O NASCER HELÍACO DAS ESTRELAS

A reputação dos eruditos egípcios era tal que, para lá se locomoveram os maiores sábios da Grécia, tais como:

Eudoxo, Pitágoras, Platão, Tales , entre outros.

Com o passar do tempo, os sacerdotes egípcios, que também eram astrônomos, dominavam com maestria o desfilar dos astros pelo firmamento, e sabiam, que as estrelas estavam subjugadas às leis de imutabilidade da Mecânica Celeste.

Dos lugares estratégicos de suas visadas, observavam que toda noite as estrela surgiam a leste do horizonte, ganhavam altura, culminavam quando atingiam o Meridiano, iniciavam a sua declinação para depois, esconderem-se ao Oeste do horizonte.

Conheciam e muito, o vai-e-vem do Sol, naquele período ou ciclo de um ano, e sabiam que o astro-rei, ao declinar constantemente ao longo de sua trajetória na Eclítica, atrasava diariamente o seus nascer, em relação a uma determinada estrela.

Por sua vez, a recíproca era verdadeira, fazendo com que determinadas estrelas surgissem a Leste, juntamente com o nascer do Sol.

Todavia, pelos seus raios, projetados no espaço sideral, imediatamente ofuscavam essas estrelas, dando a sensação do seu desaparecimento, evidenciando nesse instante, um momento ou, um marco de grande validade:

                  O TÉRMINO DA NOITE

Nomearam esse fenômeno como "O Nascer Helíaco de Uma Estrela", propiciando aos sábios egípcios, a fixação dos Decanos, sem dúvida uma marco fundamental para a astronomia.

1) OS DECANOS

Com a fixação dos decanos, pôde-se chegar a divisão da noite em 12 horas, fator esse de grande valia na determinação das horas do dia, mantidas praticamente até hoje.

De uma forma simplista, a descoberta dos Decanos desenvolveu-se assim:

10 dias após o início do ano egípcio, PRIDECA era decano da última hora; decorridos outros 10 dias, SEDECA tomava o seu lugar, e mais outros 10 dias, surgia TERDECA, como decano da última hora já no trigésimo dia do mês de Akket;

Decorridos 360 dias, ENEDECA passava a ser o decano da última hora, ou, como são conhecidos tecnicamente, OS NASCENTES HELÍACOS de Prideca, Sedeca, Terdeca e Enedeca, respectivamente.

Entre tais fenômenos, no decorrer das noites, durante o ano,sistematicamente, iam nascendo os decanos.

No verão egípcio, com as noites mais curtas, por ocasião do nascer helíaco de Sothis, observava-se, em uma noite, o nascer de 12 decanos, o que provavelmente deu origem a divisão da noite em 12 horas.

2- PERÍODO SÓTICO (A DURAÇÃO DO ANO)

No Egito antigo, a estrela Sothis (Siriús), representada na nossa bandeira , simbolizando o Estado do Mato Grosso, na época das cheias, um pouco antes do nascer do Sol, surgia no céu, com uma grande intensidade no seu brilho.

Essa estrela tinha nascimento helíaco, ou seja, nascia juntamente com o Sol, logo desaparecendo, coincidindo novamente no início do ano egípcio.

Com o passar do tempo, essa feliz "sociedade", entre Sothis e o Nilo, deu origem a uma grande descoberta:

O calendário primitivo de 360 dias (12 x 30) estava errado, o ano seria considerado como de 365 dias.

Na prática, perceberam os sacerdotes egípcios que, aproximadamente a cada 4 anos do seu calendário, o primeiro dia do ano antecipava-se quase que um dia do início da primavera; essas verificações constantes, propiciaram aos astrônomos, estimarem a revolução trópica do Sol, próxima a 365,25 dias médios.

Essa anomalia, distorcia as estações ao longo de vários anos, voltando o mesmo a coincidir novamente, no inicio da primavera. Deram a esse espaço de tempo o nome de Período Sótico, por coincidir o primeiro dia do ano com o nascer helíaco de Sótis, a estrela Sírius, da Constelação do Cão.

Constam dos registros históricos, para o período Sótico, o equivalente a 1460 anos egípcios ou, a diferença de 0,25 dias ao ano, multiplicado por 1460, igual a 365 dias.

Em síntese, 1.461 anos de 365 dias cada (533.265 dias), deveria ser, na realidade, 1.460 anos de 365 dias, mais um quarto de dia, ou 6 hora:

1.460 x 365,25 = 533.265 dias

3- SAROS (CICLO DOS ECLIPSES)

Os antigos astrônomos Caldeus, há provavelmente mais de 4.000 anos, desvendaram o que poderia ter sido chamado de "O mistério dos ciclos de eclipses".

Mediante sistemáticas constatações, tabularam inúmeros fenômenos que ocultavam ora o Sol, ora a Lua, total ou parcialmente, os quais ficaram conhecidos como eclipses ( do Latim eclipsis- faltar ou ocultar).

Mais analiticamente, perceberam que:

  1. Os eclipses totais da Lua eram muito mais freqüentes do que os do Sol;
  2. Os intervalos de tempo entre os eclipses eram muito desiguais.

Embora percebessem, no curto prazo de tempo, entre os fenômenos, oscilações temporais desiguais, constataram que a cada 223 lunações, ocorriam em média: 70 eclipses, sendo 41 do Sol e 29 da Lua.

E o mais espetacular!

Comparando-se, aleatoriamente, dois períodos de 223 lunações, havia uma semelhança entre os 70 eclipses de um e de outro, ou seja, as séries de eclipses do Sol e da Lua, em cada grupo de 223 lunações, são parecidas.

Por exemplo, a distância em dias, do primeiro ano da primeira série, com o primeiro ano da segunda série, correspondia a aproximadamente 6.585 dias, mais meio dia, ou seja, o equivalente a 18 anos julianos, mais 11 dias (365,25 x 18 + 11).

Esse período de 6.585,25 dias, no qual – Sol, Lua e a Linha dos nodos, voltavam as suas posições originais, ficou conhecido como "SAROS".

Em rigor, não deve-se considerar o "Saros"como sendo de uma precisão absoluta, pois as diferenças fracionárias de dias, faz com que, os eclipses ocorram, com um deslocamento, para Oeste, de aproximadamente 120 graus, o que, teoricamente, faz com que em 3 "Saros" (120 graus x 3= 360 graus), ocorram manifestações relativamente idênticas.

Em que pese a espetacular coincidência cíclica, aplicando-se números relativamente atuais, poderemos apreciar, mediante a conciliação a seguir, as diferenças fracionárias inevitáveis a que se sujeita o "Saros":

Revolução sinódica da Lua 29,5305881 x 223= 6.585,32114630 dias
Revolução draconítica da Lua 27,2122178 x 242= 6.585,35670760 dias
Revolução anomalística da Lua 27,5545502 x 239= 6.585,53749780 dias
Revolução dos nodos da Lua 346,6201 x 19 6.585,7819 dias
Saros = 6.585,50 dias

Antes das considerações finais referentes a este item, apreciemos alguns exemplos práticos:

Aleatoriamente quanto à ordem, numa determinada seqüência do "Saros", mas dirigida aos anos envolvidos, selecionamos 4 eclipses já ocorridas, referentes ao ano de 1982, sendo 2 do Sol e 2 da Lua.

Ciente de que tais fenômenos ocorrerão novamente após 18 anos corridos, teremos para o ano 2000, 4 eclipses correspondentes, senão vejamos:

ECLIPSES DO SOL

 

1) FENÔMENO

 

25/01/1982 4 HORAS, 57 MINUTOS 0,20625000 DIAS
5/02/2000 13 HORAS, 4 MINUTOS 6.585,54444444 DIAS
SAROS   6.685,33819444 DIAS

 

2) FENÔMENO

 

20/07/1982 18 HORAS, 58 MINUTOS 0,79027777777 DIAS
31/07/2000 2 HORAS, 26 MINUTOS 6.586,12829525483 DIAS
SAROS   6.585,33801747 DIAS

 

ECLIPSE DA LUA

 

1) FENÔMENO

 

9/01/1982 19 HORAS, 54 MINUTOS 0,82916666667 DIAS
21/01/2000 4 HORAS, 42 MINUTOS 6.586,19583333333 DIAS
SAROS   6.685,36666666666 DIAS

 

2) FENÔMENO

 

6/07/1982 7 HORAS, 32 MINUTOS 0,31388888888 DIAS
16/07/2000 13 HORAS, 56 MINUTOS 6.585,58055555555 DIAS
SAROS   6.585,26666666666 DIAS

A regularidade relativa do "SAROS" é de tal forma, que poderemos formar infinitas séries; no exemplo dado, se considerarmos o ano de 1982 como o primeiro da seqüência, teremos:

1982 2000 2018
1983 2001 2019
1984 2002 2020
1985 2003 2021
1986 2004 2022
1987 2005 2023
1988 2006 2024
1989 2007 2025
1990 2008 2026
1991 2009 2026
1992 2010 2028
1993 2011 2029
1994 2012 2030
1995 2013 2031
1996 2014 2032
1997 2015 2033
1998 2016 2034
1999 2017 2035

                                            e assim por diante

No exemplo, o ano de 2018 seria o primeiro da terceira série, mantendo a regularidade do "Saros", e, fenômeno idêntico ao do ano de 1964.

Por outro lado, se considerássemos o ano de 1982 como o último da série, a seqüência seria:

1965 1983 2001
1966 1984 2002
1967 1985 2003
1968 1986 2004
1969 1987 2005
1970 1988 2006
1971 1989 2007
1972 1990 2008
1973 1991 2009
1974 1992 2010
1975 1993 2011
1976 1994 2012
1977 1995 2013
1978 1996 2014
1979 1997 2015
1980 1998 2016
1981 1999 2017
1982 2000 2018

                                              e assim por diante.

A diferença em dias, entre os eclipses de um determinado ano de uma série para outra, desde que correspondentes, será sempre de aproximadamente 6.585,50 dias.

Exemplo:

ANO DE 1923 ANO DE 1924
Eclipse do Sol- 17/3 Eclipse do Sol- 27/3
Eclipse da Lua- 3/3 Eclipse da Lua- 13/3

Embora evidente, não custa alertar aos prezados leitores de que os fenômenos dos eclipses, em que pese a regularidade do "Saros", quando a precisão se fizer necessária, dependerá de cálculos mais avançados, cujos preceitos não serão divulgados, por fugir dos objetivos do presente trabalho.

Como já comentamos, se os planos orbitais da Lua e do Sol não fossem inclinados entre si, teríamos em cada conjunção e oposição, respectivamente, eclipses do Sol e da Lua, ou seja, com muito mais freqüência do que tais fenômenos se manifestam.

Outro aspecto relevante, nas considerações dos eclipses, é de que tais fenômenos são efeitos de perspectivas, dependentes da localização dos eventuais observadores, em relação à Lua e ao Sol, e da intensidade da sombra da Lua que foi projetada pela Terra.

O primeiro aspecto influi nos eclipses do Sol e o segundo na da Lua.

A visibilidade do fenômeno do eclipse do Sol, depende do posicionamento em uma estreita faixa da Terra, dos eventuais observadores, e divergem conforme estejam nas bordas ou na parte central dessa faixa.

Quanto a Lua, o posicionamento do observador na Terra, para o vislumbramento do eclipse é irrelevante; depende isso sim, do maior ou menor sombreamento na superfície da Lua, provocada pelo nosso planeta.

Na hipótese do sombreamento total (eclipse total), todos os eventuais observadores acima da linha do horizonte, verão o fenômeno, praticamente de maneira parecida.