ALMANAQUE PRIDIE KALENDAS APRESENTA

 


 

 

 


 

O MISTÉRIO DA PEDRA DE KENSINGTON

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Será que os nórdicos, em 1362, 130 anos antes da descoberta da América por Cristovão Colombo, em 1492, estiveram em Kensington, no Minesota (EU) ?

Há mais de 100 anos que os estudiosos vêm tentando desvendar este mistério, realmente muito empolgante, digno de constar do Almanaque "Pridie Kalendas".

No longínquo verão de 1898, um colono de origem norueguesa, Olof Ohman, ao extrair uma arvore no seu terreno, emaranhada na sua raiz, encontrava-se a laje da figura ao lado, de forma retangular, com as seguintes dimensões: 79 x  41  x  15 cm. Como podemos apreciar, na laje havia inscrições em caracteres rústicos, fazendo crer que fossem rúnicas, encerrando alguma mensagem especial para que os eventuais descobridores pudessem tomar conhecimento de fatos transcendentais.

  

 
A primeira versão das intrigantes inscrições foi destinada a um personagem de nome Paul Knutson, um cavaleiro norueguês, que supostamente teria chefiado uma expedição fracassada de soldados-missionários até às cabeceiras do Rio Vermelho, no Minesota, Estados Unidos.

Quase que por unanimidade, os chamados formadores de opinião, logo após o descobrimento, foram categóricos em rotular tal hipótese como fraudulenta.

Com o passar do tempo, estudos mais profundos, avalizados até pelo respeitabilíssimo Smithsonian Instituion, com a anuência de eruditos do porte do dr. Matthew W. Stirling, chefe do Bureau de Etnologia Americana, uma instituição oficial, atesta que a pedra de Kensington era "talvez o objeto arqueológico de maior importância até aquela data descoberto na América do Norte."

Atualmente, no mundo científico especializado, tudo leva ao entendimento de que Colombo foi precedido, no Novo Mundo, por outros homens de raça branca, com grande probabilidade de terem sido centenas deles.

Com base em lendas muito antigas, provavelmente semeadas com alguns fatos reais, muito antes das concentrações escandinavas da Groenlândia, em fins do século X, chegaram os gauleses, irlandeses e os bretões.  Todavia, embora fossem homens de grande valor, pelos trabalhos árduos que executavam, como por exemplo: agricultura, pesca, etc., eram totalmente iletrados, resultante duma época de pouco valor para as letras.

Partindo desse pressuposto, os fatos parecem refletir, no entender dos estudiosos, que realmente Paul Knutson foi o primeiro homem branco possuidor de conhecimentos mais intelectuais a pisar no continente norte-americano, juntamente com os seus comandados de expedição.

Contribuindo significativamente para consolidar de vez a espetacular descoberta, havia o fato do colono Olof Ohman ser um cidadão integro, acima de qualquer suspeita em conceber e perpetuar alguma fraude de tamanha envergadura; por sugestões de amigos e vizinhos, Ohman entregou a pedra a um respeitado antiquario da localidade. Este, por sua vez, a remeteu para a Universidade de Minesota, aonde, como fiel depositário, ficou sendo o eminente professor O.J.Breda, já naquela oportunidade, respeitado como sendo um dos maiores conhecedores em assuntos escandinavos.

Para surpresa geral, com relativa facilidade, o professor Breda decifrou grande parte dos dizeres inscritos na pedra, na sua maioria caracteres runas noruegueses, ou seja, faziam parte do primitivo alfabeto utilizados pelos povos germânicos; outros símbolos, porém, aparentemente nada significaram para o eminente professor.

Posteriormente, esses símbolos foram reconhecidos como sendo de números.

A tradução que o professor Breda conseguiu foi:

"(Nós somos) 8 godos [suecos] e 22 noruegueses em (uma) viagem de exploração de Vinland através do Oeste. Tínhamos acampado junto de (um lago com) dois skerries [ilhas rochosas] a um dia de jornada para o norte a partir desta pedra. Andamos (por fora) e pescamos um dia. Depois de voltarmos ao acampamento encontramos 10 (dos nossos), AV(e) M (aria) salvai (nos) do mal. Dez do (nosso grupo) (estão) perto do mar olhando por nossos navios [ou navio] a 14 dias de viagem desta ilha. Ano 1362."

A conclusão do eminente pesquisador foi:

EMBUSTE COM TOTAL EVIDENCIA

Resumidamente, os argumentos foram:

A própria linguagem traía sua origem suspeita: mistura de norueguês, sueco, e do que parecia ser inglês antigo.

Nos tempos em que se usavam os caracteres rúnicos, os suecos e os noruegueses eram inimigos intransigentes, o que fazia crer ser um empreendimento inverossímil, uma expedição conjunta.

As três letras AVM eram latinas, e não rúnicas, com a agravante do alfabeto romano ter sido introduzido na Escandinávia no começo da chamada Idade Média.

Embora que a data de inscrição de 1362, tivesse sido negligenciada no parecer do professor, os caracteres que a representavam não pareciam ser da escrita rúnica primitiva, presumindo, até por lógica natural, que qualquer nórdico que tivesse chegado ao Minesota central, já por si só um grande feito, devia ter partido das colônias da Groenlândia, cuja fundação deve-se a Eric o Ruivo, em data incerta do século XII.

Enfim, como dizem "O seguro morreu de velho", para um parecer mais amplo, a pedra foi enviada para a Universidade Northwestern, para um exame mais detalhado, por peritos em escrita rúnica.

Unânimes, os examinadores reiteraram amplamente o parecer anterior do professor Breda

Posteriormente, a pedra foi devolvida a Ohman que a enterrou com a inscrição voltada para baixo, em um terreno lamacento da sua propriedade, possibilitando assim, que a inscrição se conservasse.

Felizmente, existem pessoas que não acreditam, como dizemos: "Em bola perdida"; são questionadores, estudiosos, insistentes, por muitos classificados como chatos.

Provavelmente, não fosse o determinismo e o interesse de um eminente historiador noruego-americano, Hjalmar R. Holand, a pedra ainda estaria lá, no lamaçal; Ohman, desprovido de qualquer interesse, a não ser que atestassem de alguma maneira a autenticidade da pedra, presenteou a mesma.

Durante mais de trinta anos Holand reservou uma parcela considerável das suas, digamos, horas vagas, ao estudo minucioso da laje.

Apresentou-a para consulta a 23 universidades européias.

Os laudos, em seqüência progressiva, foram fortalecendo os indícios de que haveria uma perspectiva da real autenticidade da relíquia.

 

Em primeiro plano, descobriu-se o significado dos símbolos numéricos, e a determinação da data; os sinais rúnicos eram de origem mais antiga, e de uso corrente na Noruega.

O alfabeto latino fora introduzido no século XIV; e as suas letras, freqüentemente, se mesclavam com os antigos símbolos germânicos.

Essa constatação, com maior ênfase, explicava a aparente incongruência das letras latinas AVM,  representativas de AV (e) M(aria).

Por ser um símbolo de fácil compreensão, favorecia também a inserção do mesmo na pedra, pois, em contrapartida, para gravar a mesma mensagem em caracteres rúnicos, teria sido preciso um espaço consideravelmente maior.

Outrossim, o argumento mais forte encontrado, foi a publicação, em certa revista dinamarquesa de arqueologia, de uma ordem descoberta quase por acaso na biblioteca real de Copenhague.

Magnus, "Rei da Noruega, Suécia e Skaane", mandava que Paul Knutson, um dos homens mais eminentes de sua corte, recrutasse uma expedição destinada a socorrer uma colônia norueguesa que desaparecera da costa ocidental da Groenlândia. Esse documento foi traduzido e rezava assim:

The Orders of King Magnus to Paul Knutson

from the Royal Library of Copenhagen

King Magni letteer of command given to Powell Knutsson at Anarm to sail to Greenland.
Magnus, by the Grace of God, King of Norway, Sweden, and Skone, sends to all men who see or hear this letter good health and happiness in God.
We desire to make known to you that you are to take all the men who shall go in the knorr whether thy be named or not named, from my bodyguard or other men's attendants or of other men whom you may induce to go withy your, and that Powell Knutsson, whi is to be commandant on the knorr, shall have full authority to name the men whom he thinks are best, both as officers and men. We ask that you accept this our command with a right good will for the cause, as we do it for the honor of God and for the sake of our soul and our predecessors, who have intorduced Christianity in Greenland and maintained it to this day, and we will not let it perish in our days. Let it be known that whoever breaks this our command shall feel our displeasure and pay us in full for the offense.
Executed in Bergen on the Monday after Simoni and Judae Day in the 36th year of our rule Herr Ormer Ostinsson, our Lord High Constable, set the seal.

Translation by William Thalbitzer "Two Runic Stones From Greenland and Minnesota", Smithsonian Institution, publication 4021, Aug 30, 1951.
The date given in the order was Oct. 28, 1354.

Haveis de escolher os homens que devem acompanhar-vos no Knorr [ nome do mercante real]...entre os da minha guarda pessoal, e bem assim dentre os servidores de outros homens que acaso desejeis vos acompanhem na viagem...Nós vos rogamos acateis esta nossa ordem com a devida boa-vontade pela causa, tanto mais que o fazemos pela honra de Deus e pela salvação de nossa alma, e pela dos nossos predecessores que na Groenlândia estabeleceram o cristianismo, e até agora o mantiveram ali, e não seremos nós que o deixaremos perecer em nosso tempo...

Assinada em Bergen [Noruega], na segunda-feira depois do dia de Simão e Judá, no sexto e XXX ano de nosso reinado (1354).

Antes de darmos seqüência à reportagem em epígrafe, nós do Almanaque "Pridie Kalendas", como buscadores da verdade, ainda mais quando ela está posicionada em datas, temos que esclarecer:

Em nossa opinião, os fatos parecem refletir que a data da expedição da ordem do Rei Magnus, para 28 de outubro de 1354, alegada por alguns articulistas,  pode ter sido uma "armadilha", senão vejamos:

Na liturgia católica, a comemoração dos santos Simão, Tadeu dá-se realmente em 28 de outubro, porém, considerando-se o calendário juliano de 1354, esse dia caiu em uma terça feira; todavia, há um agravante a ser considerado: consta ter sido assinado pelo Rei Magnus, tal documento, na segunda-feira após esse dia santificado, ou seja, 3 de novembro de 1354.

Constata-se pois, que esse documento era oito anos antes da data gravada na pedra; por analogia, nenhum impostor do século XIX poderia ter tido conhecimento desse documento real, e, convenhamos, oito anos (2.920 dias) era um intervalo de tempo mais do que suficiente para que Knutson navegasse de Bergen às cabeceiras do Rio Vermelho.

Consta dos anais que o Rei Magnus era um evangelizador fanático. Ele próprio havia comandado uma cruzada para tentar convencer a Rússia ao cristianismo pela espada.

Organizara na sua corte, escolhendo a dedo, os jovens de maior valor da nobreza norueguesa e sueca.; dentre esse seleto grupo estava Paul Knutson que recebeu ordem para recrutar pessoas para a sua expedição.  Dessa seleção, faziam parte alguns homens da província de Gottland - por esse motivo, a referência aos godos (*) que figura na inscrição.

(*) Fonte Lello Universal:- Antigos povos da Germânia. Primitivamente acantonados naa foz do Vistula, ocuparam mais tarde o Sudoeste da Europa. Os Ostrogodos (Godos do Leste), encontravam-se no século III na Panóia e na  Mésia; os Godos do Oeste ou Visigodos, tinham por chefe Alarico e invadiram o Império Romano em 410. Ataulfo, irmão e sucessor de Alarico, fundou a monarquia dos Visigodos na Gália meridional e na Espanha.

O Rei Magnus havia recebido más notícias da sua colônia nórdica de Vesterbygd, na Groenlândia, fundada quase 400 anos antes por Eric, o Ruivo; uma das conseqüências teria sido lares abandonados e o gado disperso pelos campos.

Tudo levava a crer que a colônia tivesse abandonado em massa os seus postos, provavelmente em função da agressão dos esquimós hostis. Uma das probabilidades era que esse povo tivesse bandeado para sudoeste, ou mais precisamente para Vinland, uma velha colônia viking de Leif o Venturoso, na costa da futura denominada Nova Inglaterra, próxima ao Cabo Cod, há muito tempo abandonada.

Fanático como era, o rei tinha o receio de que esses súditos fossem ficar isolados pela imensa região, perdendo as próprias almas; dessa forma, a expedição de Knutson, além de outros objetivos, tinha por finalidade a reconduzi-los ao que consideravam ser o bom caminho.

Baseado nos seus estudos, Holand procurou deduzir o que poderia realmente ter acontecido com a expedição de Paul Knutson:

 

Presumiu que Knutson tivesse aportado à costa da Nova Inglaterra, e ali, com os dados possuidos, começou a montar o quebra cabeças para encontrar os groenlandêses.

Sem quaisquer vestigios dos procurados, rumou para o norte e acabou entrando na baía de Hudson, sem quaisquer resultados positivos.

Continuando o périplo, provavelmente chegou ao estuário do Rio Nelson, e foi descendo para o sul até o lago Winnipeg, de onde, transpondo uma série de lagos, transpondo a pé os istmos que os separam, alcançou a regiõ do Rio Vermelho.

Na realidade, todo esse relato, é evidente, não passa de conjecturas do estudioso Holand, porém, se como é possível, a pedra de Kensington for genuina, provavelmente o explorador Knutson e os seus escolhidos, estiveram no Minesota em 1362.

As provas que conduziam a comunidade cientifica a ratificar a autenticidade da pedra, embora lentamente, ia tomando vulto substancial

Nos estudos mais minuciosos, principalmente aos arredores do terreno onde a pedra foi primariamente localizada, nas arvores vizinhas, choupos mais precisamente, em exames nos anéis dos troncos, constatou-se que pelo menos 40 anos de idade teriam sido necessárias para que atingissem o mesmo nível da arvore em que foi localizada a pedra, ou seja, por volta de 1898, época em que raríssimos homens brancos deveriam viver no Minesota, habitado por índios selvagens e naturalmente hostis.

Voltando as mensagens, lemos que alguns dos membros da arrojada jornada ficaram cuidando dos navios, junto ao mar,

"a 14 dias de viagem desta ilha".

Constatou-se também que "um dia de viagem" era uma expressão corriqueira de mensuração do tempo, convencional para tais expedições, que atestava aproximadamente 120 quilômetros, uma distancia razoável que um navio à vela, com vento favorável, poderia transpor; e essa distancia, como atestam os registros, levam ao estuário do Rio Nelson.

A inscrição dizia ainda que a expedição se encontrava acampada em uma ilha de um lago, a 120 quilômetros de distância de um outro lago, onde existiam duas ilhotas de rocha, à margem do qual os seus companheiros de armas haviam sido massacrados.

Como foi constatado, Ohman localizou a pedra nas proximidades de um pântano, onde posteriormente transformou-se em terra seca; o estudo minucioso da região atesta que o terreno com uma ligeira inclinação local do posicionamento original da pedra, era provavelmente uma ilha por volta de 1362.

Durante estes últimos anos toda essa região se tem tornado substancialmente mais seca.

Se não bastasse tais argumentos, mais ou menos a 120 quilômetros de distância do palco dos acontecimentos preliminares, localiza-se o único lago da região com dois skerries, ou ilhas rochosas: é o lago Cormorant. Na sua margem acham-se grandes penedos do período glaciário, em três dos quais notam orifícios triangulares abertos pela mão do homem. Trata-se, mais uma vez, de um expediente muito comum nos fiordes da Noruega, durante o século XIV, para atracar navios. Junto de uma dessas rochas, encontrou-se um fuzil de pederneira norueguês, que data do século XIV.

E, ao longo do curso do Rio Nelson, têm-se encontrado igualmente vários instrumentos noruegueses.

Todos esses fatos parecem refletir qual teria sido a rota que Knutson, ao largar da baía de Hudson, seguiu para o sul.

Questionamentos transcendentais como: qual foi o fim dos sobreviventes que estavam na ilha ? perpetuam.

O mais exeqüível é que tenham sido todos massacrados.

Concluindo, no parecer dos arqueólogos do Smithsoniam Institution, nem um cientista que se preza, com nome a zelar, poderia dar uma aval de absoluta autenticidade na pedra do Kensington, mesmo com as contundentes exposições relatadas. Todavia, se algum falsário fraudou essa preciosidade, acrescentam os peritos, deve ter sido uma combinação de eruditos, com conhecimentos de arqueologia, geologia, lingüista e um hábil historiador, que na época transpôs a selva que na época era o então Minesota, sem deixar quaisquer vestígios.

Nós do Almanaque "Pridie Kalendas", não acreditamos sinceramente que o final da linha seja aqui; acreditamos que ainda, com o passar dos anos, outras descobertas de vulto poderão ajudar na elucidação de tão empolgante mistério.

Como subsídios, mesmo sendo em inglês, disponibilizamos alguns sites que de alguma forma tratam desse assunto.

The Kensington Runestone

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Kensington Runestone

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Is The Kensington Stone the Genuine Article?!

Esta reportagem do Almanaque "Pridie Kalendas" foi baseada no excelente trabalho de Thomas R. Henry

*Reprinted from Thomas R. Henry, "The Riddle of the Kensington Stone, Saturday Evening Post, Vol. 221, August 21, 1948.

Did a group of Scandinavians search this country--and perish under Indian tomahawks--l30 years before Columbus came. Once denounced as a fraud, the message they left for posterity is now called "the most important archaeological object yet found in North America."