UMA hISTÓRIA

 DE AMOR

BROWNING-ELIZABETH BARRETT

 


 

 

 


Será mesmo possível encontrar o amor virtual, através da Internet? Muitos já ouviram relatos de pessoas que disseram ter achado o amor dessa maneira; não é verdade? E posteriormente, tais romances perduram ? A polêmica em torno desse palpitante tema é extensa: uns acreditam totalmente, outros, mantêm tais modernismos à distância, não querendo nem ouvir falar disso. Outrossim, nós do "Almanaque Pridie Kalendas", talvez como eternos românticos, acreditamos nessas formulas não convencionais, e, tanto é verdade que por sermos generalistas, principalmente em assuntos dessa magnitude, fizemos uma parceria com um dos lideres mundiais nesse tipo de serviço:

Amigos

Para o Amigo incauto, visitante pela primeira desta página, pode parecer que esse tipo de relacionamento à distancia, é privilégio atual, movido pela evolução tecnológica, fruto principalmente do advento revolucionário da grande rede mundial.

Como verdadeiros e sinceros buscadores da verdade que pretendemos ser, fomos pesquisar, na tentativa de elucidar ou pelos menos ativar discussões comportamentais que envolvem os seres humanos, independentemente da época que viveram, evidenciando ainda mais o que o mestre H.Spencer Lewis escreveu:

"O amor constitui a ligação eterna, indestrutível, do homem com Deus.

O Amor é o poder ilimitado pelo qual o homem pode governar o destino de sua vida; é o mesmo poder pelo qual Deus governa o Universo."

Como prevíramos, os resultados foram altamente auspiciosos, com legados verdadeiramente transcendentais, dignos de serem expostos e divulgados com alarde para todos; porém, um caso dentre eles  foi o escolhido, como paradigma:

 

ROBERT BROWNING - ELIZABETH BARRETT- UM AMOR PARA A ETERNIDADE

Sinopse

Londres, por volta de 1845,na chamada era vitoriana, em Wimpole Street 50; como de costume, o carteiro da região, retirava da sua sacola maltratada pela intempérie, principalmente do frio do Inverno, um volume relativamente grande de correspondência que costumeiramente era postado para àquele endereço. Mal sabia ele que, mesmo com uma participação pequena, uma das missivas ali contida,  mudaria de forma substancial, a vida de duas pessoas altamente sensíveis, provocando um dos maiores romances vivos nos anais da literatura.

 

NOSSOS PERSONAGENS

Elizabeth Barret:- Consta que Elizabeth teve uma infância relativamente feliz; brincava muito, principalmente com o mais velho dos seus irmãos; complementando os estudos regulares, lia com denodo, com aprendizado dos idiomas grego e francês e escrevia tragédias em verso.

Infelizmente, com a idade precoce de quinze anos, motivado por uma tosse violenta e uma grave lesão nas costas, lesionou quase que irreversivelmente a espinha dorsal e, o pior, afetou sensivelmente os pulmões.

Não bastando isso, perde a mãe; depois de quatro anos, seu pai vende a casa e, depois de um período de sofrimento, finalmente adquire a casa de Wimpole Street, local em que a já frágil saúde de Elizabeth se debilitou ainda mais, fazendo com que praticamente se isolasse do mundo exterior.

Robert Browning:-  Robert, convivia em um lar cujos pais benevolentes, irmã prestimosa, em uma casa muito agradável, localizada em Camberwell, propiciavam-lhe tempo de sobra para se dedicar e escrever poesias. Possuidor de vasta cultura, proveniente dos inúmeros livros que lera, e, logicamente, dos ensinamentos de seu pai, um verdadeiro intelectual, com proficiência nas literaturas, espanhola, francesa, grega e italiana. Por suas vez, contrastando com Elizabeth, pela sua versatilidade, cultura e boa aparência, Robert extrapolava dos seus limites domésticos, participando ativamente do mundo elegante e distinto da época. Num cargo público, secretariando um diplomata de carreira, viajou duas vezes a Rússia e, também duas vezes na Itália, cujo país, aliás, considerava como a sua segunda pátria.

A ADMIRAÇÃO E O RESPEITO PELA JÁ FAMOSA POETISA ELIZABETH

Numa determinada etapa da sua vida, Robert, partindo da Itália, com regresso à Inglaterra, sentiu-se momentaneamente desorientado, procurando achar uma novo oriente para a sua vida, entregando-se com  denodo à leitura; foi nesse ambiente de transformação, provavelmente vulnerável, que pela primeira vez leu os Poemas de Elizabeth Barret, editados em dois volumes.

Seduzido de forma irremediável pelos escritos, exatamente ele que se julgava um intransponível nos caprichos do amor, percebeu de forma arrebatadora que sucumbira aos versos fluentes, enamorando-se perdidamente pelo espírito e inteligência daquela poetisa.

Consciente do fato, de uma forma arrebatadora, pegando na caneta, alinhavou com certeza uma das mais celebres confissões de um amor virtual que se têm conhecimento:

"Amo os seus livros com todo o meu coração e amo-a também a si...."

PRELÚDIO DE UM GRANDE AMOR

Naquele dia de 1845, extremamente frio, posicionada em seu sofá favorito, no segundo andar da casa de Wimpole Street, já acostumada a receber um volume considerável de correspondência, Elizabeth mudou de uma forma abrupta o seu já tradicional comportamento; quando uma carta mais ousada insinuava algo que saísse do essencialmente restrito espectro da poesia, sem titubear, tinha um endereço certo: a incineração.

Num procedimento inusitado, depois de abrir e conferir as correspondências, num gesto delicado, separou uma delas ternamente que parecia ter arrebatado àquele sofrido coração de mulher, cujos dizeres ficaram arraigados para sempre:

"Amo os seus versos com todo o meu coração. Amo estes livros e amo-a a si também. Sabe que uma vez estive quase a conhecê-la pessoalmente? Uma manhã, o senhor Kenion perguntou-me: "Gostaria que eu o apresentasse a Miss Barret? "E foi anunciar-me, mas pouco depois voltou dizendo que a senhora não se sentia bem e assim regressei a casa. Será que nunca a conseguirei ver? De qualquer maneira, quero dizer-lhe que era necessário que os seus poemas fossem escritos para que tão grande alegria e tão sincera satisfação despertassem no seu devoto admirador Robert Browning."

"ABRE-TE SÉZAMO!"

Como no famoso conto "Alí Babá e Os Quarenta Ladrões" , um dos mais populares de: "As Mil e Uma Noites", a carta de Robert , praticamente abriu as portas do coração de Elizabeth.

Embora não conhecendo-o pessoalmente, mas sim a sua obra ainda desconhecida do grande público, tomada por um impulso e disposição incomum, começou a responder:

"De todo o coração lhe agradeço, caro Sr. Browning"

...

"Os Invernos cerram-me todo o horizonte tal como cerram os olhos dos...."

...

Embora timidamente, numa composição poética em forma de carta, ou como dizem os doutos, "epistolar", Elizabeth procurou delicadamente responder aos anseios do admirador:

"Na Primavera veremos...

...

"Sua dedicada amiga, Elizabeth Barrett."

Subseqüentemente, consta que em número de 573 cartas, a história registrou uma das mais impressionantes, comovedoras e reveladoras expressões de relações humanas de que há notícia

As cartas que Elizabeth recebia, agora quase que diariamente, do desconhecido Robert, eram verdadeiros golpes com uma vibração exponencial sobre os muros da casa situada em Wimpole Street 50.

INTERPRETANDO A FRASE " Na Primavera veremos..."

O poeta interpretou a frase em epígrafe como um convite encorajador; porém, a seguir,embora com moderação, Elizabeth respondeu-lhe:

"A minha Primavera chega mais tarde"

FINALMENTE O ESPERADO ENCONTRO

Numa terça feira da segunda quinzena de maio, Robert adentra pelo número cinqüenta de Wimpole Street, dirigindo-se ofegante ao local em que Elizabeth se encontrava. Como que para sacramentar esse primeiro encontro, a poetisa escreveu:

"Desde que chegaste foi como se fosse para sempre."

Amigos comuns atestaram que Robert ficou loucamente enamorado e mais do que depressa, por escrito, confessou-lhe a sua paixão.

Elizabeth, profundamente angustiada, devolveu-lhe a carta (a única que falta na correspondência posteriormente publicada em dois volumes) e, embora em tom de afeto,assinando a correspondência com amizade e gratidão,  proibiu ao galante admirador de falar ou comentar tais assuntos.

 A CORRESPONDÊNCIA ENTRE AMBOS CONTINUA

A troca de informações se processava de maneira muito intensa, estabelecendo-se uma inequívoca compreensão entre os dois poetas. O vínculo de carinho e intimidade que se formava proveniente da troca de correspondência, por mais paradoxal que possa parecer, era até maior do que os contatos pessoais mantidos religiosamente toda semana.

O MILAGRE DO VIGOR SE RENOVA

A presença de Robert na casa era como um balsamo para Elizabeth, dando-lhe novas forças para lutar contra a implacável doença que teimava em deixar de manifestar-se em seu corpo. Todavia, com a consolidação dos fatos, não demora muito para acontecer o que poucos , por mais otimistas e esperançosos que fossem, acreditavam que pudesse acontecer.

Numa bela manhã de Verão, sentindo-se muito bem disposta, Elizabeth liberta-se do velho sofá e num feito há muito não presenciado por ninguém, passeia leve e solta pelo quarto e, postada junto à janela, respira fundo o ar puro.

"Agora já me sinto viver", exclamou.

Da sua parte, Robert intensifica de forma insofismável os seus impulsos amorosos, escrevendo-lhe de uma maneira bem mais livre, arrojada até, ciente de que a oposição de Elizabeth, temerosa que em virtude da sua pouca saúde, de alguma maneira pudesse atrapalhar a sua própria vida.

PRESA AINDA AOS GRILHÕES DA MENTE

Apesar dos esforços do apaixonado Robert, Elizabeth, já com quarenta anos de idade,  relutava e custava libertar-se dos longos e sofridos anos de invalidez que foi vitima, e nem do respeito exagerado que tinha pelo quase tirano pai, Edward Moulton Barrett, a cujo jugo ainda se mantinha.

Mesmo estando irremediavelmente apaixonada, para ela, fragilizada emocionalmente, e ainda apresentando uma debilidade física pela doença implacável, esse quadro representava uma barreira intransponível.

Todavia, estimulada insistentemente por Robert, a poetisa retirava forças sabe lá de onde e de que maneira, para num grande esforço, sair do quarto e descer ao andar inferior, feito raro, principalmente com a chegada do rigoroso Inverno.

Apesar dos progressos incomensuráveis, ainda mantinha o receio de ser um estorvo para o seu amado, e o pior, ser descoberta nas suas relações sentimentais; com certeza, se o pai soubesse disso, com grande probabilidade destruiria todas as correspondências existentes, e o pior, proibiria de forma enérgica que Robert voltasse a freqüentar a casa.

A  SONHADA FELICIDADE

A medida que os dias avançavam, de uma forma arrebatadora, envolvidos ainda em constantes receios, o amor de ambos crescia e consolidava-se ainda mais. Nesse ínterim, com a chegada da Primavera, numa análise mais apurada da situação, ambos tomaram uma decisão: partirem juntos para Itália.

Temerosa ainda, Elizabeth procurou o fortalecimento físico em pequenas caminhadas, passeios em lugares mais arborizados, visitando pessoas amigas, enfim, criando energia e coragem para concretizar o sonho de uma união feliz com o seu amado.

Todavia, os dias pareciam "galopar", dando a sensação que a rotação cíclica e irremediável das estações climáticas conspiravam contra eles; o Verão aproximava-se do final e outro Inverno, com certeza, seria mais uma tortura para a sua pessoa. Conspirando ainda mais com esses temores, o pai de Elizabeth resolveu reformar a casa de Wimpole Street, sendo necessário o remanejamento de todos da família pelo menos por um mês, para longe das imediações.

Em verdadeiro pânico, Elizabeth envia uma mensagem ao seu namorado. Robert, com a sensibilidade do poeta e do apaixonado, interpretando tal missiva como um pedido de "socorro", responde:

"Se partires o nosso casamento será adiado pelo menos um ano. Já tivemos ocasião de verificar o que ganhamos em esperar até agora. Devemos, pois, casar imediatamente e partir para Itália. Hoje mesmo pedirei a licença e, deste modo, o casamento poderá realizar-se no próximo sábado."

Não vacilando desta vez, numa manhã de sábado, mais precisamente em 12 de setembro de 1846, Elizabeth acompanhada da fiel criada, cujo pretexto foi o de visitar uma amiga, vai ao encontro do seu amado.

Precavendo-se, pois sentia ainda uma grande fraqueza, comprou em uma farmácia um remédio que de alguma maneira evitou que ela simplesmente desmaiasse; não sem muito esforço, Elizabeth conseguiu chegar a Igreja onde Robert, juntamente com um primo, esperava ansiosamente. De forma discreta, finalmente o casamento concretizou-se.

Embora feliz , porém emocionalmente tensa e esgotada fisicamente, a poetisa teve que adiar a fuga que tinham planejado, e por precaução, Elizabeth regressou a casa na companhia da criada, adiando a fuga por mais uns dias.

A FUGA

Exatamente uma semana após o enlace matrimonial, no dia 19 de setembro de 1846, também um sábado, o sinal verde para que fugisse foi dado. Assim, Elizabeth, sua fiel criada, e até o seu cachorro Flusx deixaram definitivamente para trás àquela que teria sido uma verdadeira prisão, a casa de Wimpole Street, 50.

No plano de fuga antecipadamente planejado foi previsto, e isso realmente se concretizou, uma escalada intermediária iniciada na estação de Nine Elmes, perto de Vauxhall, por trem, com destino à tão sonhada felicidade.

ANOS FELIZES

Como nos finais dos velhos contos, Robert e Elizabeth viveram felizes por muitos anos. Cidades como Florença, Paris, Pisa e Roma, eram rotas obrigatórias, desfrutando das belezas naturais, do clima, dos amigos, e logicamente da poesia que além de outras afinidades, unia os dois.

Elizabeth, radiante e feliz, sentia-se muito bem de saúde, e para coroar a felicidade definitiva daquela união, em 1849, na Primavera, deu à luz um menino.

O DESENLACE

Na cidade de Florença, numa tarde de junho, acometida de um repentino e inesperado ataque de bronquite, imediatamente assistida pelo seu médico, nos braços de Robert, a poetisa faleceu.

Num relato comovente, escrito pelo poeta tempos depois afirmou:

"Sempre sorrindo e com uma expressão de felicidade no seu rosto de menina, faleceu, em poucos minutos, com a cabeça apoiada na minha face".

 O LEGADO

Elizabeth Barret Browning legou-nos um testemunho duradouro do seu grande e puro amor. Uma manhã, na Itália, entregou a Robert um caderno de poemas, mais tarde publicados sob o titulo de Sonnets from the Portuguese (Sonetos traduzidos do Português). Um destes é considerado o mais belo poema de amor escrito por uma mulher, em língua inglesa:

Amo-te quanto em largo, alto e profundo

Minhalma alcança quando, transportada,

Sente, alongando os olhos deste mundo,

Os fins do Ser, a Graça entressonhada.

 

Amo-te em cada dia, hora e segundo:

À luz do Sol, na noite sossegada.

E é tão pura a paixão de que me inundo

Quanto o pudor dos que não pedem nada.

 

Amo-te com o doer das velhas penas;

Com sorrisos, com lágrimas de prece,

E a fé da minha infância, ingênua e forte.

 

Amo-te até nas coisas mais pequenas.

Por toda a vida. E, assim Deus o quiser,

Ainda mais te amarei depois da morte.

Tradução de Manuel Bandeira

Créditos:

Texto interpretado livremente, extraído da obra de Donald e Louise Peattie, Uma História de Amor, condensado no livro Grandes Vidas Grandes Obras (Biografias famosas)- Seleções do Reader's Digest, em sua terceira edição: junho de 1980, impresso em Portugal

Fontes consultadas e recomendadas para pesquisas:

 A Little Archive of Poetry

A MORTE DE UM VELHO MESTRE

El autor de la semana

Erin's Elizabeth Barrett and Robert Browning Page

Love Letter by Robert Browning to Elizabeth Barrett

Recanto das Poesias

The Robert Browning Page

The Barratt's of Wimpole Street


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