BOTUCATU

http://www.widesoft.com.br/users/pcastro/museucafe.htm

CENTRO DO COMÉRCIO DE CAFÉ DO RIO DE JANEIRO

http://www.cccrj.com.br/revista/824/01.htm

FAZENDA VIÇOSA

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VALE DO CAFÉ

Ao lado imagem do Café Minas Gerais (1904)

Visitem o domínio

http://domcafe.multiply.com/

para uma grande variedade de informações, tais como: Museu do Café, Meio Ambiente, Curiosidades e muito mais

Degustador de café em seu trabalho,
junto à tradicional mesa redonda da classificação dessas bebidas
Fonte:
http://www.novomilenio.inf.br/santos/lendasnm.htm

(Com imagem ampliada)

CAFEOMANCIA - ADIVINHAÇÃO PELA BORRA DO CAFÉ

A Cafeomancia é a leitura da Borra do Café, muito tradicional na cultura árabe. Eis, de uma forma muito resumida e antiqüíssima, as regras desta adivinhação. Dissolver bem em água, dois copos por duas onças (uma onça equivale a 28,35 gramas), a borra do café, e espalhar devagar um pouco desta mistura num prato de louça branco bem seco. Agitar então o prato nos dois sentidos, com ligeireza, durante um minuto, e espalhar suavemente a água em outro recipiente. Desta maneira não ficam no prato senão as partículas da borra de café, formando mil desenhos hieroglíficos.

Se o numero dos redondos ou dos círculos predomina sobre todas as outras figuras, é um sinal de riqueza; a ausência de redondos, ao contrario, pressagia mortificação e angustia. As figuras quadradas anunciam contrariedades, e as figuras ovais prometem alegria e ventura.

As linhas grandes e pequenas, quando são em grande numero, fazem prever uma velhice longa e feliz; se o seu número é restrito, significam felicidade tranqüila e mediocridade de fortuna. As ondulações são sinal de revezes e venturas entremeadas. Uma cruz no meio do prato promete uma morte sossegada; quatro cruzes que se tocam, pressagiam a morte por quarenta ou quarenta e cinco anos; três cruzes significam honras. Um redondo em que se encontram quatro pontos bem marcados, é um filho que vai nascer; dois redondos, dois filhos, e assim por diante.

A figura que tem a forma de um H prognostica prisão. O triangulo é a figura mais feliz; um só promete um emprego honroso, mas quando há três aproximados, é indicio dos maiores favores de fortuna, etc.
 

Também a xícara com café é muito utilizada na Cafeomancia.

HISTORIA DA CARICATURA NO BRASIL - HERMAN LIMA

LIVRARIA JOSÉ OLYMPIO EDITORA - Rio de Janeiro - 1963

Livraria José Olympio Editora (Hoje pertence ao Grupo Editorial Record , http://www.record.com.br

No tempo em que a publicidade estava entregue apenas aos desenhistas de periódicos de caricaturas. Os caricaturistas, como aliás acontecia na França, focalizavam muitas vezes, com absoluta sem-cerimônia, os políticos e figurões em evidência, como por exemplo, o então deputado Barbosa Lima, em plena sessão parlamentar, fixado pelo K. Lixto, apregoando do alto da tribuna a excelência duma nova marca de café.

K. Lixto. Fon-Fon! (11-11-1911)

(Barbosa Lima, deputado, é o orador. Nas bancadas, entre outros parlamentares, Irineu Machado, Pedro Moacir, etc.)

CAFÉ CÂMARA

Já está decerto muito bem provado

Que em perfume, sabor e qualidade, CAFÉ CÂMARA sempre vencer há de

Qualquer outro café deste mercado

   

Como se diz CAFÉ em vários países:

Fonte: Roteiro Gastronômico de Portugal

http://www.gastronomias.com/cafes/index.htm

China  -  Kafei
Dinamarca  -  Kaffe
Egipto - Masbout
Israel (Hebreu) - Kavah, Kaffee
Filandia - Kahvi
França - Cafe
Alemanha - Kaffee
Grécia - Kafes
Hungria - Kave
Itália - Caffe
Holanda- Koffie
Noruega - Kaffe
Portugal - Café
Espanha - Cafe
Croacia - Kava

 

RECOMENDAÇÕES

 

Lavrador de café (Iconografia) - Portinari http://ritualcafe.files.wordpress.com/2007/07/lavrador-de-cafe.jpg

http://home.arcor.de/cf4/tudosobrecafe.html

http://portalsaofrancisco.com.br/alfa/historia-do-cafe/historia-do-cafe-3.php

http://www.abic.com.br/scafe_historia.html

http://www.jornaldocafe.com.br/

O PORTAL DO AGRO NEGOCIO DO CAFÉ

http://www.coffeebreak.com.br/


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