ALMANAQUE PRIDIE KALENDAS APRESENTA

Grandes empreendedores industriais

 


 

 

 


EXEMPLOS SEM FRONTEIRAS

O Almanaque "Pridie Kalendas", com satisfação e expectativas redobradas, está inaugurando mais uma seção, visando divulgar grandes personagens da história, os quais, independentemente de nacionalidade, credo ou qualquer engajamento filosófico, religioso ou político,  de uma forma ou outra, contribuíram para o progresso da nossa civilização, apoiados na vontade férrea de vencer, transpondo os maiores obstáculos, e demonstrando, nas mais incríveis adversidades, principalmente econômicas, o grande talento do empreendedor nato.

Felizmente, a lista é imensa, causando-nos apenas uma preocupação: Quem seria o primeiro personagem, e, como, seriam escolhidos e relatados os subseqüentes ? Depois de várias consultas, apelos para critérios seletivos tradicionais, elegemos um que, graças ao Senhor,  nunca nos abandonou: o da intuição.

É isso ai! A intuição determinará quais as personalidades  que serão relatadas, e, evidentemente, gostaríamos imensamente do apoio e compreensão dos nossos tradicionais e queridos Amigos.

A grande maioria desses empreendedores começaram em situações extremamente precárias: fundo de quintais, porões exíguos e úmidos, transformados em "chão de fábrica", laboratórios para pesquisas paupérrimos, enfim, uma situação nada alvissareira, porém, fonte inexorável de grandes exemplos, para os nossos jovens e promissores empreendedores, desse nosso querido e imenso Brasil.

Para inaugurar o elenco de personalidades, escolhemos uma que acreditamos sinceramente que será do agrado da grande maioria dos nossos visitantes: 

ANDREW CARNEGIE (1835 - 1919)

Uma das figuras exponenciais e legendárias, sem dúvida alguma, DeWitt Wallace, que em conjunto com a sua esposa Lila Bell Acheson, fundaram a maior revista internacional do mundo e a publicação mais lida em toda a história do jornalismo, Seleções do Reader's Digest, em uma biografia de autoria do escritor e conferencista Charles W. Ferguson, na época das chamadas "vacas magras", acrescenta com muita propriedade, que DeWitt, em uma determinada noite caminhou aproximadamente 3 quilômetros, debaixo de uma chuva torrencial, locomovendo-se à Biblioteca Carnegie, de Medford, saindo com o livro A Arte da Acareação, de Francis Wellman; no seu dia de folga, ficou nos seus aposentos e leu o livro todo, tendo sido fonte espetacular para seguir no seu grande sonho, ou seja, editar o que futuramente seria o grande sucesso editorial, lido até hoje por milhões de almas. (Vide a nossa homenagem à revista, nos seus 60 anos de Brasil)
Fonte da imagem; clicar na fotoComo DeWitt, Andrew Carnegie, fomentou de maneira sólida e com convicção, o que ficou conhecido como o "sonho americano"; Carnegie, um dos homens mais ricos do mundo, com a sua publicada filosofia da filantropia, na qual declarava que um empreendedor só seria bem sucedido se acumulasse riqueza para, em seguida, redistribuí-la; doou cerca de 56 milhões de dólares para a construção de mais de duas mil e quinhentas Bibliotecas Públicas Carnegie, nos Estados Unidos e em vários países de língua inglesa.

Por mais paradoxal que pareça, após atingir o ápice da fama e fortuna, almejava, com absoluta sinceridade, morrer pobre. Com o mesmo denodo que amealhou uma imensa fortuna, passou a reparti-la. Abominando qualquer tipo de violência, principalmente guerras ou revoluções, fundou uma sociedade em prol da paz, construindo o Templo da Paz em The Hague, na Holanda.

Mesmo tendo freqüentado pouco a escola, apenas cinco anos, com uma irrestrita convicção, fundou institutos, tanto em Pittsburg como em Washington, capital do país; também contribuiu para universidades e colégios, doou órgãos a igrejas, prêmios para atos de bravura em tempo de paz, pensionatos, e proporcionou-nos, para proteção da civilização, a Fundação Carnegie.

Ao morrer, em 19 de agosto de 1919, uma terça feira, um vencedor, um inquebrantável realizador, ou como queiram, um empreendedor, de uma maneira poética, deixou de realizar apenas dois sonhos: não ver a paz mundial estabelecida e, o mais surpreendente, não morrer pobre, pois os seus bens, apesar de todos os atos humanitários, desse verdadeiro benemérito, na época, foram avaliados em aproximadamente vinte e dois milhões de dólares. Embora,  reconhecidamente um grande gênio e um especialista na arte da administração de grandes empreendimentos, muito insistiu para que fosse escrito no seu tumulo:

"Aqui jaz um homem que soube cercar-se de pessoas muito mais hábeis do que ele"

O INÍCIO DE TUDO (COMEÇA NA INGLATERRA, A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL)

Até à invenção da fiandeira e do tear mecânico, praticamente o início da revolução industrial, a arte dos tecidos se manteve fiel as suas origens, ou seja, técnicas primitivas advindas da chamada pré-história.

Porém, em 1700, na Inglaterra, foi estabelecida uma lei proibindo que as pessoas vestissem roupas de tecidos provenientes do exterior; particularmente as mulheres, na ocasião, quando não cumpriam as determinações legais, eram presas e, quando não, arriscando-se, enfrentavam a turba dos enfurecidos operários da lã que, atiravam-se em cima delas, a fim de simplesmente lhes tirar do corpo, o famigerado produto estrangeiro. Paulatinamente, como o governo queria, as mulheres passaram a vestir-se de tecidos estampados de algodão, paralisando assim, quase que por completo, a importação.

Fonte: clicar no mapa.Nesse ínterim, em Dunfermline, a antiga capital da Escócia, condado de Fife, não tão distante do golfo de Forth, fôra uma cidade muito próspera, principalmente na confecção dos finíssimos tecidos manufaturados pelos seus artesãos , afamados também além dos seus limites. Infelizmente, a substituição do trabalho tipicamente manual, pelos teares movidos a vapor, arruinou muitas famílias, sendo uma delas os Carnegies; em vista disso, a família resolveu emigrar, em 1848, para Pittsburgh, na Pennsylvania, onde já possuíam alguns parentes.

Henry Hudson (Holandes) descobriu a área (Pennsylvania) em 1609 e os Suecos colonizaram a Ilha Tinicum em 1643. Pennsylvania foi assim chamada em honra de William Penn e foi admitida para a União como o segundo Estado em 1787.  O apelido para Pennsylvania é "The Keystone State".

Instalados em Pittsburgh, a idéia dos Carnegies era a de montar teares, porém, a procura por roupas tecidas a mão era praticamente nula, o que resultou que praticamente estavam em piores condições do que na Escócia; o que salvou de passarem fome foi a destreza da Sra. Carnegie, na confecção de sapatos, aprendido como oficio do seu pai.

Consta que a situação econômica da família e a do próprio Andrew começou a melhorar quando, aos treze anos, conseguiu emprego num moinho de beneficiamento do algodão, como ilustra a figura ao lado, operada também por um garoto. Como podemos imaginar, o trabalho era duro; a jornada era de 12 horas, recebendo por semana um dólar e vinte centavos, tendo sido aumentado em oitenta centavos quando ficou encarregado em acender a fornalha e de monitorar uma máquina a vapor.

CREDIT: Hines, Lewis Wickes. "Boy sweeper, wearing knickers, standing alongside carding machine in Lincoln Cotton Mills, Evansville, Indiana." October 1908. National Child Labor Committee Collection, Prints and Photographs Division, Library of Congress.

Garoto vivaz, sempre a procura de novidades para melhoria de vida, ficou sabendo que o telegrafo local estava recrutando mensageiros, com o ordenado de dois dólares e meio,  candidatou-se a vaga e foi contratado. Consta que, embora bem visto pelos seus superiores, não era nada popular entre os seus pares, em virtude de freqüentemente suplantá-los em cotas provenientes das entregas fora dos limites da cidade, onde ganhavam pagamentos extras e, de não esbanjar o dinheiro extra ganho com as gorjetas.

CREDIT: Hine, Lewis Wickes. "Four A.D.T. messenger boys, with bicycles, Indianapolis, Indiana." August 1908. National Child Labor Committee Collection, Prints and Photographs Division, Library of Congress.

Felizmente,  prevaleceu a justiça em detrimento da má prática, da maneira errônea de julgar um colega pela sua determinação no trabalho; Andrew foi promovido a operador de telegrafo, ganhando 5 dólares por semana.

Carnegie não gastava com distrações; nos seus raros momentos de folga, passava lendo em uma biblioteca particular de um figurão da cidade de Pittsburgh.

Naquele tempo, a telegrafia era, guardando-se as devidas proporções, o que a informática representa hoje; desejoso de aprender mais e mais os segredos da telegrafia, chegava todos os dias mais cedo para praticar; sendo que, com a idade de dezessete anos, já podia considerar-se um exímio operador; como resultante, operava com freqüência, mensagens para Thomas A. Scott, nada mais nada menos do que, superintendente da Divisão de Pittsburgh da Estrada de Ferro Pensilvânia.

Impressionado com a capacidade profissional de Andrew Carnegie,em 1853,  Scott contratou-o, com um salário de 35 dólares por mês, como seu telegrafista particular; sete anos mais tarde, em virtude da promoção de Scott, para a vice-presidência da estrada, Andrew o substituiu no cargo, com o alto salário de 125 dólares mensais.

Aprendendo com Scott os segredos do mercado de ações, Andrew passou a investir as suas economias em vários empreendimentos, tendo porém, obtido resultados palpáveis quando teve um encontro casual com T.T. Woodruf; na oportunidade, ficou conhecendo os planos dele para incrementar as estradas de ferro com carros dormitórios e, aproveitando, foi o intermediário do estabelecimento de uma união entre Woodruf e George Pullman, aliás, também fabricante de carros-dormitórios.

 Isabella Pullman- 1890

Em retribuição, pelo apoio dado ao empreendedor Woodruf e a sua idéia, Carnegie adquiriu o direito de comprar uma cota acionária; tomou dinheiro para tal fim, e, com o passar do tempo, tornou-se o maior acionista da empresa.

Não resta a menor dúvida de que Carnegie gostou da coisa; com o seu prestigio e habilidade em vislumbrar grandes oportunidades, também com dinheiro emprestado, adquiriu a quinta parte da Companhia de Pontes Keystone, cujos resultados foram altamente compensadores, principalmente depois que a Keystone substituiu velhas pontes de madeira por estruturas de aço e, em lugares mal servidos por embarcações, obsoletas e perigosas para a população, construiu belas e seguras pontes de aço.

A realidade é que Carnegie parecia ter o "Toque de Midas", com raríssimas exceções, todos os seus investimentos eram rentáveis; afirmam os seus mais confiáveis biógrafos, de que Carnegie tinha uma habilidade especial, marca registrada de todos os grandes empreendedores: sabia escolher os sócios e os operacionais que se ajustavam perfeitamente em cada um dos casos.

Conhecia como ninguém, as sutilezas intrínsecas do ser humano, e, bem mais tarde, quando já era um verdadeiro mito, admitiu essa destreza, afirmando mais ou menos o seguinte:

"Não sabia nada, ou apenas superficialmente, de máquinas, porém, procurava com intensidade, conhecer essa peça mecânica muito mais complexa: o homem "

Afirmam os entendidos no assunto, que o verdadeiro líder desabrocha muito cedo, e, com Carnegie a escrita foi mantida; quando pequeno, ainda na sua terra natal, Dunfermline, Escócia, quando necessitava de capim para alimentar os seus belos coelhos, amiguinhos, de forma espontânea,  faziam isso para ele, esperando que a reciprocidade fosse mantida, ou seja, ter a honra de verificar que os seus nomes seriam solenemente dados aos bichinhos.

Além da habilidade nata em conhecer o ser humano, sabia que para delegar bem, tinha que ter o controle absoluto da situação, conhecer cada detalhe do seu empreendimento; dizia 

"Acredito que ao colocar todos os meus ovos numa cesta e fiscalizando-a devidamente, as vantagens obtidas serão inúmeras"

Na longa trajetória de vida dessa personalidade exponencial, natural que inúmeras façanhas sejam divulgadas, principalmente aos jovens para servir de estimulo; dentre elas, "pinçamos" uma que materializa de forma substancial, como Carnegie, priorizava a organização e a administração profissional.

Ao obter o controle absoluto de uma usina de aço, constatou com veemente indignação que a mesma, além de não possuir os controles operacionais básicos, não mantinha um sistema de contabilidade, ou seja, controlava apenas as entradas e saídas financeiras de maneira simplista. Sistema de Custo ? Nem pensar! 

A grande realidade é que ninguém na empresa conhecia efetivamente quanto custava cada produto e, evidentemente, qual seria a margem de contribuição individual; não havia uma política de atribuições funcionais dos empregados, não conheciam o peso especifico dos minérios recebidos, possibilitando assim, fraudes nos recebimentos dessas matérias primas, ou descontroles na sua efetiva utilização.

Como ilustração, vejamos o exemplo do carvão vegetal ( a terminologia química  reserva o nome de carvão vegetal a um produto artificial, que é o resíduo da combustão da madeira, onde o carbono aparece na proporção de 50%; o carvão vegetal é obtido pela queima de madeira a uma temperatura superior a 400°C, deixando como resíduo um carvão que mantém a forma e a estrutura da madeira, e é constituído quase inteiramente de carbono.), uma matéria prima muito utilizado nesse tipo de indústria. Quando o fornecimento é idôneo, a compra bem feita, o armazenamento desse material, pelas dimensões do estoque, são depositados ao ar livre e, evidentemente sujeitos as intempéries.

Com as constantes requisições dessa matéria prima ao setor produtivo, na prática, são estabelecidas pesagens padrões que dimensionam o consumo periódico para esse item; principalmente pela chuva e o conseqüente acumulo da água, o volume desses estoques cresce muito, e, o procedimento dos inventários físicos periódicos, transformam-se em ferramentas extremamente úteis ao controle efetivo do consumo; geralmente no processo de inventário, usa-se de um mecanismo geométrico, guardando-se as devidas proporções, muito eficiente: a cubagem do estoque, auxiliada diretamente pela utilização do peso especifico do carvão vegetal.

Por outro lado, já no processo de produção, a perda pela fusão nas reações químicas efetuadas nos cadinhos e fornos, praticamente eliminando todo o oxigênio contido, reduzindo drasticamente o seu peso, representa um fator preponderante no controle físico dos produtos.

Enfim, na apuração dos insumos, um preciso ideal, na aferição dos custos diretos e indiretos de fabricação, em qualquer industria é básico, em uma usina de aço é fundamental.

Carnegie, assumindo diretamente o processo de reformulação administrativa, tomou medidas vigorosas que, já no decorrer de alguns dias, puderam sentir a efetiva transformação; além de montar uma fundição de ferro, contratou especialistas, principalmente para a administração e contabilidade e, na produção, um químico para supervisionar a separação do minério do enxofre e fósforo nocivos - a bem da verdade, o pioneiro a ser encarregado de tal procedimento.

Embora gostando imensamente do que fazia na usina, seu espírito empreendedor conduzia-o para outras plagas, principalmente para um novo nicho, a emergente indústria do petróleo; não se sabe ao certo, porém, por alguns milhares de dólares teve ao seu dispor, a opção de uma gleba nas cercanias de Oil Creek, um investimento altamente lucrativo, calculado aproximadamente em cinco milhões de dólares.

Movido pela intuição, o como apregoavam os mais chegados, pela sorte, em março de 1865, Carnegie demite-se da Estrada Pennsylvania, apesar da insistência de Scott em oferecer-lhe o alto posto de Superintendente Geral; como argumento, o grande empreendedor alegou que era imperioso que centralizasse todas as suas energias aos seus inúmeros investimentos, caso contrário, com a divisão de tarefas tão transcendentais, poderia de alguma forma prejudicar a Estrada Pennsylvania.

A história veio a confirmar que a sua decisão foi acertada, pois além de evitar conflitos de interesses, saiu de um núcleo de grandes convulsões sociais, advindas do fim da guerra e a formação de greves na indústria do aço que assolou todo o país, evitando a falência e, por mais paradoxal que pareça, a sua fortuna cresceu consideravelmente.

Intuição, sorte, ou seja lá o que foi, o que devemos acrescentar é que Andrew Carnegie era um homem além de habilidoso no trato com as pessoas, lia muito e, o mais importante, procurava ficar a par de tudo que fosse novidade, principalmente àquelas que de alguma forma afetavam diretamente os seus negócios; nesse ínterim, tomou conhecimento de um laminador produtor de chapas de aço de várias bitolas, com as extremidades aparadas, tendo a firme convicção de sua utilidade.

Com a rapidez que lhe era peculiar, providenciou a construção de um, o qual expandiu sensivelmente a produção, aumentando assim o volume de negócios, porém, na parte da comercialização,para colocação da novidade,  não confiou na equipe de vendas que tinha. Com a sua grande experiência no ramo ferroviário, fez projeções das tendências mercadológicas ferroviárias, e pessoalmente cuidou da aproximação com os principais Chefes de Compras das ferrovias.

Em 1867, seguindo a tendência dos grandes lideres empreendedores, transfere-se para Nova Iorque,  ficando próximo do chamado mundo financeiro e das principais matrizes das estradas de ferro.

Para que os Amigos do "Pridie Kalendas" saibam da potencialidade das chamadas estradas de ferro nos Estados Unidos da América, em 1830, a extensão aproximada era de 37 quilômetros, em 1840 cresceu para 4.518, em 1860, 78.841 quilômetros, e em 1865, 90.322 quilômetros. No ano de 1916, considerado pelos especialistas como o "pico" do desenvolvimento das estradas de ferro no Estados Unidos, atingiam a incrível extensão de 408.686 quilômetros; em 1920, mais de 2.000.000 trabalhavam para as estradas de ferro e, quase toda família na América tinha um pai, um irmão, tio, ou sobrinha trabalhando no sistema.

MALHA FERROVIARIA NOS EU EM 1890- (FONTE)

Andrew Carnegie, por volta de 1870, ainda na "flor da idade", como se costuma dizer, possuía uma renda anual de aproximadamente cinqüenta mil dólares, podendo se quisesse, exercer uma precoce aposentadoria; todavia, embora pensasse seriamente em tal hipótese, pelo seu estilo, e pelas inúmeras atividades, na prática, essa possibilidade era impraticável.

Era só ouvir falar em um bom negócio, principalmente usina de aço à venda, imediatamente a comprava, reestruturava toda a organização, inclusive com a modernização dos equipamentos, no chamado "chão da fábrica", ou seja, praticamente remodelava todo o fluxo operacional

Os carris das vias férreas dos Estados Unidos eram inicialmente de ferro. Em 1850, a Companhia Ferroviária da Pensilvânia introduziu uma inovação ao importar carris de aço da Grã-Bretanha. A invenção do processo Bessemer (Henry Bessemer- 1813-1898) possibilitou reduzir o custo sensivelmente. 

Por mais paradoxal que possa parecer, Carnegie inicialmente não acreditava no chamado processo Bessemer, o qual, sem entrarmos em minúcias, consistia em aplicar jato de ar frio no ferro fundido para refiná-lo, ou com um pouco mais de detalhamento técnico, se fundir o "pig iron" (produto de alto forno, que é ferro no estado natural e normalmente contem 4.5 % de carbono e impurezas como fósforo, enxofre e silício) num forno reverbatório e descarbonizá-lo através do fluxo de ar pela sua superfície. Para evitar que as barras quentes de ferro expostas às deslocações de ar sofressem descarbonização Bessemer, introduziu o primeiro convertidor (reservatório aquecido que contem "pig iron" fundido) e, com este processo, fez reduzir suficientemente o preço do aço de modo a que este fosse usado em muito maiores quantidades.

Posteriormente, ao visitar a Europa, principalmente várias fábricas que adotavam o processo Bessemer, Carnegie mudou radicalmente de idéia e, ao voltar aos Estados Unidos,  passou a adotar tal técnica, a qual diga-se de passagem, em 1875,  a quantidade produzida de aço Bessemer em Inglaterra era superior a 700.000 toneladas; aço este que era usado principalmente por estradas de ferro, armamento e construção naval; também como conseqüência, prevendo que haveria uma enorme procura de carris por parte das ferrovias nacionais, construiu uma usina de trilhos de aço.

Em 1865, os laminadores em geral, fabricavam os seus primeiros carris de aço. A sua produção aumentou rapidamente; a distância entre os carris do Transcontinental foi fixada pelo Congresso de Washington em 4 pés e 8 ½ polegadas (1,4359 m). Essa bitola manteve-se e generalizou-se.

Aplicando a sabedoria popular, com uma pitada de humor, "COMO NINGUÉM É DE FERRO", Carneei, com o sucesso alcançado com suas novas aquisições e com os outros empreendimentos, resolve comemorar com uma viagem ao redor do mundo; aliando ao prazer natural desse passeio, inclui a leitura de um volume de Shakespeare, presenteado pela sua mãe.

Na verdade, consta que Shakespeare o entusiasmara já no tempo de mensageiro, quanto tivera a oportunidade de freqüentar os bastidores teatrais de Pittsburgh, ouvindo e aprendendo muitas histórias com os "monstros sagrados" da época, os quais encenavam as famosas peças; Carnegie praticamente decorou o livro todo, com a disciplina espartana de se inteirar de uma peça de Shakespeare todo o dia.

Em 1881, Carnegie viaja novamente à Europa, dessa vez para cumprir uma velha promessa feita a sua mãe, percorrendo todo o seu roteiro em uma suntuosa carruagem puxada por quatro cavalos; o objetivo primordial dessa viagem seria, em grande estilo, entrar em Dunfermline, conforme suas próprias palavras na infância:

"Algum dia a levarei de volta à Escócia e irá percorrer a cidade em sua própria carruagem"

De volta aos Estados Unidos da América, Andrew Carnegie irá enfrentar um outro desafio, talvez o maior e mais delicado deles; com as evidencias apresentadas pelos seus assessores, os fatos pareciam refletir que a  Homestead Steel Mill tinha sido constituída para lhe causar sérios transtornos, com reais possibilidades de levar-lhe à falência.

Não considerando aspectos mercadológicos, econômico-financeiros, analisando o fluxo operacional da Homestead, a constatação alarmante tinha lá os seus sérios motivos, senão vejamos: as principais matérias primas,  como o carvão e o  ferro, eram extraídos das próprias minas, com um excelente teor contido, e os calcários, utilizados nas fornalhas, também retirados das próprias pedreiras.

O transporte das matérias primas para as devidas estocagens na usina, eram feitos de duas maneiras estratégicas: ou pelos Grandes Lagos, utilizando-se da frota de vapores , ou pelos quase novecentos quilômetros de extensão de ferrovia, ambos empreendimentos pertencentes a própria Homestead;  conseqüentemente, o custo das reações das matérias primas,nos altos fornos,  para produzir o aço, era altamente competitivo.

Como lhe era peculiar, Carnegie trabalhou silenciosamente e, com um lance de mestre, adquiriu o total controle da Homestead, a qual, posteriormente, constituiu-se em uma das suas realizações mais lucrativas; nesse ínterim, porém, apesar de ter estabelecido na usina, um sistema de prêmios por produção, a companhia foi alvo de uma das mais duras e custosas greves de toda a história do sindicalismo norte-americano.

The Homestead Strike

1892

No mesmo ano, organizou a Carnegie Steel Company Ltda que passou a ser a maior indústria de aço e coque do mundo.

Para Carnegie, o casamento veio tarde; logo após o falecimento de sua mãe. Casou-se com a amiga de vários anos, Louise Whitefield, que foi a esposa ideal do famoso homem de negócios e, quando veio a aposentadoria, com parcimônia, ajudou a distribuir parte da imensa fortuna entre as causas mais merecedoras.

Andrew Carnegie and Philanthropy Towards Libraries

No Man Becomes Rich Unless He Enriches Others

ABOUT CARNEGIE CORPORATION

History of Andrew Carnegie and Carnegie Libraries

James Watt

by

Andrew Carnegie

New York: Doubleday, Page & Company.

May, 1905.

THE RICHEST MAN IN THE WORLD

(Volte sempre; periodicamente, serão incluídos outros personagens)