PRIDIE KALENDAS E AS PRINCIPAIS ERAS

 

(Continuação)

(CONCILIAÇÃO OBJETIVA DAS PRINCIPAIS ERAS >>>)

 

 

 

ERA DA FUNDAÇÃO DE ATENAS (ERA CECRÓPICA)

 
Cécrops, personagem de origem egípcia, que dizem ter sido o primeiro rei da Ática, haver ensinado a agricultura aos Gregos, introduzido os cultos de Zeus e Atena, e fundado Atenas e o Areópago.

O conhecimento dos mármores de Paros, que permitiram fixar este fato de uma maneira certa, deu no século XVII a idéia de se fazer uma época histórica que servisse para fixar a data de acontecimentos posteriores.

Os mármores de Paros, preciosos monumentos da arqueologia, são umas tábuas de mármore, em que estão gravadas as principais épocas da história da Grécia, desde Cécrops, fundador do reino de Atenas, até ao arconte Diogneto, compreendendo uma série de 1318 anos, isto é: desde o ano 1582 até 264 antes da era vulgar.

Tendo sido encontrados na ilha de Paros, na Grécia, foram comprados no princípio do século XVII por Lord Tomaz Howard, conde de Arundel, e por isso chamados também mármores de Arundel. Durante as guerras que atrapalharam a Inglaterra, caiu uma boa parte destas preciosidades nas mãos de incultos que as empregaram em reparar portas e até chaminés. O que escapou foi, em 1667, depositado na Biblioteca de Oxford, constituindo o que hoje se chama mármores de Oxford.

A série dos reis de Atenas até à abolição de realeza esta ali marcada com muito cuidado; encontram-se ali também notados muitos acontecimentos da história daqueles tempos recuados, o estabelecimento das principais festa de Atenas,etc.

ERA DE CÉSAR, ou HISPÂNICA
 

Com as suas conquistas os Romanos impuseram aos povos vencidos o seu calendário tal como tinha sido reformado por Júlio César, e é desta introdução que resultaram as novas eras: era de Augusto, no Egito; era de Antíoco Cesárea, na Ásia Menor, e a era de Espanha, na península hispânica, na França e na África meridional.

A Era Hispânica, celebérrima nos antigos monumentos e concílios de Espanha, começou a contar-se do ano de Roma 715, isto é: 38 anos e 11 dias antes da era vulgar, quando a península foi conquistada por Otávio César Augusto.

Começou a ser abandonada lentamente, deduzindo-se, pelas datas dos seus monumentos, que a Catalunha deixou de referir-se a ela no ano 1180; Navarra em 1234; Aragão em 1350; Valência, em 1358; em Castela e Leão vigorou até às cortes de Segóvia, em 1387, nas quais D.João I, monarca daquele país, ordenou que se contasse pela era de Cristo. Observou-se, contudo, que até princípios do século XVII não se generalizou por completo em todo o território espanhol, o uso da era cristã, apesar de haver adotado no ano 1582 a reforma gregoriana.

Em Portugal, foi a era de César substituída pela de Cristo no reinado de D.João I, por lei de 22 de agosto de 1422.

O ano 1460 da era de César em que foi decretada esta substituição passou a ser 1422 da era de Cristo (1460 - 38 = 1422). A era hispânica começa no primeiro de janeiro e os anos são julianos.

 

ERA CRISTÃ, ou ERA VULGAR
 

Apesar da reforma de calendário romano efetuada por Júlio César, não era esta reforma, no século VI, ainda em uso perfeito e os anos contavam-se pela fundação de Roma.

Os cristãos não possuíam um calendário próprio, governando-se pelo dos povos a que pertenciam. Quanto à era, umas vezes referiam-se à fundação de Roma, outras à ordem cronológica dos cônsules e imperadores; mas principalmente adotavam a era de Diocleciano ou dos Mártires.

Estudar e compreender em toda a sua amplitude a Era Cristã, sem relacioná-la com a história dos calendários romanos, no nosso entendimento é um equivoco; partindo-se desse pressuposto, o almanaque "Pridie Kalendas", procurou encaixar a matéria em epígrafe em Calendários Romanos, item 1.4 - A Cronologia Cristã.
 

ERA DE DIOCLECIANO, ou DOS MÁRTIRES
 

Começou entre os Alexandrinos pela elevação ao trono de Diocleciano e substituiu a era mundana.

Principiou em sexta feira, 29 de agosto de 284 da era cristã. Foi usada pelos primitivos cristãos até ao ano 800, apesar de datar da última e mais duradoura perseguição da Igreja cristã ordenada pelo imperador Diocleciano e continuada por Maximino e Maxêncio, e chamada, por isso, também Era dos Mártires.

É usada pelos coptas (egípcios modernos) e pelos cristãos da Abissínia.

 

ERA JUDAICA
 

Os anos são contados a partir da data da criação do mundo, segundo o Gênesis, em 7 de outubro de 3761 a.C..

Para sabermos que ano seqüencial corresponde ao calendário gregoriano, adicionamos a este, os 3.761 daquele.

Exemplos:

A que ano gregoriano de 1982, corresponde o ano seqüencial do calendário judaico?

1982

+3761

                5743 (resposta)

Por outro lado, se quisermos saber qual o ciclo solar que corresponde o ano 5743, procedemos da seguinte forma:

Dividimos o ano judaico por 19; se a conta não der exata, acrescentamos 1 ao resultado, obtendo assim, o ciclo solar. Dando exato, será o último ano desse ciclo:

5.743 dividido por 19 = 302 com um resto de 5

Adicionando-se ao resultado 302, mais um, teremos 303 que representa o ciclo solar; o último ano desse ciclo é o ano de 1996, ou 5757 da era judaica (5.757 dividido por 19 = 302, uma conta exata).

Além disso, por lógica, para sabermos se um ano é comum ou embolísmico, recorre-se ao resto da divisão; sendo os números expressos por 3,6,8,11,14,17 , são eles que determinam ser o ano embolísmico e, quando o resto for zero, refere-se ao último ano do ciclo, ou seja, o dezenove.

A partir de 1250 da era vulgar, o ano judaico começou no primeiro dia de Tishri, variando por um ou dois dias, como vimos, em virtude dos ajustamentos às festa religiosas móveis.

O ano religioso inicia no mês de Nisã.

A derivação para o primeiro dia de Tishri, vinculava-se ao 10 do mesmo mês, ou seja, no dia "da expiação", para que não caísse, em hipótese alguma, em uma sexta-feira, e, muito menos em um sábado.

ERA JULIANA
 

Começa na reforma do Calendário feita por Júlio César, e portanto, 45 anos antes da era cristã (Vide Calendários Romanos); cuidado para não confundir com o período juliano.
 

ERA MAOMETANA, MUÇULMANA ou DA HÉGIRA
 

É seguida pelos árabes, turcos e outros povos que a conquista árabe ampliou. É conveniente conhecê-la por ser empregada nas narrações relativas às cruzadas e é ainda oficial nos povos que professam o islaminsmo.

A palavra Hegira vem do árabe, el hedjra, que significa fuga e recorda a época em que Maomé, perseguido pelos seus inimigos - os Korischitas - fugiu de Meca, sua cidade natal, na noite de quinta para sexta feira, 15/16 de julho de 622 da era cristã (exatamente 621 anos e 196 dias) e se refugiou, com os seus partidários, em Yatub, onde teve tão bom acolhimento que, em sua honra, os seus discípulos lhe deram o nome de Medinet-el- Nabi, que significa - cidade do profeta - e é hoje conhecida por Medina.

É uma confirmação do provérbio bíblico

- Ninguém é profeta na sua terra.

Parecerá estranho que se tome para época de uma era a fuga de um homem.

É que desse fato proveio o bom sucesso do profeta. A este respeito disse Voltaire que "Maomé nunca foi tão grande como na época em que, fugitivo na véspera, se tornou conquistador no dia seguinte".

Os anos da Hegira começaram ao por do Sol e, sendo lunares, são bastantes complicados os cálculos para se estabelecer a correspondência com as datas do calendário gregoriano.

O ano compõe-se de 12 meses de 354 dias lunares, com ciclos de 30 anos, com 11 acréscimos de 1 dia por ano, respeitando-se a seguinte sequencia:

2,5,7,10,13,16,18,21,24,26 e 29

Os anos com 354 dias são comuns e os anos com 355 são chamados abundantes; o acréscimo de 1 dia ocorre sempre no último mês Dulkagiadath.

Os meses, a partir de Moharran ( início do ano) tem, alternadamente, 30 e 29 dias. O ciclo de 30 anos compõe-se de:

11 anos (abundantes) * 355 dias = 3.905 dias

19 anos comuns * 354 dias = 6.726 dias

Total 10.631 dias

A evolução do ciclo lunar de 30 anos, considerando a revolução sinódica da Lua  é de 29,5305555556.

O mês começa com a Lua Nova, cuja assessoria para diagnosticar tal fenômeno é confiada a dois religiosos credenciados.

Considerando-se que a revolução trópica do Sol aproxima-se de 365,2422 dias, cada ano lunar comum, distancia-se aproximadamente 11,24 dias e os abundantes 12,24. No período de 30 anos, essa diferença tinge 326,26 dias, ou quase um ano greegoriano (360,98 dias) a cada 33 anos.

O dia maometano inicia ao por do Sol

Na era de Djeladeddin, em virtude da defasagem vista, alguns paises muçulmanos adotaram um tipo de calendário que era utilizado pelos Persas.

Sobre isto se funda a seguinte regra (empírica) de redução dos anos de Hegira à era cristã e vice-versa.

1) Reduzir anos de Hegira, a anos depois de Cristo.

Se o ano dado não excede 32, ajunta-se-lhe 621. A soma é o ano pedido.

Se o ano de Hegira excede 32, divide-se por 33 e subtrai-se o quociente do ano dado. O resultado, somado com 622 é o ano pedido.

Devemos, contudo, notar que, quando se trata de acontecimentos que se passam nos 11 primeiros dias do ano da Hegira, deve-se imputá-los ao ano solar precedente, porque este tem mais 11 dias que o lunar.

2) Reduzir anos de era vulgar a anos da Hégira.

Se o ano dado é menor que 641, subtrai-se dele 621 e o resto é ano da Hégira.

Se o ano dado está compreendido entre 641 e 653, dele se subtrai 620; se o ano é maior que 653, dele se subtrai 621, e, em qualquer dos casos, se divide o resultado por 33, adiciona-se o quociente ao dividendo, e a soma é o ano da Hégira.

As exceções, até o ano 2008, estão relacionadas abaixo:

HEGÍRA ERA COMUM PRIMEIRO DIA DIA DA SEMANA CICLO SEQÜÊNCIA
19 640 02/01 Domingo 1 19
20 640 21/12 Quinta 1 20
52 672 08/01 Quinta 2 22
53 672 27/12 Segunda 2 23
86 705 02/01 Sexta 3 26
87 705 23/12 Quarta 3 27
119 737 08/01 Terça 4 29
120 737 29/12 Domingo 4 30
153 770 04/01 Quinta 6 3
154 770 24/12 Sábado 6 4
186 802 10/01 Segunda 7 6
187 802 30/12 Sexta 7 7
220 835 05/01 Terça 8 10
221 835 26/12 Domingo 8 11
254 868 01/01 Quinta 9 14
255 868 20/12 Segunda 9 15
287 900 07/01 Segunda 10 17
288 900 26/12 Sexta 10 18
321 933 01/01 Terça 11 21
322 933 22/12 Domingo 11 22
354 965 07/01 Sábado 12 24
355 965 28/12 Quinta 12 25
388 998 03/01 Segunda 13 28
389 998 23/12 Sexta 13 29
421 1030 09/01 Sexta 15 1
422 1030 29/12 Terça 15 2
455 1063 04/01 Sábado 16 5
456 1063 25/12 Quinta 16 6
488 1095 11/01 Quinta 17 8
489 1095 31/12 Segunda 17 9
522 1128 06/01 Sexta 18 12
523 1128 25/12 Terça 18 13
555 1160 12/01 Terça 19 16
556 1160 31/12 Sábado 19 17
589 1193 07/01 Quinta 20 19
590 1193 27/12 Segunda 20 20
623 1226 02/01 Sexta 21 23
624 1226 22/12 Terça 21 24
656 1258 08/01 Terça 22 26
657 1258 29/12 Domingo 22 27
723 1323 10/01 Segunda 25 3
724 1323 30/12 Sexta 25 4
757 1356 05/01 Terça 26 7
758 1356 25/12 Domingo 26 8
790 1388 11/01 Sábado 27 10
791 1388 31/12 Quinta 27 11
824 1421 06/01 Segunda 28 14
825 1421 26/12 Sexta 28 15
858 1454 01/01 Terça 29 18
859 1454 22/12 Domingo 29 19
891 1486 07/01 Sábado 30 21
891 1486 28/12 Quinta 30 22
925 1519 03/01 Segunda 31 25
926 1519 23/12 Sexta 31 26
958 1551 09/01 Sexta 32 28
959 1551 29/12 Terça 32 29
993 1585 03/01 Quinta 34 3
994 1585 23/12 Segunda 34 4
1026 1617 09/01 Segunda 35 6
1027 1617 29/12 Sexta 35 7
1060 1650 04/01 Terça 36 10
1061 1650 25/12 Domingo 36 11
1093 1682 10/01 Sábado 37 13
1094 1682 31/12 Quinta 37 14
1127 1715 07/01 Segunda 38 17
1128 1715 27/12 Sexta 38 18
1161 1748 02/01 Terça 39 21
1162 1748 22/12 Domingo 39 22
1194 1780 08/01 Sábado 40 24
1195 1780 28/12 Quinta 40 25
1228 1813 04/01 Segunda 41 28
1229 1813 24/12 Segunda 41 29
1261 1845 10/01 Sexta 43 1
1262 1845 30/12 Terça 43 2
1295 1878 05/01 Sábado 44 5
1296 1878 26/12 Quinta 44 6
1329 1911 02/01 Segunda 45 9
1330 1911 22/12 Sexta 45 10
1362 1943 08/01 Sexta 46 12
1363 1943 28/12 Terça 46 13
1396 1976 03/01 Sábado 47 16
1397 1976 23/12 Quinta 47 17
1429 2008 10/01 Quinta 48 19
1430 2008 29/12 Segunda 48 20

Como ilustração, relacionamos , com todos os seus desmembramento, o atual ciclo (48) da Hégira.

HEGÍRA ERA COMUM PRIMEIRO DIA DIA DA SEMANA DIAS DECOR-RIDOS CICLO SEQÜÊNCIA
1411 1990 24/07 TERÇA 204 48 1
1412 1991 13/07 SÁBADO 193 48 2
1413 1992 02/07 QUINTA 183 48 3
1414 1993 21/06 SEGUNDA 171 48 4
1415 1994 10/06 SEXTA 160 48 5
1416 1995 31/05 QUARTA 150 48 6
1417 1996 19/05 DOMINGO 139 48 7
1418 1997 09/05 SEXTA 128 48 8
1419 1998 28/04 TERÇA 117 48 9
1420 1999 17/04 SÁBADO 106 48 10
1421 2000 06/04 QUINTA 96 48 11
1422 2001 26/03 SEGUNDA 84 48 12
1423 2002 15/03 SEXTA 73 48 13
1424 2003 05/03 QUARTA 63 48 14
1425 2004 22/02 DOMINGO 52 48 15
1426 2005 10/02 QUINTA 40 48 16
1427 2006 31/01 TERÇA 30 48 17
1428 2007 20/01 SÁBADO 19 48 18
1429 2008 10/01 QUINTA 9 48 19
1430 2008 29/12 SEGUNDA 363 48 20
1431 2009 18/12 SEXTA 351 48 21
1432 2010 08/12 QUARTA 341 48 22
1433 2011 27/11 DOMINGO 330 48 23
1434 2012 15/11 QUINTA 319 48 24
1435 2013 05/11 TERÇA 308 48 25
1436 2014 25/10 SÁBADO 297 48 26
1437 2015 15/10 QUINTA 287 48 27
1438 2016 03/10 SEGUNDA 276 48 28
1439 2017 22/09 SEXTA 264 48 29
1440 2018 12/09 QUARTA 254 48 30
 

ERA DE NABONASSAR
 

Esta era dos Egípcios, tem o seu começo no dia em que subiu ao trono em Babilônia, Nabonassar, fundador do reino.

Este dia, determinado por cálculos astronômicos do geógrafo-astrônomo Cláudio Ptolemeu, fundado num eclipse da Lua observado no primeiro ano do reinado de Mardocempad, corresponde ao meio-dia , 26 de fevereiro do ano 747 a.c., e ao primeiro do mês egípcio Thoth do ano 575 do período sotíaco.

Nada mais tem de notável a era de Nabonassar que, como a das Olimpíadas, também não foi uma era civil, sendo para a Astronomia, o que foi esta para a história.

Os anos contavam-se de 365 dias como no Egito.

Obtém-se a correspondência do ano gregoriano com a do ano da era de Nabonassar, ajuntando 747 e começando os anos a 26 de fevereiro.

 

ERA DAS OLIMPÍADAS, ou DOS GREGOS
 

 
No reinado de Ptolomeu Filadelfo, o historiador Timeu (Timaeus, Timaios) (c. 356-260 a..), de Tauromênio, na Sicilia (*), achou um meio simples de determinar o tempo, estreitamente ligado às maiores solenidades da Grécia - os Jogos Olímpicos.

Estes jogos, que se celebravam de 4 em 4 anos, perto da cidade de Olímpia, na Élida, em honra de Júpiter Olímpico não eram os únicos na Grécia; havia os Jogos Pythios, os quais se celebravam também de 4 em 4 anos em honra de Apolo, que matou a serpente Python com as suas flechas divinas; os Jogos Ístmicos, assim chamados do istmo de Corinto, onde tinham lugar de 5 em 5 anos, instituídos por Taxio, em honra de Netuno; e ainda os Jogos Nemeos, instituidos por Hércules, para perpetuar a vitória por ele alcançada sobre o leão da floresta Nemea, e consagrados a Júpiter.

Os jogos olímpicos era, porém os mais célebres.

Uma lenda helênica atribui ao gigantesco Hércules da mitologia a origem destes jogos.

Principiando por simples divertimentos públicos a que concorriam todas as classes, foram-se tornando festas patrióticas de homenagens aos heróis e eram como concursos de força, robustez e agilidade em que só podiam tomar parte homens válidos e fortes.

Tendo estes jogos caído em desuso, foram restabelecidos por Ifito no ano 884 a.C, mas a sua celebração regular data somente de 776, época em que se introduziu o uso de erigir estatuas aos vencedores. Foi Corebus o primeiro que recebeu esta honra.

A convocação para os jogos olímpicos fazia-se por decreto e eram inaugurados com sacrifícios públicos no templo de Júpiter Olímpico.

Foi na ocasião em que a Corebus se erigiu uma estatua que o historiador Timeo, vendo nas olimpíadas um modo de computação, não somente seguro e fácil, mas também que ainda a vantagem de ser perfeitamente inteligível para todos os gregos, o adotou nos seus escritos, sendo o seu exemplo seguido por todos os historiadores que lhe sucederam.

E assim se estabeleceu a Era das Olimpíadas, a mais célebre de todas as que se usaram na antiguidade, sendo adotada não só pelos Gregos mas também pelos Romanos e por todos os povos que se achavam em relação com  a Grécia.

Note-se, porém, que esta era não esteve nunca em uso na vida civil, mas somente na história.

Os historiadores, antes de contarem por Olimpíadas, marcavam os anos, quer pelos nomes dos nove arcontes de Atenas, quer pelo do primeiro dos cinco éforos (cinco magistrados eletivos, estabelecidos para contrabalançar a autoridade dos reis) de Esparta.

A vitória de Corebus é fixada no ano 776 a.C, compreendendo a primeira Olimpíada os anos 776, 775, 774 e 773, antes da era vulgar.

Quando se designa por Olimpíadas o tempo em que um acontecimento teve lugar, diz-se no primeiro, no segundo, no terceiro ano de tal Olimpíada, especificada por um número ordinal. Mas importa notar que a concordância dos anos olímpicos com os da era vulgar não pode ser completa, porquanto os anos olímpicos não áticos, isto é: principiam no plenilúnio posterior ao solstício do Verão, fixado no primeiro de julho precisamente, enquanto os anos vulgares começam em janeiro. Daqui resulta que o ano olímpico corresponde à segunda metade do ano juliano e à primeira metade do ano seguinte.

Os jogos olímpicos foram abolidos por Teodósio o Grande no ano 394, mas os gregos só deixaram de contar por Olimpíadas no ano 440 da era vulgar, o que forma 304 Olimpíadas em 1216 anos.

Sabendo-se que o primeiro ano da era vulgar corresponde ao primeiro ano duma Olimpíada, (a 195a.), a redução dos anos das Olimpíadas a anos anteriores à era vulgar, faz-se da seguinte forma:

Tira-se uma unidade ao número que representa a Olimpíada dada e multiplica-se o resto por 4; ao produto achado ajunta-se os anos da Olimpíada dada menos 1, e subtrai-se esta soma de 776.

O resto será o ano contado anteriormente à nossa era

Exemplo:- A que era antes de Cristo corresponde o terceiro ano da 82a. Olimpíada?

776 -(82 - 1) * 4 + (3 - 1) = 450 a.C

 

Para converter Olimpíadas em anos posteriores à era vulgar, tira-se 1 ao número que representa a Olimpíada, multiplica-se o resto por 4 e, ao produto, ajunta-se o ano corrente da Olimpíada.

 

Exemplo:- A que ano da era cristã corresponde o terceiro ano da 202a. Olimpiáda?

(202 - 1) * 4 + 3 - 776 = 31

 

Para converter anos anteriores à era cristã em Olimpíadas, tira-se 1 unidade ao ano dado; o resto subtrai-se de 776 e esta diferença divide-se por 4. O quociente mostra o número de Olimpíadas decorridas e o resto, se houver, é o ano da Olimpíada corrente.

Exemplo: A que Olimpíada corresponde o ano 280 antes de Cristo?

776 - (280 -1) / 4 = 776 - 279 / 4 = 497 / 4 = 124 + 1/4

O ano 280 a.C foi o primeiro ano da 124a. Olimpíada

 

Para reduzir a Olimpíadas anos posteriores à era cristã, ajunta-se 775 ao ano dado e divide-se a soma por 4. O quociente representa a Olimpíada, e o resto, se o houver, aumentado de 1 unidade, é o ano pedido.

 

Exemplo:- O ano 500 da era vulgar, a que Olimpíada corresponde?

 

500 + 775  / 4 = 1275 / 4 = 318 + 3/4

É o quarto ano (3 + 1) da 318 a. Olimpíada.

Os jogos olímpicos foram reconstituídos em Atenas com feição moderna, no ano de 1896, e desde então tem-se efetuado em prazos regulares de 4 anos nos diversos países, como festas mundiais da mocidade desportiva que ligam os povos entre si.

Foi o barão Pièrre de Coubertin, que em 25 de novembro de 1892 expor, pela primeira vez, a idéia de fazer renovar nos diferentes países as competições desportivas que outrora ligavam os estados da península helênica.

Em 16 de junho de 1934, a União das Sociedades Francesas de Desportos Atléticos convocou um congresso internacional para o restabelecimento dos jogos Olímpicos, o qual reuniu em Paris, na Sorbone.

As nações que corresponderam a esse apelo, aceitaram o compromisso de celebrar de 4 em 4 anos, como antigamente, e de cada vez no território de uma delas, jogos olímpicos compreendendo todas as formas de exercícios em usa na época da sua celebração.

Nesta conformidade, efetuaram-se em Berlim, em 1936, os jogos da XI Olimpíada a contar da que, em 1896, se realizou em Atenas.

O Comitê Internacional Olímpico tomou por divisa as palavras latinas - citius (mais depressa), altius (mais alto) e fortius (mais forte) e por bandeira uma flâmula branca com cinco argolas entrelaçadas, cada uma de sua cor, que representam a ligação das cinco partes do mundo: a Europa, azul; a Ásia, amarela; a África, preta; a América, verde e a Oceania, vermelha.

(*) A Sicília colonizada pelos Fenícios e depois pelos Gregos que fundaram ali ricas cidades (Siracusa, Himera, Agrigento), foi alvo da infeliz expedição tentada pelos Atenienses no fim da Guerra do Peloponeso, da primeira Guerra Púnica, entre Cartago e Roma, que dela se apossou em 241. Após a destruição do Império, foi sucessivamente devastada pelos Godos, pelos Vândalos, pelos Sarracenos, e, finalmente, pelos Normandos, que durante o governo do conde Rogério a tornaram de novo próspera. Depois de longas e sangrentas guerras, a ilha passou para o domínio dos imperadores, depois para a casa de Anju, e enfim, da de Aragão e da monarquia espanhola. No século XVIII foi anexada ao reino de Nápoles, para formar o reino das Suas Sicílias, sob o domínio de um ramo da casa de Borbom. A expedição de Garibaldi em 1860 entregou-a à Itália. Em julho de 1943, os Aliados, vitoriosos na Tunísia, desembarcaram na Sicília; a conquista da ilha por um exército inglês (Montgomery) e outro americano (Patton) durou trinta e oito dias e foi prelúdio da campanha da Itália.
 

ERA DA PAZ DA IGREJA
 

Conta-se desde o ano 312 da era vulgar, em que Constantino Magno, imperador romano, professou a religião cristã e ordenou que fosse dali em diante a religião do império.

Narra-se a este respeito que, quando Constantino estava sitiando a Maxêncio, em Roma, lhe aparecera no ar, logo depois do meio dia, uma cruz luminosa, com esta inscrição:

In hoc signo vinces  - que quer dizer - Com este sinal vencerás

O que naquela noite lhe foi confirmado  por Deus, que lhe ordenou se servisse do mesmo sinal para estandarte das suas tropas. O pano em que aquele imperador mandou por a imagem triunfante da cruz, é o famoso Labarum, de que, depois, sempre se serviu na guerra.

Os seus sucessores imitaram-no, e este uso generalizou-se depois entre todos os príncipes cristãos.

Dando batalha a Maxêncio ficou vitorioso e assim livrou Roma de um tirano e a Igreja de um perseguidor.

A cruz que até então havia sido um objeto de ignomínia e suplício dos escravos, tornou-se um sinal de salvação e glória.

Este imperador, Constantino Magno, foi o que convocou o primeiro concílio ecumênico, ao qual ele assistiu, no ano 325 da era cristã, em Nicea, cidade da Bythinia, na Ásia Menor.

 

PERÍODO JULIANO
 

O Período Juliano, nada tem de similaridade com o calendário Juliano introduzido em Roma por Julio César.

O período Juliano, abrangendo 7.980 anos, foi concebido por Joseph Justus Scaliger, um dos maiores filólogos do seu tempo.

Através do famoso tratado de cronologia DE EMENDATIONE TEMPORUM, Scaliger evidenciou ao mundo cientifico do seu tempo, o que posteriormente ficou denominado de Período Juliano, em homenagem ao seu pai, Julio César Escaligero, também brilhante filólogo e médico italiano.

Recorrer a períodos passados, comparando-os com outras datas, estipular as "eras"dos feitos épicos, científicos, bélicos e religiosos, foi e continuará sendo necessário aos homens.

Antes do método de Scaliger, dificuldades existiam nesse sentido, exigindo que os pesquisadores, fizessem verdadeiros malabarismos numéricos, para mensurarem a decorrência do tempo.

O Período Juliano propiciou bons resultados.

Na sua essência, esse método é bem simples, diríamos engenhoso e, estruturou-se em três ciclos:

O ciclo Solar (28 anos)
O ciclo Lunar (19 anos)
A indicção Romana (15 anos)

 Sendo primos entre si, os números 28, 19 e 15 foram multiplicados, achando-se o mútiplo comum de 7.980 anos.

O Ciclo Solar de 28 anos e, o Ciclo Lunar de 19 anos, podem ser considerados astronômicos, sendo respectivamente calculados, para o primeiro, início no ano de 9 a.C. e, para o segundo, início do ano de 1 a.C..

Por sua vez, a Indicção Romana, sem qualquer conotação astronômica, com um período de 15 anos, foi decretada em 1 de janeiro de 313 da nova era, Usando-se um subterfúgio, recuou-se 21 ciclos (21 X 15 = 315 anos), calculando o seu início em 3 a.C.

Com a conciliação dos três ciclos:

Ciclo Solar (28 anos) Início em 9 a.C.
Ciclo Lunar (19 anos) Início em 1 a.C
Indicção Romana (15 anos) Início em 3 a.C

Scaliger calculou qual seria o ano da nossa era que coincidiria os três períodos; o ano achado foi o 3.267, ou seja, o ano 3268 daria início novamente aos três ciclos:

Ciclo Solar 3.267 + 9/28 = 117 ciclos
Ciclo Lunar 3.267 + 1/19 = 172 ciclos
Indicção Romana 3.267 + 3/15 = 218 ciclos

Conhecendo-se um dos limites, ou, o ano 3.267, Scaliger, retroagindo 7.980 anos (28 X 15 X 19 ) chegou facilmente ao ano 4.713 a.C. (3.267- 7.980);

Resumindo, o ano 1 do período juliano é o 4.713 a.C, coincidindo com os ciclos solar, lunar e indicção, os quais também, são iguais a 1 (um).

Sob o ponto de vista astronômico, todavia, o ano Zero é 4.713 e isso é fácil de explicar: para os historiadores, não houve zero ano de Cristo.

Já para os matemáticos, a utilização dos números relativos é fundamental:

(.. .-3, - 2, - 1,  0 , + 1, +2 , +3...)

 Os 7.980 anos do período juliano foi iniciado às 12 horas de um Primeiro de janeiro (fictício) de 4.713 (-4.712 astronômicos) antes de Cristo; esse período é numerado seqüencialmente até 31/12/3.267, um sábado.

Para esse período de 7.980 anos, temos 2.914.695 dias médios (7980 X 365,25);

Quando comparamos o período juliano com o ano gregoriano, teremos que levar em conta a supressão de 10 dias do mês de outubro de 1582 e a discrepância de 1 dia a cada século, gerando a escala supressiva a seguir:

Do ano gregoriano de: 1583 - 1700 suprimem-se 10 dias
Do ano gregoriano de: 1701 - 1800 suprimem-se 11 dias
Do ano gregoriano de: 1801 - 1900 suprimem-se 12 dias
Do ano gregoriano de: 1901 - 2100 suprimem-se 13 dias
Do ano gregoriano de: 2101 - 2200 suprimem-se 14 dias

Com esses parâmetros estipulados, vejamos na prática, como funciona o sistema:

Para sabermos qual o período juliano que corresponde um determinado ano gregoriano, adiciona-se a cifra de 4.713 ao mesmo:

exemplos:

Para 1992 temos 6.705 ( 1992 + 4.713)
Para 1993 temos 6.706
Para 1995 temos 6.708
e assim por diante...

Para o dia juliano, por exemplo, de 31 de dezembro de 1992, dia que se inicia ao meio-dia, temos a seqüência de 2.449.001 (6.705 X 365,25).

Para equacioná-lo ao calendário gregoriano, todavia, temos que subtrair 13 dias (tabela de supressão de dias) e que esse resultado, 2.448.988, corresponderia ao dia primeiro de janeiro de 1993, ao meio-dia.

 O PERÍODO JULIANO MODIFICADO (MJD-MODIFIED JULIAN DATE)

A União Astronômica Internacional (UAI), em 1973, reconheceu o método em epígrafe, cujas modificações ao sistema original foram:

Conta-se o MJD a partir de 0 horas de 17 de novembro de 1858

 

Subtrae-se do período juliano original, a cifra de 2.400.000,5; decompondo-se analiticamente a cifra acima, temos:

ano anterior a instituição do MJD 1857
mais 4713
total 6570
6.570 vezes (dias médios) 365,25
sub total 2.399.692,50
mais dias decorridos de 01/01/1858 a 17/11/1858 320
menos tabelinha de dias supressivos (1801-1900) - 12
total 2.400.000,50

Vejamos agora como é que o MJD funciona:

Supondo-se que desejássemos saber qual o MJD do dia 13 de outubro de 1990:

Periodo juliano 2.448.177,5
(-) 2.400.000,50
Resultado: 48.177

ou, o MJD para o dia 13/10/1990 é o 48.177 às 12 horas do Tempo Universal (TU) ou o MJD de 48.176,5 do dia 13/10/1990, a 0 hora.

Apelando-se para o sentido prático, os "experts" usam para todas as efemérides que forneçam o período juliano às 12 horas do Tempo Universal, subtrair a cifra inteira de 2.400.001, obtendo-se dessa forma o MJD para a 0 hora do procurado; no exemplo acima, teríamos diretamente:

Periodo juliano 2.448.177,5
(-) 2.400.001
Resultado: 48.176,5
 

ERA ROMANA, ou DA FUNDAÇÃO DE ROMA
 

Não há certeza absoluta da data da fundação de Roma. Os Romanos, até Júlio César, serviam-se dos fastos consulares - fastos capitolinos - que eram a base da cronologia para a contagem dos anos. No tempo de Júlio César, começaram a contá-los a partir da fundação da cidade (ab urbe condita: A.U.C) que, segundo M. Terencio Varrão, a opinião mais seguida, teria tido lugar 753 anos antes da chamada era vulgar (750 antes do nascimento de Cristo).

Segundo o Lello Universal, Varrão foi um dos maiores sábios do seu tempo, pela vastidão dos seus conhecimentos enciclopédicos.

Esta sistemática é adotada pela maior parte dos cronologistas, indicando-se também, nas datas, o nome do cônsul que então governava.

Os anos começam em 21 de abril.

Considerando-se tal método, para se saber a que ano da era vulgar corresponde, um ano de Roma, subtrai-se deste 753.

Exemplo:- O ano 900 de Roma, a que ano corresponde da era vulgar?

900 - 753 = 147 da era vulgar.

Se o ano dado for inferior a 753, tira-se dele uma unidade, e assim diminuído se subtrai de 753.

Exemplo:- A que ano da era vulgar corresponde o ano 310, de Roma?

753 - 309 = 444 a.C

Querendo passar de um número de anos anteriores ou posteriores à era vulgar, para anos da era Romana, se o número dado é anterior, tira-se de 754, se é posterior, agrega-se 753.

Exemplos:-

Que ano é de Roma o qüinquagésimo  a.C?

754 - 50 = 704

Como é que o "Pridie Kalendas", no titulo em epigrafe, calculou o AUC para o ano de 2004?

2004 + 753 = 2757

ou, em algarismos romanos =

 MMDCCLVII

Esta era foi usada pelos Romanos até ao imperador Décio, em meados do século III da era vulgar; mas é necessário observar que a era de Roma não foi nunca empregada nas leis, nem nos atos públicos, nem nas inscrições monumentais, só tendo feito uso dela os historiadores.

A era civil romana foi a Era dos Cônsules: o nome da cada um destes primeiros magistrados da República que entravam em exercício em Roma no Primeiro de Janeiro servia de data em todos os atos, tanto exteriores como interiores do governo.

A era dos cônsules não é uma era propriamente dita, porque o primeiro desta série de nomes não se ligava a uma época fixa, não indicava nenhum ponto a partir do qual se começasse a contar os anos.

Faz-se remontar este uso ao estabelecimento da República romana, no ano 245 de Roma, 509 antes de Cristo, e quarto da 67a. Olimpíada.

No ano 541 da era cristã Flávio Basílio revestiu o consulado pela última vez, e os anos que se seguiram numeraram-se com a fórmula P.C (post consulatum) Bazilli, ano I, II, etc.; até XXIV, isto é, até 565. No primeiro de janeiro de 566 o imperador Justino II, assumiu a dignidade consular.

Com o decorrer do tempo, acabou-se por confundir o cômputo do ano do império com o do post consulatum.

 

ERA DOS SELÊUCIDAS
 

Seleuco Nicator, um dos sucessores de Alexandre Magno, fez as primeira conquistas que deram princípio aos chamado império dos Selêucidas ou reino da Síria.

Foi este acontecimento que deu orígem à era dos Selêucidas, chamada também era dos Gregos e dos Siro-Macedônios, e a que os Judeus chamam Era dos Contratos por se lhes ter imposto a obrigação de se servirem dela em todas as transações da sua vida social.

Esta era, empregada no livro dos Macabeus e por alguns padres da Igreja Grega, é de grande importância para a história da Ásia, depois da morte de Alexandre e durante toda a Idade Média.

Os Sírios e quase todos os cronologistas fazem começar a era dos Selêucidas pelo equinócio do Outono do ano 312 a.C., e 442 da fundação de Roma, isto é: 12 anos depois da morte de Alexandre Magno; 4402 do período juliano.

Os anos que emprega, ao menos depois da Encarnação, são julianos.

 


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