Previsão do Tempo para São Paulo

ALMANAQUE "PRIDIE KALENDAS" 

 

 

15 de outubro

1827/2002


Flamarion, em seu Annuaire Astronomique datado de 1929, afirmou sobre a utilidade prática da astronomia:

"Não é raro, ver pessoas da melhor roda, cultas e inteligentes, nos demais ramos, que perguntam para que serve a Astronomia. É mais ou menos como se perguntasse para que serve a musica, para que servem todas as artes e todas as ciências"


Conforme Org. Romildo P. Faria, no seu livro Fundamentos de Astronomia, Terceira Edição,  Papirus Editora, na página 183, Capítulo 10- Astronomia no Brasil.

"Pode-se dizer que a Astronomia no Brasil nasceu juntamente com sua descoberta, pois data de 1500  o primeiro registro de observações efetuadas em nosso país. A rigor, entretanto, teríamos que compor um quadro mais amplo, buscando as origens da Astronomia Brasileira entre as tribos indígenas que já existiam naquela época e que, provavelmente, possuíam alguns conhecimentos astronômicos...

PRIMEIROS TRABALHOS ASTRONÔMICOS NO BRASIL

Coube ao bacharel João Emeneslau (Mestre João - físico, cirurgião, engenheiro e astrônomo da esquadra de Cabral) a incumbência de efetuar as primeira medidas astronômicas em terras brasileiras. os relatos destas observações estão contidos numa carta por ele dirigida a D. Manuel, Rei de Portugal, escrita entre 28 de abril e 1 de maio de 1500. Nela está relatada a determinação da latitude geográfica do local de desembarque, efetuada em 27 de abril. Foi realizada a partir de observação do Sol efetuada através de um astrolábio. Encontra-se também neste documento uma rica descrição do céu austral, com destaque para a constelação do Cruzeiro do Sul e outras situadas próximas ao pólo celeste sul."

Para o Observatório Nacional, alvo da nossa singela homenagem, do mesmo autor e fonte, página 184,, temos:

" A partir de 1750, com o Tratado de Madri, que visava delimitar as fronteiras entre os territórios da América subordinados à Espanha e a Portugal, novos trabalhos astronômicos foram desenvolvidos. Em 1781, chegaram ao Brasil os primeiros instrumentos astronômicos que iriam ser utilizados para a instalação do Observatório Astronômico do Rio de Janeiro. Este Observatório, cuja fundação é citada como tendo ocorrido em 15 de outubro de 1827, daria origem, em 1846, ao Imperial Observatório que passaria, com a proclamação da República do Brasil, a ser denominado Observatório Nacional. Possuindo modernos instrumentos, para a época, um grande número de observações de excelente quantidade foram realizadas, destacando-se o apoio dado ao Observatório pelo imperador D. Pedro II, que inclusive lhe cedeu parte de seus primeiro instrumentos. Um dos astrônomos que se destacaram por seus trabalhos nesta ocasião foi Emmanuel Liais (1826-1900), astrônomo francês, que em meados do século XIX assumiu a direção do Observatório, convidado por D, Pedro II. Além de realizar importantes trabalhos de observação do Sol, durante uma expedição ao Paraguai para observar o eclipse total do Sol de 7 de setembro de 1858, Liais deixou publicadas várias observações, particularmente de cometas (inclusive descobrindo um em 1860) em seu livro L'Espace Céleste. Publicou também o livro Traité D'Astronomie Appliquée et De Géodésie Pratique onde descreve os métodos utilizados na exploração da região do Rio São Francisco

...

Em 1886 ocupou a direção do Imperial Observatório o astrônomo belga Luis Cruls (1848-1908), colaborador de Liais. As suas principais realizações foram: a publicação do primeiro volume do Anuário Astronômico do Observatório, a medição do semi-diâmetro aparente de Mercúrio, determinação do período de rotação de Marte, observação de estrela duplas e cometas periódicos."

continuando a consulta da obra citada, já na página 186, temos:

"Coube a Henrique Morize (1860-1930) suceder Luis Cruls na direção do já então Observatório Nacional. Este, que se originou do Imperial Observatório, foi transferido do Morro do Castelo para o Morro de São Januario onde foi instalado em 1922.

Com uma excelente equipe e com novos instrumentos adquiridos foram realizadas várias atividades como a instalação de um serviço da hora, observações de cometas, estrela duplas, da superfície de Marte e trabalhos fotográficos do eclipse total do Sol, ocorrido em Sobral, no ano de 1919.

A partir de 1924 importantes trabalhos relativos à determinação da variação da latitude do Rio de Janeiro foram realizados pelo astrônomo Lélio Gama. 

Em 1930, assumiu a direção do Observatório Nacional Sebastião Sodré da Gama (1883-1950), que continuou os trabalhos iniciados anteriormente, auxiliado principalmente por Domingos da Costa (1882-1956) e Lélio Gama. Este último substituiu Sodré da Gama na direção do Observatório quando foram então adquiridos novos instrumentos. "

Sobre o eclipse total do Sol, ocorrido em Sobral, um importante esclarecimento da nossa parte:

AS ESTRELAS DEPÕEM A FAVOR DA RELATIVIDADE

As quatro estrêlas internas, de centros negros, mostram-se nas posições verdadeiras reveladas por fotografias feitas nessa parte do céu quando alí não estava o Sol. As mesmas quatro estrêlas, durante um eclipse total, se mostrariam nas falsas posições das imagens externas. O desvio dos raios luminosos, causado pela atração do Sol, determina êsse deslocamento aparente das posições.

Texto de H.Gordon Garbedian - Einstein, O Criador de Universos

Livraria José Olympio- 1942

A imagem acima, original sem as estrelas,  foi obtida do:

CDEPA-Astrofotografias / Astrophotography

(http://www.w3.org/)

O ECLIPSE DE SOBRAL E A RELATIVIDADE GERAL

As expedições a Sobral e a Príncipe, em 1919, e seus resultados.

A previsão de Einstein, feita em 1916, de que a luz de uma estrela deveria sofrer um desvio de 1,7" ao passar bem perto do Sol, foi testada durante um eclipse total que ocorreu em 29 de maio de 1919. Esse eclipse foi visível em uma faixa que ia do Brasil à África .

A equipe de Sobral teve melhor sorte, o céu estava claro na hora da totalidade. Foram obtidas oito chapas de boa qualidade, com sete estrelas em cada uma. Os desvios observados, segundo os cientistas, foram os seguintes:

SOBRAL: 1,98" ; PRÍNCIPE: 1,60".

Esses valores estão bem perto da previsão de Einstein (1,7"), permitindo confirmá-los sobre a previsão de Soldner (0,85").

O detalhamento completo desse muito bem elaborado trabalho, bem como conhecer versões contestadoras em:

Medidas modernas do desvio da luz. Os quasares e as lentes gravitacionais.

 poderão ser melhor entendidas no endereço:

http://www.fisica.ufc.br/eclipse/sobral.htm


Como nossa homenagem, uma transcrição estilizada da Capa e Prefácio do Anuário para o ano de 1946

 

CAPA

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E SAÚDE

ANUÁRIO

PARA O ANO DE 1946

PUBLICADO PELO

OBSERVATÓRIO NACIONAL

RIO DE JANEIRO

ANO LXII

 

1946

IMPRENSA NACIONAL

RIO DE JANEIRO- BRASIL

PREFÁCIO

O presente volume é o  62 da série de Anuários do Observatório Nacional que ininterruptamente vêem sendo publicados desde 1885.

Como nos anos anteriores, o Astrônomo Chefe Domingos Costa se incumbiu da confecção do Anuário e da revisão dos cálculos, feitos com a valiosa colaboração do Astrônomo H. V. Morize, dos Astrônomos auxiliares interinos e dos calculadores tarefeiros deste Observatório.

Para uso dos navegantes, bem como para trabalhos mais urgentes dos geógrafos, foram incluídas neste volume efemérides de 218 estrelas brilhantes.

Em volume suplementar, a exemplo dos anos anteriores, serão publicadas as efemérides de mais 400 estrelas, cuja redução ao lugar aparente está sendo executada pela seção de cálculo do Observatório Nacional.

Foram ainda calculadas no Observatório para este Anuário:

a)  Efemérides locais do Sol, da Lua e dos Planetas.

b) Efemérides para 21 estrelas brilhantes, facilitando o cálculo do ponto no mar..

Sodré Da Gama

Diretor


Faça uma visita! Um mundo fascinante ao seu alcance.

Observatório Nacional

O Portal do Observatório Nacional, independentemente do Internauta ser um adepto da astronomia, é imperdível; sem exageros, afirmamos ser um dever cívico visitá-lo; se prevalecer uma sugestão, um atalho do site que, inclusive colocamos nos nossos favoritos, é:

Anuário Interativo do Observatório Nacional


(POR ORDEM ALFABÉTICA)

Chefe da Divisão de Atividades Educacionais; como astrofísico teórico, também é responsável pela excelente qualidade da homepage, cujo domínio é:

www.on.br

Responsável pelos programas que calculam as efemérides do Anuário Interativo; quando solicitado, coopera com a Divisão de Atividades Educacionais.

Coordenadora de Astronomia e Astrofísica; lidera o grupo de pesquisas em planetologia.

Técnica de informática; junto com o "Web Designer" é responsável pela homepage do Observatório Nacional.

"Web Designer" experiente, elaborou o "layout" da página do Observatório Nacional e todo o seu desenvolvimento; mantém, juntamente com a Técnica de informática, por conta própria, a continuidade da mesma. 


Um empreendimento dessa magnitude não se faz sem a ajuda de muitos colaboradores; enfim, de uma verdadeira equipe. Caso tenha havido falha da nossa parte no esquecimento de algum nome,ou mesmo na qualificação técnica e funcional  dos citados, com certeza, em futuras edições, far-se-á justiça