ALMANAQUE PRIDIE KALENDAS APRESENTA

 


 

 

 


AS MARAVILHAS

(POUCO DIFUNDIDAS)

ESCOLHIDAS PELO

 

AQUEDUTO DO RIO COLORADO (EEUU)

Esse grande projeto teve o seu inicio em  1923 e, as condições técnicas da época eram:

Seis Cadeias de montanhas se interpõem entre o reservatório da Represa Parker, que fornece água à cidade de Los ângeles, e a planície litorânea que a recebe. Para passar sobre elas a água tem de ser bombeada a uma altura de 493 metros. Então é que começa a brincadeira. A rota atravessa 390 quilômetros de terreno que parece como se tivesse caído intacto da Lua, uma paisagem de montanhas de areia, leitos secos e bacias drenadas, sem dúvida um dos ermos mais quentes e mais mortais do mundo civilizado.

No Aqueduto do Rio Colorado há 47 quilômetros de sifões de concreto para sugar a água em várias obstruções de seu caminho. Há 89 quilômetros de condutos de concreto de tamanho suficiente para dar passagem a uma linha férrea; 100 quilômetros de canal revestido de concreto pelo qual um navio poderia navegar. Há 148 quilômetros de túnel através das montanhas, grande bastante para deixar passar a mesma linha férrea. Um túnel de 21 quilômetros através do monte San Jacinto teve de ser furado de sete pontos diferentes (Na época, foi a mais difícil construção de túnel registrada na história).    

Uma obra gigantesca como essa, com o passar dos anos, com aprovações de novos financiamentos,  evolui tanto no aspecto técnico, como na amplitude do atendimento, principalmente com novas cidades incorporando-se ao complexo.

Caso queiram informações atualizadas, recomendamos:

The Colorado River:
A Regional Solution

Colorado River

(Informações básicas)

Water from the Colorado River

Colorado River Aqueduct

REPRESA GRAND COULEE/REPRESA HOOVER

Itaipu-A maior hidrelétrica do mundo!

ITAIPU

Ressalva:- Antes de comentarmos algo sobre a Represa Grand Coulee, o Pridie Kalendas, com imenso orgulho e satisfação reitera o que muitos já estão cansados de saber: Itaipu (ao lado) é a maior obra no gênero. No mundo, não existe nenhuma hidrelétrica do porte da Usina de Itaipu. Com sua potência instalada de 12.600 MW, está bem à frente da usina classificada em segundo lugar: Guri, na Venezuela, com 10.200 MW. Em terceiro lugar está a usina de Grand Coulee, nos Estados Unidos, com 6.500 MW, e em quarto a de Sayano Shushenskaya, na Rússia, com 6.400 de MW de potência instalada. A maior usina brasileira, Tucuruí, no Pará, tem potência instalada de 4.200 MW (Clicar na figura). Entretanto, muito provavelmente a Usina Hidrelétrica das Três Gargantas, na China, com a capacidade prevista de 18.200 MW, suplantará a nossa Itaipu (Vide reportagem abaixo)
Na verdade, este espaço foi idealizado para uma cobertura de feitos que, por circunstancias diversas, perderam aquele encanto que as grandes obras despertam em nós humanos; como dizem "rei morto rei posto".  Os números ontem que causavam espanto, hoje, com as constantes evoluções, ficam relegados a segundo plano e, não raro ao esquecimento.

O que veremos a seguir, são dados selecionados de fontes divulgadas por volta de 1960, quando por exemplo, o Grand Coulee era alardeado como uma das maravilhas do seu tempo; outros fatores exponenciais, como por exemplo pioneirismo e dificuldades geográficas, deverão ser inseridos nos parâmetros de avaliação de tais feitos.

A Represa Grand Coulee encerra 8.093.000 metros cúbicos de concreto - o suficiente para fazer um monumento que ocuparia o dobro da área do Edifício Empire State com três vezes a sua altura. Colocar o concreto na represa foi o mesmo que pavimentar uma estrada de 15 metros de largura, de São Francisco a Nova York.

A Grand Coulee pesa 22 milhões de toneladas.

Um problema que os engenheiros tiveram de resolver foi a criação de uma estrutura que não se rebentasse entre a força irresistível do seu próprio peso e a massa inabalável da rocha embaixo. Outra dificuldade séria foi o fato de não poder a represa subir além de 168 metros. (A essa altura ela represava o Rio Colúmbia num lago de 243 quilometros de comprimento; se subisse mais, alagaria o Canadá.) Isto significaria que durante um período de meses a água se derramaria por cima das bordas. E cairia com espantosa força, numa queda com a metade da largura de Niágara, mas com o dobro de altura. Se se deixasse a água bater no fundo, solaparia as fundações da represa, e o ímpeto formidável do rio destruiria a represa ou a tiraria do caminho. Os engenheiros solucionaram o problema idealizando um amortecedor gigantesco: um talude de concreto projeta-se da represa, recebe a cachoeira e verte-a sob a forma de pulverização. Turistas afluem em grande número para ver esse coice fabuloso do talude na cachoeira, coice que salva a Grand Coulee de desmoronar-se rio abaixo.

Para conhecer detalhes desta grandiosa obra, clique na figura!

Hydroelectric Power Generation

(Além do link na figura acima, para conhecer detalhes pormenorizados sobre essa grande obra, clicar na seta abaixo)

(Em virtude do detalhamento, a página demora um pouco para carregar, porém, é imperdível)

A Represa Grand Coulee é uma das maiores produtoras de eletricidade do mundo. Mas isso é apenas um dos feitos hercúleos que ela teve de realizar a fim de alcançar o seu objetivo - bombear água a uma altura de 110 metros, da represa para um canal das proporções de um rio que alimenta 500.000 hectares outrora áridos da Bacia do Colúmbia. O funcionamento de uma dessas bombas requer um motor de 65.000 H.P., potência correspondente a mais de 16 locomotivas que puxam os mais modernos trens de passageiros. Um só desses gigantes bombeia água suficiente para abastecer Nova York (por volta de 1960) para todos os fins - e existem 12 bombas.

Dizem os especialistas, que não haveria suporte técnico,  para a construção de uma obra como a Grand Coulee,  se não tivesse antes sido construída o que consideram com a escola de engenharia civil, a Represa Hoover, situada na fronteira dos Estados de Arizona e Nevada, a 56 quilômetros de Las Vegas.

.Clique na figura para saber mais sobre esta fabulosa obra!

Ela se eleva 221,5 metros acima de seu leito de rocha. Como faltavam padrões de orientação, os engenheiros não foram ousados o suficiente para iniciar a obra sem antes terem um modelo.

Esse protótipo, teria que ser construido, não apenas em escala, mas relativamente à tensão também; por exemplo, se a escala fosse de 1:1.000.000, o material empregado no modelo tinha de "ceder"a um quilo de pressão exatamente um milionésimo da distância que o concreto cederia à pressão de um milhão de quilos.

Os especialistas tiveram que criar uma nova substancia para isso - um material em que suas moléculas se mantivessem unidas por uma força de coesão proporcional à do concreto. Se não bastasse tais dificuldades, outros problemas iam surgindo, como por exemplo o fato de que a medida que o concreto endurece, há uma reação química. Essa reação é acompanhada de calor- e esse, sem dúvida,  foi o pior inimigo que os responsáveis pela obra gigantesca encontraram. Porque o concreto encolhe e fende-se à medida que se esfria. Um bloco tão imenso de concreto levaria mais de um século para esfriar até chegar à temperatura da atmosfera ambiente. Enquanto isso não acontecesse, a obra não teria utilidade; bastaria uma só fenda para que o Rio Colorado com a sua força, demolisse irremediavelmente a represa.

Dessa forma, era necessário encontrar algo novo, uma nova tecnologia- ou como queiram, um concreto "frio" que desenvolvesse menos calor durante o processo de endurecimento.

Inventou-se um novo método de construção

A represa foi construída em blocos a fim de ficarem camadas de ar entre cada bloco durante o tempo necessário ao esfriamento. Depois para fazer a represa o monólito que a força do rio não pudesse abalar, injetou-se concreto nas juntas entre cada bloco, sob tremenda pressão, por tubos de 15 metros de comprimento.

Pra que o processo de resfriamento acelerasse, foi instalada uma grande fábrica de gelo com uma capacidade de 1.700 toneladas diárias. Por tubos enterrados no concreto se bombeava água gelada. Enterrados no concreto havia também termômetros elétricos, cujos fios iam ligá-los a mostradores que  ficavam instalados externamente, a fim de poder-se medir com precisão o resfriamento.

USINA HIDRELÉTRICA 

DAS TRÊS GARGANTAS-CHINA

CANTEIRO DE OBRAS- 2001

Localizadas no Distrito de Sandouping, Município de Yichang, Província de Hubei, na
República Popular da China, as obras do Aproveitamento de Recursos Hídricos de Three Gorges estão sendo construídas a uma distância de 38 km da Barragem
de Gezhouba.

A Usina Hidrelétrica das Três Gargantas está sendo construída no Rio Yangtse, o maior da China, e atualmente a obra se encontra em andamento. Foi aplicado um rígido controle de qualidade, para garantir que a obra não deixe tenha nenhum risco potencial na sua futura operação. A construção da Usina das Três Gargantas foi iniciada em 1993, e até fins deste ano, 4 turbinas devem entrar em funcionamento. Em 2009, com 26 turbinas instaladas, a capacidade concebida da Usina deverá ser de 18.200 megawatts, ultrapassará a de Itaipu, a maior usina hidrelétrica já construída no mundo na zona fronteiriça entre Brasil, Argentina e Paraguai. No canteiro de obra das Três Gargantas, já se vê a forma preliminar da represa, muitos trabalhadores estão ocupados na concretagem e soldagem das estruturas metálicas.

O construtor Wu Chuanlin, com cerca de 50 anos, começou a lidar com a obra em 1996, "Participei da construção de várias obras, e a usina das Três Gargantas é a maior que vi até agora. Tenho honra e orgulho por ter participado desta gigante obra que marca a história chinesa."

Segundo o cronograma de construção, em novembro próximo, será efetuada a segunda represa provisória, e no ano que vem, o reservatório deve começar a encher. A eclusa deve entrar em funcionamento e o primeiro grupo de geradores começa funcionar, ou seja, no próximo ano, a Usina entra parcialmente em funcionamento.

Quando concluída, a obra das Três Gargantas tem como função a prevenção de enchentes, a geração de energia e facilitar o transporte fluvial, por isso, ela desempenhará um papel importante no futuro desenvolvimento sócio-econômico da China. Também por causa de sua importância, muita gente presta atenção à qualidade da obra. Desde o início da construção, o governo chinês e os engenheiros vêm priorizando a qualidade da obra. Comentando isso, um dos diretores do Projeto das Três Gargantas, Cao Guangjing, disse que a obra é umas das mais difíceis do mundo e na história, e durante o processo de construção, ocorreram alguns problemas, porém já foram resolvidos, e não vão deixar riscos potenciais na obra. "Temos um complexo controle de qualidade. Primeiro, as construtoras realizam uma auto-avaliação, segundo, há empresas que fazem a supervisão, terceiro, a nossa corporação, também vai verificar os resultados dos exames, e quarto, funcionam três centros técnicos e uma comissão de controle de qualidade para realizar o macro-controle em toda a obra. Além disso, a construção está submetida à supervisão de um grupo especial do Conselho de Estado, que inspeciona o projeto duas vezes por ano."

Entre todas as medidas para garantir a qualidade da obra, o mais importante é a instituição supervisora independente. Xu Chunyun, engenheiro que trabalha numa entidade de supervisão disse: "Colocamos no máximo 293 supervisores no canteiro da obra, que trabalham 24 horas por dia, assegurando que há sempre um supervisor acompanhando o processo de construção." Além disso, há quatro auditoras chinesas de prestígio trabalhando no setor, e outras empresas estrangeiras, entre elas a Electricite da França, o Bureau Veritas e a Empresa Spie, também da França e a empresa americana Haza.
FONTE: Radio Internacional da China

COMENTÁRIOS COMPLEMENTARES

RESSALVA: Evidentemente, numa obra desse porte, muitos são os comentários; favoraveis e desfavoraveis ao empreendimento; o Pridie Kalendas, um espaço cultural, totalmente isento de aspectos políticos e  também religiosos, sem qualquer outra intenção, exceto de deixar bem informados os nossos prezados Amigos, agrega aos assuntos da reportagem acima, outros que advém de fontes diversas e , que de uma forma ou outra , contribuirá sensivelmente para o fortalecimento dos conhecimentos.

Three Gorges

 Durante o ano, colegas, engenheiros e politécnicos acompanhados por familiares visitam a China para conhecer a barragem da usina hidrelétrica das Três Gargantas, no rio Yangtze.

A aaaep acompanha e divulga este evento todos os anos.

 

Cronograma de Três Gargantas está ameaçado

Remanejamento de pessoas pode atrasar construção da maior represa do mundo, na China
ERIK ECKHOLM
The New York Times
PEQUIM - O remanejamento de pelo menos 1,2 milhão de pessoas para abrir espaço para a Represa das Três Gargantas na China central está tendo um mau começo, pondo em risco o cumprimento do cronograma oficial para que o reservatório da represa esteja cheio daqui a cinco anos, diz um cientista social chinês que, em janeiro, visitou cinco dos condados mais afetados.
Entrevistas com autoridades locais e pessoas afetadas pela gigantesca obra para controlar o Rio Yang-tse-kiang indicaram que o programa de remanejamento - que, segundo informações do governo, já transferiu 100 mil pessoas até agora - tem sido prejudicado por pagamentos compensatórios inadequados e uma escassez de novos empregos e terra cultivável para as pessoas que estão sendo realocadas, além de corrupção nos órgãos governamentais e envio aos líderes nacionais de notícias falsas sobre os progressos da obra por parte das autoridades locais, informa o relatório do pesquisador.
Em novembro, para exaltação nacionalista, a China desviou o Yang-tse-kiang em torno do local da construção e começou a construir a represa, que será a maior do mundo se for executada conforme o planejado. O governo assinou contratos com empresas ocidentais para aquisição das turbinas e outros equipamentos.
Mas os adversários do projeto daqui e do exterior, longe de desistir, dizem que pretendem acelerar a sua campanha de oposição. Dizem que a esperada ascensão, na próxima semana, ao cargo de primeiro-ministro, de Zhu Rongji, o inflexível pragmático da economia, lhes dá novas esperanças de que a obra, cujo custo estimado é de US$ 25 bilhões, possa ser reescalonada (reduzida) ou até mesmo abandonada.
A represa tem sido uma obsessão do extrovertido primeiro-ministro Li Peng, um engenheiro treinado na União Soviética, enquanto Zhu não mostrou nenhum entusiasmo, disse Dai Qing, jornalista de Pequim e uma das poucas pessoas dentro da China que ousam atacar publicamente a Represa das Três Gargantas.
"Zhu nunca se manifestou favoralmente a respeito da obra", disse a jornalista em uma entrevista, comentando que Zhu, como vice-primeiro-ministro encarregado das finanças e da economia, esteve ausente das cerimônias comemorativas do lançamento da obra em novembro. Mas alguns observadores acreditam que a represa está muito adiantada e o prestígio do governo, comprometido demais para a China voltar atrás.
Na cerimônia de novembro, o presidente Jiang Zemin - que, como chefe do Partido Comunista é a figura política mais poderosa da China - chamou a obra de "feito notável na história da humanidade".
Funcionários graduados do governo dizem que a represa proporcionará imensos benefícios, controlando inundações, fornecendo energia não poluidora e abrindo o interior do país para navegação. Os críticos dizem que os benefícios estão sendo exagerados e a represa destruirá o ecossistema do Yang-tse-kiang, enterrando relíquias culturais de valor incalculável e provocando sofrimento em centenas de milhares de pessoas.
Por causa desses senões, o Banco Mundial e o Banco de Exportação-Importação dos Estados Unidos não emprestaram dinheiro para o projeto e os adversários do projeto têm esperanças de conseguir limitar os créditos de exportação europeus.
O autor do novo relatório sobre o remanejamento, um experiente pesquisador de campo, escondeu sua identidade para proteger sua carreira. O relatório está sendo distribuído esta semana pela Rede Fluvial International e Direitos Humanos da China, dois grupos com sede nos EUA que se opõem à construção da represa por motivos relacionados ao meio ambiente e aos direitos humanos.
O governo chinês reconheceu problemas esporádicos de má administração mas informou que, no geral, a primeira fase do remanejamento da população ocorre tranqüilamente.
No ano 2003, quando a represa estiver contruída e o reservatório de água atrás dela estiver cheio no seu nível inicial, pelo menos 500 mil pessoas deverão ser transferidas das cidades, vilas e vilarejos das províncias de Sichuan e Hubei. Em 2009, quando o reservatório estiver cheio num nível ainda mais alto, o governo informa que 1,2 milhão de pessoas terão de ser removidas. Alguns estão resistindo .
"O corpo mole nas operações de remanejamento é generalizado, pressagiando uma crise de maiores proporções se a obra da represa continuar como o planejado", escreveu o pesquisador chinês, estimando que o número de pessoas remanejadas até o momento deve ser pouco mais da metade do total oficial.
Por causa do ritmo lento, escreveu ele, autoridades de um condado disseram que nenhum dirigente público quer se encarregar da remoção à medida que o ano 2003 se aproxima porque muita gente terá que ser removida dentro de um tempo muito curto, provocando a expectativa de inquietações sociais.

FONTE: NET ESTADO

Corrupção Crescente Afeta a Barragem de Três Gargantas
por Doris She

Auditores do governo chinês descobrem amplo esquema de corrupção na
Barragem de Três Gargantas, um escândalo que envolve oficiais de alto
escalão trabalhando tanto na construção da barragem como nos aspectos de reassentamento do massivo projeto. Num dos casos, o oficial corrupto foi sentenciado com a pena de morte.

De acordo com um artigo da Agência Francesa de Imprensa (AFP) de 20 de março, o porta-voz do judiciário anunciou em 25 de fevereiro que o
ex-diretor da agência distrital de reforma agrária em Fengdu recebeu a pena de morte por roubar US$1.440 milhão do projeto da Barragem de Três Gargantas. O jornal de Hong Kong, o Diário de Taiyang, relatou que o Gerente Geral da Corporação Projeto Três Gargantas também foi preso. Ele foi acusado de desviar vários bilhões de Yuan do projeto que deveriam ser usados para a compra de aço dos Estados Unidos.

Relatos de subornos massivos relacionados a construção da maior usina
hidrelétrica do mundo, no Rio Yangtze, tinham vindo a tona desde o início
de sua construção em 1994, mas não tinham sido considerados até 1998, quando o Primeiro Ministro Ahu Rongji prometeu acabar com a corrupção envolvendo o projeto, publicamente reconhecendo que esse fato comprometeu a qualidade da construção. Oficiais disseram ao AFP em janeiro que os processos criminais tinham sido iniciados contra 14 oficiais envolvidos na corrupção da barragem e que outros estavam sendo investigados. Um mês depois, a imprensa oficial revelou que cerca de 100 oficiais conectados com o projeto tinham sido acusados de corrupção.

Fundos para Reassentamento Desviados
A administração da auditoria revelou também que os oficiais locais
desviaram cerca de $57.7 milhões dos fundos de Reassentamento de Três Gargantas quase 12 % do total de $487,8 milhões alocados pelo governo central para reassentar os 1.2 a 1.9 milhões de desalojados pelo projeto. O jornal de Hong Kong, Ta Kung Pao, publicou os seguintes
detalhes extraídos do relatório dos auditores num artigo de 29 de janeiro:
Huang Faxiang, chefe da agência de reforma agrária do Distrito de Fengdu, transferiu para outras contas $3.2 milhões que deveriam ser usados no reassentamento, ficando com $1.9 milhões. Outro oficial da mesma agência, Chen Lanzhi, desviou $609.756 para especulação na bolsa de valores. O contador da agência, Juang Haiying, transferiu $24.390 para sua conta pessoal. Em vez de oferecer compensações aos reassentados, os oficiais do Distrito de Yichang utilizaram cerca de $862.000 do fundo de reassentamento para construir prédios de escritório, áreas residenciais e hotéis para seu próprio benefício. Agentes de reassentamento do Distrito de Fuling usaram $412.804 do fundo de reassentamento para montar uma empresa particular.

Segundo um porta-voz do tribunal de Congqing, um oficial da agência de
imigração foi condenado à prisão vitalícia em maio por corrupção. Wang
Sumei foi condenado por retirar recursos do fundo de reassentamento de Três Gargantas e utilizá-los em festas extravagantes e grandes apostas, entre setembro de 1997 e dezembro 1998. No ano passado, o Ministro de Recursos Hídricos agência responsável pelo controle de enchentes e construção de barragens da China foi acusado de desviar $365.8 milhões de recursos para projetos.

O ministro estava desviando a verba para mercados imobiliários e bolsa de valores. Além do mais, um artigo de 29 de fevereiro no Diário Comercial de Hong Kong dizia que um executivo de alto escalão de uma das empresas sub-contratadas da barragem de Três Gargantas foi demitido em janeiro por sua decisão de comprar maquinário de segunda mão, em mau estado, para o projeto. Dai Lan-sheng, ex-gerente geral da Companhia Industrial de Três Gargantas, também está sendo investigado por suborno e desvio de fundos do estado. Engenheiros e trabalhadores da barragem reclamaram que as máquinas não funcionavam bem e quebravam muito, o que significava alto custo em reparos e atrasos enquanto os trabalhadores procuravam peças substitutas. As equipes de construção usando o maquinário comprado por Dai viram os custos de seu departamento subirem cerca de 20 %.

Quem comprará a Eletricidade?
Corrupção é uma das razões pelas quais os custos do projeto subiram dos originais $8 bilhões para o orçamento atual superfaturado de $24.5
bilhões. Estimativas oficiais prevêem um custo final acima de $30 bilhões,
mas prognósticos de alguns especialistas chegam a $75 bilhões. À medida que os custos do projeto aumentam, crescem também os custos da eletricidade. Numa China em mudanças, onde a demanda não está crescendo tanto quanto o esperado, ao mesmo tempo que fontes de energia alternativa mais flexíveis continuam surgindo durante o tempo necessário para construir grandes usinas, existem sérias preocupações de que o mercado não conseguirá absorver a eletricidade produzida em Três Gargantas. Se a demanda por eletricidade fica significativamente aquém das previsões após o seu lançamento em 2003, o projeto pode sofrer cortes, já que a receita da produção de energia nesta fase deveria financiar o restante da construção (planejada para ser completada em 2010). Essa nova situação pode prejudicar os esforços de levantar recursos estrangeiros para a barragem, pressionando o governo a cobrir os $5.5 bilhões que Beijing inicialmente esperava conseguir através de empréstimos internacionais e mercados de capital.

Yuan Guolin, que até janeiro foi o Gerente Geral da Corporação de
Desenvolvimento do Projeto de Três Gargantas, disse que seria necessário revisar a capacidade do projeto de vender toda a sua produção uma vez que entrasse em operação. Yuan, agora um representante na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês em Beijing, disse que um problema em potencial seria o de que as autoridades de 10 províncias e municipalidades, potenciais consumidores do projeto Três Gargantas, estavam planejando suas próprias plantas de energia elétricas proporcionando uma fonte imediata de receita em impostos para as autoridades locais.

Ele também expressou sua preocupação acerca dos desafios técnicos sem precedentes confrontando os engenheiros que terão que instalar os geradores e turbinas do projeto, comprados de 19 fábricas em sete países, que podem ter dificuldade de funcionar juntos. Outra mega-barragem chinesa, a Usina de Ertan, financiada pelo Banco Mundial no sudoeste da China, é um perfeito exemplo dos problemas financeiros enfrentados por grandes usinas na China. Ertan vem dando prejuízo desde sua inauguração em 1998. O Correio da Manhã, no Sul da China, relatou no começo de março que Ertan ainda não tem compradores para 60 % da energia que produz. Li Dehou, que supervisa o projeto, disse que a planta estava oferecendo descontos para usuários de indústrias e residências num esforço de vender mais de sua produção.

De acordo com o Financial Times (10/03/2000), Chongqing, a maior cidade em Sichuan, tinha concordado durante o planejamento de Ertan em utilizar 32 % da produção da usina, mas agora só utiliza cerca de 14 %. Chongqing tem suas próprias plantas de energia que geram eletricidade mais barata que Ertan e produzem impostos para as autoridades municipais. Li disse ao Financial Times que o melhor opção para o futuro de Ertan era tentar vender sua produção para as províncias do leste da china, mas não disse como isso poderia ser feito ou se esta abordagem seria mais uma fonte de competição para a Usina de Três Gargantas.

Política Bancária Falida
Neste momento, ativistas de todo o mundo estão planejando um grande
protesto a Mobilização pela Justiça Global para a reunião de primavera do
Banco Mundial, no dia 16 de abril em Washington, DC. Ativistas do IRN
estarão lá para pressionar o Banco a deixar de financiar grandes barragens social e ambientalmente destrutivas, e para oferecer compensações àqueles atingidos por seus antigos projetos.

O Banco Mundial é a maior fonte individual de recursos para a construção de grandes barragens em todo o mundo. Com base no seu suposto objetivo público de aliviar a pobreza, o Banco tem promovido e financiado barragens que expulsam de suas terras milhões de pessoas, causando sérios prejuízos ambientais, e forçando os recipientes desses empréstimos a dívidas cada vez maiores. O Banco já emprestou mais de $60 bilhões (em dólares de 1993) para 538 grandes barragens em 92 países, incluindo muitos dos maiores e mais controvertidos projetos do mundo.

O dossiê de grandes barragens do Banco demonstra vividamente a grande tolice de se represar os rios. Caso após caso, os benefícios tem sido muito menores que os prometidos, e os custos em termos de recursos gastos, dívidas contraídas, comunidades desalojadas, recursos pesqueiros e florestais destruídos, e oportunidades perdidas tem sido muito maiores que as imaginadas. Enquanto o Banco afirma que suas operações tem melhorado nos recentes anos, projetos como o das Águas do Planalto de Lesotho, a Usina de Ertan na China e a Barragem de Nam Theum 2 em Laos revelam constantes problemas sociais, ambientais e econômicos com esse seu dossiê de grandes barragens.

As grandes barragens financiadas pelo Banco transformaram mais de 10
milhões de pessoas em refugiados. Em muitos casos, famílias
auto-suficientes da zona rural foram reduzidas a bóias frias ou moradores
de favelas. Apesar de uma política que prega que as pessoas desalojadas
devem pelo menos recuperar seu padrão de vida anterior, um Relatório de
Reassentamento do Banco de 1994 constatou que somente uma usina das várias centenas que o Banco financiou proporcionou um aumento na renda das famílias reassentadas. Mesmo assim, quando entrevistados, 4/5 das residências consideravam-se em pior situação do que antes do
reassentamento. Para a maioria das usinas que financiou, o Banco
simplesmente não tem dados sobre a renda ou padrões de vida das pessoas desalojadas, antes ou depois do reassentamento.

Estimativas oficiais do número de pessoas desalojadas tem sido notoriamente baixos. Mesmo quando uma estimativa realista é feita, as pessoas expulsas de suas terras para dar lugar a infraestruturas relacionadas às barragens, e os que não possuem títulos de terra, são freqüentemente ignorados. O estudo de 1985 sobre a Usina de Sardar Sarovar na Índia, por exemplo, ignorou os mais de 140.000 agricultores que perderiam partes de suas terras para a rede de canais prevista no projeto. Além disso, moradores rio abaixo são geralmente forçados a abandonar suas casas devido aos efeitos causados a pesca ou mudanças hidrológicas que eliminam as estações de irrigação por enchentes. Por exemplo, 11.000 pessoas foram expulsas pelas enchentes da Usina de Manantali em Mali, mas meio milhão de agricultores rio abaixo estão sofrendo as conseqüências das mudanças no fluxo do Rio Senegal.

Usinas financiadas pelo Banco Mundial vem causando grandes problemas
ambientais, incluindo a inundação de grandes áreas de floresta, a perda de incalculáveis recursos pesqueiros, a abertura de regiões remotas para a extração de recursos, e a perda de habitats nos pântanos e estuários. Só as usinas de Tucuruí e Balbina juntas inundaram 6.400 quilômetros quadrados de florestas tropicais na Amazônia Brasileira. Akosombo inundou mais terras que qualquer outra barragem no mundo, 8.500 quilômetros quadrados, cerca de quatro % do território de Ghana.

As usinas financiadas pelo Banco Mundial tem também obtido baixos
resultados econômicos. Uma investigação do próprio Banco em 1996 constatou que os custos de construção ficam até 30 % acima dos estimados em 70 das usinas hidrelétricas financiadas pelo Banco desde 1960. Outro estudo  do Banco revela que, das 80 hidrelétricas terminadas nos anos 70 e 80, 3/4  tiveram custos além do orçamento projetado. A corrupção é uma das razões  dos custos exagerados. O recente escândalo de corrupção envolvendo o  Projeto das Águas de Planalto de Lesotho é somente o mais recente exemplo.

As estimativas sobre a demanda de energia do Banco são invariavelmente
exageradas, resultando em excesso na capacidade de produção quando o projeto é completado. A Usina de Ertan na China que custou $3.4 bilhões vem perdendo $2.4 milhões por dia desde que sua produção foi
iniciada. Devido ao alto custo do projeto e às mudanças na industria de
energia chinesa, a energia elétrica produzida em Ertan é significativamente  mais cara que a produzida pelas plantas menores que foram surgindo durante  a sua construção. A demanda também tem sido menor que a prevista.

Sem nunca deixar de exigir pagamentos pelos empréstimos dos projetos que  financiou, que se estendem perpetuamente (mesmo os que falharam), o Banco Mundial nunca foi forçado a pagar pela destruição que tem causado a milhões  de pessoas e ao meio ambiente. Nós exigimos que o Banco Mundial cumpra  suas promessas e ofereça compensação às comunidades danificadas por  projetos de usinas realizados no passado. Do povo indígena Maya Achi na Guatemala aos atingidos pela Barragem de Pak Mun na Tailândia, comunidades atingidas por barragens estão demandando justiça do Banco Mundial. É hora do Banco pagar as suas dívidas.

FONTE

Monti Aguirre
Latin American Campaigns
Internacional Rever Network
1847 Berkeley Way
Berkeley, CA. 94703 USA
Phone: 510 . 848.11.55 and 707 . 869.16.37
Fax: 510 . 848.10.08
e-mail: mailto:monti%20@irn.org
http://www.irn.org/

 

NOTICIAS GERAIS SOBRE A CHINA- RECOMENDAÇÃO DO PRIDIE KALENDAS

A agência de notícias Xinhua News, mediante um trabalho exponencial, coloca ao nosso alcance, informações preciosas sobre a China;viaje pelo imenso país virtualmente, e  o texto sendo em português, abre uma ampla frente cultural que vale a pena conferir e ficar assíduo:


 Continua