O aLMANAQUE "PRIDIE KALENDAS" E O JORNAL "IPIRANGA NEWS" APRESENTAM

 

I) A ACLAMAÇÃO DO IMPERADOR D.PEDRO I

II) RUAS DO IPIRANGA/A HISTÓRIA DA INDEPENDÊNCIA

 

 

 

 

EDIÇÃO HISTÓRICA DO JORNAL IPIRANGA NEWS (SUPLEMENTO ESPECIAL DA EDIÇÃO N. 548 DE SETEMBRO/2008)

A ACLAMAÇÃO DO IMPERADOR D. PEDRO I, NO CAMPO DE SANTANA, SEGUNDO UMA LITOGRAFIA DE DEBRET


I) A ACLAMAÇÃO DO IMPERADOR D. PEDRO I

CERIMÔNIA DE CONSAGRAÇÃO DE D.PEDRO I, TAMBÉM DE JEAN BAPTISTE DEBRET

DEPOIS do regresso de D. João VI do Rio de Janeiro para Lisboa, os acontecimentos políticos precipitaram-se até a independência como uma solução inevitável e forçada da insensatez e inépcia da política que a metrópole queria seguir para com o Brasil, depois das largas conquistas que o movimento liberal ia alcançando em Portugal. Não há fase de maiores incoerências do que a de 1821 a 1822 pelo contraste de que o estadista português almejava para sua pátria e para o Brasil.

Ao mesmo tempo que se queria a vitória do regime parlamentar em Portugal, queria se ao lado disto a recolonizarão do Brasil, sob uma tutela e passividade iguais  ás do começo do século XIX.

Está claro que a opinião brasileira jamais poderia transigir nessa retro gradação que lhe queriam impor as cortes de Lisboa, em nome principalmente dos interesses econômicos e financeiros de Portugal, que dia a dia, decaiam com a liberdade comercial do Brasil, a ponto de verem os seus estadistas o quadro triste de uma pobreza que afetava todas as classes.

O movimento liberal da metrópole reclamava a presença do rei em Lisboa. E esse fato, em si de pouca importância, trouxe como resultado as mais serias conseqüências.

Assunto seriamente debatido, e perante o qual D.João VI foi de uma irresolução criminosa á integridade da monarquia portuguesa, motivou divergências no seio do ministério, á sombra das quais o partido brasileiro procurou engrossar a corrente dos que opinavam pelo regresso do rei, cujas conseqüências seriam inevitavelmente a separação e, por conseguinte, a independência.

Eis aí a importância do fato que se revestiu de um aspecto de grave crise.

A ACLAMAÇÃO DE D. PEDRO I, SEGUNDO UMA ESTAMPA ANÔNIMA DA ÉPOCA.

ASPECTO DO CAIS DO LARGO DO PAÇO, HOJE CAIS PHAROUX, NO TEMPO DE D.PEDRO I

Não eram e nem podiam ser sinceras as opiniões dos estadistas que amavam a integridade da monarquia em favor do regresso do rei, porque os mais rudimentares espíritos haviam de prever a separação do Brasil.

Elas só exprimiam que o eixo da política já oscilava de D. João VI para D. Pedro que então, já atraia mais forças que o próprio pai. Só um homem viu claro os acontecimentos e disse, com franqueza e coragem, o que pensava - Silvestre Pinheiro, que jamais transigiu com o partido brasileiro.

Nomeado para uma comissão diplomática nos Estados Unidos, dizia que "lhe era particularmente agradável nas atuais circunstancias, e porque lhe proporciona os meios de sair decorosamente desse pais e desta corte antes de verificar-se a explosão que há muito se receia, e que agora, depois de feita

D. Pedro I no tempo da partida de D.João VI

a revolução em Portugal, é impossível que se não realize dentro em muito pouco tempo"

Em favor da sua opinião contraria ao regresso do rei, falou sempre com franqueza e coragem. E disto é prova inconcussa o seguinte trecho: "Desde o momento em que S.M. deixar este pais deve considerar o Brasil separado de Portugal e com ele todos os mais Estados Ultramarinos e portanto irremediavelmente dissolvida a monarquia portuguesa.

Por quanto S.M, saindo do Brasil, não deixava nele

outros elementos de governo senão autoridades desprezadas, e desgraçadamente pela maior parte desprezíveis. Tropas detestadas e, infelizmente, pela má conduta de seus membros, merecedoras da geral execração e finalmente povos que, tendo uma vez deposto as autoridades de todas as classes e criado em lugar delas, ao capricho do acaso, as que atualmente existem, bem depressa e muito facilmente fariam suceder a estas outras, sem que a razão humana fosse dado prever as fatalissimas conseqüências de tão horrorosa anarquia."

Eis palavras sinceras, francas, sem a menor preocupação de exploração política em que outros se envolviam, para forma a política de protelação que chegou ao extremo da separação das províncias do norte, a 26 de Fevereiro de 1822, em que o governo desapareceu diluído nas ruas, sem mais a menor parcela de prestigio.

Jurou-se no largo do Rocio uma constituição que ainda não existia senão na mente do legislador, e o povo decretou a demissão de um ministro e a nomeação de um outro. O meeting a 26 de Fevereiro foi uma verdadeira convenção.

Exerceu funções políticas de constituinte, ás quais a coroa se submeteu, abdicando de suas prerrogativas. Está claro que D. João VI não podia mais governar e reivindicar prestigio, cuja diluição consentira e homologara com o seu referendum.

Quando um governo passa á investidura de multidão, todo o principio de autoridade desaparece.

Eis a situação a que levaram o infeliz rei, contra quem faziam a política de exceção, de ameaças e de pavor, justamente para obterem o seu regresso.

O partido brasileiro estava no seu papel e com habilidade extrema não perdia as oportunidades e os fatos para ampliar as suas aspirações. Só quem se colocava mal era D. Pedro, que jamais devia ser solidário com essas manobras, porque, como filho, não podia constituir-se conscientemente como um centro de conspirações dos que para salvarem suas ambições não se importariam de desprestigiar a autoridade. Venceu a opinião do regresso do velho rei, que se realizou a 22 de Abril de 1822.

O rei D. João VI

E daí em diante os acontecimentos precipitaram-se até a independência. A iniciativa da aclamação de D. Pedro Imperador constitucional do Brasil partiu do Senado da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

O ato da aclamação de D. Pedro defensor perpetuo e imperador constitucional do Brasil, teve lugar no dia 12 de Outubro de 1822, no Campo de Sant´Anna.

Para isso foi utilizado um pequeno pavilhão situado no centro do Campo de Sant´Anna e que já tinha servido de palacete onde a corte tinha assistido o fogo de artifício, por ocasião das festas da coroação do rei, depois de muitos reparos que sofreu no sentido de uma arquitetura mais artística e bela.A decoração interior, de grande beleza e fausto, correspondia á dignidade do edifício.

 Não podia ser melhor o local escolhido, no centro do grande campo, de onde se tinha feito desaparecer o imenso jardim que nele existia e que obstruía uma grande parte do campo, para o exercício das tropas brasileiras destinadas a evacuar as tropas portuguesas, que ainda dominavam as fortalezas da Bahia.

O quadro que hoje publicamos representa justamente o momento em que D. Pedro tendo aceitado o titulo de imperador do Brasil, o presidente do Senado e da Câmara Municipal do Rio de Janeiro Clemente Pereira, dá o ultimo viva que a tropa responde com descargas de infantaria e artilharia. O primeiro plano da varanda é ocupado pelo imperador, que tem a sua esquerda o presidente do Senado da Câmara Municipal, tendo em uma das mãos o ato que acabava de ler e com a outra a dar com o lenço o sinal de viva. Ao seu lado está o procurador da mesma corporação, empunhando a bandeira com as armas imperiais. A direita do imperador e um pouco para trás está a imperatriz e a seu lado o comandante José Maria Berço, tendo em seus braços a jovem alteza imperial, D. Maria da Gloria, que mostra ao povo.

No segundo plano, formado pelos ministros, vê-se, imediatamente atrás do imperador e perto da porta do meio, José Bonifácio, ministro do interior, á sua esquerda seu irmão Martim Francisco, ministro da Fazenda, e á sua direita o ministro da guerra, o general Luiz Pereira da Nobrega de Souza Coutinho. Todas as autoridades civis e militares enchem o interior do palacete ou pavilhão e, aos lados, camaristas distribuem em profusão a  resposta impressa do imperador.

Ao fundo vê-se o povo reunido no terraço do palacete, rodeado pela tropa e através da fumaça das salvas distingue-se uma grande porção da parte superior do Museu de Historia Natural (1)

F. Freire

(1) Onde está hoje o Arquivo Público.

O RIO DE JANEIRO NO TEMPO DE D. PEDRO I

As primeiras figuras que apareciam nas ruas pela manhã - o quitandeiro, o carregador d´agua e os religiosos " tiradores" de esmolas

Fonte: Almanaque "Eu Sei Tudo" Número 17, OUTUBRO DE 1918 (Há noventa anos)

Ressalva: A ACLAMAÇÃO DO IMPERADOR D. PEDRO I, NO CAMPO DE SANTANA, SEGUNDO UMA LITOGRAFIA DE DEBRET , na reportagem original está estampada em branco e preto; a CERIMÔNIA DE CONSAGRAÇÃO DE D.PEDRO I, TAMBÉM DE JEAN BAPTISTE DEBRET (Adicionada pelo PK) não encontra-se na reportagem original.

II) RUAS DO IPIRANGA/A HISTÓRIA DA INDEPENDÊNCIA

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